Estilete (ferramenta)

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Este artigo pode não ser de natureza enciclopédica. (desde janeiro de 2015)
Observações: escrito de forma prescritiva em vez de descritiva, e usando várias definições de dicionário em vez de prosa enciclopédica.
Estilete ou bisturi, modelo original X-Acto (leia-se eks-æktou)

Estilete (português brasileiro) ou bisturi (português europeu) são nomes dados, respectivamente, pelos artífices brasileiros e portugueses, à faca de pena de gume, a qual é uma ferramenta de corte exacto, também conhecida em Portugal, entre os seus utilizadores pelo nome de marca X-Acto (leia-se eks-æktou). Este nome de marca designa também genericamente[1], por adjectivação, a mesma variedade de ferramentas de corte EXACTO utilizada em qualquer dos países de língua portuguesa abrangidos pelas referidas variantes linguísticas.

Destrinça entre variedades de facas[editar | editar código-fonte]

Nos dicionários de língua portuguesa consultáveis on-line[2][3], o conjunto de significações e explicações referentes ao vocábulo estilete e ao nome de marca X-Acto não registam qualquer acepção que corresponda à faca de pena de gume, antes sim fazem referência a um diferente instrumento de corte inventado em 1956 pelo japonês Yoshio Okada, que se designa em inglês “snap-off blade cutter”, fabricado pela OLFA Corporation (Japâo); ao examinar-se um espécimen do citado instrumento de corte, de fabrico japonês, verifica-se que se trata de um cortador de lâminas quebráveis e retrácteis por encaixe no seu próprio punho, geralmente feito em plástico.
Como se entende pelas características descritas, as duas variedades de facas atrás citadas, tanto seja a faca que se refere ao nome de marca X-Acto como seja a faca fabricada pela OLFA, são genericamente distintas e inconfundíveis entre si, mesmo que se tente compará-las por processos metonímicos.
A descrição respeitante à faca de pena de gume, conhecida também pelo nome de marca X-Acto, tanto seja entendida pelo vocábulo estilete como seja pelo vocábulo bisturi, devem ter uma caracterização descritiva tomada sempre por uma acepção muito similar à descrição feita em lingua inglesa que consta do Wiktionário X-Acto, interpretada como segue:
X-Acto - Inglês - Nome próprio - X-Acto ou X-ACTO
1. (marca registada) uma faca de utilidade, geralmente com uma lâmina curta, afiadíssima disponível em forma de pena presa na ponta distensora de haste igual a uma caneta, usada geralmente para trabalhos de artífices e passatempos predilectos. Designada às veze apenas X-Acto.
A faca de pena de gume, caracterizada pelo nome de marca X-Acto, durante muitas décadas foi usada em trabalhos de artífice e passatempos predilectos como modelos à escala e designada amiúde por defeito apenas como estilete ou bisturi, sem menção ao nome de marca X-Acto que a classificaria melhor de acordo com sua variedade genérica.
Como se explicará pormenorizadamente, mais à frente, neste artgo, a faca original foi inventada na década de 1930 por Sundel Doniger, um judeu polaco imigrante nos Estados Unidos. Inicialmente o inventor planeava vendê-la a cirurgiões como um bisturi, todavia esta faca não era aceitável como bisturi, devido à sua assepcia difícil causada pelos seus vários encaixes e peças componentes em feitio de anel[4]. Então, Daniel Glück (pai da poetisa Louise Glück), cunhado do inventor, sugeriu que a faca podia ser uma boa ferramenta de artífice. O inventor baseado então nessa sugestão, redefiniu a sua invenção para essa utilidade; eis a razão por que esta faca ao ser usada por artífices, tanto em Portugal como no Brasil, tomou os nomes bisturi e estilete, tendo em conta principalmente as suas acepções como instrumento cirúrgico, em combinação com a adjectivação: de precisão, a qual é induzido pela marca X-Acto constituída pelo vocábulo espanhol EXACTO, transliterado conforme a sua pronúncia homofónica em inglês (eks-aktou).
O termo “bisturi” quando usado na acepção da faca X-Acto, em Portugal está a cair em desuso desde meados dos anos 1990, devido à utilização indiscriminada e sem sentido do nome de marca X-Acto, pronunciado erroneamente, por iliteracia, xis-zato e aplicado de modo impróprio ao cortador (“snap-off blade cutter”), fabricado pela OLFA Corporation; enquanto no Brasil, o termo estilete mantém a sua acepção original referente à faca X-Acto, ou seja estilete de precisão[5], dado que o cortador (cutter) da OLFA mantèm a sua designação original: faca OLFA.
Antes da chegada da imagem digital e programas aplicativos para o processamento de texto, a preparação de originais de impressão (literalmente cortar e colar ou montar originais para fotogravura) dependia em grande parte do uso do instrumentos de corte exacto como a faca X-Acto, por serem mais eficazes no recorte e manipulação de pedaços de papel.

