Afonso de Portugal, Grão-mestre do Hospital

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Fernando Afonso de Portugal
Infante de Portugal
Retrato de Afonso de Portugal enquanto Grão-Mestre da Ordem dos Hospitalários, na Igreja de São Brás e Santa Luzia, Lisboa.
Flag of the Order of St. John (various).svg
12º Grão-Mestre da Ordem de São João de Jerusalém
Reinado 1202-1206
Predecessor Geoffroy de Donjon
Sucessor Geoffroy le Rat
PortugueseFlag1185.svg
Alferes-mor de Portugal
Reinado 1169-1173
Predecessor Pedro Pais da Maia
Sucessor Mendo Gonçalves I de Sousa
Nascimento 1135
  Santarém, Portugal
Morte 15 de março de 1207 (72 anos)
  Évora ou Santarém, Portugal
Enterro Igreja de São João de Alporão, Santarém, Portugal
Pai Afonso I de Portugal
Mãe Châmoa Gomes de Pombeiro

Fernando Afonso de Portugal, ou simplesmente Afonso (Coimbra, 1135Santarém ou Évora, 15 de março de 1207), foi um infante do Reino de Portugal e Grão-mestre da Ordem dos Hospitalários. Serviu ainda como Alferes-mor do seu pai.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Primeiros anos[editar | editar código-fonte]

Nascido em Coimbra, era filho bastardo[1][2] de Afonso I, rei de Portugal, e Châmoa Gomes de Pombeiro, filha do magnate galego Gomes Nunes de Pombeiro. Terá sido dos primeiros filhos bastardos do seu pai, uma vez que este ainda se intitulava Conde de Portucale, situaçaõ que viria a mudar com a sua autoproclamação como rei em 1139.

Surge documentado numa doação do seu pai, ao Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra, de 1166.[3]

O período de regência e a alferesia[editar | editar código-fonte]

Após o Cerco de Badajoz de 1169, na qual o rei teria ficado gravemente afetado em resultado de uma ferida numa perna[4], surge num documento desse ano, junto ao seu pai e dos seus irmãos Sancho e Teresa, e portanto de estatuto equivalente ao dos infantes legítimos. Sancho encarregar-se-ia da regência, e Fernando retém a alferesia-mor. Várias confirmações de Sancho ainda em vida de Afonso Henriques denunciam a presença forte do bastardo Fernando e o desejo, por parte da nobreza de corte, de o inutilizar, consolidando a regência de Sancho[5]. Em setembro de 1172 Fernando passa a servir o regente, segundo uma doação a Monsanto nessa data, na qual Afonso I sugere pela primeira vez uma sucessão por via feminina em Teresa[5]. A partir de 1173, Afonso Henriques parece concretizar em parte esta possibilidade ao entregar a regência conjunta do reino a Sancho e Teresa, declarando-os co-herdeiros e com casa própria[5].

Em 1173, Fernando deixa o seu cargo curial, e a partir do ano seguinte também o seu pai se afasta definitivamente dos assuntos do reino, muito provavelmente por doença, sobressaindo ainda mais a partir desta altura o papel dos regentes. Teresa desempenhava funções administrativas e Sancho encarregava-se da atividade bélica.

A Ordem Hospitalária[editar | editar código-fonte]

Após a reforma dos ofícios da cúria régia - desde então sujeitos a Sancho I, herdeiro da coroa - saíu do reino e viajou pela Europa, ingressando primeiramente na Ordem dos Templários e pouco depois na Ordem dos Hospitalários. Esta última ordem tinha vários pontos de jurisdição, e Fernando ascenderia a Mestre da Ordem na jurisdição da Península Ibérica em 1198. Nessa altura, Portugal contava com uma forte influência política em que contribuía também a aliança estabelecida com a Flandres e, desta forma, em 1202, com apoio português, Fernando ascendi aa Grão-mestre da Ordem Hospitalária[6]..

A sua participação na Quarta Cruzada é motivo de debate, uma vez que se alguns autores defendem a sua participação, outros argumentam que se teria recusado a fazê-lo, provavelmente por saber que o alvo era uma cidade cristã, Constantinopla.

Fernando empreendeu uma importante reforma dos estatutos da ordem. Apesar disso, foi censurado por ter mantido o Capítulo Geral para a fortaleza de Margat, fora do Reino de Jerusalém.

