Discussão:Monsaraz

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Evolução Histórica do Concelho A história do concelho de Reguengos de Monsaraz confunde-se com a do antigo concelho de Monsaraz. Com efeito os limites do concelho são os mesmos desde há séculos. O que mudou foi a localização da sua sede, localizada na vila de Monsaraz até 1838, data a partir da qual se transferiu para a vila de Reguengos. Monsaraz é seguramente a povoação mais antiga do concelho e uma das mais antigas povoações portuguesas a Sul do Tejo. A sua ocupação data dos tempos pré-históricos, contando-se nos arredores cerca de centena e meia de monumentos megalíticos. O próprio monte onde foi construída a vila foi provavelmente um povoado pré-histórico fortificado e, no Arrabalde, existe uma vasta necrópole rupestre pré-romana, de sepulturas antropomórficas cavadas na rocha viva. O primitivo castro pré-histórico foi mais tarde romanizado e depois sucessivamente ocupado por visigotos, árabes, moçárabes e judeus. A palavra Xarez ou Xerez equivalia, durante o domínio muçulmano na Península, à forma arábica SARIS ou SHARISH. O equivalente em castelhano do vocábulo português xara é JARA. Assim Xarez ou Xerex apresenta os equivalentes arcaicos castelhanos de Jaraez ou Jarás que conduziram, por corruptela, às formas actuais de Jerez castelhano ou Xarez português. Monsaraz pode significar, portanto, Monte Xarez ou Monte Xaraz, isto é, cerro erguido no coração de uma terra à margem do Guadiana, antigamente povoada por um impenetrável brenhal de estevas ou xaras e que, pela excelência de condições estratégicas - posição de altura com cobertura defensiva de um grande e profundo rio - recomendava, naquele sítio inacessível, a fundação de um povoado. Em 1157, foi conquistada aos mouros por Geraldo Sem Pavor, mas em 1173 torna a cair em poder dos almôadas, na sequência da derrota de D. Afonso Henriques em Badajoz. D. Sancho II, auxiliado por cavaleiros dos Templários, conquista Monsaraz definitivamente em 1232 e faz a sua doação à Ordem do Templo. O repovoamento cristão de Monsaraz e do seu termo só vem a ocorrer no tempo de D. Afonso III e foi obra do cavaleiro Martim Anes, que parece parece ter sido também primeiro Alcaide de Monsaraz. Em 1263, Monsaraz é já uma importante povoação fortificada e também sede de um concelho perfeito e dotado com os mais amplos privilégios jurídicos, possuindo já a Carta de Foral expedida por D. Afonso III. Neste período de ocupação cristã, o povoador Martim Anes começou a levantar a nova alcarçova, e os cavaleiros das Ordens Militares e o clero secular deram início á construção dos templos primitivos de Santa Maria da Lagoa e de Santiago, da Ermida de Santa Catarina, no Arrabalde. A economia era fundamentalmente agrícola e pastoril, verificando-se paralelamente um apreciável desenvolvimento das pequenas indústrias da olaria tosca, dos cobres martelados, e o artesanato grosseiro dos tecidos de lã e linho. Em 1319, Monsaraz é erigida comenda da Ordem de Cristo e fica na dependência de Castro Marim. Nesta altura começa a ser contruído o edifício gótico do primitivo tribunal, decorado a fresco com o famoso painel alegórico à justiça terrena. É também deste período que data a torre de menagem (época dionisina). Em 1412, por doação do condestável a seu neto D. Fernando, Monsaraz é integrada na Sereníssima Casa de Bragança e passa, em matéria de tributação fiscal, a construir um dos mais preciosos e fartos vínculos no Alentejo da grande casa ducal portuguesa. Em 1512, o foral manuelino actualiza a regulamentação da vida pública do concelho e da vila. Nesta altura a confraria da Misericórdia de Monsaraz fica definitivamente instituida na Matriz de Santa Maria da Lagoa. A grave crise demográfica de 1527, causada pela peste que alastrava em Portugal, faz com que, por ordem do Duque de Bragança, e como medida de fixação demográfica local, se esboce uma modesta reforma agrária, que se traduziu no parcelamento das terras comunais concelhias. A paisagem do minifúndio nos arredores de Monsaraz resulta ainda da partilha quinhentista das terras comunais. No termo de Monsaraz, em terrenos da Casa de Bragança e depois da Coroa, com os nomes de Reguenguinho, Ramila e Mon Real, em torno de uma ermida dedicada a Santo António, nasceu um pequeno núcleo populacional, originário da futura vila de Reguengos. O crescimento desta pequena povoação, devido ao esforço dos seus moradores no que respeita ao artesanato laneiro e à lavra da vinha, viria a dar origem à criação de uma nova freguesia, em 1752. A Aldeia dos Reguengos, assim chamada, era formada na altura pelos núcleos populacionais de Reguengos de Cima, do Meio e de Baixo. Estes constituiram as bases administrativas embrionárias da nova Vila de Reguengos, por Carta de Lei de 1840. A posição da vila acastelada de Monsaraz, de difícil acesso, e a sua fidelidade ao ideal absolutista, derrotado nas lutas do século XIX, contribuiram para que o processo de transferência de sede do concelho fosse célere e passasse para a Vila de Reguengos, nova dinâmica e adepta dos ideais políticos do Liberalismo. Esta transferência data de 1838, sofrendo embora várias interrupções. Apenas em 1851 a sede se instala definitivamente na Vila de Reguengos e o concelho passa a designar-se Reguengos de Monsaraz.


