Igreja Matriz de Santa Cruz

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João de Freitas, membro da Casa Real, foi quem pediu a D. Manuel I a construção de uma nova igreja na povoação de Santa Cruz na Ilha da Madeira, pois na existente já metade da população não conseguia entrar. Arranjado terreno iniciam-se as obras do novo templo. A obra quinhentista é marcada na fachada pela bonita torre sineira, coroada com a Cruz de Cristo juntamente com a sua platibanda.

A torre apresenta os cunhais e as ventanas em arco de volta perfeita, vincados por cantaria contrastando com o branco dos panos. Remata a torre coruchéu de oito faces com molduras - na base e a meia altura - também em cantaria. Acima das janelas encontramos os relógios.

A platibanda, para além das cruzes de Cristo, é interrompida por pináculos assentes em plintos quadrangulares, no seguimento dos cunhais e contrafortes, ornados de garras.

Apesar de D. Manuel I ter mandado fazer a nova matriz à semelhança da Sé, esta mostra ambiente diferente não apenas pelas sua menores dimensões.

No interior, de três naves, fortes pilares octogonais sustentam os arcos quebrados que arrancam de simples capitéis em molduras ressaltadas. Os tectos são de madeira pintada e a iluminação da nave central é feita através das frestas que encimam os entre-arcos. Ao centro, adossa-se um púlpito assente em coluna de caneluras. No seguimento deste, na nave setentrional, rasga-se um arcossólio quinhentista com arca tumular, assente em leões e que ostenta o brasão de armas da família dos genoveses Spínola.

Segue-se a Capela do São Sacramento com um elegante portal de arquivoltas plenas, sustentadas por colunelos capitelizados. Fecha o arco as armas do casal ali sepultado, João de Morais e D. Catarina Fernandes Tavares, que consagraram a capela ao Apóstolo Santiago. O altar e o retábulo são já o resultado de obras posteriores, dos finais do século XVIII, onde se harmonizam o novo gosto neoclássico, ainda com elementos barrocos.

Na nave meridional é merecedora de atenção a Capela das Almas do século XVII, mandada fazer pelo Capitão Domingos Escórcio, que se encontra aqui sepultado. No seguimento aparece-nos o antigo Altar do Corpo Santo, dedicado agora à Imaculada Conceição, resguardada por um arco manuelino e que ostenta o retábulo inicial com uma caravela pintada. De realçar ainda a fina moldura manuelina, rematada com a cruz de Cristo, que abriga o armário dos Santos Óleos.

A capela-mor é precedida de elegante arco quebrado, encimado com uma reprodução da Última Ceia de Leonardo da Vinci. A ousia apresenta uma cobertura em abóbada em cruzaria de ogivas, decorada com trechos manuelinos. Do retábulo inicial encontramos seis interessantes pinturas renascentistas que revestem as paredes da abside. Nestas são retratados temas da Vida de Cristo, como a Anunciação, o Nascimento, a Adoração dos Magos, a Cruficicação, Descida da Cruz e Ressurreição. O actual retábulo é fruto das obras realizadas entre o finais do século XVII e os princípios do século XVIII.

Nas obras realizadas, já neste século e na década de 60, foi destapado um elegante portal geminado quinhentista na capela-mor. O corpo da igreja foi levantado à custa dos habitantes de Santa Cruz com a ajuda do rei. Por seu lado, a capela-mor foi só suportada por D. Manuel I e a obra realizada por Fernão Mouseiro que a terminou em 1508. As outras capelas estiveram a cargo de alguns nobres. Como recompensa a João de Freitas, encarregado das obras, D. João III concedeu-lhe a benesse de ter a capela-mor para sua sepultura.