O seu estilo de liderança também não ajudou à sua popularidade, mais bem o contrário: muito derivado do seu caráter provavelmente autoritário e severo, tornou-o bastante impopular por entre os membros da ordem, causando inclusive divisões por motivos diversos. Em última instância, acabou por renunciar, deixando para trás apenas três anos de mandato, constituindo a segunda vez na história da Ordem que um Grão-Mestre abdica[2]. O seu último ato enquanto mestre data de 1206, sendo esse o ano da sua abdicação, uma vez que no mesmo ano surge mais tarde um outro Grão-Mestre, Geoffroy le Rat.

Regresso a Portugal e morte[editar | editar código-fonte]

Fernando resolve regressar a Portugal, após a sua demissão, e apesar de encontrar algumas diferença, como o facto, por exemplo, de o seu irmão ser já rei (o pai falecera em 1185), a hostilidade na corte para com a sua pessoa mantinha-se, uma vez que para muitos era considerado uma ameaça na sucessão ao trono, mesmo o rei já tendo herdeiro (o infante Afonso), com tantos anos de vida quantos aqueles que se passaram desde a morte de Afonso I.

Falece, em Évora ou Santarém, a 15 de março de 1207, provavelmente vítima de envenenamento por parte dos seus inimigos e partidários do seu irmão[2] · [7]. Foi sepultado em Santarém, na Igreja de São João de Alporão, propriedade dos Hospitalários. Em sua memória resta o epitáfio de pedra:[8].

Quem quer que sejas tu, sujeito à morte, lê e chora. Sou o que tu serás, já fui o que tu és. Peço-te que rezes por mim.


Em Ficção[editar | editar código-fonte]

O romance histórico A Lenda do Pergaminho Dourado - Reinos de Fogo (2015), escrito por César Gonçalves, descreve as incríveis aventuras de Afonso de Portugal, numa inesquecível demanda para descodificar os enigmas inscritos, num misterioso pergaminho milenar. [9]

Referências

  1. Vasconcelos e Sousa, p. 40.
  2. a b c Delaville Le Roulx (1904) p. 130
  3. “Fernandus Alfonsi filius eius, Comes Velascus filius sororis eius, in Medieval Lands - Terras Medievais
  4. «D. Afonso Henriques». Porto Editora. Infopédia. Consultado em 24 de outubro de 2012. 
  5. a b c Sancho e Teresa entre seus irmãos e na política de Afonso Henriques após o Desastre de Badajoz
  6. Delaville Le Roulx (1904) p. 131
  7. W. Dugdale, Monasticon Anglicanum, Londres, Calay, Ellis et Bandinel, 1817-1830, 8 vol.
  8. PINHO, António Brandão de (2017). A Cruz da Ordem de Malta nos Brasões Autárquicos Portugueses. Lisboa: Chiado Editora. 426 páginas. Consultado em 28 de agosto de 2017. 
  9. Gonçalves, César. 2015. A Lenda do Pergaminho Dourado - Reinos de Fogo. Lisboa. Chiado Editora. ISBN 978-989-51-3819-7

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Avity, Pierre d' / Gottfried, Johann Ludwig: Archontologiae Cosmicae Buch III, Frankfurt am Main, 1628, URL: Pierre d'Avity
  • Boisgelin, Louis de: Ancient and Modern Malta, and the History of the Knights of St John of Jerusalem. G & J Robinson, London 1804.*Flavigny, Bertrand Galimard, Histoire de l'ordre de Malte, Perrin, Paris, 2006
  • Branco, Maria João V. 2006. Dom Sancho primeiro. Lisboa. Círculo de Leitores. ISBN 972-42-3517-3
  • Costa, João Paulo Oliveira e (2013). Episódios da monarquia portuguesa. Lisbon: Temas e Debates. ISBN 978-989-644-248-4 
  • Le Roulx, J. Delaville, Les hospitaliers en terre sainte et à Chypre 1100 à 1310, Paris, Ernest Leroux, 1904
  • Mattoso, José (2014). D. Afonso Henriques 2º ed. Lisboa: Temas e Debates. ISBN 978-972-759-911-0 
  • Pauli, Sebastiano: Codice diplomatico del sacro militare ordine gerosolimitano. Salvatore e Giandomenico Marescandoli, Lucca, 1733 (Band 1) & 1737 (Band 2). Band 1, Seite 92.
  • Sire, H.J.A. 1996. The Knigths of Malta. New Haven and London. Yale University Press. ISBN 0-300-06885-9
  • Sousa, Bernardo Vasconcelos e. Rui Ramos, ed. «História de Portugal»  |capitulo= ignorado (ajuda)


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