Património Arquitectónico

Igreja Matriz de Reguengos de Monsaraz - Esta igreja teve as suas raízes históricas no ano de 1887, com a determinação da Junta da Paróquia de Reguengos de edificar um templo em terrenos dos Novos Paços do Concelho. 

Com o projecto do Arquitecto António José Dias da Silva (autor da Praça de Touros do Campo Pequeno) o edifício apresenta características do espírito romântico da época neo-gótico. Mais tarde, na sequência do Concílio Vaticano II, sofreu obras de adaptação à ordenação determinada pela reforma litúrgica.

Porta da Vila (Monsaraz) - Acesso principal da Vila, cuja robusta estrutura defensiva está protegida por dois cubelos semi-cilíndricos. O de poente, encimado pelo campanil do relógio (provavelmente construído no tempo de D. Pedro II), tem um tecto nervurado e no cimo da cúpula um sino fundido pelos artistas estrangeiros Diogo de Abalde e Domingos de lastra, com inscrição de 1692. Sobre o arco ogival da porta, uma lápide de mármore comemora a consagração do Reino à Imaculada Conceição por D. João IV (1646). No dorso da ombreira, insculpiram-se a vara e o côvado, para eferição de medidas. 

Cisterna da Vila (Monsaraz) - A mais importante cisterna de Monsaraz. Construída em finais do séc. XIV ou princípios do séc. XV, é uma obra de engenharia hidráulica, sendo de notar a técnica construtiva onde se pode ver grandes arcos de volta perfeita paralelos e silharia regular.

Paços da Audiência (Monsaraz> - O mais antigo imóvel adstrito a funções públicas, construído na transição do século XIV para o século XV e profundamente remodelado na primeira metade do séc. XIV. Revela quer exterior, quer interiormente o carácter principal conferido à prática da justiça, ressaltada com o fresco moral alusivo à justiça, obra pictórica única, no seu género, em Portugal. 

Em termos arquitectónicos segue o contexto epocal, embora volumetricamente tenha uma especificidade, quer pela amplitude das dimensões, quer pelo peculiar jogo de componentes (profusão de janelas geminadas).

Igreja Matriz de Santa Maria da Lagoa (Monsaraz) - Contemporânea de repovoamento cristão de Monsaraz, a primitiva igreja foi construída na segunda metade do séc. XIII. Foi sempre o templo mais importante da vila. A referência mais antiga que se lhe conhece data do tempo de D. dinis. Pensa-se que a sua estrutura inicial fosse constituida de planta latina, com uma modesta cabeceira do género das igrejas da transição romana-gótica. A construção actual, que data do séc. XVI, é do tipo igreja-salão, à maneira renascentista. Possui três naves apoiadas em quatro colunas robustas, sem transepto e com o eixo orientado nascente-poente. O altar-mor, em boa talha dourada, apresenta duas grandes esculturas em madeira de St° Agostinho e Stª Mónica, oriundas do antigo Convento dos Agostinhos Descalços da Orada, fundado em 1679, no Arrabalde de Monsaraz. 

O monumento mais importante, existente no exterior da igreja, é sem dúvida o túmulo de Gomes Martins Silvestre, povoador de Monsaraz, cavaleiro templário e povoador de Monsaraz. Trata-se de uma importante escultura do período medieval português. Pertencem ao conjunto de obras produzidas pela escola dos "tombiers" de Évora e é construído em mármore de Estremoz. O frontal esculturado representa um cortejo fúnebre onde desfilam 17 figuras.

