Motim do HMS Bounty

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Fletcher Christian e os amotinados deixam o tenente William Bligh e outros marinheiros à deriva no mar. Pintura de Robert Dodd em 1790, no Museu Marítimo Nacional.

O motim do HMS Bounty ocorreu abordo do navio HMS Bounty da Marinha Real Britânica em 28 de abril de 1789 no meio do Oceano Pacífico. Tripulantes insatisfeitos liderados pelo assistente de mestre Fletcher Christian tomaram o controle da embarcação das mãos de seu comandante, o tenente William Bligh, deixando-o à deriva abordo de um bote com poucos suprimentos junto com outros dezoito marinheiros. Os amotinados se estabeleceram no Taiti ou nas Ilhas Pitcairn; enquanto isso Bligh conseguiu realizar uma viagem de mais de 6.500 km no bote até encontrar terra, começando então um processo para levar os amotinados para a justiça.

O Bounty havia deixado a Grã-Bretanha em 1787 para recolher e transportar frutas-pão do Taiti até as Índias Ocidentais. A disciplina dentre os homens se deteriorou depois de cinco meses de descanso passados no Taiti, período em que muitos marinheiros viveram em terra e formaram ligações sexuais com mulheres nativas. As relações de Bligh com sua tripulação foram piorando à medida que ele passava punições cada vez mais severas e aumentava suas críticas e abusos, com Christian sendo um alvo frequente. Ele realizou com sucesso um motim contra o comandante por volta de três semanas depois do navio ter deixado o Taiti.

Bligh conseguiu voltar para a Grã-Bretanha em abril de 1790 e o Almirantado Britânico enviou o HMS Pandora para prender os amotinados. Catorze foram capturados no Taiti e aprisionados no navio, que então procurou sem sucesso por Christian e o resto dos homens que haviam ficado em Pitcairn. O Pandora encalhou na Grande Barreira de Coral no caminho de volta, perdendo 31 tripulantes e quatro prisioneiros do Bounty. Os dez restantes chegaram na Grã-Bretanha em junho de 1792 e foram julgados na corte marcial; quatro foram absolvidos, três perdoados e três enforcados.

O grupo de Christian permaneceu sem ser descoberto até 1808, altura em que apenas um dos amotinados, John Adams, ainda estava vivo. Quase todos os outros homens, incluindo Christian, haviam sido mortos pelo outro ou por suas companheiras polinésias . Nenhuma ação foi tomada contra Adams. Os descendentes dos amotinados com suas consortes taitianas vivem até os dias de hoje em Pitcairn. A visão que acabou entrando no imaginário popular era a de Bligh como um tirano e Christian como uma vítima trágica das circunstâncias, como mostrada em vários filmes sobre os eventos, porém historiadores dos séculos XX e XXI estão trazendo uma imagem mais simpática de Bligh.

Antecedentes[editar | editar código-fonte]

Navio e missão[editar | editar código-fonte]

Reconstrução de 1960 do Bounty.

O HMS Bounty foi construído em 1784 no estaleiro da família Blaydes em Kingston upon Hull, Yorkshire, originalmente como um navio carvoeiro chamado Bethia. Ele foi rebatizado em maio de 1787 depois de ser comprado por 1.950 libras esterlinas pela Marinha Real Britânica.[1] O Bounty tinha três mastros, 28 m de comprimento por 7,6 m de largura, com uma capacidade de carga de 230 t.[2] Seu armamento consistia em quatro canhões curtos e dez pequenos canhões giratórios, suplementados com pequenas armas como mosquetes.[3] Foi classificado pelo Almirantado Britânico como um cúter, a menor categoria de um navio de guerra, assim seu comandante seria um tenente ao invés de um capitão, sendo o único oficial abordo. O mandato de cúter também não garantia o destacamento usual de Fuzileiros Navais que os comandantes usavam para reforçar sua autoridade.[4] [nota 1]

O Bounty foi adquirido para transportar frutas-pão do Taiti (então chamada de "Otaheite"), uma ilha polinésia no sul do Oceano Pacífico, até as colônias britânicas nas Índias Ocidentais. A expedição foi patrocinada pela Royal Society e organizada por seu presidente sir Joseph Banks, que compartilhava a visão dos donos de plantações caribenhos de que frutas-pão poderiam ser cultivadas lá e servir como comida barata para os escravos.[8] Banks supervisionou a reforma do Bounty realizada no Estaleiro Deptford no rio Tâmisa. A cabine, normalmente os aposentos do capitão, foi convertida em uma estufa para mais de cem frutas-pão, com janelas vidraçadas, clarabóias, um convés coberto e um sistema de drenagem para impedir o desperdício de água fresca.[9] O espaço necessário para esses arranjos em uma navio pequeno significou que a tripulação passaria por uma superlotação durante toda viagem.[10]

William Bligh[editar | editar código-fonte]

Bligh por J. Ruffell c. 1792, no Museu Marítimo Nacional.

