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Zé Béttio

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Zé Bettio
Nascimento
Morte
27 de agosto de 2018 (92 anos)

Nacionalidadebrasileiro
Ocupaçãoradialista
cantor
acordeonista
compositor

José Bettio, mais conhecido como Zé Béttio (Promissão, 2 de janeiro de 1926São Paulo, 27 de agosto de 2018), foi um radialista, cantor, acordeonista e compositor brasileiro.[1][2][3] Considerado um dos maiores nomes do rádio brasileiro, fez muito sucesso nos anos 1970 e 1980.

Tinha como irmãos o também radialista Osvaldo Bettio e o acordeonista e compositor Arlindo Bettio, já falecidos.

Biografia

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José Bettio nasceu na fazenda de seu avô em Promissão, a 456 km da cidade de São Paulo.[4] Seus pais foram Felippe e Mafalda Bettio, que tiveram cinco filhos. Dois de seus irmãos foram o locutor de rádio Oswaldo Bettio e o compositor e acordeonista Arlindo Bettio.[5]

Cursou apenas até o terceiro ano do ensino primário, para poder se dedicar a ajudar sua família. Quando tinha nove anos de idade, seu pai lhe deu de presente uma sanfona de oito baixos, e ele aprendeu a tocá-la com seu irmão mais velho. Durante sua infância e juventude, viveu em várias localidades devido às constantes mudanças da família. Enquanto morou em Lins, foi jogador de futebol no Clube Atlético Linense. Aos vinte anos, fixou-se em São Paulo, no distrito de Santana, para trabalhar como sapateiro.[6]

Nos anos 1950, formou um trio de curta duração com a dupla sertaneja Antonio Moraes e Afonso, chamado Sertanejos Alegres. Costumava percorrer os estados de São Paulo e Paraná tocando sua sanfona no mesmo tipo de bailes de fazenda que frequentava na infância junto com os irmãos, além de se apresentar em emissoras de rádio. Depois de tocar sanfona em um programa para novatos da Rádio Tupi de São Paulo, para onde foi levado por amigos, formou o grupo Zé Béttio e seu Conjunto. Com esse grupo tocou na Rádio Cometa e gravou seu primeiro disco simples em 1958, pelo selo Chantecler.[7] Seu primeiro disco inclui "Adivinhação", de sua própria autoria, e a rancheira "Martim pescador" (música de Francisco Pracánico e letra de Emilio Magaldi). Em 1959, gravou a rancheira "Andradas", de Teddy Vieira, e a polca "Começo de festa", de sua autoria. Em 1960, gravou outra polca de sua autoria, "Chegou o sanfoneiro", e em 1964, o frevo "Barulho da Lapa", em coautoria com Nino Silva.[8]

Sua carreira como locutor de rádio começou na Rádio Difusora de Guarulhos. Durante uma de suas apresentações como músico nessa emissora, o locutor faltou, e Zé Béttio improvisou a leitura dos anúncios publicitários. Sua voz e seu estilo agradaram ao público, e ele foi contratado para um programa de meia hora aos sábados, que depois passou a ser diário. Pouco tempo depois passou pela Rádio Cometa, com um programa próprio no qual também improvisava os textos publicitários com humor, e pela Rádio São Paulo.[7]

No início da década de 1970, passou para a Rádio Record, graças a Francisco Paes de Barros, onde se tornou conhecido nacionalmente. Em poucos anos, conseguiu levar a rádio do décimo quarto ao primeiro lugar de audiência, posição que manteve por vários anos. Nessa emissora, apresentou ao público a dupla Milionário & José Rico.[7] Outros músicos sertanejos que ajudou a divulgar foram Chitãozinho & Xororó.[9]

Em 10 de outubro de 1980, seu irmão Arlindo Bettio, conhecido como “O sanfoneiro mais alegre do Brasil”, foi sequestrado em seu carro e mais tarde assassinado pelos sequestradores. Enquanto o sequestro ocorria, Zé Béttio transmitia na rádio a descrição do veículo para que seu irmão pudesse ser localizado, antes do trágico desfecho.

Em 1984, mudou-se para a Rádio Capital, onde apresentava dois programas de duas horas, um a partir das 05:00 e outro a partir das 17:00. Sua popularidade era tão grande que seu salário chegou a ser cem vezes maior que o do presidente do Brasil. Nessa década também atuou na Rádio Gazeta.[8]

Na década de 1990, manteve a coluna Encontro com Zé Béttio, no Jornal Sertanejo, dedicada a artistas sertanejos.[10] Voltou para a Rádio Record em 2006, onde apresentou um programa matutino até sua aposentadoria no final de 2009.[8]

Aposentadoria e morte

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Tido como o "radialista totem dos sertanejos", Zé Bettio se aposentou em 2009 na Rádio Record.[11] Após sua aposentadoria, Zé Béttio passou seus últimos anos de vida recluso em seu sítio em Garça e Rinópolis, no interior de São Paulo, enquanto preparava um livro de memórias.[4][2]