Explicação necessária sobre a logomarca X-Acto[editar | editar código-fonte]

Hoje é de conhecimento geral que o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa firmado em 1990, entrou em vigor no ano de 2009. Este novo AOLP é a norma legal que rege a ortografia oficial em Portugal, desde maio de 2015 e no Brasil, desde 1 de janeiro de 2016, dado que o AO anterior vigorou até finais de 2015. Posto este facto incontroverso, já se pode assumir qual deve ser a sua aplicabilidade à logomarca X-ACTO.
Como se nota facilmente, os grafemas que compõem a logomarca X-ACTO no seu conjunto não conformam qualquer vocábulo em português. Ao se decompor este conjunto de grafemas, conforme a sua presumível construção etimológica, verifica-se que esta marca foi construída a partir do vocábulo espanhol EXACTO, o qual se pronuncia eks-aktou. Este vocábulo espanhol, tal como se apresenta contraído na marca, sofreu na sua grafia um processo de aférese para que se formasse o logotipo X-ACTO. Motivo por que já se pode concluir que o conjunto de grafemas X-ACTO é um metaplasmo formado por transliteração (adaptação tipográfica), do vocábulo EXACTO que é articulado em inglês como eks-æktou. Esta articulação em inglês é praticamente homofónica ao seu original em espanhol. Este conjunto de grafemas que conforma a marca do instrumento de corte X-ACTO é conhecido dos artífices portugueses desde os anos 1940, portanto antes de chegar ao mercado português nos anos 1980, a faca OLFA, à qual se dá, por ignorância, o nome impróprio X-ACTO; hoje é possível afirmar-se com toda a segurança que nunca passou pela cabeça dos utilizadores da marca X-ACTO em Portugal criar um aportuguesamento para a marca do seu instrumento de trabalho, dado que quase todos os utilizadores, se aperceberam pelo símbolo ® estampado no artefacto ao lado dos grafemas X-ACTO que estes grafemas diziam respeito a uma marca registada, a qual estava, tal como ainda hoje está, protegida por registo no INPI (Portugal), logo a sua grafia como objecto de registo é inalterável e não está sujeita a qualquer alteração ortográfica, até mesmo hoje, nos termos das novas regras ortográficas, devido à ressalva de direitos, fixada pelo inciso in fine do título “Das assinaturas e firmas” que consta da BASE XXI do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa referenciado em epígrafe.

Falso aportuguesamento da logomarca X-ACTO

Cabe aqui referir que a expressão "degenerescência de marca" é aplicável quase exclusivamente ao âmbito linguístico, e não indica necessariamente que a marca em si tenha caído em domínio público; perante este facto, esta marca não é um caso de "degenerescência de marca" no âmbito linguístico e tão pouco se pode dizer que é um caso de sinédoque em que a marca é dada frequemente pelo nome do produto para que, de alguma forma, desse modo se pudesse criar com esta marca um falso aportuguesamento na forma xis-ato (dito chizáto), mediante o qual se viesse a designar um outro diferente instrumento de corte que é a faca OLFA fabricada pela OLFA Corporation (Japão)[6].
Entre as pessoas, que usam esta falsa designação, há muito poucas que sabem que esta designação não é neologismo, mas sim um falso aportuguesamento constituído pela forma errada xis-acto (chizáto) que é uma corruptela da marca X-ACTO e que esta marca é igualmente dada pelo seu proprietário a outros diferentes produtos para além dos citados instrumentos de corte.
Como se vê, neste caso, até o aportuguesamento da marca está mal feito, pois nunca se deve acomodar a fonética da consoante inicial /x/ pela sua própria designação /xis/, mas sim pela sua soletração por sílabas em que se antepõe à consoante /x/ a vogal /e/ por causa do hífen que se lhe segue, transformando a consoante /x/ numa partícula igual ao prefixo português /ex-/ que deve ser seguido da restante soletração por sílabas: /ac-/ e /-to/; desse modo, talvez se pudesse chegar a um neologismo por aportuguesamento correcto obtenível na forma /EX-ACTO/, em que a sílaba /ac-/ em português europeu fosse sempre pronunciada /ak/, como acontece no vocábulo /facto/. O uso impróprio dessa marca com a articulação errada na forma /xis-ato/ denota falta de conhecimentos linguísticos e alguma ignorância por parte de quem a usa ainda hoje para vender os tais diferentes instrumentos de corte com a marca OLFA. Este uso impróprio significa o mesmo que vender gato por lebre, como se costuma dizer na linguagem popular.