Igreja de Santiago (Monsaraz) - Já existia na segunda metade do séc. XIII. Situada na falda ocidental de Monsaraz, pertenceria a Martins Anes e ao Bispo de É Durando Pais. A sua primitiva construção duocentista desapareceu, à excepção da parte da moldura duma parte gótica. A construção actual é obra tardia do reinado de D. José I. Neste momento, depois de recuperada pela Câmara Municipal, funciona como espaço de cultura onde se realizam exposiçções, conferências, pequenos espectáculos, etc. 
Castelo (Monsaraz) - Descendo da fortificação primitiva, conquistada por, Geraldo Sem Pavor em meados do séc. XII. Desta fortificação primitiva pouco sobreviveu à reforma dionistina e tudo aquilo que podemos ver é um exemplo clássico da arquitectura militar do princípio do séc. XIV, tendo sido ampliado imediatamente a seguir à proclamação de D. João IV. A Torre de Menagem, construída em granito nos começos do séc. XIV, conserva abóbadas ogivais nos seus dois andares: o térreo, antigo cárcere e depois armazém de armas; o cimeiro, sala nobre da alcaidaria com larga porta gótica e janela já assinalada no desenho quinhentista de Duarte Darmas. 
Ermida de S. João Baptista - Cuba (Monsaraz) - É o mais antigo monumento de Monsaraz. Sendo inicialmente um edifício fúnebre, ou um pequeno santuário muçulmano de domínio almôada (séc. XI-XII), foi cristianizado no séc. XIV. 

Monumento cúbico de planta quadrada e cúpula hemisférica, construída sobre quatro trompas angulares de inspiração oriental.

Ermida de Santa Catarina - A Ermida acastelada de Santa Catarina que fica situada nos arredores de Monsaraz, entre a vila e o "outeiro da forca", apresenta raízes de tradição templária, ligadas ao culto e a memória da mártir, trazidos do Oriente pelos cavaleiros da Ordem do Templo. Pela estrutura hexagonal da pequena capela, pode admitir-se ser obra contemporânea da preponderância templária em Monsaraz, talvez dos fins do Séc. XIII, ou príncipios do século XIV. Trata-se de uma construção arcaica de planta poligonalm, dotada internamente de um falso trifório.

Igreja do Convento de Nossa Senhora da Orada - Situa-se na aldeia do Telheiro, na freguesia de Monsaraz. Começado a construir em 1700 o edifício ficou inacabado devido às dimensões exageradas do projecto, tendo sido inaugurado apenas em 1741. A fachada da Igreja apresenta as características do estilo da época de D. João V, sóbria arquitectura barroca adaptada pelas ordens religiosas mendicantes. Tem um alpendre com um arco e duas amplas janelas laterais, correspondentes ao sub-corpo que antecede o corpo principal, protegido por pilastras de ardósia trabalhada, ladeando três janelas de cornijas muito pronunciadas. O interior do alpendre, com abóboda de aresta, tem três portadas, duas laterais de xisto; e a principal de mármore branca, com empena semi-circular composta pelo coração do patriarca Santo Agostinho, ambas do tipo de corda saliente, bem típicas do período quinto-joanino. A nave pavimentada com tijoleira regional apresenta uma secura ornamental e arquitectónica comum aos edifícios monásticos deste período, sobretudo no que diz respeito à ausência de decoração interior. A capela-mor de ampla planta quadrada, tem cobertura de aresta e é antecedida por um elevado arco triunfal, aplilastrado de ábacos e cornijas muito salientes, tendo um ordenamento flórico no remate axial. 

Torre do Esporão - Antigo solar dos Mendes de Vasconcelos (sec. XVI) na herdade do Esporão a maior e mais antiga defesa da região de Évora, com os seus limites actuais fixados no século XIII.

Ermida de Nossa Senhora dos Remédios - Ermida do século XVI, construída na Herdade do Esporão. Edifício coevo da torre do Esporão acima referida.

Igreja de Nossa Senhora das Neves (freguesia de Reguengos de Monsaraz) - Construção do século XVI, esta Igreja fica situada na Quinta das Vidigueiras, que pertenceu ao Conde de Monsaraz.

Ermida de Santo Amador (freguesia de S. Marcos do Campo) - Edifício do século XVIII, situado na freguesia de S. Marcos do Campo.

Ermida de Nossa Senhora do Rosário (S. Pedro do Corval) - Construção do século XVI, com fases posteriores do século XVIII, esta ermida fica situada na freguesia de S. Pedro do Corval, junto à povoação com o mesmo nome. Esta ermida está neste momento em processo de classificação patrimonial.


