Zvonimir Boban

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Zvonimir Boban
Zvonimir Boban
Zvonimir Boban (2008)
Informações pessoais
Nome completo Zvonimir Boban
Data de nasc. 8 de outubro de 1968 (49 anos)
Local de nasc. Imotski, Iugoslávia
Altura 1,84 m
Informações profissionais
Posição Meio-campo (aposentado)
Clubes profissionais
Anos Clubes Jogos e gol(o)s
1985-1991
1991-2001
1991-1992
2001-2002
Jugoslávia Dínamo Zagreb
Itália Milan
Itália Bari (empr.)
Espanha Celta Vigo
00109 000(45)
00251 000(30)
00017 0000(2)
00006 0000(0)
Seleção nacional
1988-1991
1990[1]-1999
Flag of Yugoslavia (1946-1992).svg Iugoslávia
Bandeira da Croácia Croácia
00007 0000(1)
00051 000(12)

Zvonimir Boban (Imotski, 8 de outubro de 1968) é um ex-futebolista croata.

É um dos maiores nomes do futebol de seu país, sendo um dos principais integrantes da grande campanha da Croácia na Copa do Mundo de 1998, em que o país ficou na terceira colocação. Onze anos antes, integrou também a equipe da antiga Iugoslávia que sagrou-se vencedora do Campeonato Mundial de Futebol Sub-20.

Boban, dono de boa visão de jogo e de passes refinados,[2] foi também um dos maiores ídolos do Milan na década de 1990.

Carreira em clubes[editar | editar código-fonte]

Dínamo Zagreb[editar | editar código-fonte]

Boban começou a carreira em 1985, ainda com dezessete anos, no Dínamo Zagreb. Assumiria seu lugar na equipe titular a partir de sua segunda temporada, e sua liderança em campo logo lhe tornaria o capitão do time da capital croata.[2] Em 1988, chegaria à Seleção Iugoslava principal, um ano após vencer com a sub-20 o mundial da categoria.

Boban, mesmo com sua ótima média de gols para um jogador do meio-de-campo, não conseguiu taças com o Dínamo. O máximo que conseguiu foi um bivice-campeonato na liga iugoslava, em 1990 e 1991. Em ambas, o vencedor foi o Estrela Vermelha. E foi em um jogo contra o time de Belgrado, capital da Sérvia e da Iugoslávia, que ele teria seu momento mais famoso com a camisa do Dínamo.

Em um jogo entre as duas equipes em Zagreb, havia tensão antes da partida. Os torcedores do Dínamo aproveitavam-se para protestar pela independência, inflamados pelo nacionalismo croata.[3] Logo começou uma confusão generalizada, com os torcedores atacando os adversários com pedras e derretando as grades do alambrado com ácido.[3] Os sérvios não recuaram, mas tiveram de ser resgatados por um helicóptero.[3] Boban apareceu ao avançar com uma voadora sobre um policial que atacava um torcedor do Dínamo.[2]

O incidente, ocorrido em 13 de maio de 1990, lhe valeria uma suspensão da federação iugoslava, o que retirou suas chances de figurar na Copa do Mundo de 1990,[2] mas lhe rendeu grande admiração na Croácia. Boban declararia que "aqui estava eu, um cara público, preparado para arriscar minha vida, minha carreira, e tudo o que a fama poderia ter trazido, por causa de um ideal".[2]

Milan[editar | editar código-fonte]

Foi para o Milan no meio de 1991. O fator político também estava por trás da transferência: no período em que se encerrava o campeonato iugoslavo de 1990/91, os croatas declaravam unilateralmente seu desmembramento da Iugoslávia (em 25 de junho de 1991), o que logo desencadearia a Guerra de Independência da Croácia, com a invasão do território pelo exército iugoslavo, controlado pelos sérvios. Em meio àquele momento turbulento, Boban foi um dos principais jogadores iugoslavos a deixar o país.

Tão logo chegou à Itália, Boban foi repassado ao pequeno Bari, por empréstimo, uma vez que difilmente teria espaço na equipe de Milão: as três vagas em campo permitidas para não-italianos, na época, estavam asseguradas pelos neerlandeses Frank Rijkaard, Marco van Basten e Ruud Gullit, todos ídolos locais. Enquanto a equipe que lhe contratara sagrava-se campeã italiana naquela temporada 1991/92, Boban lutava pela equipe biancorossa da Apúlia contra o rebaixamento, com sucesso.[2] O técnico milanista, Fabio Capello, pediu pela sua volta.[2] Mas Boban ainda demoraria dois anos para alcançar a titularidade: o trio neerlandês permaneceu intocável no Milan na temporada 1992/93 (em que o clube foi ganhou novo scudetto e foi vice na Liga dos Campeões da UEFA), quando começou a debandar: Gullit foi para a Sampdoria e Van Basten saía de cena em virtude de suas lesões no tornozelo.