Esta variedade de instrumentos de corte que leva marca X-ACTO é originária dos E. U. A., onde esta forma de abuso especulativo é afastada ao se evitar fazer publicidade à marca com a sua discriminação nominativa realizada pela locução: exacto knives (facas exacto) que toda a gente reconhece.

A origem do falso aportuguesamento da logomarca X-Acto

Desde os anos 1940, a empresa americana X-Acto Crescent Products Co., Inc. (New York), então dona da marca X-Acto (hoje da Elmer’s Products[7]) vendia as facas e ferramentas da marca X-Acto (eks-æktou) por meio de anúncios em revistas americanas (entre outras a Popular Science) que tinham também edições em língua castelhana destinadas à América Latina, e cujas circulações abrangiam o Brasil e Portugal. Foi nessa época de arranque[8] da marca X-Acto nos países de língua portuguesa que se fixou o nome sucedâneo estilete entre os artífices brasileiros, e o mesmo acontecendo entre os artífices portugueses com a dação do nome: bisturi, em particular devido às semelhanças com os escalpelos usados em cirurgia. O fenómeno de se atribuir estes nomes ocorreu em virtude de poucos utilizadores de então se aperceberem de que se tratava da versão moderna da antiga faca de pena de gume, conhecida e feita pelo homem desde a idade da pedra lascada, mas a primeira em metal fabricada em série. Aliás, está implícito e demonstrado através dessas atribuições de nomes que a maioria dos seus utilizadores tinham consciência que o conjunto de grafemas x-acto é uma marca, cuja sílaba inicial é o grafema x pronunciado eks, e que esta articulação está foneticamente de acordo com a sua origem americana. Perante este facto não se lhe podia atribuir o nome xis em português, dado que aqui não se trata de uma incógnita x, e tão pouco de algo semelhante ao termo em inglês x-rays (eksreiz), que traduz em português como raios x, considerando que a parte seguinte ACTO da marca, pode parecer, mas não é português, portanto é pronunciado æktou sempre conforme a sua origem estrangeira.
O instrumento de corte que é fabricado pela OLFA Corporation (Japão) só apareceu em Portugal após o ínicio dos anos 1980, logo é impossível existir alguma relação de confusão entre as duas variedades de instrumento de corte, se não houver uma intenção premeditada e desonesta de se querer enganar o utilizador com o nome impróprio; os primeiros são os artífices que usam o verdadeiro instrumento com a marca X-Acto, cujo número é muito reduzido, mas não se deixam enganar, enquanto os segundos são utilizadores que usam o cutter OLFA, cujo número é bastante grande e são enganados facilmente, pois em geral desconhecem as designações e diferenças entre as duas diferentes variedades de instrumentos, porque podem ser qualquer pessoa, mesmo sem ter qualquer habilidade de artífice.

Considerando todos os factos e esclarecimentos aqui feitos, fica patente que não há fundamentos válidos[9], que não seja apenas a ignorância para que se tome como correcta a corruptela da marca que certos dicionários registam com a grafia X-ATO que está actualizada ortograficamente por aplicação imprópria das normas do novo Acordo Ortografico referido na epígrafe da presente explicação.

A marca registada X-ACTO em aportuguesamento[editar | editar código-fonte]

