Ir para o conteúdo

Yukio Seki

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Yukio Seki
関行男 Seki Yukio
O tenente Seki, usando um colete salva-vidas
Nascimento
Morte
25 de outubro de 1944 (23 anos)

USS St. Lo (CVE-63), Golfo de Leyte, Filipinas
Serviço militar
PaísJapão Império do Japão
Serviço Serviço Aéreo do Exército Imperial Japonês
Anos de serviço1938–1944
Patentetenente
Conflitos

Yukio Seki (em japonês: 関行男 Seki Yukio, Saijō, Shikoku, Japão, 29 de agosto de 1921 – 25 de outubro de 1944) foi um aviador naval japonês da Marinha Imperial Japonesa durante a Segunda Guerra Mundial. Ficou famoso por liderar o primeiro ataque kamikaze bem-sucedido da Segunda Guerra Mundial.[1]

Início da vida

[editar | editar código]

Yukio Seki nasceu em 29 de agosto de 1921 em Saijō, uma pequena cidade em Shikoku. Seus pais eram donos de uma loja de antiguidades especializada em utensílios para o cerimonial de chá. Durante o ensino secundário, Seki teve contato com cursos de treinamento naval em sua escola, e planejou seguir carreira na Marinha. Considerando que o pessoal da Marinha era preparado para a possibilidade de morrer em batalha, e visto que Yukio era filho único, sua família adotou uma filha com idade próxima da dele, para continuar a ajudar com as tarefas familiares.[2]

Em 1938 ele se candidatou para matrícula nas Academias de Guerra da Marinha e do Exército. Ele foi aceito em ambas, e optou pela Academia Naval Japonesa em Etajima. Durante o tempo em que serviu, seu pai faleceu e sua mãe fechou a loja de antiguidades da família e passou a viver sozinha. Em 1941, um mês antes do ataque de Pearl Harbor, Seki concluiu sua formação, e foi alocado no couraçado Fusō. Em junho daquele mesmo ano, ele foi promovido a tenente e, logo mais, transferido para o porta-aviões Chitose.[2]

Em 1942, Seki se matriculou na Academia Naval de Voo em Kasumigaura, Ibaraki, e lá treinou como piloto de bombardeiro. Em janeiro de 1944, se tornou instrutor da mesma academia. Em setembro de 1944, foi transferido para Tainan, Taiwan e depois, em outubro do mesmo ano, para o 201° Grupamento Aéreo, nas Filipinas onde, depois que o vice-almirante Takijiro Onishi autorizou a transformação dos ataques suicidas ocasionais dos pilotos de caças em uma campanha estruturada, o primeiro ataque kamikaze foi planejado.[1]

Ataque kamikaze

[editar | editar código]

Depois da Batalha do Mar das Filipinas, do "Abate de Perus das Marianas" em Junho de 1944 e do massacre da base aérea das forças aéreas do exército e da marinha imperiais em Formosa, em Setembro deste ano os líderes japoneses começaram a considerar o uso de tácticas nascidas de puro desespero que encontrassem base no código bushido da cultura japonesa. Os ataques suicidas não eram nada de novo para os japoneses, contudo a partir de Outubro de 1944 começou a haver tácticas desenhadas deliberadamente com o fim de suicídio.[3]

Como piloto kamikaze o Tenente Seki liderou um dos três grupos de combate no segundo ataque kamikaze oficial da Segunda Guerra Mundial (o primeiro ataque foi uma tentativa mal-sucedida realizada por Yoshiyasu Kuno no dia 21 de Outubro de 1944). A última acção de Seki ocorreu no dia 25 de Outubro de 1944, durante a Batalha de Leyte Gulf. Neste ataque, ele liderou uma unidade de cinco caças Mitsubichi Zero armados com bombas, lançando o seu avião deliberadamente contra o USS St. Lo; em pouco tempo o navio foi completamente incendiado e explosões ocorreram ocasionando a morte de 140 norte-americanos, culminando assim no primeiro ataque kamikaze a afundar um navio inimigo.[3]

Antes do seu acto final, Yukio Seki afirmou em entrevista que cumpria ordens do Império, mas que suas ações deveriam ser entendidas como defesa da honra de sua esposa, e não como acção em prol do Império Japonês. O líder afirmava que acreditava que sua esposa poderia sofrer violências por parte dos norte-americanos, e agia em defesa da sua segurança. A religião oficial do Estado, xintoísta, considerou os kamikazes como guardiões da pátria.[carece de fontes?]

Embora tenha sido selecionado para liderar a primeira unidade de ataque especial devido ao seu perfil técnico e liderança como graduado da Academia Naval, Seki expressou profunda ambivalência quanto à ideologia estatal do sacrifício.[4] Em entrevista concedida em 20 de outubro de 1944, ele afirmou explicitamente que sua motivação não era o Império Japonês ou o Imperador, mas sim a proteção de sua esposa — a quem se referia utilizando o termo "KA", gíria da Marinha para as companheiras.[4] Seki acreditava que sua morte era um meio de garantir que sua amada fosse protegida no desfecho da guerra.[4] Além disso, registros de diálogos com outros oficiais revelam seu ceticismo sobre a eficácia estratégica dos ataques suicidas e o sofrimento psicológico causado pelas sucessivas tentativas abortadas antes de sua missão final em 25 de outubro.[5]

Referências

  1. 1 2 Chen, C. Peter. «Yukio Seki». World War II Database. Consultado em 26 de fevereiro de 2025
  2. 1 2 Warner, Denis; Warner, Peggy; Seno, Sadao (1982). The sacred warriors: Japan's suicide legions. Nova Iorque: Van Nostrand Reinhold. pp. 45–48. ISBN 978-0442254186
  3. 1 2 «Yukio Seki | Padre Steve's World: Resist the Beginning, Consider the End». padresteve.com (em inglês). Consultado em 23 de outubro de 2018
  4. 1 2 3 横山恵一 (2 de junho de 2014). 名言・迷言で読む太平洋戦争史 [História da Guerra do Pacífico lida através de citações famosas e infames] (em japonês). [S.l.]: PHP研究所. ISBN 978-4-569-81872-6. Consultado em 13 de fevereiro de 2026
  5. 猪口力平・中島正 (1975). 神風特別攻撃隊 [Unidade de Ataque Especial Kamikaze] (Livro digital) (em japonês). [S.l.]: グーテンベルク21. Consultado em 13 de fevereiro de 2026