As duas vagas que ficaram abertas então foram preenchidas por ele e um ex-colega de Seleção Iugoslava, e curiosamente ex-adversário daquele Estrela Vermelha, o montenegrino Dejan Savićević. Aquela temporada, a de 1993/94, seria uma coroação para o croata: faturou o campeonato italiano pela primeira vez como titular, para o delírio dos tifosi do clube, pois tal título, o décimo quarto do time no torneio, fez com que o clube reultrapasse, depois de quase noventa anos, a arquirrival Internazionale entre os maiores campeões da Serie A.

Para completar, Boban e o Milan conquistaram também um título mais importante: a Liga dos Campeões da UEFA, batendo categoricamente o favorito Barcelona por 4 x 0 na decisão. Os rossoneri venceram em 1994 ainda a Supercopa Europeia e a Supercopa da Itália. A única decisão perdida foi a do Mundial Interclubes de 1994, que ficou com o Vélez Sarsfield.

A boa fase internacional seguiu-se em 1994/95, quando quase veio um bi seguido na Liga dos Campeões: os milaneses voltaram à decisão, mas perderam para o jovem elenco do Ajax, que estava reforçado pelo experiente Rijkaard, transferido do Milan naquela temporada. O clube se ergueria com as vindas do astro Roberto Baggio e do liberiano George Weah, faturando a Serie A em 1996. Após dois anos de alguma decadência - a equipe ficou em décimo primeiro em 1997 [4] e décimo em 1998 [5] -, Boban ganhou em 1999 pela quarta vez a liga italiana com o Milan.

Aposentadoria e pós-gramados[editar | editar código-fonte]

O título de 1999 seria o último da carreira. O croata, após nove anos - dez, se for considerada a temporada em que pertencia ao clube rossonero, mas esteve emprestado ao Bari -, encerrou seu ciclo no Milan e no futebol italiano ao transferir-se em 2001 para o Celta Vigo, da Espanha. O veterano pouco atuaria na equipe galega, realizando apenas quatro partidas pelo Celta em La Liga.

Ao fim da temporada 2001-02, voltou para Zagreb, para a partida que celebrou sua aposentadoria. A partida, curiosamente, serviu para que o também aposentado Leonardo, um de seus convidados, fosse chamado para mais uma temporada no Milan (onde jogara com Boban entre 1997 e 2001).[6]

Após encerrar a carreira nos gramados, Boban resolveu ingressar na faculdade de História da Universidade de Zagreb.[2] Após sua formatura, todavia, resolveu voltar à área futebolística, trabalhando como comentarista de canais e jornais italianos e croatas.[2]

Seleção[editar | editar código-fonte]

Iugoslávia e início da Croácia[editar | editar código-fonte]

A visão de jogo e liderança de Boban no Dínamo Zagreb o levaram à Seleção Iugoslava principal em 1988. No ano anterior, ele já havia se destacado pela equipe sub-20, vencendo o mundial da categoria, no Chile. Boban era um nome certo na talentosa equipe da Iugoslávia que disputou a Copa do Mundo de 1990, mas ficou de fora da lista devido à sua participação na confusão ocorrida na partida entre Dínamo e Estrela Vermelha, em maio, no mês anterior ao mundial.[2]

Ele voltou a jogar pela Iugoslávia em 31 de outubro daquele 1990.[7] curiosamente, duas semanas antes, no dia 17, jogou pela primeira vez pela Croácia. Embora os croatas só declarassem unilateralmente sua independência em 25 de junho do ano seguinte, seus jogadores passaram a utilizar o uniforme quadriculado em amistoso contra os Estados Unidos.[1] Ainda faria duas partidas por cada seleção naquele ano: em novembro pela Iugoslávia [7] e em dezembro pela Croácia.[1]

Em 1991, jogou mais duas vezes com a camisa iugoslava. A segunda delas, contra as Ilhas Feroe, foi válida já pelas eliminatórias para a Eurocopa 1992, e foi realizada apenas nove dias antes de declaração de desmembramento dos croatas da Iugoslávia.[7] Já no mês seguinte faria sua terceira partida pela Croácia, um amistoso cheio de simbolismo contra a Eslovênia,[1] que também havia declarado recentemente sua independência.