O grafema x , que forma a sílaba inicial da marca registada X-ACTO, tanto em espanhol, como em inglês, exige funções fonéticas e ortográficas bem distintas, visto que este fonema também se liga às silabas seguintes por meio de hífen.
O valor fonético da letra ‘‘‘x’’’ como consoante deve ser articulado pela pronúncia cs precedido da vogal e que é o seu apoio fonético, sem o qual não ocorre a realização fonética necessária para se articular a sílaba inicial: eks.
Essa é razão por que o fonema ‘‘‘x’’’ deve ser articulado neste caso com o som ‘‘‘eks’’’; logo o fonema ‘‘‘x’’’ em caso algum pode ser substituído pelo próprio nome da letra x (xis).
O fonema x é insubstituível na medida em que a consoante x neste nome de marca não representa qualquer incógnita, de modo que o seu valor fonético não pode ser realizado pelo próprio nome da letra xis; senão, a sílaba inicial acaba por se converter em partícula final e moldar uma locução com a forma: Acto X (sem hífen).
Quando se faz o aportuguesamento do nome de marca X-ACTO, o grafema x deve ser articulado sempre com a fonética cs apoiado pela vogal /e/, dado que esta consoante tem a mesma realização fonética da consoante latina ex [eks].
A articulação eks, evidentemente, nem sequer representa uma excepção em português, pois o grafema x também se apresenta com a mesma realização fonética em certos vocábulos, por exemplo, anexar, perplexo, convexo, sexo, nexo, axila, fixar. O fonema “x” é igualmente pronunciado cs também em outros vocábulos que se dizem de origem muito culta ou estrangeira, entre as quais se encontram, táxi, prefixo, complexo, laxismo, léxico, afixar, fixo.
Ao aportuguesar-se o nome de marca X-ACTO, reportado ao vocábulo espanhol EXACTO, o seu aportuguesamento deve apresentar-se com a forma EX-ACTO, que se lê eks-aktou, mantendo assim o hífen e a desinência c sonante da sílaba ac- em ACTO. O significado do conjunto de grafemas ACTO, de modo algum corresponde ao vocábulo português ACTO.
A forma vocabular reconstruída EX-ACTO é o adjectivo espanhol EXACTO, o qual significa de precisão, conforme a sua tradução literal em português. Tendo em conta este significado, o instrumento de corte EXACTO da marca registada X-ACTO ou de outra qualquer marca é designado hoje em dia no Brasil estilete de precisão, o qual nada mais é do que o estilete da marca X-ACTO, assim rebaptizado pelos artífices brasileiros, acrescentando a adjectivação de precisão para evitar confusões com o cortador (cutter) OLFA que não tem precisão, além de ser muito diferente. O mesmo acontece em Portugal, onde o nome bisturi recebe a adjectivação de precisão em casos muito pontuais ou seja lojas e locais de venda especializados.
Assim como a marca registada X-ACTO não é a denominação atribuível ao cortador (snap-off blade cutter) OLFA e tão pouco à faca (knife) OLFA, também se entende que o aportuguesamento inadequado X-Ato, lido chizáto, igualmente não se lhe aplica, dado que esta forma resulta de má interpretação fonética da letra x, a qual é uma forma errada de se pronunciar e escrever o nome da marca registada X-ACTO, pelo que o seu uso deve ser evitado e a sua dicionarização feita apenas com a indicação de que se trata de corruptela da marca registada X-ACTO, senão de outro modo sobrevém a consagração de um erro pelo seu uso continuado.

O instrumento de corte exacto designado X-Acto[editar | editar código-fonte]

Qualquer instrumento de corte do género X-Acto é sempre a faca de pena afiada inventada pelo judeu polaco imigrante nos Estados Unidos Sundel Doniger, *1.7.1889 Gmina Suwalki, Podláquia (Polónia) †25.1.1972 Washington, D.C., Estados Unidos, que apresentou o pedido de patente relativo a instrumentos de corte entrado no “United States Patent Office” aos 3.3.1959, data em que lhe coube o n.º 796 972. Este pedido foi deferido após 4 reclamações de oposição aos 17.1.1961, quando então lhe foi concedida a patente n.º 2968489. O instrumento de corte descrito nessa patente é o mesmo instrumento concebido pelo seu inventor em princípios dos anos 1930 utilizando a pena afiada n.º 16, a mesma pena que pode ser vista em anúncios publicados décadas antes, entre outros, o anúncio inserido à página 10, edição Julho 1945 da revista “Popular Science” . Ao iniciar-se a globalização nos anos 1990 esta patente de invenção por decurso do seu prazo de validade deixou de ter protecção completa perante modelos similares. Apesar disso, o nome X-Acto utilizado pelo inventor para identificar comercialmente a sua invenção está até hoje protegido por registo de marca no INPI - (PT) sob n.º 205370. O nome X-Acto não é só do referido modelo de faca, mas também foi denominação da própria empresa do inventor e ainda de outros utensílios dissemelhantes comercializados pela sua empresa, entre os quais se encontram agrafadores, cisalhas, afia-lápis. O nome X-Acto foi criado pelo seu autor com base no adjectivo em castelhano “exacto”, cuja pronúncia em castelhano soa igual à pronúncia em inglês para o grupo de grafemas que constitui o nome X-Acto (eks-æktou), e o seu autor pretendeu com isso incutir a ideia de precisão que se consegue com o emprego desses instrumentos de corte. Eis razão por que não se pode generalizar o uso desse nome de marca como nome genérico para designar outros instrumentos de corte que não tenham a mesma qualidade de corte “exacto”. O uso desse nome sem autorização do seu actual titular constitui violação do direito de nome e também se torna publicidade enganosa, caso seja disfarçado por locuções tais como “tipo X-Acto” ou algo semelhante, se o instrumento anunciado não for similar ao verdadeiro X-Acto e cortar com a “precisão” expectável.

