Xibolete

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Xibolete (do hebraico שבולת, transl. shibōleth ) é uma peculiaridade de pronúncia que serve para identificar um determinado grupo linguístico, funcionando praticamente como um tipo de senha linguística.[1]

História[editar | editar código-fonte]

Xibolete é a transliteração do vocábulo hebraico שִׁבֹּלֶת, traduzido por alguns como espiga de grãos e por outros como torrente de água.

No Velho Testamento, em Juízes 12: 1-15, a palavra foi usada para distinguir entre duas tribos semitas, os gileaditas e os efraimitas, que se encontravam em confronto. Os gileaditas, vencedores da contenda, bloquearam todas as passagens para o Rio Jordão a fim de evitar que os efraimitas sobreviventes escapassem. Os gileaditas fizeram todos os que por lá passassem pronunciar a palavra xibolete, mas como os efraimitas não tinham o fonema /ʃ/, pronunciavam sibolete, com /s/, sendo assim reconhecidos e executados.

Xiboletes são utilizados para reconhecer indivíduos pertencentes a grupos diferentes. Durante o massacre das Vésperas Sicilianas, no séc. XIII, os franceses eram reconhecidos pela forma como pronunciavam cìciri (grão de bico em siciliano).[2][3] Durante as revoluções de 1893 e de 1923, no Sul do Brasil, os uruguaios eram identificados fazendo-os pronunciarem a letra J ou pauzinhos, que eles pronunciavam, respectivamente, como "xôta" ou "paucinhos".[4][5]

Significado mais amplo[editar | editar código-fonte]

O termo assumiu um significado mais amplo, podendo indicar também o reconhecimento de um hábito ou uma característica específica, que permita reconhecer que o indivíduo pertence a um grupo distinto.

A forma xibolete é registrada no Aurélio XXI e no Grande Manual de Ortografia, de Celso Pedro Luft. Já Antenor Nascentes registra a forma xibolet. O termo também pode ser escrito como xibolé ou xibolê.

Referências

  1. Colectânea de textos Maçónicos (2013). «ARTE REAL – TRABALHOS MAÇÓNICOS» (PDF). Consultado em 8 de Setembro de 2018 
  2. Runciman, Steven (1997). I vespri siciliani (em italiano). [S.l.]: Edizioni Dedalo. p. 281. ISBN 88-220-0508-2 
  3. Schirò, Samuele. «Per un pugno di ceci» (em italiano). Palermo Viva. Consultado em 11 de dezembro de 2018 
  4. Moreno, Cláudio. «xibolete». sualíngua. Consultado em 11 de dezembro de 2018 
  5. Nascimento, Enock (17 de agosto de 2017). «Não erre o xibolete!». AmazonasAtual. Consultado em 11 de dezembro de 2018