Em 2016, sofreu um AVC,[11][7] do qual ainda se recuperava quando faleceu enquanto dormia, em 27 de agosto de 2018, aos 92 anos, no bairro Horto Florestal, em São Paulo.[12][13][14] O corpo do radialista foi enterrado às 16h, no mesmo dia, no Cemitério do Horto Florestal, na capital paulista.[14]

Discografia

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Compactos simples
  • 1971 - Inspiração
  • 1972 - José Bettio
  • 1973 - José Bettio
  • 1974 - José Bettio
  • 1978 - José Bettio
LPs
  • Baile na Roça
  • 1961 - Chegou o Sanfoneiro
  • 1963 - Viva o Sanfoneiro
  • 1971 - O Sanfoneiro Mais Premiado do Brasil (Selo: Tropicana CBS)
  • 1972 - Arrasta-pé com José Bettio
  • 1972 - Sanfoneiro do Povo
  • 1972 - O Sanfoneiro Mais Premiado do Brasil (Selo: Beverly)
  • 1972 - Subindo ao Céu (Selo: Beverly)
  • 1972 - Valsas Famosas (Selo: Beverly)
  • 1973 - Encontro com o Passado - Valsas (Selo: Beverly)
  • 1973 - Ataca de Oito Baixos (Selo: Beverly)
  • 1974 - Sururu no Teclado (Selo: Rosicler)
  • 1976 - Apresenta 12 Grandes Sucessos (Selo: Beverly)
  • 1977 - Bailão do Zé Bettio
  • 1977 - O Sanfoneiro Mais Premiado do Brasil (Selo: Copacabana Discos)
  • 1978 - Zé Bettio (Continental)
  • 1979 - José Bettio e Roberto Stanganelli - Música e Alegria (Selo: Popular)
  • 1980 - José Bettio e Seus Convidados (Selo: Cartaz)
  • 1980 - José Bettio e Seus Convidados (Selo: Japoti)
  • 1981 - A Charanga do Zé (Selo: Copacabana Discos)
  • 1984 - Puxa o Fole Zé
  • 1985 - A Música, A Natureza e os Animais (Selo: Chantecler)
CDs
  • 1994 - Bailão do Mexe-Mexe (Selo: Warner Music)
  • 1997 - José Bettio e Seus Maiores Sucessos [Coletânea] (Selo: Movieplay)
  • 1998 - Seleção de Ouro - 20 Sucessos [Coletânea]
  • 1998 - Raízes Sertanejas [Coletânea] (EMI Music)
  • 2000 - Série Bis Sertanejo - José Bettio [Coletânea]
  • 2002 - Alma Sertaneja
  • 2008 - José Bettio e Seus Maiores Sucessos [Coletânea] (Selo: Movieplay)
  • 2009 - Seleção Especial - Edição de Ouro [Coletânea]
  • 2011 - Sucessos Inesquecíveis do Vinil [Coletânea]

Referências

  1. «Zé Béttio». Dicionário Cravo Albin. Consultado em 4 de julho de 2025 
  2. a b «Zé Béttio». sítio Bastidores do Rádio. Consultado em 20 de junho de 2012. Arquivado do original em 24 de janeiro de 2013 
  3. Tufano Silva. «Que fim levou? Zé Bettio». sítio Terceiro Tempo. Consultado em 20 de junho de 2012. Arquivado do original em 21 de julho de 2012 
  4. a b «Zé Bettio - Que fim levou?». Terceiro Tempo. Consultado em 15 de novembro de 2025 
  5. «Recanto Caipira». www.recantocaipira.com.br. Consultado em 15 de novembro de 2025 
  6. «Morre Zé Bettio, um dos grandes nomes do rádio brasileiro - Notícias». Terceiro Tempo. Consultado em 15 de novembro de 2025 
  7. a b c d «Memória». VEJA SÃO PAULO. Consultado em 15 de novembro de 2025 
  8. a b c Barbiero, Adriano. «Bastidores do Rádio - Por onde anda? - Zé Béttio». www.bastidoresdoradio.com. Consultado em 15 de novembro de 2025. Cópia arquivada em 15 de setembro de 2018 
  9. «Radialista Zé Bettio morre aos 92 anos». www.agazeta.com.br. Consultado em 15 de novembro de 2025 
  10. «Radialista Zé Bettio morre aos 92 anos». www.agazeta.com.br. Consultado em 15 de novembro de 2025 
  11. a b «Radialista Zé Bettio morre aos 92 anos». Estadão. Consultado em 30 de agosto de 2018 
  12. «Zé Béttio (1926 - 2018) - Radialista Zé Béttio morre aos 92 anos em São Paulo». Folha de S.Paulo. 28 de agosto de 2018. Consultado em 15 de novembro de 2025 
  13. «Aos 92 anos, radialista Zé Béttio morre em São Paulo». R7.com. 28 de agosto de 2018 
  14. a b «Radialista Zé Bettio morre em São Paulo aos 92 anos». G1. Consultado em 30 de agosto de 2018 
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