Biohacking

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Biohacking é a prática de misturar biologia com ética hacker.[1] Atualmente (começo de 2014), essa área ainda está muito restrita ao DIY (Do It Yourself - faça você mesmo), sendo que aplicações comerciais ainda estão por vir. Biohacking abrange um grande espectro de práticas e movimentos, desde especialistas que projetam e instalam aprimoramentos corporais DIY, como implantes magnéticos, até biólogos que conduzem sequenciamento genético em suas casas.[2][3][4][5] Biohacking está emergindo em um tendência crescente de desenvolvimento científico e tecnológico não-institucional.[1][6][7] Muitos ativistas do biohacking, ou biohackers, identificam-se com o movimento biopunk, como o transumanismo e o tecnoprogressivismo.[2][8][9]

Biohacking também pode ser referir à gestão da biologia de algum indivíduo através da combinação de técnicas eletrônicas, médicas e nutricionais. Elas podem incluir o uso de nootrópicos e/ou dispositivos cibernéticos para registro de dados biométricos.[5][10]

Ideologia[editar | editar código-fonte]

Biohackers, em sua maioria, se identificam com as ideologias biopunk e transhumanista.[1][11][12] Transhumanismo é a crença de que é possível, e também desejável, alterar fundamentalmente a condição humana através do uso de tecnologias e fazer um ser humano superior, designado por pós-humano.[13][14][15]

Biopunk é um movimento cultural e intelectual tecno-progressivista que defende o acesso aberto à informação genética e expõe o potencial libertador do desenvolvimento tecnológico realmente democrático.[16][17] Assim como outros movimentos punk, o Biopunk encoraja a ética DIY.[11][18] "Grinders" aderem a um esforço de anarquismo do biopunk, que enfatiza a ciência não hierárquica e o DIY.[12]

Os ciborgues (organismos cibernéticos) e a teoria ciborgue influenciam, fortemente, o tecnoprogressivismo e também o movimento biohacking.[19] Alguns biohackers, como os Grinders e o professor britânico de cibernética Kevin Warwick, desenvolvem e implantam ativamente tecnologias que são integradas diretamente ao organismo.[2] Entre os exemplos, podemos os implantes magnético de ponta do dedo ou Warwick’s “Project Cyborg”.[2][20][21] A teoria ciborgue foi introduzida em 1985 com a publicação do influente "Manifesto Ciborgue", de Donna Haraway, mas pode ser rastreada até o artigo "Cyborgs and Space", de Manfred Clynes e Nathan Klines.[22] Esse corpo de teorias critica as rígidas fronteiras ontológicas e tenta tornar não natural dicotomias artificiais.[19][23]

Projetos atuais[editar | editar código-fonte]

Um projeto popular é o The Glowing Plant Project, cujo objetivo é cultivar a planta arabidopsis com um gene bioluminescente que ocorre naturalmente em vaga-lumes. O gene será inserido na planta através de agrobactérias.[24]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. a b c Greg Boustead (2008-12-11). «O biohacker hobbista». Seed Magazine. Consultado em 2010-07-11.  (em inglês)
  2. a b c d Popper, Ben. «América Cyborg: dentro do estranho novo mundo world dos porões de biohackers». Verge Magazine. Consultado em 12-11-30.  (em inglês)
  3. Erin Biba (2011-08-19). «Genoma em casa: Biohackers constroem seus próprios laboratórios». Wired Magazine. Consultado em 2012-11-30.  (em inglês)
  4. «Modificações corporais e Bio-Hacking». collaborate.biohack.me. 2012-05-21. Consultado em 2012-11-30.  (em inglês)
  5. a b Glen Martin (2012-06-28). «'Biohackers' extraem dados de seus próprios corpos». SF Gate. Consultado em 2012-11-30.  (em inglês)
  6. Phil McKenna (2009-01-07). «Ascensão dos hackers de genoma de garagem». New Scientist. Consultado em 2010-07-11.  (em inglês)
  7. Patti Schiendelman (2009-01-01). «DIYBio para biohackers». Make: Online. Consultado em 2010-07-11.  (em inglês)
  8. «Quem nós somos». collaborate.biohack.me. 2012-08-28. Consultado em 2012-11-30.  (em inglês)
  9. «Códigos DIYBio». DIYBio. 2011. Consultado em 2012-11-30.  (em inglês)
  10. Eric (2013). «Tutorial para rastrear aprimoramentos mentais com nootrópicos». www.purenootropics.net. Consultado em 2013-12-10.  (em inglês)
  11. a b Meredith L. Patterson (2010-01-30). «Um Manifesto Biopunk». “Outlaw Biology? Public Participation in the Age of Big Bio.”. Consultado em 2012-11-30.  (em inglês)
  12. a b «FAQ (Frequently Asked Questions - Perguntas Frequentes)». collaborate.biohack.me. 2012-11-13. Consultado em 2012-11-30.  em (inglês)
  13. Bostrom, Nick (2005). «A história of pensamento transhumanista» (PDF). Journal of Evolution and Technology [S.l.: s.n.] Consultado em 2012-11-30.  (em inglês)
  14. Hayles, Katherine (1999). Como nos tornamos pós-humanos: corpos virtuais na cibernética, informática e literatura (Chicago: University of Chicago Press). ISBN 978-0-226-32139-4.  (em inglês)
  15. Katherine Hayles (2011-09-11). «H-: Luta com transhumanismo». MetaNexus. Consultado em 2012-11-30.  (em inglês)
  16. Newitz, Annalee (2001). «Biopunk» [S.l.: s.n.] Arquivado desde o original em 2002-12-20. Consultado em 2007-01-26.  (em inglês)
  17. Newitz, Annalee (2002). «Liberação do genoma» [S.l.: s.n.] Consultado em 2007-01-26.  (em inglês)
  18. «Oxford Journal of Design History Webpage». Consultado em 2007-09-24. «Ainda, ele permanece dentro da subcultura da música punk onde as fanzines A4 feitas e fotocopiadas em casa, dos fins da década de 1970, fomentou o "faça você mesmo" (DIY), produção de técnicas de cortar e colar letras de forma, imagens fotocopiadas e coladas, textos escritos à mão, para criar uma estética de design gráfico reconhecível.»  (em inglês)
  19. a b Gray, Chris Hables (1995). O manual Cyborg (New York: Routledge). ISBN 978-0415908498.  (em inglês)
  20. Procurar no youtube por TEDxWarwick - Kevin Warwick - Implants & Technology (em inglês)
  21. «Projetos». Grindhouse Wetware. Consultado em 2012-11-30.  (em inglês)
  22. Clynes, Manfred; Klines (September 1960). «Nathan». Astronautics [S.l.: s.n.]  em inglês
  23. Wikipedia contributors. «Teoria Ciborgue». Wikipedia, The Free Encyclopedia. Consultado em 2012-11-30.  (em inglês)
  24. Evans, Antony. «Fórum». Glowing Plant. Tumblr. Consultado em 3 December 2013.  (em inglês)

Ligações extern[editar | editar código-fonte]