O comando da expedição foi entregue com a aprovação de Banks ao tenente William Bligh,[11] cujas experiências anteriores incluíam a terceira e última viagem de James Cook entre 1776 e 1780 quando serviu como mestre de navegação abordo do HMS Resolution.[nota 2] Bligh nasceu em 1754 na cidade de Plymouth, Devon, vindo de uma família com tradição militar e naval.[11] [12] Sua nomeação para o navio de Cook aos 21 anos de idade foi considerada uma honra, apesar de Bligh acreditar que sua contribuição não foi propriamente reconhecida no relato oficial da expedição.[14] O tamanho da marinha britânica foi reduzido depois do fim da Guerra da Independência dos Estados Unidos em 1783, com Bligh sendo dispensado e recebendo metade do pagamento.[15]

Bligh passou por um período de ociosidade e então conseguiu trabalho temporário na marinha mercante, sendo comandante em 1785 do Britannia, navio propriedade do tio de sua esposa Duncan Campbell.[16] Bligh assumiu em 16 de agosto de 1787 a nomeação no Bounty, com um considerável custo financeiro: seu pagamento de quatro xelins por dia (totalizando setenta libras por ano) contrastava com as quinhentas libras anuais que recebeu como comandante do Britannia. Ele também teve de assumir a posição de comissário do Bounty por causa do limitado número de oficiais abordo.[17] Suas ordens para a viagem ditavam que Bligh deveria entrar no Pacífico através do Cabo Horn, coletar as frutas-pão, velejar para leste na direção do Estreito Endeavour e cruzar os oceanos Índico e Atlântico até as Índias Ocidentais. O Bounty assim completaria uma circum-navegação completa pela Terra.[18]

Tripulação[editar | editar código-fonte]

A tripulação do Bounty consistia em 46 homens, dos quais 44 eram marinheiros da Marinha Real e dois eram botânicos civis. Diretamente abaixo de Bligh estavam seus subtenentes, nomeados pelo Conselho da Marinha e chefiados pelo mestre de navegação John Fryer.[19] Os outros subtenentes eram o contramestre, o cirurgião, o carpinteiro e o artilheiro.[20] Foram adicionados vários aspirantes honorários – chamados de "jovens cavalheiros", eram aspirantes a oficiais navais – para os dois assistentes de mestre e os dois aspirantes de marinha. Esses foram registrados no navio como marinheiros aptos, porém foram alojados com os aspirantes e tratados da mesma maneira que eles.[21]

A maior parte da tripulação do Bounty foi escolhida por Bligh ou recomendada para ele por patrocinadores. William Peckover, o artilheiro, e Joseph Coleman, o armeiro, haviam servido com o tenente no Resolution;[22] vários outros tinham velejado sob Bligh mais recentemente no Britannia. Dentre esses estava Fletcher Christian, então com 23 anos, que vinha de uma rica família de Cumberland. Christian havia escolhido uma vida no mar ao invés da carreira jurídica desejada por seus pais.[23] Os dois homens já haviam viajado juntos em duas ocasiões para às Índias Ocidentais, tendo formado uma relação mestre–púpilo em que Christian acabou se tornando um navegador habilidoso.[24] Christian, sendo um dos "jovens cavalheiros", estava disposto a servir no Bounty sem pagamento;[25] Bligh mesmo assim lhe conferiu uma acomodação de assistente de mestre.[24] Outros jovens cavalheiros recomendados incluíam Peter Heywood de quinze anos de idade, que havia deixado a escola um ano antes para servir no HMS Powerful, um navio de treinamento em Plymouth.[26] Sua recomendação veio de Richard Betham, um amigo da família Heywood e o sogro de Bligh.[21]

Banks foi quem escolheu os dois botânicos, ou "jardineiros". O botânico chefe era David Nelson, um veterano da terceira expedição de Cook que já havia ido para o Taiti e aprendido um pouco da língua nativa.[27] Seu assistente era William Brown, um ex-aspirante de marinha que já havia participado de batalhas contra os franceses.[22] Banks também ajudou a conseguir acomodações de aspirante de marinha para dois de seus protegidos: Thomas Hayward e John Hallett.[28] A tripulação do Bounty era relativamente jovem, com a maioria tendo menos de trinta anos de idade;[29] Bligh tinha 33 anos na época da partida. Dentre os tripulantes mais velhos estavam Peckover com 39 anos, que viajou nas três expedições de Cook, e Lawrence Lebogue, um ano mais velho e que serviu como fabricante de velas do Britannia. Os mais jovens abordo eram Hallett e Heywood, ambos com quinze anos quando deixaram a Grã-Bretanha.[30]

