Diclidurus albus

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Estado de conservação
Espécie pouco preocupante
Pouco preocupante (IUCN 3.1)
Classificação científica
Reino: Animalia
Filo: Chordata
Classe: Mammalia
Ordem: Chiroptera
Família: Emballonuridae
Género: Diclidurus
Espécie: D. albus
Nome binomial
Diclidurus albus
Wied-Neuwied, 1820

Diclidurus albus é uma espécie de morcego da família Emballonuridae. A família Emballonuridae possui 13 gêneros de morcegos, dentre os quais está incluido o Diclidurus. Existem ao todo quatro espécies de morcegos fantasmas: D. albus, D. ingens, D. scutatus e D. isabellus. Duas subespécies são por vezes reconhecidas, D. a. albus e D. a. virgo. Anteriormente, Diclidurus scutatus era considerado um sinônimo de D. albus, mas agora é considerado uma espécie separada, sobre a qual muito pouco é conhecido. Há controvérsia sobre quem merece o crédito por nomear D. albus. Oken pode ter sido responsável, mas o crédito é geralmente dado a Wied (1820). Nenhum fóssil é conhecido para todo o gênero Diclidurus. Outros nomes comuns incluem murciélagos blancos (espanhol), e gespenstfliedermaus (alemão). O nome genérico, Diclidurus deriva da glândula na cauda. A palavra latina diclid significa bivalvulado, e urus significa cauda. Albus em latim significa branco, e se relaciona com o pelo branco destes morcegos.

Este morcego aéreo insetívoro (Kalko, 1995) se alimenta em regiões acima do dossel usando baixa frequência com longos intervalos de vibração durante seu rápido voo com alternação à medida que se aproxima de presas e obstáculos (Jung et al. 2007). O período reprodutivo dos morcegos fantasmas ocorre no México de janeiro a junho, sendo que a cópula provavelmente ocorre em janeiro ou fevereiro (Ceballos & Medellín, 1988). Esses animais possuem hábitos solitários na maior parte do ano, porém durante a estação de reprodução um pequeno grupo de até quatro indivíduos constituído geralmente de um macho e três fêmeas, pode se reunir em abrigos para copular (Ceballos & Medellín, 1988).

Distribuição Geográfica [1]

Distribuição geográfica

O Diclidurus albus já foi encontrado em vários biomas como na Amazônia e Mata Atlântica bem como nos estados do Amapá, Amazonas, Bahia, Espírito Santo, Pará e Rondônia. Existem registros de morcego fantasma em florestas tropicais úmidas, decíduas secas e semidecíduas, mas pode ser encontrado em locais com vegetação alterada, principalmente em habitats úmidos.

Descrição morfológica

Morcego Fantasma

Morcego de porte mediano. Comprimento do corpo: 68 a 82 mm; Comprimento da cauda: 18 a 22 mm; antebraço de 63 e 69 mm; peso de 17 a 24 g (Reis et al. 2010). Como denota o epíteto específico, nessa espécie a pelagem é branca. Outras duas espécies do gênero, D. scutatus e D. ingens, também apresentam pelagem branca, mas D. albus é maior que a primeira e menor que a segunda. Assim como as demais espécies do gênero, D. albus apresenta orelhas amareladas, curtas e arredondadas, olhos grandes e uma bolsa localizada no centro da membrana interfemural. Essa bolsa, uma verdadeira cápsula córnea, é mais desenvolvida nos machos e se torna maior na época da reprodução. A sua função é desconhecida e acredita-se que desempenhe papel idêntico ao das bolsas que ocorrem nas asas de outro embalonurídeos, atraindo as fêmeas nos períodos reprodutivos. A cauda é curta e estende-se até o terço basal da membrana interfemural, perfurando-a no centro da bolsa glandular.

