A Morte de Marat

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A Morte de Marat
Autor Jacques-Louis David
Data 1793
Técnica óleo sobre tela
Dimensões 165 cm  × 128 cm 
Localização Museus Reais de Belas-Artes da Bélgica

Marat assassinado (Marat assassiné) ou A morte de Marat é uma tela de Jacques-Louis David pintada em 1793. Ela está exposta no Musées royaux des Beaux-Arts de Belgique em Bruxelas.

A pintura mostra Jean-Paul Marat, revolucionário francês, assassinado em casa em 13 de julho por Charlotte Corday. A inscrição À Marat, David que aparece na caixa de madeira, cuja forma sugere uma pedra tumular, indica que se trata de uma homenagem a Marat, que o pintor conhecia pessoalmente e que teria visto na véspera de sua morte.

História da obra[editar | editar código-fonte]

Após o anúncio da morte de Marat, feito à Convenção Nacional em 14 de julho de 1793, David, apoiado pelo deputado Guirault para fazer com Marat o que já tinha feito a Lepelletier de Saint-Fargeau, ou seja, de o imortalizar em tela,, declara ir fazê-lo. Em 14 de novembro de 1793, ofereceu à Convenção o retrato de Marat, exposto em conjunto com outra obra de David (entretanto desaparecida): La Mort de Lepelletier de Saint-Fargeau. Em 1794, após a queda de Robespierre, o quadro suscita reações que fazem eco à desgraça do pintor. Em fevereiro de 1795 o princípio da restituição das duas obras ao pintor é estabelecido: ele recuperá-las-á alguns meses mais tarde, para as conservar ao abrigo de quaisquer olhares, até à sua morte. A partir de 1826, a seguir à morte de David em 29 de dezembro de 1825, o retrato de Marat fica na posse dos herdeiros do artista, que organizam várias exposições com intenção de venda, mas sem êxito. Jules David, último proprietário do quadro, entrega-o ao museu de Bruxelas em 1886. Está em exibição desde 1893. Várias cópias serão feitas, com intuitos de divulgação, no atelier de David, de 1793 a 1794, por Serangeli e por Gérard.

Descrição[editar | editar código-fonte]

O quadro é um óleo sobre tela de 165 por 128 centímetros. Se destacando de um fundo marrom esverdeado, o corpo de Jean Paul Marat é representado agonizando. A cabeça envelopada por um turbante branco está pensa para o lado. A mão direita caída, segurava uma pluma, o braço esquerdo repousa sobre uma superfície coberta por um tecido verde, a mão segura uma folha escrita. Jaques Louis David, discípulo de Vien (diretor da Academia), aperfeiçoou a sua linguagem clássica durante uma prolongada estadia em Roma, entre 1774 e 1780. De volta à França, o pintor estabeleceu fortes ligações, com os líderes políticos da Revolução Francesa, o que lhe permitiu assumir um papel de relevo sobre a produção artística nesse país. Revolucionário não só ao nível político mas também enquanto artista, David assinala, através de uma suas obras pioneiras, "O Juramento dos Horácios" (1784), o fim do estilo rococó (representado por Fragonard) e a ascensão da estética neoclássica. O quadro "A Morte de Marat" representa um acontecimento emblemático da Revolução Francesa (o assassinato de um dos seus chefes políticos), denunciando em simultâneo as divergências e os conflitos internos que rodearam o processo revolucionário e que só foram solucionadas com a ascensão de Napoleão Bonaparte. Jean-Paul Marat,pessoal de David, tinha uma doença de pele especialmente dolorosa que o obrigava a permanecer dentro de uma banheira durante o dia enquanto trabalhava. Um dia, Charlotte Corday entrou no aposento, tendo como pretexto a entrega de uma mensagem e assassinou-o, enterrando-lhe uma faca no peito.Para David, este quadro foi concebido como um monumento para um homem que foi simultaneamente herói, mártir e amigo. Embora dominada por uma forte emotividade, a obra deve também ser entendida a partir de um ponto de vista documental, enquanto testemunho e descrição da ação. Como em muitos outros trabalhos iniciais David, todos os objetos presentes na tela têm uma função concreta, tendo sido evitado qualquer detalhe ou alusão supérflua de forma a não prejudicar a clareza do tema. Desta forma, a composição é francamente encenada, deforma incluir todos os sinais e pistas para uma identificação e compreensão do acontecimento: a banheira, a faca, a carta, a ferida e o sangue. À simplicidade e estaticidade da composição, dominada por fundo escuro liso que encerra a imagem, contrapõe-se o expressivo e vital tratamento da luz e da cor que revelam uma direta inspiração em algumas experiência pictóricas de temática religiosa dos pintores barrocos Caravaggio, Pietro da Cortona, José de Ribera e Francisco de Zurbarán, pelos quais David nutria uma especial admiração. Uma fonte luminosa rasante ilumina a figura partir de um ponto alto,criando uma atmosfera mística acentuada pela vibração cromática do fundo. A utilização de tons frios e tendencialmente escuros permitiu realçar alguns pormenores dos corpo morto recorrendo a subtis e simbólicas manchas avermelhadas, contribuindo igualmente para destacar a caixa de madeira onde David inscreveu a sua dedicatória.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • (em inglês)Kruft, H.-W., "An antique model for David's Marat" in The Burlington Magazine CXXV, 967 (October 1983), pp. 605–607; CXXVI, 973 (April 84)
  • (em francês)Traeger, Jorg, Der Tod des Marat: Revolution des menschenbildes, ed. Prestel, München (1986)
  • (em francês)Mortier, R., 'La mort de Marat dans l'imagerie révolutionnaire', Bulletin de la Classe des Beaux-Arts, Académie Royale de Belgique, 6ème série, tome I, 10-11 (1990), pp. 131–144
  • Argan, Giulio Carlo. Arte Moderna: do iluminismo aos movimentos contemporâneos. São Paulo: Companhia das Letras, 1992.
  • Baumgart, Fritz. Breve História da Arte. São Paulo: Martins Fontes, 1994, p. 37.
  • (em francês)Malvone, Laura, "L'Évènement politique en peinture. A propos du Marat de David" in Mélanges de l'Ecole française de Rome. Italie et Méditerranée, n° 106, 1 (1994)
  • William Vaughan & Helen Weston, Jacques-Louis David’s Marat, Cambridge, 2000
  • (em francês)M. Vanden Berghe, I. Plesca, Nouvelles perspectives sur la Mort de Marat : entre modèle jésuite et références mythologiques, Bruxelles (2004), [1]
  • (em francês)Olivier Coquard, Marat assassiné. Reconstitution abusive Historia Mensuel - [2]
  • (em francês)Guilhaumou, Jacques, La mort de Marat (2006) [3]
  • (em francês)Angelitti, Silvana, "La Morte di Marat e la Pietà di Michelangelo" in La propaganda nella storia (sd), www.e-torricelli.it/pmm/marat/michelangelo.html [4]

Referências