Dracunculus medinensis

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Como ler uma infocaixa de taxonomiaDracunculus medinensis
Dracunculus medinensis larvae.jpg
Classificação científica
Reino: Animalia
Filo: Nematoda
Classe: Secernentea
Ordem: Camallanida
Família: Dracunculidae
Género: Dracunculus
Espécie: D. medinensis
Nome binomial
Dracunculus medinensis
(Linnaeus, 1758)

Dracunculus medinensis é uma espécie de nemátodo da família Dracunculidae. As fêmeas da espécie parasitam seres humanos, causando a dracunculíase[1], uma doença que em 2015 poderá ser, na história da Humanidade, a segunda a ser erradicada após a varíola, e a primeira de origem infecciosa: de facto, em 2014 havia apenas 126 casos conhecidos, contra os cerca de 3 500 000 em 1986.[2]

O Dracunculus medinensis "é um filarídeo do tecido subcutâneo humano, encontrado na África e Ásia. No tempo da escravidão ocorreu um foco em Feira de Santana (BA), extinto posteriormente"[3], conhecido também como filária de Medina, é o maior dos parasitos teciduais que afetam o ser humano.

"A fêmea adulta, que pode carregar de um a três milhões de embriões ou microfilária, mede em torno de 100cm de comprimento e 2mm de largura e o macho, aproximadamente 5cm. Os vermes se localizam nas pernas, mas podem ser encontrados em outras partes do corpo que, com frequência entram em contado com a água. Quando as fêmeas estão grávidas, deixam o tecido subcutâneo do hospedeiro e migram para o derma, onde formam uma pápula, que se torna vesiculada e finalmente se rompe, causando uma úlcera. Na ocasião em que o hospedeiro humano, com esta vesícula rompida entra na água, a fêmea do parasito exterioriza sua cabeça e a porção anterior do corpo, onde se encontra o útero, este forma uma hérnia que, em contato com a água se rompe e libera os embriões".[3]

"Quando o hospedeiro sai da água, a fêmea do parasito se retrai e no momento em que o paciente entra novamente na água, o processo se repete, com a liberação de embriões que nadam e são ingeridos por pequenos crustáceos do gênero Cyclops (0,5mm a 2mm de comprimento), que são os hospedeiros intermediários do parasito. Os embriões perfuram a parede do trato digestivo do Cyclops, se fixam nos músculos do abdome e se transformam em larvas infectantes. O ser humano se infecta somente ao ingerir água contendo Cyclops com larvas infectantes. Estas larvas penetram na parede do intestino do hospedeiro e migram para o tecido subcutâneo, onde se desenvolvem em vermes adultos".[3]

"Cerca de um ano após a infecção, as fêmeas grávidas, cheias de embriões, começam a migrar pelo corpo do hospedeiro, dando origem aos sintomas característicos da dracunculíase. Essas migrações causam dor severa, especialmente nas áreas ao redor das articulações. Frequentemente antes das formações das vesículas, ocorre prurido local intenso, eritema, urticária e edema. Quando o verme emerge perfurando a pele, uma dor intolerável é acompanhada de febre, náusea e vômitos. Se uma pessoa infectada caminha por uma fonte de água, uma intensa sensação de queimadura, causada pela emergência do verme, é relatada. A água fria também induz contração da fêmea do verme na base da úlcera, causando a expulsão de centenas de milhares de embriões que irão contaminar essas fontes por uma a três semanas.Quando os vermes não conseguem alcançar a pele e morrem, há desintegração e calcificação dos mesmos, e o paciente apresenta sintomas alérgicos. Nas vesículas formadas na pele, os vermes liberam substâncias tóxicas, que provocam irritação local. Séria infecção bacteriana secundária frequentemente ocorre após a ruptura acidental e morte do verme".[3]

Referências

  1. Martina Wijová, František Moravec, Aleš Horák, David Modrý and Julius Lukeš (2005). «Phylogenetic position of Dracunculus medinensis and some related nematodes inferred from 18S rRNA». Parasitology Research. 96 (2): 133-135 
  2. «Steady Progress in Long Campaign to Wipe Out Painful Human Parasite». Consultado em 17 de janeiro de 2015 
  3. a b c d NEVES, David Pereira (2003). Parasitologia Humana. São Paulo: Editora Atheneu. 1 páginas 
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