Columbofilia

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Columbofilia, columbismo ou columbicultura é a prática da criação, seleção e cultivo de pombos-correio para competição.

Noções Gerais[editar | editar código-fonte]

Columbofilia é a uma modalidade desportiva relacionada a corrida entre pombos-correio. Columbófilos (criadores de pombos-correio), potencializam capacidades físicas e de orientação, para participação de campeonatos. Eles desenvolvem velocidades máximas entre 87 km/h e 102 km/h, em distâncias que podem chegar a pouco mais de 1.200 quilômetros.

Em Portugal são realizadas Corridas de Pombos entre Fevereiro e Junho de cada ano, sendo que nos restantes meses existem outras competições columbófilas, nomeadamente os derbys. Hoje em dia existe em Portugal uma plataforma informativa que oferece aos leitores uma informação actual e diversificada sobre os melhores pombos e columbófilos em competição: www.columbofiliaonline.com.

No Brasil, competições são realizadas anualmente de maio a outubro. A inserção do pombo-correio no Brasil, começou pelo Exército Brasileiro para fins de "Comunicações". 1.000.000 de pombos-correio, é a população estimada de pombos-correio no Brasil. Os Estados do Rio de Janeiro, Minas Gerais, Goiás, São Paulo, Sergipe, Paraná, Rio Grande do Sul, Bahia, Ceará, Mato Grosso e Espírito Santo; detém de columbófilos reconhecidos até internacionalmente.

Características do Pombo-correio[editar | editar código-fonte]

O atual pombo-correio é o fruto de cruzamentos de algumas raças belgas e inglesas, efetuadas na segunda metade do século XIX. Esse padrão de pombo foi continuamente selecionado a fim de apurar duas características principais: a capacidade de orientação e um morfótipo atlético. O pombo-correio caracteriza-se, principalmente pelas seguintes propriedades:

  • vivacidade;
  • velocidade de vôo;
  • penas abundantes, brilhantes e de elevado coeficiente aerodinâmico;
  • rabo sempre fechado quando em vôo;
  • pescoço, fortemente implantado e esguio;
  • grande resistência à fadiga.

O peso médio nos machos está compreendido entre os 425 g e os 525 g. No caso das fêmeas este valor é de 480 gramas. É capaz de percorrer num só dia claro, distâncias de 700 km a 1.000 km, a velocidades médias superiores a 90 km por hora.

Fisiológicos

Peso 350-500 g

Tamanho 12.5-40 cm

Temperatura (cloacal) 40-41ºC

Frequência Cardíaca 180-250 batimentos por minuto

Frequência Cardíaca (durante o vôo) 5.2-6.2 batimentos por segundo

Frequência respiratória 25-30 por minuto

Longevidade 15 anos (machos vivem mais que as fêmeas)

Consumo de alimento 5-20% peso corporal/dia

Consumo de água 30-60 ml; 5-8% peso corporal/dia

Velocidade de voo <104 km/h

Altura de voo 3800-5700 m (recorde)

Distância de voo directo 500 km (Alguns > 1000 km)

Muda da pena Anual (Julho - Outubro)

Volume de sangue 0.01 mg/kg de peso corporal

Reprodutivo Maturidade sexual 5 meses

Primeiro ciclo reprodutivo 7-8 meses

Postura (nº) 2 ovos (o primeiro é posto ao final da tarde e o segundo posto cerca de 40-48h mais tarde)

Período de incubação 17-18 dias

Incubação Ambos os sexos

Cria (nome comum) Filhote

Aparecimento das penas 6 -7 dias após nascimento

Plumagem completa 1 mês

Muda da plumagem juvenil 6 semanas

Desmame 21-28 dias

Consumo de alimento (filhotes) 10 -100% do peso corporal

Redução da produtividade na fêmea > 6 anos

Revestimento Corporal: Penas[editar | editar código-fonte]

A plumagem nos pombos-correio cumprem vários fins: formam uma capa termo-isoladora, organizam as superfícies impulsoras da asa e dão ao corpo a forma aerodinâmica característica.

Existem diferentes tipos de penas:

  • as de contorno;
  • o "duvet";
  • as filopenas;
  • o "duvet" empoado.

São penas de contorno, as remiges (penas maiores das asas), as rectrizes (pena da cauda) e as tectrizes (penas de cobertura). O "duvet" é a penugem, a qual deve ser abundante e sedosa. As filopenas transmitem informações sobre o movimento e as vibrações das penas de contorno aos receptores nervosos.

O "duvet" empoado contém um fino pó branco constituído basicamente por queratina. Este pó é o responsável pela resistência destas penas e repelem a água.

As penas são implantadas na pele em campos, segundo um padrão fixo. A cor das penas é variada, sendo as mais comuns: azul, vermelho, castanho claro, malhado, bronzeado, preto e branco.

As penas do pombo renovam-se cada ano, designando-se esta atividade fisiológica como muda e deve ser perfeitamente conhecida pelo columbófilo, porque representa um momento crítico na vida desportiva do pombo-correio: qualquer falha ou doença, nesta fase, reduz visivelmente a capacidade de competir nas grandes provas. São consideradas as penas mais importantes as das asas e da cauda.

Columbofilia no Mundo[editar | editar código-fonte]

Em Portugal, competições são realizadas anualmente de Março a Junho. Portugal tem o desporto da columbofilia, como o segundo mais popular deste país, contemplando com 4.500.000 pombos para fins desportivos. De organização impecável e informatizada em praticamente todos os setores, lidera o mundo em seu conceito administrativo, campeonatos, técnicas e alta comercialização em produtos relacionados ao esporte.