Outros instrumentos de corte correlacionados[editar | editar código-fonte]

"faca olfa" ou "naifa do japão" com uma lâmina de reposição
cortador, tipo Olfa

faca olfa (português brasileiro) ou naifa do japão (português europeu) são locuções equivalentes em significado e correspondem exactamente ao mesmo instrumento que se designa cortador (cutter) da marca registada japonesa Olfa, só que em dimensão proporcionalmente maior que o aludido cortador de marca japonesa. Ao longo da última década, o nome de marca X-Acto tem sido usado em Portugal, de modo impróprio, como se fosse um nome genérico de todos os instrumento de corte que se assemelhem ao citado cortador de marca japonesa Olfa, incluindo a referida faca Olfa. Entretanto no Brasil o nome estilete vem sendo igualmente usado de modo pouco próprio para designar todos os intrumentos cortantes que se pareçam com o dito cortador da marca Olfa, excepto na sua versão de maior tamanho em que se mantém a designação faca olfa. Por causa disso quando se emprega no Brasil o nome estilete com o sentido de uma faca de pena de gume, tipo X-Acto, é necessário acrescentar-lhe a adjectivação: “de precisão” para se evitar confusão de nomes com o cortador Olfa. Acontece que, à excepção de X-Acto, todos esses outros instrumentos de corte aqui referidos se caracterizam por uma única definição, que se descreve do seguinte modo:

  • Instrumento cortante, cuja lâmina é composta por segmentos trapezoidais quebráveis e retrátil na sua própria empunhadura, a qual por sua vez pode ser fabricada em alumínio, ferro, plástico ou acrílico.
  • Este instrumento pertencente ao género faca na variedade canivete (penknife) é usado habitualmente para cortar papel, cartão, alcatifa (alfombra) e outros materiais, e a sua lâmina em tira segmentada é substituível por outra nova igual e regulável através de uma tarraxa que a prende na base da empunhadura para quebrar cada um dos seus segmentos trapezoidais e usá-los até perder o respectivo fio (gume).

Observação: O nome cortador é a tradução do nome em inglês “cutter”, apesar de existir em português o anglicismo “cúter”, não se pode empregá-lo nesse sentido por essa forma aportuguesada não possuir o significado “cortador”. (Michaelis Dicionário Inglês-Português, Edição 54 - Ano 1994 - ISBN 85-06-01599-5).

Descrição[editar | editar código-fonte]

Entende-se por estilete com o sentido de ferramenta desde que o seu significado encerre a definição de um instrumento cirúrgico para sondagens, o qual consta de muitos dicionários de língua portuguesa, entre os quais o Dicionário Francisco Torrinha, 7.ª edição, 1939 - ISBN 9789724610467.

Nome genérico impróprio

No Brasil, desde há muitas décadas, o nome estilete vem sendo empregado de forma pouco própria como nome genérico para designar a faca de pena afiada, tipo X-Acto (nome de marca registrada), e mais recentemente está a ser atribuído também de forma imprópria ao cortador (cutter) da marca registrada Olfa. Estes significados por conotação taxinómica dizem respeito ao género faca, todavia só a primeira destas facas pela sua área de aplicação deveria estar consignada aqui na categoria “materiais de arte”, enquanto a segunda deveria estar consignada na categoria “ferramentas de escritório”.