Ecologia e Comportamento

Pode ser encontrado em florestas tropicais úmidas, decíduas secas e também semidecíduas, podendo ser observado em áreas com vegetação alterada, porém em habitats úmidos. É um morcego que possui capacidade de voar alto, em espaços abertos como rios e lagos, e também sobre as copas das árvores, sendo de difícil captura por redes de neblina. Podem comer cerca de mil insetos por noite, podendo afetar populações. Sua ecolocalização possui baixa frequência, longa duração e longos intervalos. São morcegos raros e por isso o seu efeito sobre o ecossistema pode ser considerado leve. É um morcego importante para as plantas pois é um grande agente polinizador (Zorpette, 1999).

É uma espécie solitária em grande parte do ano, porém, no início da temporada de acasalamento (janeiro e fevereiro), pode-se encontrar grupos de até quatro indivíduos abrigando-se, geralmente um macho com algumas fêmeas. Podem ser encontrados em habitats naturais ou perturbados, onde se encontram palmeiras que são utilizadas como abrigos diurnos. Estes morcegos tem preferência pela porção da folha próxima à raque.

Reprodução

A época de reprodução ocorre apenas uma vez por ano em janeiro ou fevereiro .Os filhotes nascem geralmente em maio ou junho. A mãe da a luz a apenas um filhote. É sabido que as fêmeas, quando estão prestes a dar a luz mudam-se para longe dos machos e se instalam em cavernas com outras fêmeas da mesma espécie. Os filhotes podem ser vistos nas costas das mães durante o voo. O momento do desmame e a idade da maturidade sexual são desconhecidos. Diclidurus albus é um animal raro de ver, por isso seus comportamentos reprodutivos ainda não foram estudados em profundidade.   [2]         

Genética

O morcego-fantasma é diploide e possui 32 cromossomos. O cromossomo X é metacêntrico e o Y é acrocêntrico. O número total de braços de cromossomos é 60. Diclidurus compartilham pouca homologia cromossômica com outras espécies de emballonurídeos. A explicação para a grande divergência cromossômica na família Emballonuridae é que os gêneros atuais são muito antigos.

Conservação

A UICN classifica D. albus como de pouco risco e pouco preocupante. Embora os morcegos fantasma sejam raros durante toda sua área de vida, são bastante difundidos.[3]

Referências[editar | editar código-fonte]

  1. SIMMONS, N. B. Order Chiroptera. In: WILSON, D. E.; REEDER, D. M. (Eds.). Mammal Species of the World: A Taxonomic and Geographic Reference. 3. ed. Baltimore: Johns Hopkins University Press, 2005. v. 1, p. 312-529.
  2. LIM, B.; MILLER, B.; REID, F.; ARROYO-CABRALES, J.; CUARÓN, A. D.; de GRAMMONT, P. C. 2008. Diclidurus albus. In: IUCN 2008. 2008 IUCN Red List of Threatened Species. <www.iucnredlist.org>. Acessado em 16 de dezembro de 2008.
  3. DOS REIS, Nelio R. et al. (Ed.). Morcegos do brasil. Univesidade Estadual de Londrina, 2007.
  4. Ceballos, G., & A. Miranda. 1987. Los mamíferos de Chamela, Jalisco. Instituto de Biología, Univ. Nal. Autón. México, México. 436 pp.
  5. Barboza-Marquez K., Aguirre, L., Pérez-Zubieta, J., Kalko., E.K.V. 2013. Habitat use by aerial insectivorous bat in shoreline areas of Barro Colorado Nature Monument, Panama. Chiroptera Neotropical, 19(3):44-56.
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  1. «Diclidurus albus (Northern Ghost Bat)». www.iucnredlist.org. Consultado em 21 de fevereiro de 2017 
  2. Eisenberg, J, Redford, K (1999). Mammals of the Neotropics: The Central Neotropics: Ecuador, Peru, Bolivia,Brazil. California: University of Chicago Press 
  3. «Diclidurus albus (northern ghost bat)». Animal Diversity Web (em inglês). Consultado em 21 de fevereiro de 2017