O espaço habitável do navio era organizado a partir da patente. Bligh, tendo cedido a grande cabine,[31] ocupava aposentos particulares no lado estibordo com uma área de jantar adjacente, com Fryer ocupando uma pequena cabine no lado aposto. O cirurgião Thomas Huggan, os outros subtenentes e Nelson ficavam em minúsculas cabines no convés inferior,[32] enquanto os assistentes de mestre, aspirantes de marinha e jovens cavalheiros ficavam acomodados todos juntos em uma área atrás da sala de jantar do comandante; eles tinham permissão de usar o tombadilho superior como oficiais subalternos.[19] Os restantes ficavam em aposentos no castelo da proa, uma área sem janelas e ventilação que media 11 m de comprimento por 6,7 m de largura e 1,7 m de altura.[33]

Expedição[editar | editar código-fonte]

Para o Cabo Horn[editar | editar código-fonte]

O Bounty deixou Deptford para Spithead no Canal da Mancha em 15 de outubro de 1787, aguardando novas ordens.[35] [nota 3] O mau tempo adiou a chegada em Spithead até 4 de novembro. Bligh estava ansioso para partir logo e chegar ao Cabo Horn antes do final do verão no hemisfério sul,[37] porém o Almirantado não lhe concedeu alta prioridade e adiou em mais três semanas a emissão das ordens. O Bounty finalmente partiu em 28 de novembro, más pegou ventos contrários e não conseguiu deixar Spithead até 23 de dezembro.[38] Com sérias dúvidas a respeito das perspectivas de passagem pelo Cabo Horn, Bligh recebeu permissão do Almirando para se necessário usar uma rota alternativa até o Taiti passando pelo Cabo da Boa Esperança.[39]

Bligh introduziu a rígida disciplina de Cook sobre higiene e dieta logo que o navio entrou em alto mar. De acordo com o historiador Sam McKinney, o comandante aplicou essas regras "com zelo fanático, continuamente se agitando e fumegando sobre a limpeza do navio e a comida servida para a tripulação".[40] Ele substituiu o tradicional sistema da marinha de alternar quatro horas de serviço com quatro horas de descanço com um novo sistema, em que cada quatro horas de serviço era seguida por oito horas de descanço.[41] Bligh implementou sessões regulares de música e dança para os exercícios e entretenimento da tripulação.[42] Seus despachos para Banks e Campbell indicavam satisfação; em nenhuma ocasião teve de aplicar punições porque, como escreveu: "Tanto os homens quanto os oficiais dóceis e bem dispostos, & alegria & satisfação no semblante de cada um".[43] O único adverso até aquele momento era a conduta do cirurgião Thomas Huggan, que se mostrou indolente e um beberrão antihigiênico.[42]

Bligh desde o início estabeleceu boas relações com Christian, lhe conferindo uma posição que implicava que era o segundo no comando do navio ao invés de Fryer.[44] [nota 4] O comandante formalizou essa posição em 2 de março de 1788 ao nomear Christian para a posição de tenente interino.[46] [nota 5] As relações de Fryer com Bligh pioraram bastante depois desse ponto, apesar dele ter mostrado poucos sinais de ressentimento.[48] Uma semana depois o subtenente insistiu que o tenente aplicasse um castigo no marinheiro Matthew Quintal, que levou doze chibatadas por "insolência e comportamento rebelde",[45] destruindo as esperanças de Bligh de uma viagem sem punições.[49]

Um vendaval forte e mares altos começaram em 2 de abril enquanto o Bounty se aproximava do Cabo Horn, um período de tempestades que Bligh escreveu como "excedeu com o que eu já havia encontrado antes ... com rajadas fortes de granizo e gelo".[50] Os ventos fizeram o navio voltar; em 3 de abril ele estava mais ao norte do que estava uma semana antes.[51] Bligh repetidas vezes tentou forçar o Bounty adiante, e em todas as vezes foi repelido. Ele informou sua tripulação exausta em 17 de abril que o mar os tinha vencido e que partiriam para o Cabo da Boa Esperança – notícia que foi recebida com "grande alegria em todas as pessoas abordo", como o próprio tenente se recordou.[52]

Do Cabo ao Pacífico[editar | editar código-fonte]

O Bounty ancorou na Baía Falsa em 24 de maio de 1788, leste do Cabo da Boa Esperança, onde passou cinco semanas realizando reparos e reabastecendo.[53] As cartas de Bligh para casa enfatizavam o quão em forma ele e sua tripulação estavam quando comparados a outros navios, algo que ele expressou esperança que fosse reconhecido ao final da viagem.[54] Ele emprestou dinheiro a Christian em algum momento da estada, um gesto que o historiador Greg Dening sugere que pode ter maculado a relação dos dois ao se transformar em uma fonte de ansiedade e até ressentimento por parte do homem mais novo.[55] A historiadora Caroline Alexander descreveu o empréstimo como "um significativo gesto de amizade", porém um que Bligh garantiria que Christian jamais esquecesse.[54]

