Escola Normal

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Fachada da École Normale de Paris, a primeira com este nome, em foto de 1897.

Escola Normal é o nome que se dá, em vários países, ao curso em geral de segundo grau, para a formação de professores habilitados a lecionar no ensino elementar.

O nome "Escola Normal" teve seu primeiro uso na França, onde se adotou um sistema de ensino pedagógico nos moldes alemães, e a primeira instituição a receber esta denominação se deu em 1794.[1]

Histórico[editar | editar código-fonte]

O curso normal teve sua origem nas transformações vividas na Europa a partir do século XVIII com o surgimento da revolução industrial e a necessidade de se levar a educação, até então restrita às classes mais abastadas, para todos; diversos movimentos pressionavam para isto, mas foi somente no século seguinte que a iniciativa começou a se concretizar, tendo por base os ideais de pensadores como Jean-Jacques Rousseau, Pestalozzi e o Marquês de Condorcet.[1]

Ainda no século XVIII, em França, ocorre a experiência de Jean-Baptiste de La Salle que criara um seminário para a educação de leigos, a exemplo do que nos outros lugares os jesuítas ministravam aos pobres, desta feita não apenas voltada ao ensino religioso, sendo este considerado um precursor do ensino normal naquele país; La Salle fundou em várias cidades aquilo que denominou "seminários de professores", seguindo sua crítica da formação improvisada do magistério que então ocorria; defendia que o magistério deveria possuir uma cultura enciclopédica e dominar a leitura, gramática, sistema de pesos e medidas, aritmética e canto, e formar os alunos nos âmbitos de dar-lhes bons hábitos morais e intelectuais, além de conhecimentos variados.[1]

La Salle seguia a orientação católica (foi, mais tarde, santificado); no plano da Reforma o pietismo da Alemanha começara a criar os Seminarium praeceptorum (precursora direta das escolas normais teutônicas) e as Realschulen (escolas técnico-científicas); a formação de professores alemães ocorria principalmente na cidade de Jena mas esta, em 1806, foi destruída pelo exército francês de Napoleão Bonaparte, forçando o país a reorganizar o sistema educacional em todo o país — o que se deu com o privilégio na formação dos professores.[1]

A partir dos ideais da Revolução Francesa se transferiu ao estado o papel de ministrar o ensino público, que até então ficava ao cargo de instituições religiosas; a pressão que a Igreja exercia, contudo, limitava que professores se habilitassem a participar das escolas normais, temendo represálias católicas; a diminuição de poder do clero, com a Revolução, contudo, e a premente necessidade de formação de professores laicos como o movimento necessitava, levou à instalação em janeiro de 1795 da Escola Normal de Paris, criada no ano anterior.[1]

No Brasil[editar | editar código-fonte]

A primeira escola deste tipo no Brasil foi criada na cidade de Niterói no ano de 1835 , seguindo o modelo Europeu, habilitaria pessoas ao ofício do magistério da instrução primária e professores atuantes que não haviam recebido a instrução necessária. A partir desta, várias outras foram sendo criadas nas demais províncias do Império.[2]

O Curso Normal criado em 1835 tinha o objetivo de formar professores para atuarem no magistério de ensino primário e era oferecido em cursos públicos de nível secundário (hoje Ensino Médio). A partir da criação da escola no Município da Corte, várias Províncias criaram Escolas Normais a fim de formar o quadro docente para suas escolas de ensino primário. Desde então o movimento de criação de Escolas Normais no Brasil esteve marcado por diversos movimentos de afirmação e de reformulações, mas não obstante a isso, o Ensino Normal atravessou a República e chegou aos anos 1940/50, como instituição pública fundamental no papel de formadora dos quadros docentes para o ensino primário em todo o país. [3]

Com a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB) de 1971, ocorre a substituição das Escolas Normais pela habilitação específica de Magistério. Com a LDB de 1996, a formação de educadores passa a ocorrer em nível superior, em cursos de graduação plena: surgem os Institutos Superiores de Educação e as Escolas Normais Superiores.[4][5]

As escolas normais [6] desapareceram então em 1971 com a nova organização do ensino em primeiro e segundo grau, instituída pela lei n°5692, no qual para o exercício do magistério em primeiro grau era exigido habilitação específica de segundo grau.

Referências

  1. a b c d e Marlete dos Anjos Silva Schaffrath. «Escola Normal: o projeto das elites brasileiras para a formação de professores» (PDF). FAP/PR. Consultado em 23 de março de 2017. Cópia arquivada em 23 de março de 2017 
  2. Marlete dos Anjos Silva Schaffrath. «Escola Normal no Brasil». Unicamp. Consultado em 23 de março de 2017. Cópia arquivada em 28 de junho de 2013 
  3. «Escola Normal no Brasil. Glossário. História, Sociedade e Educação no Brasil - HISTEDBR - Faculdade de Educação - UNICAMP». www.histedbr.fe.unicamp.br. Consultado em 3 de maio de 2018 
  4. Saviani, Dermeval. História da formação docente no Brasil: três momentos decisivos. Educação, Santa Maria-RS, v. 30, n. 2, p. 11-26, 2005. Disponível em: <link>.
  5. SAVIANI, Dermeval. Formação de professores: aspectos históricos e teóricos do problema no contexto brasileiro. Rev. Bras. Educ., Rio de Janeiro, v. 14, n. 40, p. 143-155, abr. 2009, link.
  6. Oliveira, Katia Alves. [www.ifgoiano.edu.br «Escola Normal»] Verifique valor |url= (ajuda). www.ifgoiano.edu.br. Consultado em 2 de maio de 2018 

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • TANURI, L. M. Contribuição para o estudo da Escola Normal no Brasil. Pesquisa e planejamento. São Paulo, v.13, dez.1970, p. 7-98.;
  • VILLELA, H. O. S. . A primeira Escola Normal do Brasil. In: Clarice Nunes. (Org.). O passado sempre presente. São Paulo: Cortez, 1992, v. , p. 17-42.