Soco (mercado)

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Um soco de Marraquexe pouco antes da sua abertura diária
Vista da praça Jemaa El Fna, uma das entradas dos socos de Marraquexe

Soco[1] (do árabe سوق,, suque; em espanhol: zoco; frequentemente escrito como souk, como em francês ou souq, como em inglês) é um termo que geralmente designa um mercado tradicional ou feira periódica (tipicamente semanal) no Norte de África e países árabes, mas também é usado para designar zonas comerciais de uma cidade nessas regiões. O termo equivalente em turco e persa é bazar. Em amazigh (língua dos berberes), chama-se amenaz (lugar de venda).[nt 1]

Descrição[editar | editar código-fonte]

Os socos decorrem quase sempre ao ar livre, exceto alguns que são de carácter permanente (conjuntos de lojas) e decorrem dentro das almedinas (centros históricos) das cidades, os quais podem ser cobertos. Existem socos rurais e socos urbanos e lá se encontram todos os produtos que procurados pelas populações de sociedades tradicionais. Além dos comerciantes a tempo inteiro, o soco é usado pelos produtores e artesãos para venderem diretamente os seus produtos, nomeadamente gado.[nt 1]

No caso dos socos fixos (zonas comerciais urbanas), é usual serem organizados por áreas especializadas em ramos comerciais ou ofícios específicos, como por exemplo, a alimentação, produtos rurais em bruto, vestuário, sapataria, artesanato rural (olaria, metalúrgia, ourivesaria, serviços como barbeiros, creches, transportes, etc.). Os produtos e comercializados são uma boa amostra do nível de vida e de quais os produtos característicos da região onde se situam.[nt 1]

Na maior parte dos casos, não há preços fixos num soco, sendo assumido por todos que a compra e venda envolve inevitavelmente regatear os preços. É também comum que os vendedores interpelem quem passa junto à sua loja ou tenda até longe dela, tentando vender os seus produtos. O afã dos vendedores pode chegar a parecer, senão mesmo sê-lo realmente, ter um tom algo agressivo, principalmente quando os abordados são turistas menos experientes.[nt 1]

Além de lugares de comércio, os socos têm sido espaços de primeira importância na vida social, estando por isso muito presentes na literatura clássica e tradicional como cenário de grande parte das histórias. E também comum que os socos estejam na origem dos nomes das localidades onde se realizam, seja pelo dia da semana (ex: Suq al-Arbaa, mercado de quarta-feira), seja pelo tipo de mercadorias (ex: Suq al-Dawabb, mercado das bestas de carga).[nt 2]

História[editar | editar código-fonte]

Nas sociedades islâmicas tradicionais, o soco constituía um dos três centros funcionais das cidades, juntamente com o palácio dos governantes e com a mesquita. Ao contrário do palácio e da mesquita, o soco raramente se situava no centro da cidade, devido à presença de certos ofícios poder causar problemas devido ao ruído ou aos odores desagradáveis.[nt 2]

Um dos socos de têxteis Alepo, Síria

À semelhança das cidades medievais cristãs, a economia islâmica estava estruturada de forma corporativa, tendo cada ofício a sua corporação, que era representada junto do poder político pelo seu líder ou "mestre". Os socos eram administrados por um mutásibe ou superintendente (muhtasib) ou um "saibe do soco" ou chefe do mercado (sahib al-suq) que tinham, entre outras atribuições, a de zelar pelo uso correto dos pesos e medidas, reprimindo as fraudes recorrendo a uma força policial especial, a churta, que podia impor multas ou deter os infratores.[nt 2]

Os socos urbanos eram, e ainda são, e grande medida, organizados por mercadorias. Originalmente começaram por se desenvolver dentro no interior das muralhas, expandindo-se depois gradualmente de forma mais ou menos concêntrica, com as as profissões menos relacionadas com bens perecíveis no centro (que podiam ser, por exemplo, ourives e perfumistas), seguindo-se a área de produtos com impacto médio, como comida seca, têxteis e calçado e, na parte mais distante do centro, os ofícios e mercadorias mais "contaminantes", como os trabalhadores de metal em chapa, tintureiros, açougueiros, peixeiros, animais vivos, etc. Em cada género comercial, trabalhava-se junto dos concorrentes, a fim de facilitar a orientação dos clientes com pontos de referência.[nt 2]

A abertura e fecho das lojas e tendas eram marcados rigidamente por um horário fixo pelas autoridades, as quais também organizavam a admissão de aprendizes e a sua formação. O desempenho de um determinado ofício só era permitido aos filhos daqueles que a exerciam, ou por herança, exceto em casos expressamente autorizados pelo poder político ou pela corporação do ofício.[nt 2]

Notas

  1. a b c d Trechos baseados no artigo artigo «Souk» na Wikipédia em francês.
  2. a b c d e Trechos baseados no artigo artigo «Zoco» na Wikipédia em espanhol.

Referências[editar | editar código-fonte]

  • Mohaine, Abdel Kader (1997). Les Souks et l'organisation de l'espace régional dans le Souss (Maroc) (em francês) (Lille: Presses Univ. du Septentrion). p. 594. 
  • Lévi-Provençal, E. L'urbanisme musulman, in Mélanges d’histoire et d’archéologie de l’Occident musulman, Hommage à G. Marçais (em francês) I (Argel [s.n.]). p. 219-231. 
  • ‘Abd ar-Raziq, A. (1977). "La hisba et le muhtasib en Égypte au temps des Mamluks" (em inglês). Annales Islamologiques XIII: 115-178. Visitado em 11 de dezembro de 2011.
  1. «soco». Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora. www.infopedia.pt. 
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