Instrumento de corte improvisado

faca Kiridashi-Kogatana

Antes do aparecimento do cortador (cutter) e da faca Olfa era muito frequente o utilizador improvisar para uso próprio uma faca obtida a partir de uma serra de metais usada que se quebrava ao meio e se desbastava uma das suas pontas em sentido oblíquo ao comprimento por meio de esmeril até conseguir torná-la pontiaguda com o ângulo de gume enviesado, resultando disso uma lâmina semelhante a um estilete, motivo pelo qual lhe foi atribuído o nome estilete e por semelhança também às suas “aparentes” congéneres: faca de pena afiada X-Acto e cortador Olfa. Após se obter esta lâmina, passava-se à fase em que se lhe acrescentava um cabo ou punho feito de fita isoladora ou esparadrapo (adesivo), madeira ou até mesmo plástico. Uma faca muito semelhante ao estilete assim improvisado é a faca kiridashi-kogatana ainda hoje muito usada no Japão. A utilização de uma serra de metais usada transporta em si uma vantagem que é a qualidade do aço que não se deteriora facilmente com a temperatura atingida pela esmerilagem.

Cortador ou faca do tipo Olfa (lâmina dividida em segmentos trapezoidais quebráveis)

cortador "Olfa"

A locução faca olfa (olfa knife) é o nome genérico que encerra o significado de todo e qualquer tipo de faca que possua lâmina retrátil no próprio cabo e esteja dividida em segmentos trapezoidais quebráveis, e possa ser substituída, após esgotar os seus segmentos trapezoidais por outra lâmina igual aproveitando o mesmo cabo, dentro do qual a lâmina desliza regulada por uma tarraxa que a prende e solta conforme o segmento que se segue para quebrar.

O nome Olfa foi dado ao cortador de lâmina quebrável pelo seu inventor, o japonês Yoshio Okada, em 1956, que o concebeu a princípio apenas para cortar papel (papercutter), mas depois aumentou o seu tamanho para cortar outros materiais mais grossos e flexíveis como alcatifa (alfombra), o qual era então produzido na sua própria fábrica a Olfa (Japão), por esse motivo desde finais dos anos 1970 em Portugal este tipo de faca ficou mais conhecido pelo nome “naifa do japão” (Olfa knife made in Japan), enquanto no Brasil tomou o nome genérico faca olfa (Olfa knife). Entretanto, há bem poucos anos em Portugal, alguns comerciantes ávidos por vender cortadores, tipo Olfa, sem marca ou de marca branca, importados da China, aproveitando-se da falta de conhecimento dos adquirentes, atribuiram inescrupulosamente a estes cortadores, o nome da marca registrada X-Acto, que apesar de impróprio é uma marca conceituada, ainda que o nome X-Acto não seja só marca da faca de pena atrás citada como também de outros objectos dissemelhantes, por exemplo, cisalhas (trimmers).

Faca de cortar alcatifa (alfombra) ou simplesmente faca stanley

"faca stanley" com lâminas de reposição

A faca olfa inventada pelo japonês Yoshio Okada está baseada na faca de cortar alcatifas da Stanley que foi inventada e começou a ser fabricada no início dos anos 1930 pela empresa Stanley Works, de New Britain, Connecticut (E.U.). Esta faca também se tornou conhecida em Portugal, há mais de 50 anos, como faca de cortar alcatifa que se designa vulgarmente por faca stanley. Esta faca possui apenas uma única lâmina em forma de trapézio, a qual após perder o fio (gume) é substituível por outra igual armazenada no interior do seu punho. Por estar relacionado com o tema deve ser aqui assinalado que a Stanley Works, ao iniciar o Século 20, produzia escalpelos descartáveis pela primeira vez para uso médico e científico. O nome Stanley remonta ao industrial Frederick Trent Stanley, fundador da Stanley Works em 1843, que também foi proprietária de patentes registadas nos anos 1930 e que desde então acabaram por expirar. Eis a razão pela qual este tipo de faca, quer da Stanley quer da Olfa, está hoje em dia muito vulgarizado, e não pende qualquer patente sobre a sua invenção, existindo apenas o respectivo nome de marca registada.

Tipos[editar | editar código-fonte]

Bisturi ou estilete (de precisão)
Estilete ou bisturi, modelo original X-ACTO (leia-se eks-æktou)

