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Raça e genética

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A relação entre raça e genética é relevante para a controvérsia sobre classificação racial; na vida cotidiana, muitas sociedades classificam populações em grupos com base em características e impressões de provável ancestralidade geográfica e identidade cultural - esses são os grupos geralmente chamados de "raças" em países como Estados Unidos, Brasil e África do Sul; os padrões de variação das características genéticas humanas são geralmente variações clinais, com mudanças mais abruptas em locais onde o fluxo constante de genes é interrompido; o padrão de variantes genéticas tende a formar aglomerados regionais maiores e esse padrão pode ser explicado pela expansão da população humana a partir da África e por séries de gargalos genéticos.[1] This causes genetic clusters to correlate statistically with population groups when a number of alleles are evaluated.[2]

A análise genética permite aos cientistas estimar a ascendência geográfica de uma pessoa usando marcadores informativos de ancestralidade (MIAs)[3] e por inferência a provável categoria racial na qual elas serão classificadas em uma determinada sociedade; dessa maneira, existe uma correlação estatística distinta entre frequências de genes e categorias raciais. No entanto, como todas as populações são geneticamente diversas, a existência de uma relação complexa entre ancestralidade, constituição genética e fenótipo e como as categorias raciais se baseiam em avaliações subjetivas das características, não existe um gene específico que possa ser usado para determinar a raça de uma pessoa.[4]

Algumas variantes genéticas que contribuem para o risco de doenças complexas estão distribuídas de forma diferente entre as populações humanas; discute-se se a raça auto-identificada deve ser usada pelos médicos como um proxy para a probabilidade de um indivíduo possuir variantes relacionadas ao risco.[5][6] Essa prática pode resultar em falsa atribuição de causalidade, estigmatização de populações de alto risco ou subestimação de risco para outras populações.[7][8]

Referências

  1. Kanitz, Ricardo; Guillot, Elsa G.; Antoniazza, Sylvain; Neuenschwander, Samuel; Goudet, Jérôme (21 de fevereiro de 2018). «Complex genetic patterns in human arise from a simple range-expansion model over continental landmasses». PLOS ONE. 13 (2): –0192460. Bibcode:2018PLoSO..1392460K. ISSN 1932-6203. PMC 5821356Acessível livremente. PMID 29466398. doi:10.1371/journal.pone.0192460 
  2. Tishkoff, Sarah A.; Reed, Floyd A.; Friedlaender, Françoise R.; Ehret, Christopher; Ranciaro, Alessia; Froment, Alain; Hirbo, Jibril B.; Awomoyi, Agnes A.; Bodo, Jean-Marie (22 de maio de 2009). «The genetic structure and history of Africans and African Americans». Science. 324 (5930): 1035–1044. Bibcode:2009Sci...324.1035T. ISSN 1095-9203. PMC 2947357Acessível livremente. PMID 19407144. doi:10.1126/science.1172257 
  3. Marcos Chor Maio; Ricardo Ventura Santos (1 de janeiro de 2010). Raça como questão: história, ciência e identidades no Brasil. [S.l.]: SciELO - Editora FIOCRUZ. p. 208. ISBN 978-85-7541-358-6 
  4. Jordge, Lynn B.; Wooding, Stephen P. (2004). «Genetic Variation, classification and 'race'». Nature Genetics. 36 (11 Suppl): S28–33. PMID 15508000. doi:10.1038/ng1435 
  5. Bustamante, Carlos D.; Burchard, Esteban González; De la Vega, Francisco M. (13 de julho de 2011). «Genomics for the world». Nature. 475 (7355): 163–165. ISSN 1476-4687. PMC 3708540Acessível livremente. PMID 21753830. doi:10.1038/475163a 
  6. Fejerman, Laura; Stern, Mariana C.; Ziv, Elad; John, Esther M.; Torres-Mejia, Gabriela; Hines, Lisa M.; Wolff, Roger; Wang, Wei; Baumgartner, Kathy B. (2013). «Genetic ancestry modifies the association between genetic risk variants and breast cancer risk among Hispanic and non-Hispanic white women». Carcinogenesis. 34 (8): 1787–1793. ISSN 1460-2180. PMC 3731801Acessível livremente. PMID 23563089. doi:10.1093/carcin/bgt110 
  7. Roberts, Dorothy (1 de janeiro de 2011). «Fatal Invention: How Science, Politics, and Big Business Re-create Race in the Twenty-first Century». Scholarship at Penn Law 
  8. Pepper, Michael; Stewart, Cheryl (2016). «Cystic fibrosis on the African continent». Genetics in Medicine (em inglês). 18 (7): 653–662. ISSN 1530-0366. PMID 26656651. doi:10.1038/gim.2015.157. hdl:2263/56176