O navio deixou a Baía Falsa em 1 de julho e entrou no Oceano Índico para a longa viagem até o próximo porto, Baía da Aventura na Tasmânia. No caminho passaram pela remota São Paulo, uma pequena ilha desabitada que Bligh sabia conter água doce e banhos termais a partir de relatos de navegações anteriores, porém ele não tentou aportar. O tempo estava frio e gelado, condições análogas ao Cabo Horn, e era difícil realizar observações de navegação, porém Bligh era habilidoso o bastante para conseguir avistar a Rocha Mewstone em 19 de agosto, ao sudoeste da Tasmânia, chegando na Baía da Aventura dois dias depois.[56]

Baía Matavai, Taiti, em 1776 por William Hodges, no Centro Yale de Arte Britânica.

A tripulação do Bounty passou parte do seu tempo na Baía da Aventura se recuperando, pescando, reabastecendo e realizando cuidados nas madeiras do navio. Houve encontros pacíficos com a população local.[56] O primeiro sinal de discórdia entre Bligh e seus oficiais surgiu quando o comandante trocou palavras acoloradas com o carpinteiro William Purcell por causa dos métodos usados pelo segundo no corte da madeira.[nota 6] Bligh ordenou que Purcell voltasse para o navio e retirou suas rações quando o carpinteiro manteve sua posição, algo que "imediatamente trouxe seu juízo de volta" de acordo com o tenente.[58]

Mais discórdias ocorreram durante a última parte da viagem até o Taiti. Fryer se recusou em 9 de outubro a assinar os livros de contabilidade do navio a menos que Bligh lhe desse um certificado atestando sua total competência durante a viagem. Bligh não foi coagido; ele reuniu a tripulação e leu os Artigos de Guerra, momento em que Fryer recuou.[59] Também houve problemas com Huggan, cuja sangria descuidada do marinheiro James Valentine no tratamento de asma levou a sua morte por sepse.[60] O cirurgião disse a Bligh que Valentine tinha morrido de escorbuto para incrubrir seu erro,[61] fazendo com que o comandante aplicasse seus próprios remédios medicinais e dietéticos em todos os homens.[62] Huggan estava à essa altura quase incapacitado pela bebida, com Bligh confiscando todo o estoque de álcool. O cirurgião voltou ao serviço; ele examinou todos os tripulantes antes do Bounty chegar no Taiti procurando por sinais de doenças venéreas, não encontrando.[63] O navio chegou na Baía Matavai no Taiti em 26 de outubro de 1788, completando a viagem de 50.163 km.[64]

Taiti[editar | editar código-fonte]

Uma mulher polinésia em 1777 por John Webber, no Museu Marítimo Nacional.

A primeira ação de Bligh ao chegar foi garantir a cooperação dos caciques locais. O sumo chefe Tynah se lembrava de Bligh da viagem de Cook quinze anos antes, recebendo-o calorosamente. O tenente deu presentes ao chefe e lhe informou que seu "Rei Jorge" queria frutas-pão em troca. Os nativos concodaram de bom grado com esse pedido.[65] Bligh designou Christian para liderar uma equipe em terra encarregada de estabelecer um local onde as plantas pudessem ser cultivadas.[66]

Os deveres dos homens do Bounty eram leves tanto em terra quanto no mar durante sua estadia de cinco meses no Taiti. Muitos levaram vidas promíscuas com as mulheres nativas – ao todo dezoito homens, incluindo Christian, receberam tratamento para infecções venéreas[67] – enquanto outros assumiram parceiras regulares.[68] Christian acabou formando uma relação próxima com uma mulher polinésia chamada Mauatua, quem ele deu o nome de "Isabella" por causa de um antigo amor seu.[69] Bligh permaneceu em castidade,[70] porém tolerava as atividades de seus homens, não surpreso que eles sucumbiram à tentação quando "as seduções da dissipação estão além de qualquer coisa que pode ser concebida".[71] Ele mesmo assim esperava que os tripulantes cumprissem eficientemente seus deveres, ficando desapontado ao descobrir o aumento de casos de negligência e indolência por parte de seus oficiais. Ele escreveu furioso: "Eu acredito que nunca houve navio com tais suboficiais negligentes e inúteis como este".[67]