Por conotação taxinómica dentro do género “faca” ambos são designações relativas à faca de pena afiada e mais conhecidos por adjectivação como X-Acto. Este nome de marca registrada qualifica tanto em Portugal como no Brasil, respectivamente, o bisturi e o estilete que é do tipo X-Acto devido à alta precisão no corte de contornos. O tipo de faca de pena afiada X-Acto é muito empregado em aerografia, modelismo, maquete e pinstriping. Existem muitos modelos e fabricantes da faca de pena do tipo X-acto, apesar disso esta faca pelo seu aspecto, fins e aplicações não se confunde com o cortador ou a faca olfa atrás descrita. O bisturi ou estilete do tipo X-acto também se torna inconfundível por ser uma faca em forma de caneta, cuja lâmina é uma pena curta e afiada presa na extremidade dianteira da sua haste ou cabo. Este tipo de faca é uma evolução da faca de pena afiada levada a efeito no princípio dos anos 1930 por Sundel Doniger, judeu polaco imigrante nos Estados Unidos, que fundou a empresa fabricante da faca que até hoje leva esta marca e que dá nome a uma divisão inteira da atual empresa proprietária e titular da marca registrada X-acto; O próprio Sundel Doniger tentou introduzi-la como um instrumento para incisões cirúrgicas, mas não teve êxito, dado ser um bisturi, cuja limpeza se tornava difícil, mas posteriormente com a sua aplicação no campo das artes e de passatempo predilecto conseguiu grande sucesso.

Supõe-se que a pena de gume (cutting pen) em metal tenha sido um apetrecho desenvolvido por Alois Senefelder , o inventor da litografia (1798), quando este necessitava desenhar directo na pedra calcária própria para uso em litografia. A pena de gume é uma peça conhecida e desenvolvida pelo homem desde o Paleolítico, então trabalhada em pedra lascada, como lâmina para facas rudimentares. O nome pena provavelmente foi dado como paradigma em alusão à pena de aves.

Faca bailarina (conhecida em inglês como "swivel knife")

Como o próprio nome o diz, não é estilete e nem bisturi, mas uma "faca" de pena de gume, cuja ponta distensora, onde se prende a pena, é giratória a 360º para permitir efectuar cortes arredondados ou curvilíneos em movimentos circulares com muita precisão. Alternativamente para utilização em igual tipo de corte há ainda outras facas, por exemplo, a faca circular, cujo disco de gume é rotatório ou a faca de pena afiada, cuja pena é afixada numa haste de compasso preparado para esse fim.

Correspondência ajustável de cada tipo de faca Olfa ou Stanley
Diferentes facas e cortadores

O cortador ou faca Olfa com lâmina quebrável, a qual também se designa lâmina de segmentos, e a faca de utilidade Stanley com lâmina fixa em forma de trapézio ou faca de gancho para o corte de chapas de acrílico apresentam diferenças entre si. Enquanto os cortadores ou facas Olfa com lâmina segmentada, de um modo geral, foram concebidos para cartão,since papel, cartão de gesso (PGL,dito também Pladur) e materiais mais finos, a maioria termoplásticos, podem ser cortados com a faca de utilidade Stanley de lâmina fixa ainda adicionalmente alcatifa (alfombra), chapas, sacos ou cabos.

Para as empunhaduras de facas de segmentos, que existem em comprimentos de lâminas segmentadas clássicas com 9 mm e 18 mm, estão disponíveis também pegas em borracha espumosa que não cocha. Agora há também na Europa lâminas de segmentos de 22 mm e 25 mm com empunhaduras correspondentes. Estas lâminas são feitas geralmente só de aço HCS por razões de custos. Todavia, há também lâminas com revestimento de nitrito de titânio, as quais cortam bem para lá das suas durezas também o alumínio e o aço macio. As lâminas feitas de aços de silício-manganês são a novidade no mercado. Também o estão em oferta facas equipadas com armazém de recarga que recarregam automaticamente uma tira nova de lâminas, sempre que a anterior já esteja gasta.

Glossário[editar | editar código-fonte]

Faca de Pena de Corte (Gume ou Afiada)

Moderna faca de pena

A faca de pena possui uma lâmina pequena, afiadíssima e presa geralmente numa caneta (o cabo). “A pequena lâmina” que se encaixa por articulação numa faca de articulação multipartida (“canivete”) de boa vontade é também assinalada como faca de pena (penknife, "Longman Dictionary of Contemporary English" ISBN 3-526-50813-5).

O ângulo de corte da lâmina situa-se entre 13 e 19º. Nos tempos antigos as cânulas das penas de grandes aves eram geralmente adaptadas para escrever e desenhar. Actualmente semelhantes facas são empregadas por alguns utilizadores para aguçar lápis, lápis de cor, giz de desenho etc.
Tais facas são também usadas, por exemplo, para modelar e cortar diferentes materiais na arte de gravação ainda como na caligrafia para o aguçar de penas de escrita.

Uma faca de pena tradicional no Japão, a qual se utiliza até hoje, é a Kiridashi-Kogatana, uma lâmina inteiriça de 15-20 mm de largura, a qual é afiada de esguelha de um ou dois lados ao eixo longitudinal.

