Abdal Malique

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Disambig grey.svg Nota: Para o sultão de Marrocos do século XVI, veja Abu Marwan Abd al-Malik I Saadi.
Abdal Malique
Califa Omíada
Abdal Malique num dinar de ouro
Reinado 685–705
Antecessor(a) Maruane I
Sucessor(a) Ualide I
 
Dinastia Omíadas
Nome completo
Abd al-Malik ibn Marwan
Nascimento 646, em Meca
Morte 705 (59 anos)
Pai Maruane I

Abdal Malique ibne Maruane (em árabe: عبد الملك بن مروان; transl.: ‘Abd al-Malik ibn Marwān), bem conhecido apenas como Abdal Malique, foi o quinto califa omíada, filho e sucessor de Maruane ibne Aláqueme (623 - 685). Reinou de 685 até 705. Ele nasceu em Meca e cresceu em Medina (ambas onde hoje é a Arábia Saudita). Abdal Malique foi uma pessoa muito bem educada e um governante competente, apesar dos diversos percalços políticos que assolaram o seu califado. O historiador muçulmano do século XIV, ibn Khaldun diz: "Abdal Malique ibne Maruane é um dos grandes califas árabes e muçulmanos. Ele seguiu os passos de Omar, o comandante dos fiéis, no trato dos assuntos governamentais".

Em seu reino, todos os registros mais importantes foram traduzidos para o árabe e, pela primeira vez, uma moeda foi cunhada especialmente para uso no Islã, o que provocou uma guerra contra o Império Bizantino de Justiniano II. Os bizantinos foram liderados por Leôncio na Batalha de Sebastópolis em 692 na Ásia Menor e foram decisivamente derrotados pelo califa após a deserção de um grande contingente de eslavos. A moeda islâmica se tornou então a única no mundo muçulmano. Além disso, muitas reformas iniciaram-se no seu tempo com respeito à agricultura e ao comércio. Abdal Malique consolidou o poder muçulmano nos territórios conquistados e o expandiu, tornando o árabe a língua do estado, e organizando um serviço postal regular.[1]

Os seus exércitos derrotaram também Abdulá ibne al-Zubair. Morreu aos 60 anos.

Campanhas no Iraque e Hejaz[editar | editar código-fonte]

Abdal Malique se tornou califa após a morte de seu pai, Maruane I em 685. Em poucos anos, ele enviou seus exércitos numa campanha para retomar o controle omíada sobre o Império Islâmico. Ele primeiro derrotou o governador de Baçorá, Mosabe ibne al-Zubair e então ordenou que um dos seus melhores generais e administradores - que mudaria a face do Califado Omíada no futuro - Hajaje ibne Iúçefe  para enfrentar Abdulá ibne al-Zubair, o governador de Hejaz. Hajaje cercou Meca em 692 d.C. com quase 12 000 tropas sírias e avançou sem encontrar resistência até a sua cidade natal, Taif, que se rendeu sem luta e se transformou em sua base. O califa havia pedido primeiro que ele negociasse com al-Zubair, com a promessa de que ele seria libertado se se rendesse, mas, se a resistência continuasse, Hajaje deveria cercá-lo até a submissão pela fome. De forma nenhuma o general deveria permitir que se derramasse sangue na Cidade Sagrada. Como as negociações falharam e Hajaje perdeu a paciência, ele enviou um mensageiro para pedir que Abdal Malique enviasse reforços e desse a permissão para que Meca fosse tomada à força. Ele recebeu ambas e, assim, iniciou o bombardeio de Meca se utilizando de catapultas localizadas na montanha de Abu Qubays. O bombardeio continuou inclusive durante o mês da peregrinação (Haje).

Após o cerco ter durado sete meses e mais de 10 000 homens, entre eles dois dos filhos de al-Zubair, terem desertado para as fileiras de Hajaje, Abdulá ibne al-Zubair, juntamente com uns poucos fiéis e seu filho caçula, foram mortos na luta à volta da Caaba (Jumada I 73 / outubro de 692).

