Óleo vegetal bromado

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
BVO (estrutura química).

O Óleo Vegetal Bromado (BVO) é um composto sintetizado quimicamente a partir do óleo vegetal (de milho ou soja), ao qual é adicionado átomos de bromo, para posterior utilização na indústria alimentar e química.

Na indústria alimentar é identificado como E443, e usado como agente emulsionante, para evitar a separação de fases dos diversos ingredientes sobretudo em bebidas refrigerantes e aumentar a agregação e coalescência, garantido a estabilidade da bebida. É largamente usado pelas multinacionais The Coca-Cola Company e PepsiCo em produtos como Fanta, Powerade, Gatorade e Montain Dew (dos mais vendidos em todo mundo).

Além de ser usado como aditivo alimentar não-natural em refrigerantes, o BVO também foi patenteado para ser utilizado como retardador de chama.[1]

Foi verificada a presença de ácidos gordos bromados em alguns organismos marinhos, tais como algas e esponjas, bem como uma presença escassa em plantas. Foram isolados a partir de Eremostachys molucelloides. [2]

Toxicidade[editar | editar código-fonte]

A ingestão de maiores quantidades de BVO (associada ao enorme consumo de refrigerantes) pode causar problemas de toxicidade devido à presença de Bromo (Br).

O Bromo, pertencendo à família dos halogéneos (flúor, cloro, iodo), actua como um disruptor endócrino. O que o torna tão perigoso é o facto de este competir com os mesmo receptores que são usados para captar iodo pelo organismo. Um consumidor frequente deste tipo de bebidas, ao estar exposto a uma quantidade tão grande de Bromo, o seu organismo não conseguirá fixar o iodo de que necessita. A falta de iodo irá provocar não só problemas na tiróide, como em vários outros órgãos. Assim pode haver um risco aumentado de cancro da mama, da tiróide, dos ovários e da próstata, estando este risco associado ao Bromide Dominance Theory.

Para além desta acção competitiva contra o iodo, o Bromo tem ainda outros efeitos tóxico no organismo. O Bromo actua como depressor do sistema nervoso central, e pode desencadear um número de sintomas psicológicos como, paranóia aguda e outros sintomas psicóticos.

De facto, foi relatado que entre 1920 e 1960, pelos menos 20% de todas as admissões hospitalares nos E.U.A. por "esquizofrenia com paranóia aguda" deveram-se à ingestão de produtos contendo Bromo.

Para além destes efeitos psiquiátricos, a toxicidade do bromo pode-se manifestar por:

  • Rash cutâneo e acne severo;
  • Perda de apetite e dor abdominal;
  • Fadiga;
  • Paladar metálico;
  • Arritmias cardíacas
  • Infertilidade
  • Hipotiroidismo

[3] [4]


mg/dL mEq/L = mmol/L Toxicidade
< 50 <6.3 Fisiológico
50-100 6.3-12-5 Possível toxicidade
100-200 12.5-25 Usualmente toxicidade sérica
200-300 25-37.5 Possível coma
<300 >37.5 Possivelmente fatal

Caso reportado[editar | editar código-fonte]

Excesso de consumo de "cola"

O paciente apresentava:

  • Dores de cabeça;
  • Fadiga;
  • Ataxia;
  • Perda de memória, progredindo ao longo de 30 dias.
  • Consumia diariamente, 2 a 4 L de cola-cola contendo óleo vegetal bromado, antes de apresentar estes sintomas;

Um achado neurológico focal de ptose palpebral direita levou a uma extensa avaliação de uma lesão do sistema nervoso central. O paciente continuou a piorar até que deixou de conseguir andar. Foi feito um diagnóstico de bromismo grave. Conformou-se a presença de 3180 mg/L (39,8 mmol/L) de bromo no soro.

Foi realizada uma hemodiálise que reduziu significativamente os níveis de bromo no soro. [5]

Comunicação de risco[editar | editar código-fonte]

  • Cancro na tiróide e hipotiroidismo: O que torna o BVO tão perigoso é o facto de competir pelos mesmos recetores que são usados na captação de iodo. Estando exposto a certas quantidades de bromo, o organismo não consegue fixar o iodo.
  • Depressão e esquizofrenia: O bromo é um depressor do sistema nervoso central, podendo desta forma desencadear uma serie de sintomas psicológicos.
  • Náuseas e vómitos: A sobredosagem aguda de brometo resulta em náuseas e vómitos devido ao efeito irritante dos iões brometo no trato gastrointestinal.
  • Erupções cutâneas: As erupções cutâneas ocorrem apenas em 25-30% dos pacientes cronicamente expostos a brometos. Pode haver lesões postulares, placas granulomatosas, úlceras ou bolhas. São frequentemente encontradas na face e no tronco mas também ocorrem nos braços, pernas e mãos.

[6] [7] [8]

Recomendações[editar | editar código-fonte]

De maneira a reverter os efeitos deste excesso de bromo no organismo, é recomendado:

  • Vitamina C;
  • Iodo (prescrito);
  • Sal não refinado;
  • Hemodiálise, em casos mais severos;

Desaconselha-se o consumo diário de refrigerantes deste tipo, não só pelo potencial perigo do BVO, mas principalmente pelos altos teores de açúcar que estes apresentam, provocando complicações de saúde mais graves como a obesidade e diabetes, associados a um estilo de vida sedentário.

Referências

  1. Yousef A, Abbas A, Badawai B, et al, (2012), Rapid quantitative method for total brominated vegetable oil in soft drinks using ion chromatography, Food Additives and Contaminats, 29: 1239-1243
  2. Bendig P, Lisa M, Lehnert K, Knapp H, Vetter W, (2013), Mass spectra of methyl esters of brominated fatty acids and their presence in soft drinks and cocktail syrups, Rapid Communications in Mass Spectrometry, 27:1083-1089;
  3. Lugassy D, Nelson L, (2009), Case Files of the Medical Toxicology Fellowship at the New York City Poison Control: Bromism: Forgotten, but Not Gone, Journal of Medical Toxicology, 5:151-157
  4. Velicky J et al., (2004), The Effect of Bromide on the Ultrastructure of Rat Thyrocytes, Ann Anat
  5. Horowitz, B. Z, (1997), Bromism from Excessive Cola Consumption. Clinical Toxicology, 35(3), 315-320.
  6. Vobecky M et al., (1996), Interaction of Bromine with Iodine in the Rat Thyroid Gland at EnhancedBromide Intake, Biol Trace Elem Res
  7. http://www.breastcancerchoices.org/bromidedominancetheory.html - consultado a 25/05/2014
  8. Hubner K et al., (1976), Skin Bromide Content and Bromide Excretion in Bromoderma Tuberosum, Arch Derm Res