Pena de Gume, Pena de Corte ou simplesmente Pena Afiada

Entende-se por pena de gume (de corte ou pena afiada) o artefacto metálico ao qual se dá uma forma aproximadamente muito parecida com um bico de pena de escrever que se adapta numa caneta (cabo) e assim juntos são transformados em instrumento de corte para papel, couro ou similar.

O nome pena pode parecer um pouco enganoso, porque não se trata de uma pena natural de alguma espécie de ave no verdadeiro sentido da palavra, mas de nome cuja significação é paradigmática pela semelhança em aparência e uso com a pena de escrita que se encaixa na caneta.

A pena de gume encontrou certo uso no ofício de encadernador, no recorte de fotografias, nos trabalhos de montagens artesanais ou construção de modelos. Ela, através da sua extremidade, que normalmente termina em ponta de lança, permite fazer trabalhos comparativamente mais precisos e confortáveis do que se pode fazer com facas de lâminas substituíveis ou cortadores de lâminas de segmentos quebráveis. Contudo, os custos mais elevados são comparativamente desvantajosos face às facas de segmentos quebráveis, porque a pena de gume é trabalhada com mais dispêndio e, consequentemente no embotamento tanto deve ser afiada de novo como substituída.

Fio, Gume ou Corte

O fio[ligação inativa], gume ou corte de uma pena metálica afiada é o ponto convergente dos seus dois lados faciais para formar um vértice, em que a espessura entre ambas é a mais reduzida. Esta é a parte mais afiada do bico de pena e a sua espessura a mais reduzida, por isso oferece pouca massa de superfície para se introduzir em algum material, mas a pouca consistência faz com que essa parte simultaneamente se torne mais frágil ao rombo. Quando o gume está rombo é preciso retirar-lhe material com afiador adequado para refazê-lo. Se o gume ficar virado então só se pode corrigi-lo com um assentador, tipo chaira, mas próprio para a sua dimensão reduzida. Quem tiver um pouco de cuidado poderá facilmente aperceber-se da diferença entre ambos, o gume rombudo brilha reflectindo a luz de qualquer ângulo, e o gume dobrado deixa sentir a rebarba existente pelo tacto.

Lâmina em tira de segmentos quebráveis para reposição em cortadores, tipo olfa

Faca de lâmina segmentada ou de "lâmina quebrável"

Neste caso de lâmina quebrável, a lâmina é de um tipo de faca, em que a zona de função embotada da lâmina é interrompida ao longo de um ponto de ruptura pré-estabelecido para libertar a zona já inutilizada para o corte. Desse modo pode ser restaurado o corte de uma ferramenta de corte com muito pouco esforço e sem ferramentas adicionais (como seria necessário por exemplo, para a afiação). Estas lâminas existem em tiras de lâminas segmentadas com 6 mm, 9 mm, 12 mm, 18 mm, 22 mm e 25 mm. As tiras de lâminas segmentadas de 9 mm e 18 mm estão mais vastamente propagadas. A tira de 6 mm só é aplicável como cortador de agulheta para artífices de artes gráficas. As tiras de lâminas de 22 mm e 25 mm estão projectadas mais fortes (0,72 mm de espessura) e principalmente para fins de acabamentos de interiores como cartão de gesso (tipo Pladur) ou materiais de construção termoplásticos. Em maioria as lâminas são feitas de aço HCS (sem liga para ferramentas), há também lâminas revestidas de nitrito titânico e lâminas de aço duro nos Estados Unidos e Japão. As lâminas quebráveis encontram aplicação em cortadores, porque neste caso uma lâmina muito afiada é a condição principal para a maioria das áreas de aplicação.

Os cortadores, tipo olfa, em tamanho médio (igual ao da imagem aqui ao lado direito) estão mais aptos para abertura de embalagens, correspondências e como material de escritório. Possuem ajuste para a substituição da lâminas, que podem ser substituídas através de rompimento da ponta, que gera uma nova extremidade afiada.

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Etimologia[editar | editar código-fonte]

estilete s.m. lâmina fina e pontiaguda (de estilo, do lat. stilu- + sufixo diminutivo -ete) in Dicionário da Língua Portuguesa, Porto Editora, 6.ª edição 1986 – Infopedia: estilete [e] s.m. – 1. instrumento com lâmina fina e pontiaguda (De estilo+ete, do latim stilu-, «ponteiro afiado para escrever em tabuinhas enceradas»)

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