Por causa de tal fator político, os atletas croatas naturalmente deixaram de ser chamados pela Iugoslávia. Mesmo com o país conseguindo, sem eles, classificar-se para a Euro (todavia, a sua guerra civil faria com que fosse banido pela FIFA e impedido de disputar o torneio), a nata da poderosa equipe iugoslava estava na Croácia,[8] como Davor Šuker, Robert Jarni, Robert Prosinečki e Igor Štimac (também membros do chamado "grupo do Chile", os croatas que venceram o mundial de juniores em 1987;[9]), Alen Bokšić, Mario Stanić, Goran Vlaović, Dražen Ladić, Aljoša Asanović e Slaven Bilić.

Euro 1996 e Copa de 1998[editar | editar código-fonte]

Como as seleções dissidentes da antiga Iugoslávia não puderam participar das eliminatórias para a Copa do Mundo de 1994, boa parte da Europa só foi conhecer o talento da jovem Seleção Croata na primeira competição que esta pôde disputar, a Eurocopa 1996. Nas eliminatórias, a Croácia terminou líder de seu grupo, à frente da Itália,[10] então vice-campeã do mundo.

Boban foi o capitão do bom debute croata em torneios oficiais, com sua seleção conseguindo chegar às quartas-de-final, caindo diante da futura campeã Alemanha. Ele marcou um gol crucial, na vitória por 3 x 0 sobre a detentora do título - a mesma Dinamarca que herdara a vaga deixada pela banida Iugoslávia na Euro 92 -, que garantiu os croatas na segunda fase. O tento, o segundo dos eslavos, foi marcado a nove minutos do fim da partida, praticamente definindo a vitória.[11]

Dois anos depois, capitanearia os xadrezes na primeira Copa do Mundo em que os croatas jogaram como nação independente. Até o mundial de 1998, o futebol croata ainda era relativamente desconhecido na maior parte do mundo.[8] A equipe por pouco não ficou de fora - classificou-se à repescagem após vencer antigos colegas da Eslovênia fora de casa (com um gol de Šuker, que também jogou contra os bósnios) e ver os maiores concorrentes à segunda vaga, os gregos, empatarem em Atenas com a líder Dinamarca e ficarem um ponto atrás.[12] A vaga na Copa foi assegurada após uma vitória e um empate na repescagem contra a Ucrânia do jovem Andriy Shevchenko.[12]

Se Šuker guiava as vitórias croatas com seus gols, Boban era o líder em campo da campanha dos estreantes, que terminou em um surpreendente e histórico terceiro lugar. Ele também chamou a atenção por seu visual, exibindo um número 10, em alusão à sua camisa, pintado na parte de trás da cabeça.[13] Boban fez seu último jogo por seu país no ano seguinte, em meio às eliminatórias para a Eurocopa 2000. Não disputou o torneio em virtude da não-classificação da Croácia - para o seu desgosto, ocorrida após um empate em casa contra os rivais da Iugoslávia, que tinham a vantagem da igualdade e terminaram na liderança (o resultado deixou os croatas em terceiro no grupo).[14]

Títulos[editar | editar código-fonte]

Milan
Seleção Iugoslava

Referências

  1. a b c d "Croatia - International Matches 1990-1995", Misha Miladinovich, RSSSF
  2. a b c d e f g h i j "Zvonimir Boban: duas seleções, uma pátria", Igor Sternieri, Trivela.com
  3. a b c "Como o futebol explica o mundo", Sérgio Gwercman, Superinteressante, número 205, outubro de 2004, Editora Abril, págs. 88-93
  4. "Italy Championship 1996/97", Maurizio Mariani, RSSSF
  5. "Italy Championship 1997/98", Maurizio Mariani, RSSSF
  6. "Virado pra lua", Placar número 1251, dezembro de 2002, Editora Abril, pág. 49
  7. a b c "Yugoslavia National Team List of Results 1990-1999", Misha Miladinovich, RSSSF
  8. a b "Artilheio e reserva", André Fontenelle, Especial Placar - Os Craques do Século, novembro de 1999, Editora Abril, pág. 108
  9. "Herói nacional", Especial Placar: Os 100 Craques das Copas, outubro de 2005, Editora Abril, págs. 32-33
  10. "European Championship 1996", Karel Stokkermans, RSSSF
  11. "EURO 1996", Gwidon S. Naskrent, RSSSF
  12. a b "World Cup 1998 qualifications", Karel Stokkermans e Sergio Henrique Jarreta, RSSSF
  13. "Cenas francesas", Placar número 1141, junho de 1998, Editora Abril, págs. 74-76
  14. "European Championship 2000", John Beuker e Karel Stokkermans, RSSSF