Zeus faber

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.


Como ler uma infocaixa de taxonomiaPeixe-galo
Estado de conservação
DD [1]
Classificação científica
Reino: Animalia
Filo: Chordata
Classe: Actinopterygii
Ordem: Zeiformes
Género: Zeus (género)
Espécie: Z. faber
Nome binomial
Zeus faber
Peixe-galo, Zeus faber

Zeus faber, comummente conhecido como peixe-galo[2][3], é um peixe teleósteo da família dos Zeídeos. Trata-se de uma espécie marinha costeira demersal comestível, com corpo esverdeado comprimido lateralmente, com uma grande mancha escura de ambos os lados e espinhos longos na barbatana dorsal.[4]

Nomes comuns[editar | editar código-fonte]

Dá ainda pelos seguintes nomes comuns: alfaqui[5], alfaqueque[6], são-pedro[7], galo-negro[8] e galo-japonês[9].

Etimologia[editar | editar código-fonte]

O nome peixe-galo, fica-se a dever às longas barbatanas dorsais e flancos e o circulo escuro que visualmente se assemelham às cristas dos galos.

No que toca ao nome são-pedro a origem é duvidosa, contudo, há uma abonação literária no romance «A Esfinge dos Gelos», de Júlio Verne, em que se dá conta de uma das mais conhecidas e antigas origens do nome.[10] Nessa obra, reputam-na como uma alusão a São Pedro, por sinal o santo padroeiro dos pescadores, por haver, de acordo com a tradição medieval europeia, a crença popular de que esta terá sido a espécie de peixe que Jesus fez saltar para as redes na passagem bíblica da pesca milagrosa.[11][12]

Com efeito, este peixe é conhecido como «são-pedro» em várias línguas europeias: em francês dá por "Saint Pierre", em alemão por "Petersfisch", em espanhol por "San Pedro" e em italiano por "San Pietro". De acordo com a linguista Charlotte Mary Yonge, esta transversalidade de nomes assenta exactamente na mesma crença popular medieval, que associa esta espécie ao sobredito episódio bíblico.[13][14] Uma lenda relacionada diz que o ponto escuro no flanco do peixe é a impressão digital de São Pedro.[15]

Nomes estrangeiros[editar | editar código-fonte]

Outros nomes conhecidos são o inglês John Dory.[4]

Na costa norte da Galiza-Cantábria, é conhecido como San Martiño.

Na Austrália são conhecidos como john dory ou keparu,[16] mas na Nova Zelândia, os Maoris chamam-lhe kuparu e, na costa leste da Ilha Norte, deram alguns ao capitão James Cook na sua primeira viagem à Nova Zelândia em 1769. Vários barris deles foram mantidos em conserva.[17]

Morfologia[editar | editar código-fonte]

Zeus faber, de William MacGillivray, c. 1840

O peixe-galo atinge um tamanho máximo de 65 cm e 5 kg (12  lb) em peso. Possui pequenas placas ósseas ao longo da base da barbatana dorsal e anal, sendo que a barbatana anal conta com quatro raios duros.[4] Possui escamas microscópicas e afiadas que percorrem o corpo.[4] O peixe exibe uma coloração verde-acinzentada, com uma barriga branca prateada e tem uma mancha escura de ambos os lados, amiúde emoldurada por uma mancha mais clara.[4] Possui um corpo plano e redondo e é um mau nadador.

No que toca à mancha negra lateral, trata-se de um ocelo, que é usado para fins apotrópicos, caso o perigo se aproxime[4]. O ocelo do peixe-galo também serve para confundir as presas, que são capturadas pela boca dissimulada e subdesenvolvida.[17][18]

Por outro lado, os olhos grandes na frente da cabeça fornecem visão binocular e percepção de profundidade, importantes contra predadores.[19]

Presas e predadores[editar | editar código-fonte]

O Peixe-Galo captura a presa perseguindo-a, estendendo a mandíbula para a frente numa estrutura semelhante a um tubo para sugar o peixe com um pouco de água. A água flui através das brânquias; o osso pré-maxilar, o único osso portador de dentes neste peixe, é usado para moer a comida.

Come principalmente peixes ósseos de cardume de menores dimensões[19]. Ocasionalmente, também se alimenta de cefalópodes e crustáceos.[19]

Os predadores naturais são tubarões como o tubarão-negro e peixes ósseos grandes.

Habitat[editar | editar código-fonte]

Os peixes-galo, são peixes costeiros bentopelágicos, encontrados nas costas da África, Sudeste Asiático, Nova Zelândia, Austrália, costas do Japão e costas da Europa, particularmente na costa portuguesa [4] e ao largo do arquipélago da Madeira[9]. Vivem perto do fundo do mar, a profundidades de 5 a 360 metros. Tendem a ser solitários.