O sucesso de Hajaje levou Abdal Malique a premiá-lo com cargo de governador do Iraque, com carta branca para governar os territórios sob sua gestão. Quando Hajaje chegou havia muitos desertores em Baçorá e em Cufa e ele imediatamente forçou-os a retomar ao combate. Ele, depois de anos de sangrentos combates, conseguiu eliminar os distúrbios religiosos, incluindo a rebelião iniciada por Sali ibne Musarri e que foi continuada por Xabibe. Estes rebeldes conseguiram, repetidas vezes, derrotar forças superiores e, no auge de seu poder, conseguiram conquistar Cufa. Porém, os reforços sírios enviados por Abdal Malique deram condições a Hajaje de reverter a situação.

Sob Hajaje, os exércitos árabes também conseguiram derrotar a revolta de Abdal Ramane ibne Maomé ibne al-Axate, no Iraque entre 699 e 701, e também conquistaram a maior parte do Turquestão. Abdal Ramane se revoltou após as seguidas tentativas de Hajaje de avançar nas terras de Zundil. Após a sua derrota no Iraque para Hajaje, novamente conseguida com a ajuda dos reforços sírios de Abdal Malique, Abdal Ramane fugiu para o leste. Uma cidade ali se negou a refugiá-lo e em outra ele acabou preso, porém os exércitos de Zundil foram capazes de soltá-lo em tempo. Posteriormente, Abdal Ramane morreu e Zundil enviou a sua cabeça para Hajaje, que a enviou para Abdal Malique. Estas vitórias foram a base para outras ainda maiores sob o filho de Abdal Malique, Maruane.

Campanhas no norte da África[editar | editar código-fonte]

No Magrebe (parte oeste do Norte da África), em 686, uma força liderada por Zuair ibne Cais venceu a Batalha de Mamma sobre os bizantinos e os berberes, liderados por Kusaila, na planície de Cairuão, e retomou a Ifríquia e sua capital Cairuão. Em 695, Haçane ibne Numane capturou Cartago e avançou até as Cordilheira do Atlas. Uma frota bizantina conseguiu libertar a cidade, mas, em 698, Haçane retornou e derrotou Tibério III na Batalha de Cartago. Os bizantinos então se retiraram de toda a África, exceto Ceuta.

Haçane porém encontrou resistência da tribo dos Zenata (berbere) sob al-Kahina. Eles conseguiram infligir-lhe uma séria derrota e o fizeram recuar para Barca. Porém, em 702, Abdal Malique enviou uma enorme quantidade de reforços. Dispondo agora de um grande exército e do apoio da população urbana do Norte da África, Haçane continuou o avanço. Ele conseguiu derrotar definitivamente os zenatas numa batalha em Tabarca, a 136 quilômetros a oeste de Cartago. Ele então fundou a vila de Túnis a quinze quilômetros das ruínas de Cartago. Por volta de 705, Muça ibne Nusair substituiu Haçane e conseguiu pacificar o resto da região, sem conseguir, porém, tomar Ceuta.

Reformas[editar | editar código-fonte]

Abdal Malique institui algumas reformas como:

  1. Tornar o árabe a língua oficial do governo por todo o império.
  2. Fundou uma casa da moeda que produziu o primeiro conjunto de moedas islâmicas.
  3. Expandiu e reorganizou o serviço postal.
  4. Restaurou a Caaba, danificada nas guerras, e começou a tradição de tecer uma capa de seda para ela em Damasco.

Domo da Rocha[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Domo da Rocha
Domo da Rocha, construído por Abdal Malique em Jerusalém

Abdal Malique também construiu o Domo da Rocha em Jerusalém, mas partes da cidade foram destruídas quando suas tropas tiveram que reprimir uma revolta. O acadêmico muçulmano al-Wasiti fez o seguinte relato deste incidente:

