Progressão musical

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"Progressão" em música é a repetição imediata, em diferentes níveis de altura, de uma determinada passagem melódica ou harmônica. No primeiro caso, chama-se progressão melódica e, no segundo, progressão harmônica. As progressões são também chamadas "marchas". O primeiro motivo é chamado de modelo. Cada um dos outros motivos que imitam o modelo é chamado de reprodução.

Tipos de Progressões[editar | editar código-fonte]

As progressões podem ser classificadas como:

  • Ascendentes: se a primeira nota da reprodução for de grau superior à primeira nota do modelo;
  • Descendentes: se a primeira nota da reprodução for de grau inferior à primeira nota do modelo;
  • Modulantes: se lhes são aplicadas alterações fora da escala, que provoquem modulação;
  • Não-modulantes: se não lhes são aplicadas alterações fora da escala;
  • Regulares: Se as reproduções iniciam sempre em graus imediatos (ex. dó-ré-mi/ré-mi-fá/mi-fá-sol)
  • Irregulares: Se as reproduções iniciam em graus não imediatos (ex. dó-fá-mi-ré/fá-si-lá-sol)

Pelo menos uma repetição é necessária, para que se configure uma progressão e o modelo deve ser baseado em algumas notas melódicas ou dois acordes sucessivos. Embora sejam, estereotipicamente, associadas à música barroca, este recurso de composição é empregado largamente em toda a história da música ocidental.

Progressão harmônica[editar | editar código-fonte]

Há uma diferença entre um acorde maior e um menor. Os acordes maiores são compostos de uma terça maior acrescido de uma terça menor,exemplo: dó-mi-sol, formando assim, uma quinta justa e o acorde menor é composto por uma terça menor e uma terça maior, exemplo: lá-dó-mi.

Pegue-se uma sequência de acordes qualquer de uma música, como por exemplo o padrão I, IV, V (C F G C). Isto é uma progressão de acordes. Se essa sequência for tocada várias vezes consecutivas, experimentando diferentes ritmos e batidas, será possível observar que todos os acordes se encaixam perfeitamente.

Há um apelo entre os acordes, um acorde criando uma tensão maior ou menor. Este "apelo" é comumente denominado de tensão, ou seja, certos acordes conduzem a uma tensão crescente, acumulando tensão. Quando se volta à Tônica (acorde de C, no exemplo) esta tensão é liberada. Ouvindo algumas músicas é possível perceber essa tensão se acumulando em determinados trechos, até atingir um clímax (com certa frequência a parte mais alta), para ser em seguida liberada. Esta progressão tomada como exemplo, que é uma das mais comuns nos dias atuais, é denominada de progressão I IV V, (aquela citada no exemplo acima) e tem justamente estas características de acúmulo de tensão e posterior liberação.

Ela é denominada I IV V porque é composta dos acordes nos graus I, IV e V de uma escala musical, neste caso a de C. Veja abaixo:

C I D II E III F IV G V A VI B VII C VIII

Na escala de D, por exemplo, ela teria a seguinte formação: D G A D.

Uma outra progressão bastante comum é a I III IV. Que na escala de C resultaria em C Em F. Na escala de E a progressão seria E G#m A. Experimente com esta progressão em diferentes escalas e com diferentes batidas.

A progressão de blues também é algo muito importante e deve ser estudada. Um grande número de canções baseia-se em progressões típicas e relativamente fáceis de serem aprendidas, pelas quais é possível "tirar" músicas e "levar" outras sem conhecer sua composição. As progressões constituem-se apenas numa base que permite inúmeras variações, e não em regras fixas. Os grandes músicos são justamente aqueles que, de certa forma, desrespeitam essas progressões, sem quebrar a harmonia do conjunto musical, ou seja, a tensão é acumulada e quebrada por meio de uma progressão não convencional de acordes utilizando-se da criatividade.

Exemplos[editar | editar código-fonte]

Um famoso exemplo popular de uma progressão descendente e não modulante é encontrada no refrão do cântico de Natal "Angels we have heard on high" (Les anges dans nos compagnes, originalmente)(em português: Surgem anjos proclamando), conforme exemplo abaixo. O motivo melódico de um compasso é transposto para baixo num intervalo de 2ª e o aspecto harmônico se comporta igualmente, conforme o ciclo de quintas.

AngelsWe Gloria.png


A progressão ascendente, modulante ocorre no dueto de Abubeker e Fátima no 3º ato da ópera Prisioneiro do Cáucaso de César Cui (compare com a passagem similar da canção Dó-ré-mi (Dó, um dia, um lindo dia) de Richard Rodgers e Oscar Hammerstein, composta quase 100 anos depois).

Cui Kav 20 1Russ pv0007 1000.png




O coro(5) "For unto us a Child is born" (Pois um menino nos nasceu, na versão portuguesa) de "O Messias" de Händel aplica tanto a progressão melódica quanto harmônica, como pode ser visto no exemplo seguinte. Nessa redução para coro, as linhas do soprano e o contralto reiteram um motivo melódico florido de quatro tempos de semicolcheias na palavra "born". Mais sutis, embora presentes, estão as progressões harmônicas.

Handel Messiah - For Unto Us a Child is Born excerpt.JPG