Bélgica, Holanda, Alemanha tem sido fortes concorrentes em grandes campeonatos mundiais, atrelada a sua tradição.

Na China, grandes apostas inflamam corridas milionárias; assim como na África do Sul.

Nas Ilhas Canárias (Espanha), a columbofilia se destaca não só pelo número de aficcionados, mas pelas corridas oceânicas (por sobre o mar); de elevado nível técnico.

Histórico Cronológico e Jurídico da Columbofilia no Brasil[editar | editar código-fonte]

31/05/1903 – Fundação da Sociedade Columbófila Brasil onde funcionou até o ano de 1950.

16/06/1930 – Fundação da Sociedade Columbófila Paulista.

10/08/1935 – Fundação da Sociedade Columbófila A. Rolinha em atividade até hoje.

06/07/1933 – Decreto nº. 22.894 – assinado pelo Presidente do Brasil Getúlio Vargas criando a Confederação Columbófila Brasileira, como órgão integrante do Ministério da Guerra, sendo considerado uma sociedade de utilidade pública, gozando dos benefícios e incentivos fiscais.

22/02/1934 – Decreto nº. 23.904 – alterou a composição da diretoria da Confederação Columbófila Brasileira, apontando como novos diretores, a alta direção do Ministro de Estado da Guerra e o Diretor do Serviço Telegráfico do Exército.

22/02/1934 – Decreto nº. 23.905 - aprovou o regulamento da Confederação Columbófila Brasileira, assinado pelo General de Divisão Pedro Aurélio de Góes Monteiro, Ministro de Estado da Guerra.

1951 – Ano de Fundação do Clube Columbófilo Limeirense - SP

27/07/1960 – Decreto nº. 48.631 – assinado pelo Presidente Juscelino Kubitschek subordinando a Federação Columbófila Brasileira à Superintendência do Conselho Nacional de Desportos, órgão do Ministério da Educação e Cultura, como órgão exclusivamente civil, e manteve seu status de utilidade pública.

18/11/1971 – Decreto nº. 69.547, assinado pelo Presidente General Emílio G. Médici, que revogou o Decreto nº. 48.631, e consequentemente, voltou à subordinação da Confederação Columbófila Brasileira ao Ministério da Guerra.

10/05/1991 – Decreto sem número, publicado no Diário Oficial da União de 13 de maio de 1991, assinado pelo Presidente Fernando Collor, que revogou o Decreto nº. 22.894 de 6 de julho de 1933, ou seja, cancelou a criação da Confederação Columbófila Brasileira.

24/07/1993 – Criação da Federação Columbófila Brasileira, associação civil de direito privado, sem nenhum apoio financeiro, para representar o país, centralizar e direcionar a columbofilia brasileira.

2014 - No Campeonato Mundial realizado na cidade de Mira, Portugal; a Delegaçao Brasileira sagrou-se Campea Mundial de 2014. Na mesma competiçao, o Terceiro Colocado em soma de pontos obtidas ao longo das etapas(Pombo As), tambem era do Brasil. Fato inedito para a modalidade.

Legislação de Columbofilia em Portugal[editar | editar código-fonte]

Dec. Lei 36767 de 26 de Fevereiro de 1948 (Lei de protecção ao pombo-correio): Determina que é necessário estar inscrito na Federação Portuguesa de Columbofilia para poder ter pombos-correio ou comprar anilhas oficiais[1] e que o dever de quem encontrar um pombo-correio extraviado é comunicá-lo de imediato à Federação Portuguesa de Columbofilia, que tratará de identificar o proprietário a fim de se proceder à recuperação do pombo. Após a recepção da comunicação emitida pela Federação, o proprietário dispõe de 15 dias (corridos) para a efectiva recuperação do pombo.[2]

Diferenças entre o Pombo-Correio e o Pombo de Rua[editar | editar código-fonte]

Ambos pertencem ao mesmo grupo familiar. A forma de tratamento é o que difere entre si. Os pombos-correio são registrados e rastreados por uma unidade federativa, e por consequência por clubes afiliados; com anilhas oficiais anuais correspondente ao país. Há pombos com um "anel-chip" em outra pata, ou marcas coloridas, nomes, telefones e/ou endereços de columbófilos. Já os pombos de rua, possuem uma reprodução descontrolada, vivem predominantemente próximos a pontos ondem sobrevivem pela facilidade de acesso à alimentação, e não possuem responsáveis nominados. Fisicamente, visualiza-se uma grotesca diferença morfológica. Os atletas possuem e devem ter uma plumagem perfeita e limpa e uma estrutura muscular imponente, construída por treinos e uma dieta diferenciada a cada estágio e categoria desportiva. Pombos de rua, alimentam-se de materiais diversos jogados.

Desafortunadamente, tanto a mídia como usuários de pombos para transporte de objetos de elevada massa, rotulam como pombo-correio. Nessa inverdade e desinformação, ambos são surpreendidos pela decepção.

"Um pombo-correio, nunca leva. Traz."

Tabela Comparativa[editar | editar código-fonte]

No intuito de clarificar todas as diferenças existentes em ambos os pombos, observa-se:

Características
(Em tópicos específicos)
Pombo-comum
(Pombo-de-rua)
Pombo-Correio
(Pombo-de-corrida)
Alimentação Lixo urbano, doações de transeuntes Ração balanceada
Habitat Abrigos na natureza ou urbanos Pombais especiais
Saúde Potencialmente transmissor de doenças Cuidadosamente tratado e vacinado

Referências

  1. Federação Portuguesa de Columbofilia. «Como ser columbófilo». Consultado em 13 de Junho de 2012 
  2. Federação Portuguesa de Columbofilia. «Perdidos & Achados». Consultado em 13 de Junho de 2012 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]