Quando Abdal Malique tencionava construir o Domo da Rocha, ele foi de Damasco a Jerusalém. Ele escreveu, "Abdal Malique quer construir um dome (qubba) sobre a Rocha para abrigar os muçulmanos contra o frio e o calor, e construir uma mesquita. Mas antes de começar ele quer saber a opinião de seus súditos." Com a aprovação deles, os seus enviados escreveram de volta, "Que Alá permita o sucesso de sua empreitada e que Ele conte o domo e a mesquita como uma boa ação de Abdal Malique e seus predecessores."' Ele então juntou artesãos de todo o seu domínio e pediu-lhes que providenciassem uma descrição e um modelo para o domo planejado antes de iniciarem as obras. Ele então ordenou a construção de um tesouro (bayt al-mal) na parte leste da Rocha, na beirada, e encheu-o de dinheiro. Em seguida, ele apontou Raja' ibn Hayweh e Iázide ibne Salam para supervisionarem a construção e ordenou que eles não poupassem gastos nela. Abdal Malique retornou então para Damasco. Quando os dois homens ficaram satisfeitos com a obra, eles escreveram de volta ao califa para informá-lo de que a construção do domo e da Mesquita de al-Aqsa estava completa. Eles disseram "Não há nada no edifício que possa ser criticado". Eles escreveram que cem mil dinares sobraram no orçamento que ele os havia confiado. Abdal Malique ofereceu o dinheiro a eles como recompensa, mas eles negaram, indicando que já haviam sido generosamente compensados. O califa então ordenou que as moedas de ouro fosse derretidas e aplicadas no exterior do domo, que, na época, brilhava com tamanho fulgor que ninguém conseguia olhar diretamente para ele[2][3]

Em seu "Livro sobre Geografia", Al-Muqaddasi relatou que uma quantia equivalente a sete vezes o produto interno do Egito foi utilizado na construção do domo. Durante a discussão com seu tio sobre o porque o califa havia gastado tanto em mesquitas em Jerusalém e Damasco, al-Maqdisi escreveu:

Ó meu pequeno, tu não entendes nada. Na verdade ele estava certo e foi incitado a realizar uma obra digna. Pois ele viu que a Síria era um país que há muito fora ocupada pelos cristãos e ele percebeu que havia lá belas igrejas que ainda lhes pertenciam, tão encantadoras e tão renomadas por seu esplendor, como são a Igreja do Santo Sepulcro e as igrejas de Lida e Edessa. Por isso ele procurou construir para os muçulmanos uma mesquita que fosse única e uma maravilha para o mundo. E, igualmente, não é evidente que o califa Abdal Malique, vendo a grandeza do martírio do Santo Sepulcro e sua magnificência se convenceu que ele poderia confundir a mente dos muçulmanos e, assim, ele erigiu sobre a Rocha o domo que agora se vê lá[4][5]

Morte[editar | editar código-fonte]

Os últimos anos de seu reinado foram, de maneira geral, pacíficos. Abdal Malique queria que seu filho, Ualide I, o sucedesse, ignorando o decreto de seu pai que Abdal Malique deveria ser sucedido por seu irmão, Abdalazize. Porém, Abdal Malique aceitou o conselho de não criar novos distúrbios e acabou aceitando o desejo do pai. Porém, Abdalazize morreu antes que o califa e ele então conseguiu que seus dois filhos, Ualide e Solimão, nesta ordem, fossem aceitos como seus sucessores. Para a história, Abdal Malique ficou conhecido como "Pai de Reis": seus quatro filhos o sucederam como califa, um após o outro[6]. Abdal Malique morreu em al-Sinabra em 705[7].

Referências

  1. Classical Islam G.Gunebam
  2. Abu-Bakr al-Wasiti, Fada'il Bayt al-Maqdis, pp. 80-81, vol 136.
  3. Nasser Rabbat, The Dome of the Rock Rvisited: Some Remarks on al-Wasiti's Accounts, Muqaranas, Vol. 10, Essays in Honor of Oleg Grabar, pp. 66-75, 1993
  4. Shams al-Din al-Maqdisi, Ahsan al-Taqasim fi Mar'rifat al-Aqalim, 2nd ed. (Leida, 1967) pp. 159-171.
  5. le Strange, 1890, p.117
  6. Masudul Hasa, History of Islam
  7. Bacharach in Necipogulu, 1996, p. 38.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

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