Reprodução e ciclo de vida[editar | editar código-fonte]

Atingem a maturidade sexual aos 3 ou 4 anos de idade.[19] Reproduzem-se entre o final do Inverno e o princípio da Primavera, no Atlântico Norte, sendo que, junto ao Mediterrâneo a época de reprodução começa mais cedo[19]. São dispersores de substrato, isto é, libertam esperma e óvulos na água. Os ovos são pelágicos.[19]

Têm um ciclo de vida de cerca de 12 anos na natureza.[19]

Na alimentação[editar | editar código-fonte]

A escritora de culinária Eliza Acton observou no seu livro de 1845, Cozinha Moderna para Famílias Particulares, que o peixe-galo ou John Dory em inglês: «embora tenha uma aparência pouco convidativa, é considerado por alguns como o peixe mais delicioso que aparece à mesa». Ela recomenda simplesmente assá-lo "com muita delicadeza", evitando ressecá-lo no forno.[20]

Referências[editar | editar código-fonte]

  1. Martins, Rogélia (2018). MANUAL DE IDENTIFICAÇÃO DE PEIXES ÓSSEOS DA COSTA CONTINENTAL PORTUGUESA. Lisboa: IPMA - Instituto Português do Mar e da Atmosfera. p. 33. 206 páginas. ISBN 978-972-9083-19-8 
  2. Infopédia. «peixe-galo | Definição ou significado de peixe-galo no Dicionário Infopédia da Língua Portuguesa». Infopédia - Dicionários Porto Editora. Consultado em 6 de novembro de 2021 
  3. S.A, Priberam Informática. «peixe-galo». Dicionário Priberam. Consultado em 6 de novembro de 2021 
  4. a b c d e f g Martins, Rogélia (2018). MANUAL DE IDENTIFICAÇÃO DE PEIXES ÓSSEOS DA COSTA CONTINENTAL PORTUGUESA. Lisboa: IPMA - Instituto Português do Mar e da Atmosfera. p. 33. 206 páginas. ISBN 978-972-9083-19-8 
  5. Infopédia. «alfaqui | Definição ou significado de alfaqui no Dicionário Infopédia da Língua Portuguesa». Infopédia - Dicionários Porto Editora. Consultado em 6 de novembro de 2021 
  6. Infopédia. «alfaqueque | Definição ou significado de alfaqueque no Dicionário Infopédia da Língua Portuguesa». Infopédia - Dicionários Porto Editora. Consultado em 6 de novembro de 2021 
  7. Infopédia. «são-pedro | Definição ou significado de são-pedro no Dicionário Infopédia da Língua Portuguesa». Infopédia - Dicionários Porto Editora. Consultado em 6 de novembro de 2021 
  8. Infopédia. «galo-negro | Definição ou significado de galo-negro no Dicionário Infopédia da Língua Portuguesa». Infopédia - Dicionários Porto Editora. Consultado em 6 de novembro de 2021 
  9. a b «Página de Espécie • Naturdata - Biodiversidade em Portugal». Naturdata - Biodiversidade em Portugal. Consultado em 6 de novembro de 2021 
  10. Verne, Júlio (2009). A Esfinge dos Gelos. São Paulo: Montecristo Editora. 418 páginas. ISBN 9781619650541 
  11. «Evangelho de sexta-feira: pesca milagrosa». Opus Dei. Consultado em 6 de novembro de 2021 
  12. Verne, Júlio (2009). A Esfinge dos Gelos. São Paulo: Montecristo Editora. 418 páginas. ISBN 9781619650541 
  13. Yonge, Charlotte Mary (1863). History of Christian Names. Los Angeles, California, USA: Parker, Son, and Bourn. p. 359. 446 páginas 
  14. Smythe Palmer, Abram (2005). Folk-Etymology: A Dictionary of Verbal Corruptions or Words Perverted in Form or Meaning, by False Derivation or Mistaken Analogy. Ithaca, New York, USA: Cornell University Library. p. 196. 718 páginas. ISBN 1112081186 
  15. The legend is noticed in Stéphan Reebs, Fish Behavior in the Aquarium and in the Wild (Cornell 1991:36); Reebs notes that the fish does not occur in the Sea of Galilee, where Peter fished.
  16. «Zeus faber». fishesofaustralia.net.au. Consultado em 21 de fevereiro de 2021 
  17. a b New Zealand Coastal Fish: John Dory.
  18. Bray, Dianne. «John Dory, Zeus faber». Fishes of Australia. Consultado em 24 de agosto de 2014. Cópia arquivada em 6 de abril de 2017 
  19. a b c d e f g «Zeus faber, John dory : fisheries, gamefish, aquarium». www.fishbase.se. Consultado em 6 de novembro de 2021 
  20. Acton, Eliza (1860) [1845]. Modern Cookery for Private Families. Longman, Green, Longman, & Roberts. [S.l.: s.n.]