Huggan morreu em 10 de dezembro. Bligh atribuiu isso a "os efeitos da intemperança e indolência ... ele nunca prevaleceria a tomar meia dúzia de voltas pelo convés durante toda a viagem".[72] Christian, apesar de anteriormente ser um favorito de Bligh, acabou não escapando da ira de seu comandante. Ele era frequentemente humilhado – algumas vezes em frente da tripulação e dos taitianos – por causa de desleixos reais e imaginários,[67] enquanto punições severas eram aplicadas em homens cujos descuidos levaram ao roubo ou perda de equipamentos. Açoitamentos, raramente administrados durante a viagem de ida, agora eram cada vez mais comuns. Três homens desertaram em 5 de janeiro de 1789 – Charles Churchill, John Millward e William Muspratt – pegando um pequeno barco, armas e munição. Muspratt havia recentemente sido açoitado por negligência. Dentre os pertences que Churchill deixou para trás no Bounty estava uma lista de nomes que Bligh achou que poderiam ser de co-conspiradores na deserção – o tenente posteriormente afirmou que os nomes de Christian e Heywood estavam na lista. Bligh foi persuadido que seu protegido não planejava desertar, com o assunto sendo deixado para trás. Churchill, Millward e Muspratt foram encontrados três semanas depois e açoitados assim que voltaram para o navio.[73]

O trabalho aumentou a partir de fevereiro; mais de mil frutas-pão foram envasadas e levadas para o navio, enchendo a grande cabine.[74] O Bounty estava todo reformulado por homens que muitas vezes se lamentavam pela perda iminente de sua vida fácil com os taitianos. Bligh estava impaciente para ir embora, porém como o historiador Richard Hough colocou: ele "falhou em antecipar como sua companhia reagiria a severidade e austeridade da vida no mar ... depois de cinco meses devassos e hedonistas no Taiti".[75] O trabalho foi completado em 1 de abril e o navio partiu quatro dias depois com despedidas de Tynah e sua esposa.[74]

Volta para casa[editar | editar código-fonte]

Tanto Hough quanto Alexander afirmam que os homens do Bounty não estavam próximos do motim ao deixarem o Taiti, não importando o quanto lamentassem pela partida. O diário do assistente de contramestre James Morrison apoia a conclusão.[76] [77] [nota 7] Hough sugere que os eventos que se seguiram foram determinados pelas três semanas depois da partida, quando a raiva e intolerância de Bligh alcançaram proporções paranóicas. Christian era um alvo particular, sempre suportando a ira do comandante.[79] Bligh não estava ciente dos efeitos de seu comportamento nos oficiais e tripulação, esquecendo essas exibições instantaneamente e tentando retomar relações sociais normais.[77]

O Bounty chegou em Nomuka, nas Ilhas Amigáveis (atual Tonga) em 22 de abril de 1789 com a intenção de pegar madeira, água e suprimentos já que era a última parada antes do Estreito Endeavour. Bligh havia visitado as ilhas com Cook e sabia que os habitantes locais poderiam ser imprevisíveis. Ele encarregou Christian com uma equipe para encontrar água e o equipou com mosquetes, porém ao mesmo tempo ordenou que as armas fossem deixadas no navio e não carregadas para a terra.[80] A equipe foi ameaçada e tormentada, porém não foram capazes de retaliar por não terem recebido permissão para usarem armas. Christian voltou para o Bounty sem completar a tarefa, com Bligh o acusando de ser "um patife covarde e maldito".[81] Mais desordens em terra resultaram no roubo de uma pequena âncora e de uma enxó, pelos quais Bligh mais uma vez repreendeu Fryer e Christian.[82] O comandante brevemente prendeu os chefes da ilha abordo do navio em uma tentativa de recuperar os itens roubados, porém tudo foi em vão. Ele finalmente ordenou que o Bounty navegasse sem a âncora e a enxó.[83]

Christian estava em estado de desespero em 27 de abril, depressivo e pensativo.[84] [nota 8] Seu humor piorou mais ainda quando Bligh o acusou de roubar cocos da dispensa particular do comandante. O tenente puniu toda a tripulação pelo roubo, interrompendo sua ração de rum e reduzindo pela metade a comida.[85] Christian estava achando sua posição intolerável e considerou construir uma pequena jangada, com a qual poderia escapar para uma ilha e tentar a sorte com os nativos. Ele talvez tenha conseguido madeira com Purcell para esse objetivo.[84] [86] Seu descontento de qualquer maneira se tornou de conhecimento público dentre os outros oficiais. George Stewart e Edward Young, dois dos jovens cavalheiros, imploraram para que não deserdasse; Young garantiu que Christian teria o apoio de quase todos abordo para tomar o Bounty e tirar Bligh do comando.[87] Stewart lhe contou que a tripulação estava "pronta para qualquer coisa".[84]

Motim[editar | editar código-fonte]

Tomada[editar | editar código-fonte]

Christian e os amotinados tomam o Bounty. Gravura de Hablot Knight Browne em 1841.

