Carcinoma de células escamosas

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Carcinoma de células escamosas
O carcinoma de células escamosas de pele tende a surgir a partir de lesões pré-malignas, queratoses actínicas; a superfície é, geralmente, escamosa e frequentemente produz ulcerações (como visto aqui).
Classificação e recursos externos
CID-10 C44
CID-9 199
MedlinePlus 000829
eMedicine derm/401
MeSH D002294
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Carcinoma de células escamosas (CCE) (Português do Brasil) ou Carcinoma Espinhocelular (Português Europeu) é um tumor maligno originado do epitélio escamoso. É o segundo tipo de câncer de pele mais frequente. Como as células escamosas também revestem diversos outros tecidos, esse carcinoma também pode surgir nos lábios, boca, tubo digestivo, tiróide, bexiga, próstata, pulmões, vagina, colo do útero ou ânus. Dependendo do local afectado mudam os sintomas, história natural, prognóstico e tratamento.[1] É mais comum em idosos, em homens, em brancos e quanto mais exposição ao sol maior o risco. A incidência dobrou nos últimos anos, associado ao envelhecimento da população, redução da camada de ozono e maior exposição a cancerígenos (como arsênico e luz UV).[2]

Causas[editar | editar código-fonte]

Representam 90% dos cânceres de cabeça e pescoço, inclusive de boca e faringe.[3]

A exposição freqüente à luz do sol direta e forte, sem a protetor solar adequada é o principal fator de risco para os cânceres de pele. É o segundo tipo de câncer de pele mais comum, perdendo apenas para o carcinoma de células basais.

O vírus do papiloma humano (HPV) está associado ao CCE na boca, faringe, pulmão, dedos e região anogenital.[4]

Fatores de risco[editar | editar código-fonte]

Os fatores de risco são similares aos de outros cânceres de pele[5]:

  • Exposição prolongada aos raios ultravioletas do sol;
  • Camas e lâmpadas de bronzeamento;
  • Exposição a longo prazo a cancerígenos como arsênico;
  • Infecção por HPV;
  • Imunodeficiência;
  • Exposto à radiação ionizante;
  • Histórico familiar de câncer de pele;
  • Mais de 50 anos;
  • Pele clara, especialmente loiros de olhos claros.

Sinais e sintomas[editar | editar código-fonte]

O CCE geralmente começa como uma crosta vermelha e escamosa ou como um nódulo firme vermelho ou como uma úlcera elevada. Geralmente é áspero e forma uma crosta que pode coçar e sangrar quando raspado. Cresce lentamente e pode se tornar doloroso.[5]

Diagnóstico[editar | editar código-fonte]

É diagnosticado por uma biópsia de pele, com incisão ou excisão, pois raspado não é sensível nem específico. Se completamente extraído e não se percebem linfonodos com metástase pode estar tratado antes mesmo do diagnóstico.[5]

Histologia[editar | editar código-fonte]

O carcinoma de células escamosas surge da multiplicação descontrolada de células do epitélio e podem conter queratina e redes de filamentos ou desmossomos. Existem 6 sub-tipos: Adenoide, basaloide, células claras, células espinosas, células em anel de sinete e pleomórfico.

Epidemiologia[editar | editar código-fonte]

Mortes por câncer de pele, ajustadas pela idade, por cada 100,000 de habitantes em 2004.[6]
  sem dados
  menos de 0.7
  0.7–1.4
  1.4–2.1
  2.1–2.8
  2.8–3.5
  3.5–4.2
  4.2–4.9
  4.9–5.6
  5.6–6.3
  6.3–7
  7–7.7
  mais de 7.7

O câncer de pele é o câncer mais comum do Brasil (cerca de 25% de todos os cânceres) e o carcinoma de células escamosas representa 20% dos cânceres de pele. O Instituto Nacional de Câncer (INCA) estimou, para o ano de 2006, 116.640 novos casos de câncer da pele não-melanoma. Em Santa Catarina a incidência de carcinoma de células escamosas da pele foi de 51 por cada 100.000 habitantes no ano 2000, de 71,16 por cada 100.000 em 2003 e de 94,39 por cada 100.000 em 2006, indicando um rápido aumento similar a tendência mundial. Não houve predomínio de gênero. A face foi o local de acometimento mais frequente.[7]

Tratamento[editar | editar código-fonte]

O carcinoma de células escamosas inicialmente pode ser removido completamente com uma pequena cirurgia, com anestesia local, que pode ser feito em um consultório médico ou clínica hospitalar. A cirurgia micrográfica de Mohrs é eficiente em 94% dos casos. Quando aparece na pele inicialmente pode ser tratado com um creme ou gel de 5-fluorouracil (5-FU) ou imiquimod, assim como outros carcinomas superficiais não-melanomas. Casos avançados, por outro lado, precisam de tratamento com radioterapia e quimioterapia.[8]

Referências

  1. Kumar, Vinay; et. al (2009). Robbins & Cotran Pathologic Basis of Disease 8 ed. Philadelphia: Saunders Elsevier 
  2. Kari, PS (2012). "Cutaneous squamous cell carcinoma: estimated incidence of disease, nodal metastasis, and deaths from disease in the United States, 2012". Journal of American Academy of Dermatology. 68: 957–66. doi:10.1016/j.jaad.2012.11.037. PMID 23375456.
  3. Macmillan. Types of head-neck cancer. http://www.macmillan.org.uk/Cancerinformation/Cancertypes/Headneck/Aboutheadneckcancers/Typesofheadneckcancer.aspx
  4. Yu Y, Yang A, Hu S, Yan H (June 2009). "Correlation of HPV-16/18 infection of human papillomavirus with lung squamous cell carcinomas in Western China". Oncol. Rep. 21 (6): 1627–32. doi:10.3892/or_00000397
  5. a b c WebMD team. Squamous Cell Carcinoma. http://www.webmd.com/melanoma-skin-cancer/melanoma-guide/squamous-cell-carcinoma#1
  6. «WHO Disease and injury country estimates». World Health Organization. 2009. Consultado em 11 de novembro de 2009 
  7. Daniel Holthausen Nunes, Liliane Back, Ramon Vieira e Silva e Vitor de Sousa Medeiros. Incidência do carcinoma de células escamosas da pele na cidade de Tubarão (SC) – Brasil nos anos de 2000, 2003 e 2006. Anais Brasileiros de Dermatologia 2009;84(5):482-8. http://www.scielo.br/pdf/abd/v84n5/v84n05a06.pdf
  8. The Skin Cancer Foundation 2016. Squamous Cell Carcinoma (SCC). http://www.skincancer.org/skin-cancer-information/squamous-cell-carcinoma/scc-treatment-options