Património Arqueológico Monumentos megalíticos - O concelho de Reguengos de Monsaraz, geologicamente manchado de afloramentos graníticos e de rochas metamórficas xistosas, apresenta grande riqueza e variedade de monumentos megalíticos. Encontram-se nesta região megálitos de todos os tipos (antas, menires isolados e em grupo), podendo considerar-se alguns belos e interessantes exemplares no contexto da pré-história europeia. Nesta lista apenas referimos os de mais fácil acesso para visita.

Antas do Olival da Pega - Situadas a 14 Kms de Reguengos de Monsaraz, a Norte da estrada que liga esta vila a Monsaraz, próximo da povoação do Telheiro. A Anta 2 do Olival da Pega, cujo chapéu se encontra apoiado sobre dois esteios, inclui uma câmara e um corredor, a nascente. Trabalhos arqueológicos recentes revelaram ser este monumento, mais do que uma anta, mas um verdadeiro complexo funerário que inclui, além do dólmen, 4 áreas funerárias anexas. 

Alguns esteios da câmara e um amontoado de pedras tombadas, permitem identificar facilmente a localização da Anta 1 ou Anta Grande do Olival da Pega, um grande dólmen de corredor. Câmara poligonal, prolongada a nascente por um extenso corredor e com alguns monólitos ainda "in situ". Um dos esteios da Câmara, intacto, tem mais de 3 metros de altura. O espólio recolhido (134 placas de xisto e 200 vasos cerâmicos) mostra ter sido este dolmen uma vasta necrópole colectiva.

Cromeleque, Menir Fálico e Pequenos Menires do Xarês - Situados a 5 Kms a Sul de Monsaraz, uns 200 metros a poente da estrada que liga Monsaraz à ponte do Rio Guadiana. O recinto megalítico não é propriamente um cromeleque no sentido geométrico da nomenclatura megalítica. Trata-se,provavelmente, de um recinto megalítico quadrangular constituído por cerca de 50 menires de granito, tendo erguido no centro um grande menir com uns 4 metros de altura e umas 7 toneladas de peso, decorado por uma linha vertical de gravuras megalíticas do tipo "covinhas". 

Posteriormente à reconstituição deste recinto megalítico, foram encontrados na proximidade, uns 300 metros para Norte, pequenos menires de granito, todos gravados na base.

Menir da Bulhôa (Monumento Nacional) - Localizado a 4 Kms a Norte de Monsaraz, junto da estrada que liga as aldeias do Telheiro e Outeiro. Encontrava-se caído, fracturado no vértice e sem base de origem. Foi reerguido e reconstituído sobre nova base de granito em 30 de Setembro de 1970. Menir de granito de secção elíptica, com cerca de 4 metros de altura, gravado nas duas faces. A face mais rica em gravuras, constitui um àlbum de arte simbólica megalítica. Nela se encontram figurados, entre outros símbolos, um sol, um bastão ou báculo curvo, ondulados ou serpentiformes e zig-zags. 
Menir da Rocha dos Namorados - Situado a 6 Kms a NE de Reguengos de Monsaraz, 500 metros além da povoação de S. Pedro do Corval, a Norte da estrada que liga esta povoação da vila de Monsaraz. Monumento natural de granito em forma de cogumelo, com mais de 2 metros de altura e o "chapéu" sempre atapetado por pequenas pedras soltas. Trata-se de um menir ou pedra da fertilidade. Foi cristianizado e convertido em "passo" das procissões de seca que tinham lugar entre a ermida de Nossa Senhora do Rosário e a Aldeia do Mato (actual S. Pedro do Corval). 

Segundo arcaica tradição, ainda hoje existente, as raparigas solteiras, cumprindo um rito pagão de fertilidade, vão ali, pela Segunda-Feira de Páscoa, lançar uma pedra para cima do menir e consultá-lo em matéria do seu casamento. Cada lançamento falhado representa um ano de espera.

Menires dos Perdigões - Núcleo de 7 menires de granito, a maioria deles fracturados, localizado junto da Horta do Pomar, a 2 Km Norte de Reguengos de Monsaraz. Recentemente foi descoberto ali um importante povoado pré-histórico que está neste momento a ser investigado.

Menir Fálico do Outeiro (Monumento Nacional) - Localizado a Norte da estrada que liga as aldeias do Outeiro e da Barrada, uns 5 Kms a Norte da vila de Monsaraz. O menir foi reeguido em 23 de Agosto de 1969. É um imponente bloco de granito regional, com 5,60m de altura e umas 8 toneladas de peso, tendo no vértice esculpido o meato urinário. É conhecido na região pelo microtopónimo "Penedo Comprido".