O Bounty estava a 56 km ao sul da ilha de Tofua nas primeiras horas do dia 28 de abril de 1789.[88] Christian decidiu agir depois de uma noite sem dormir. Ele soube quais os tripulantes mais provavelmente seriam seus apoiadores depois das discussões com Young e Stewart, sabendo o nome de muitos mais depois de conversar com Quintal e Isaac Martin. Christian tomou o controle do convés superior com a ajuda desses homens; aqueles indagaram sobre suas ações foram ordenados a permanecer em silêncio.[89] Ele foi para baixo por volta dàs 5h15min, dispensou Hallett, que estava dormindo sobre o baú com os mosquetes, e distribuiu as armas para seus seguidores.[90] Christian foi para a cabine de Bligh, com três homens segurando o comandante e amarrando suas mãos, ameaçando matá-lo caso fizesse muito barulho;[91] mesmo assim "gritei o mais alto que pude na esperança de auxílio".[92] A confusão acordou Fryer, que de sua cabine no lado oposto viu os amotinados amordaçando Bligh. Os amotinados ordenaram que Fryer "deitasse outra vez, e segurasse minha língua ou eu era um homem morto".[90]

Bligh foi levado para o tombadilho superior amarrado por uma corda segurada por Christian, que também estava portando uma baioneta;[93] alguns relatos dizem que Christian tinha um peso preso ao seu pescoço para que ele pudesse pular no mar e se afogar caso o motim falhasse.[90] Outros tinham sido acordados pelos barulhos e deixaram suas camas para se juntar ao pandemônio. Não estava claro na hora quem fazia ou não fazia parte dos amotinados. Hough descreve a cena: "Todos estavam, mais ou menos, fazendo barulho, tanto xingando, zombando ou apenas gritando pelo resseguro que isso lhes dava".[93] Bligh não parava de gritar exigindo que fosse libertado, algumas vezes chamando os homens pelo nome, as vezes mandando "derrubem Christian!" para a tripulação.[94] Fryer recebeu brevemente permissão para ir ao convés e conversar com Christian, porém foi forçado a voltar na mira de uma baioneta; de acordo com o próprio, Christian lhe disse que "Estou no inferno há semanas. O Capitão Bligh trouxe isso para si mesmo".[90]

Christian inicialmente pensou em lançar Bligh à deriva no pequeno bote do Bounty junto com o escrituário John Samuel e os aspirantes lealistas Hayward e Hallett. O bote se mostrou inavegável então ele ordenou o lançamento de um bote maior, com uma capacidade para por volta de dez homens. Entretanto, Christian e seus aliados superestimaram o tamanho do motim – pelo menos metade dos homens estavam dispostos a partir com Bligh. Assim, a lancha do navio com 7 m de comprimento foi colocada na água.[95] Os lealistas recolheram suas posses nas horas seguintes e entraram no barco. Dentre eles estava Fryer, que pediu para Bligh permissão para permanecer abordo do Bounty – segundo ele, na esperança de conseguir retomar o navio[90] – porém Christian o forçou para a lancha. A embarcação logo ficou lotada, com mais de vinte pessoas procurando por espaço. Christian ordenou devolta para o Bounty Charles Norman e Thomas McIntosh, os dois assistentes de carpinteiro, e Joseph Coleman, o armeiro, já que ele considerou suas presenças como vitais para poder navegar o navio com uma tripulação reduzida. Eles obedeceram relutantemente, pedindo para Bligh se lembrar que tinham permanecido contra sua vontade. O tenente os assegurou: "Não tenham medo, rapazes, eu farei justiça por vocês se eu conseguir alcançar a Inglaterra".[96]

Samuel salvou o diário do capitão, documentos e papéis do comissário de bordo, porém foi forçado a deixar para trás os mapas e cartas marítimas de Bligh – quinze anos de trabalhos de navegação.[90] A lancha recebeu suprimentos de comida e água para cinco dias,[97] um sextante, bússola, tabelas náuticas e a caixa de ferramentas de Purcell. Os amotinados também jogaram quatro cutelos no barco no último minuto.[90] Dezenove homens foram colocados na lancha, da tripulação de 44 do Bounty depois das mortes de Huggan e Valentine, deixando-o perigosamente com apenas 18 cm na borda livre.[97] Os 25 homens restantes no navio incluiam os amotinados armados, os lealistas mantidos contra suas vontades e outros para os quais não havia espaço na lancha. A corda que ligava as duas embarcações foi cortada por volta dàs 10h; Bligh ordenou pouco depois que a vela fosse levantada. Seu destido imediato era a ilha de Tofua, claramente marcada no horizonte por uma coluna de fumaça vinda de seu vulcão.[98]

Viagem de Bligh[editar | editar código-fonte]

Mapa mostrando os movimentos do Bounty.
  Viagem do Bounty até o Taiti e para o local do motim em 28 de abril de 1789
  Curso da lancha de Bligh até Kupang, entre 2 de maio e 14 de junho de 1789
  Movimentos do Bounty sob Christian depois do motim, de 28 de abril em diante

