Elric

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Elric de Melniboné é um personagem protagonista de uma série de literatura de fantasia criada pelo escritor britânico Michael Moorcock.

Elric é um albino de saúde débil, introspectivo e atormentado, mas mesmo assim o imperador do reino ancestral de Melniboné, uma superpotência em declínio, e servo dos Senhores do Caos, à semelhança dos seus antepassados. O povo de Melniboné é elegante, porém cruel, na maior parte desprovido de sentimentos: de entre todos, apenas Elric é dado a sensibilidades modernas. Fisicamente falando, os melniboneses são como elfos --- embora mais semelhantes aos amorais ska da série Lyonesse de Jack Vance do que aos povos majestosos de J. R. R. Tolkien --- e "Elric" é uma forma do nórdico Ælfric, que significa senhor dos elfos.

Como personagem, Elric subverte figuras como a de Conan, o Bárbaro de Robert E. Howard ao mesmo tempo que é influenciado pelo simbolismo trágico de obras como o épico finlandês Kalevala e pela ficção pulp da primeira metade do século XX, combinando assim referências eruditas com uma veia popular, à semelhança de grande parte da restante obra de Michael Moorcock.

Descrição[editar | editar código-fonte]

Elric é descrito por seu criador, no primeiro livro, Elric of Melniboné, como:

It is the colour of a bleached skull, his flesh; and the long hair which flows below his shoulders is milk-white. From the tapering, beautiful head stare two slanting eyes, crimson and moody, and from the loose sleeves of his yellow gown emerge two slender hands, also the colour of bone.[1]

Influências[editar | editar código-fonte]

Moorcock reconhece o trabalho de Bertolt Brecht, em particular Threepenny Novel e The Threepenny Opera, como "uma das principais influências" sobre a seqüência Elric inicial; ele dedicou a 1972 Elric de Melnibone para Brecht.[2] [3]

Na mesma dedicatória, ele cita as obras de Poul Anderson, Three Hearts and Three Lions e de Fletcher Pratt, The Well of the Unicorn como textos de influência similtar. Moorcock referiu-se a Elric como um tipo de "herói domado", um dos mais antigos tipos de personagens da Literatura, semelhante aos heróis-vilões como Steerpike na trilogia Titus Groan, Scafloc em The Broken Sword, Lancelot em The Once and Future King, e Zerd em The Serpent.[4]

A história de Kullervo tem origem na Mitologia Finlandesa[5] que contem elementos semelhantes à história de Elric, como uma espada mágica que fala e a alienação entre o herói e sua família.[6]

O albinismo de Elric aparentemente foi influenciado por Monsieur Zenith, um vilão albino que usava uma bengala como espada, que Moorcock apreciava o suficiente para utilizar em histórias do tipo multiverso mais tarde.[7]

Enredo[editar | editar código-fonte]

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Ao invés de um guerreiro bárbaro musculado que sobe ao poder através da violência, Elric é um imperador culto mas doente que abandona o seu trono. Onde um herói da fantasia convencional salvaria princesas de vilões maléficos, ou o reino de hordas de inimigos, Elric mata o seu verdadeiro amor, é ele próprio um feiticeiro poderoso, escravo do demónio Arioch, e convida exércitos invasores a destruir Melniboné. Elric é um intelectual, dado a crises de depressão, e muitas vezes levado a acções catastróficas numa tentativa de resistir ao seu destino tenebroso.

Elric é ainda manipulado pela sua espada inteligente Tormentífera (Stormbringer, no original em Inglês, e Tempestade, quando da publicaçao do encontro entre Elric e Conan no Brasil, pela Editora Abril Cultural), já de si uma perversão das armas mágicas tradicionalmente encontradas na fantasia épica e uma referência à espada de Kullervo no Kalevala. A Tormentífera dá a Elric as forças de que ele necessita para sobreviver, mas a um preço terrível --- a espada suga as almas de todos os que mata, muitas vezes recusando-se a obedecer aos comandos de Elric, de modo a obter o que pretende:

This sword here at my side…
Keeps calling me its master, but I feel like its slave
(Esta espada aqui a meu lado...
Não pára de me chamar mestre, porém sinto-me seu escravo)
―"Black Blade" dos Blue Öyster Cult

Como uma das múltiplas encarnações do Campeão Eterno, quase sempre um defensor da Lei, Elric de Melniboné está dividido entre a sua ascendência e o seu destino. Em resultado disso, Elric vira as costas ao Caos para se aliar à Lei, tornando-se eventualmente numa força de equilíbrio entre as duas facções. Ao longo da saga, Elric desenvolve um profundo ódio por todos os deuses, quer da Lei, quer do Caos, e pela sua constante interferência na vida dos mortais. No final, Elric anseia por um mundo onde os deuses não explorem a miséria humana, acabando por morrer em nome dos seus ideais.

Adaptações[editar | editar código-fonte]

Elric e a Tormentífera foram adaptados num RPG publicado pela Chaosium. Hawkmoon e Corum receberam idêntico tratamento.

A banda de rock britânica Hawkwind descreve a saga de Elric no seu álbum Chronicle of the Black Sword.[8]

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

A saga de Elric é narrada ao longo de vários livros. São, pela ordem cronológica interna:

1 - Elric of Melniboné (1972)

Em Portugal saiu em: Elric: Príncipe dos Dragões (2005)

No Brasil saiu em: Elric de Melniboné: A Traição Ao Imperador - Livro Um (2014)

(A Editora Generale que lançou o livro prometeu aos leitores mais 4 volumes)

No Brasil saiu: Crônicas de Espada e Magia (2013)

(Antologia feita pelo conjunto das editoras Argonautas/Arte & Letra, que compõem um conto de Elric)

2 - The Fortress of the Pearl (1989)

Em Portugal saiu em: Elric: A Fortaleza da Pérola (2006)

3 - The Sailor on the Seas of Fate (1976)

Em Portugal saiu em: Elric: Os mares do destino (2009)

4 - The Weird of the White Wolf (1977)

5 - The Vanishing Tower (vt The Sleeping Sorceress, 1970)

6 - The Revenge of the Rose (1991)

7 - The Bane of the Black Sword (1977)

8 - Stormbringer (1965)

No Brasil saiu em: A Espada Diabólica (1975)

(Stormbringer, volume que inaugurou a saga, também a termina)

9 - The Dreamthief's Daughter (2001)

10 - The Skrayling Tree (2003)

11 - The White Wolf's Son (2005)

Referências

  1. Moorcock, Michael (1987). Elric of Melniboné Ace [S.l.] p. 192. ISBN 0-441-20398-1. 
  2. "Mike's Recommended Reading List". by Michael Moorcock
  3. Librarything on Elric of Melnibone
  4. Michael Moorocok, "Aspects of Fantasy" in Darrell Schweitzer, ed. Exploring Fantasy Worlds: Essays on Fantastic Literature. San Bbernadino, CA: Borgo press, 1985, p. 27
  5. The Kalevala: Rune XXXI. Kullerwoinen Son of Evil
  6. The Kalevala: Rune XXXVI. Kullerwoinen's Victory and Death
  7. Fantasy Magazine » S.T. Joshi, Michael Moorcock
  8. Abrahams, Ian (2004). Hawkwind: Sonic Assassins SAF publishing [S.l.] ISBN 0-946719-69-1.