Empreita de palma

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Manequim de um homem fazendo a empreita, no Museu Municipal Dr. José Formosinho, em Lagos
Modelo de produção de Papas de Xarém, no Museu Municipal Dr. José Formosinho, em Lagos. A esteira por baixo do manequim e os cestos foram produzidos em empreita de palma

A Empreita de Palma é uma actividade tradicional portuguesa.

Caracterização[editar | editar código-fonte]

A empreita de palma, cujo nome provém do facto de ser feita à empreitada, isto é, o preço do produto final depende da quantidade e tipo da matéria prima utilizada, é produzida a partir das folhas de palma[1].

As folhas de palma, antes de serem utilizadas na empreita, devem ser colhidas, secadas e separadas de acordo com a sua espessura. As folhas de melhor qualidade são, então, submetidas a um banho de enxofre, para clarear, e, se necessário, tingidas[2].

Produzida principalmente por mulheres, a empreita divide-se em várias fases: inicialmente, entrançam-se as folhas de palma até se formar o objecto pretendido; depois, cortam-se as pontas geradas no processo anterior; em seguida, engoma-se a peça, originalmente utilizando uma concha grande; finalmente, cose-se a peça, utilizado fio de palma molhada.

A finalidade das folhas de palma está directamente ligada à sua espessura: as folhas mais grossas são utilizadas em ceiras, açafates e cestaria, e as folhas mais finas são utilizadas em chapéus, esteiras e outros objectos.[3]

A empreita também pode ser efectuada com outras matérias primas, como o esparto[desambiguação necessária] e o vime.

História[editar | editar código-fonte]

A empreita de palma surgiu com a necessidade de embalar figos, amêndoas e alfarrobas para o seu transporte; passou, então, a ser utilizada noutros objectos quotidianos, na pesca, e com propósitos decorativos. A esteira popularizou-se devido à lacuna de mobiliário nas habitações mais humildes[4].

Originalmente, a matéria prima provinha do interior Algarvio, embora actualmente, devido à escassez da planta nesta região, as folhas de palma começaram a ser importadas do Sul de Espanha, aonde a produção de palma foi transformada em indústria[5].

Actualmente, a empreita é efectuada quase totalmente com propósitos decorativos, sendo uma das atracções turísticas na região. Verifica-se, igualmente, uma maior diversidade de materiais utilizados na empreita, como os plásticos e outros materiais reciclados.

Referências

  1. Branco, C.; Simão, J. (1997). Modos de Fazer: Guia do Artesanato Algarvio. Faro: Região de Turismo do Algarve, p. 37
  2. Idem, p. 38
  3. Ibidem
  4. Idem, p. 39
  5. Idem, p. 40
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