Bligh esperava encontrar comida e água em Tofua, então seguir para a ilha de Tongatapu e procurar a ajuda do rei Poulaho (quem ele conhecia da viagem com Cook) para conseguir suprimentos para chegar nas Índias Orientais Holandesas.[99] Houve encontros com os nativos em Tofua que inicialmente foram amistosos, porém acabaram ficando mais ameaçadores enquanto o tempo passava. Ele ordenou que seus homens voltassem para o mar pouco antes dos nativos tomarem a corda de popa da lancha e tentarem puxá-la para terra. Bligh friamente guiou os marinheiros com os suprimentos para o barco. O quartelmestre John Norton pulou na água para tentar livrar a corda dos captores; ele foi imediatamente atacado e apedrejado até a morte.[100]

A lancha conseguiu fugir para o alto mar, onde a tripulação reconsiderou suas opções. Uma visita a Tongatapau ou outra ilha poderia acarretar consequências similarmente violentas; Bligh calculou que sua melhor chance de salvação era velejar diretamente para o assentamento holandês de Kupang no Timor, usando apenas os suprimentos abordo.[nota 9] Essa era uma jornada de aproximadamente 6.5 mil quilômetros para o oeste além do Estreito Endeavour, necessitando de rações diárias de uma onça de pão e um quarto de copo de água para cada homem. O plano foi apoiado unanimamente.[102]

O clima era húmido e tempestuoso desde o início, com mares agitados ameaçando constantemente emborcar a lancha.[103] Quando o sol aparecia, Bligh escreveu que "nos dava tanto prazer quanto um dia de inverno na Inglaterra".[104] Ele se esforçou para manter seu diário durante a viagem, observando, desenhando e mapeando enquanto velejavam para oeste. Ele contava histórias sobre suas experiências anteriores no mar para tentar manter a moral, fazendo com que os homens cantassem e ocasionalmente rezava.[105] O barco realizou a primeira passagem por europeus pelas Ilhas Fiji,[106] porém não ousaram parar por causa da reputação de canibalismo que os nativos tinham.[107] [nota 10] Bligh relatou em 17 de maio que "nossa situação era miserável; sempre molhados, e sofrendo de frio extremo ... sem nenhum abrigo do clima".[109]

O céu clareou uma semana depois e pássaros começaram a aparecer, sinalizando a proximidade de terra.[110] A Grande Barreira de Coral foi avistada em 28 de maio; Bligh encontrou uma saliência navegável e velejou a lancha para uma lagoa.[111] Eles desembarcaram durante a tarde encontraram ostras e bagas em abundância, comendo-as vorazmente.[112] O grupo explorou o norte da ilha durante os quatro dias seguintes, cientes que seus movimentos estavam sendo vigiados pelos nativos.[113] Discordâncias estavam começando a aparecer; Bligh certa vez se desentendeu com Purcell, pegou um cutelo e desafiou o carpinteiro para uma luta. Fryer disse para Cole prender o comandante, porém eles voltaram atrás depois de Bligh ameaçar matá-los se interferissem.[114]

A lancha passou pelo Cabo Iorque em 2 de junho no extremo norte da ilha da Austrália. Bligh virou para o sudoeste e navegou por um labirinto de cardumes, recifes, bancos de areia e pequenas ilhas. A rota tomada não era o Estreito Endeavour, mas sim uma passagem mais ao sul que depois ficou conhecida como o Canal do Príncipe de Gales. Naquela tarde eles alcançaram o Mar de Arafura,[115] ainda faltando dois mil quilômetros até Coupang.[116] Os oito dias seguintes foram alguns dois mais difíceis de toda a jornada, com muitos homens quase desmaiando pelo dia 11. No dia seguinte eles avistaram o Timor, com Bligh posteriormente escrevendo que "É impossível para mim descrever o prazer que a benção da vista dessa terra difundiu entre nós".[117] Ele entraram no porto de Coupang em 14 de junho com uma bandeira britânica improvisada.[109]

Bligh relatou o motim para as autoridades em Coupang e escreveu para sua esposa: "Saiba agora, minha querida Betsey, eu perdi o Bounty ..."[118] O botânico Nelson rapidamente sucumbiu ao clima severo de Coupang e morreu.[119] Os sobreviventes partiram para Batavia (atual Jacarta) em 20 de agosto para esperar um navio para a Europa;[120] o cozinheiro Thomas Cook também morreu, tendo estado doente por semanas.[121] Bligh conseguiu passagens para si, seu escrituário Samuel e seu criado John Smith, partindo em 16 de outubro de 1789.[122] Quatro dos sobreviventes restantes – o assistente de mestre Elphinstone, o quartelmestre Peter Linkletter, o açougueiro Robert Lamb e o assistente de cirurgião Thomas Ledward – morreram em Batavia ou na viagem para a Grã-Bretanha.[123]

