Zita Seabra

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Zita Seabra
Nome completo Zita Maria de Seabra Roseiro
Nascimento 25 de maio de 1949 (68 anos)
Coimbra,  Portugal
Cônjuge Carlos Alfredo de Brito (2 filhas)

João Guimarães (1 filho)

Género literário Romance, conto
Magnum opus O nome das coisas: reflexão em tempos de mudança

Zita Maria de Seabra Roseiro (Coimbra, Santa Cruz, 25 de maio de 1949) é uma política e editora portuguesa.

Biografia[editar | editar código-fonte]

É filha do engenheiro Mário Ramos Carvalho Roseiro (Tondela, Molelos, 11 de abril de 1921) e de sua mulher Zita Moreira Marques de Seabra.

Aderiu ao Partido Comunista Português em 1966 e passou à clandestinidade em 1967, antes mesmo de fazer dezoito anos, passando 8 anos na clandestinidade até ao 25 de Abril de 1974. Foi controleira da União dos Estudantes Comunistas (UEC) antes e depois do 25 de Abril. Deputada à Assembleia da República entre 1980 e 1987, pelos círculos de Lisboa e de Aveiro, foi eleita para a Comissão Política do Comité Central do PCP em 1983, no X Congresso do Partido. Em 1982, tinha sido a responsável pela apresentação no parlamento de legislação sobre o aborto.

Afastou-se do PCP por altura da Perestroika e foi uma das mais conhecidas dissidentes do partido, em virtude do processo interno que lhe foi movido e que culminou com a expulsão em 1988 da Comissão Política, primeiro, e do Comité Central, depois.[1] Ainda em 1988, publicou o livro O Nome das Coisas: reflexão em tempo de mudança, que teve sete edições até ao ano seguinte. Em março de 1989, fez a cobertura para o jornal Expresso das primeiras eleições livres na URSS.[2]

Coordenou o Secretariado Nacional para o Audiovisual em 1993, ano em que assumiu a presidência do Instituto Português de Cinema. De 1994 a 1995, foi presidente do Instituto Português da Arte Cinematográfica e Audiovisual. Entretanto, aderiu ao Partido Social Democrata (PPD/PSD) e, nessa condição, foi cabeça-de-lista do partido à Presidência da Câmara Municipal de Vila Franca de Xira nas eleições autárquicas de 1997. Foi eleita vereadora, com 15,6% dos votos, para o mandato 1997-2001, tendo assumido o pelouro da Cultura por decisão da então da Presidente da Câmara, Maria da Luz Rosinha (PS), que estabeleceu um acordo pós-eleitoral com o PSD pois havia saído do acto eleitoral sem uma maioria absoluta.[3]

Editora na Quetzal, foi administradora e directora editorial da Bertrand Editora e é actualmente presidente do Conselho de Administração e directora editorial da Alêtheia Editores, da qual é fundadora. Eleita pelo PSD no círculo de Coimbra em 2005, foi deputada na X legislatura e vice-presidente do Grupo Parlamentar do PSD na Assembleia da República até outubro de 2007. Nessa legislatura, destacou-se pelas posições que tomou contra a legalização do aborto, de que havia sido uma das mais acérrimas defensoras nos tempos de militância comunista. No XXX Congresso do PSD, em 2007, passou a ser uma dos seis vice-presidentes da Comissão Política Nacional deste partido, cargo que desempenhou até maio de 2008.[4]

É signatária da Petição em Defesa da Língua Portuguesa Contra o Acordo Ortográfico que decorre em Portugal.[5]

Casou primeira vez com o também histórico comunista Carlos Alfredo de Brito, de quem teve duas filhas, Ana e Rita de Seabra Roseiro de Brito. Casou segunda vez, em 1983, com o médico João Guimarães, de quem teve um filho, Francisco de Seabra Roseiro Guimarães.

Desde 1988, recebe uma subvenção vitalícia mensal do Estado, destinada a ex-titulares de cargos políticos, no valor de 1 342,76 euros.[6]

Obras[editar | editar código-fonte]

  • O Nome das coisas:: reflexão em tempos de mudança, Mem Martins: Publicações Europa América, 1988
  • Foi Assim, Lisboa: Alêtheia, 2007

Traduções[editar | editar código-fonte]

  • Interrogatório à distância: Václav Havel; entrevista com Karel Hvízd'Ala, Lisboa: Inquérito, 1990

Notas e referências

  1. Portugal Diario (6 de Julho de 2007). «Zita Seabra: a história de uma expulsão». Arquivado do original em 8 de Julho de 2007 
  2. Em julho de 2007, em entrevista a Judite de Sousa, revela que foi nessa longa viagem à URSS que se apercebeu da falência do sistema comunista, tendo abandonado os ideais defendidos pelo PCP.
  3. CNE - Resultados eleitorais 14-12-1997
  4. XXX Congresso Nacional do PSD. Torres Vedras, Pavilhão Multiusos da Expo Torres. 12, 13 e 14 de outubro de 2007
  5. [www.ipetitions.com/petition/manifestolinguaportuguesa]
  6. Caixa Geral de Aposentações (12 de Agosto de 2016). «Beneficiários de subvenção mensal vitalícia da responsabilidade da Caixa Geral de Aposentações, I.P., em 2016-08-12». Aventar. Consultado em 23 de Dezembro de 2016