Bounty sob Christian[editar | editar código-fonte]

Christian dividiu os artefatos pessoais dos lealistas dentre a tripulação restante depois da partida da lancha de Bligh, jogando as frutas-pão no mar.[124] Ele reconheceu que Bligh poderia sobreviver e relatar o motim, e que de qualquer forma o não-retorno do Bounty levaria a uma missão de procura, com o Taiti sendo o primeiro lugar de busca. Dessa forma ele levou o navio para a pequena ilha de Tubuai, aproximadamente 830 km ao sul do Taiti.[125] Tubuai havia sido descoberta e grosseiramente mapeada por Cook; com excessão de um único pequeno canal, ela era totalmente cercada por um recife que poderia, Christian pensou, ser facilmente defendida de um ataque vindo do mar.[126]

A ilha de Tubuai.

O Bounty chegou em Tubuai em 28 de maio de 1789. A recepção da população nativa foi hostil; Christian usou um canhão para repelir os agressores quando uma flotilha de canoas de guerra foram em direção ao navio. Pelo menos uma dúzia de guerreiros foram mortos, com o resto fugindo. Sem desanimar, Christian e um destacamento armado sondaram a ilha e decidiram que ela era apropriada para seus propósitos.[127] Entretanto, eles precisavam de mulheres e trabalho nativo complacente para estabelecer um assentamento permanente. Era mais provável que conseguissem os dois no Taiti, para onde o Bounty foi em 6 de junho. Christian inventou uma história que ele, Bligh e Cook estavam fundando um novo assentamento em Aitutaki a fim de conseguir a cooperação dos chefes taitianos. O nome de Cook garantiu presentes generosos de gado e outros bens, com o Bounty bem abastecido retornando para Tubuai em 16 de junho. Abordo também estavam trinta homens e mulheres taitianos, alguns dos quais estavam lá enganados.[128] [129]

Notas

  1. James Cook comandou sua primeira viagem no HMS Endeavour como um tenente recém promovido, apenas recebendo a patente de capitão depois de sua segunda viagem.[5] [6] Entretanto, Cook sempre insistiu em ter o apoio de um destacamento de fuzileiros formado por pelo menos doze homens.[7]
  2. A segunda metade dessa viagem foi realizada sem Cook, que foi morto por havaianos em 1778.[12] [13]
  3. As datas são dadas de acordo com o diário do Bounty escrito por Bligh (quando aplicável), que foi mantido de acordo com o tempo "náutico" usado então pela Marinha Real – cada dia começava ao meio-dia e durava até o meio-dia seguinte, doze horas adiantado em relação ao tempo normal "civil". Por exemplo, o dia 15 de outubro "náutico" equivale ao período entre o meio-dia do dia 14 e o meio-dia do dia 15.[36]
  4. Um exemplo da estima que Bligh tinha por Christian foi indicada em Tenerife, onde o Bounty ficou entre 5 e 11 de janeiro de 1788. Ao chegar o tenente enviou o assistente de mestre para prestar respeito ao governador da ilha como o representante do navio.[44] [45]
  5. Essa não era uma promoção naval formal, porém deu a Christian a autoridade de um tenente durante a viagem, aumentando muito suas chances de ser promovido a tenente permanente ao final da expedição.[47]
  6. Evidências não corroboram as sugestões que Bligh era um comandante excepcionalmente severo. Sua violência era mais verbal do que física;[14] como comandante a média de seus castigos com chibatadas era de menos de um em dez marinheiros, excepcionalmente baixo para a época. Ele era conhecido por ser temperamental e ter uma língua afiada, porém os alvos de sua fúria eram geralmente seus oficiais, principalmente quando percebia incompetência ou negligência no cumprimento de alguma ordem.[57]
  7. O diário de Morrison foi escrito provavelmente com a vantagem da retrospectiva logo depois de sua volta a Londres como prisioneiro. Hough argumentou que Morrison não poderia ter mantido um diário de todas as suas experiências incluindo do motim, sua captura e retorno para a Grã-Bretanha.[78]
  8. O historiador Leonard Guttridge sugere que o estado psicológico de Christian pode ter piorado ainda mais por causa de uma doença venérea que ele pegou no Taiti.[84]
  9. Bligh listou os suprimentos em seu diário como 68 kg de pão, 130 litros de água, 9.1 kg de carne de porco e alguns cocos e frutas-pão pegos em Tofua. Havia também três garrafas de vinho e cinco quartos de rum.[101]
  10. O estreito em que os lealistas passaram, perseguidos pelos nativos, é até hoje chamado de Águas de Bligh.[108]

Referências

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Bibliografia[editar | editar código-fonte]

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  • McKinney, Sam. Bligh!: The Whole Story of the Mutiny Aboard H.M.S. Bounty. Victoria: TouchWood Editions, 1999. ISBN 978-0-920663-64-6

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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