Fazenda Lageado

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Museu do Café
Entrada do Museu do Café
Diretor José Eduardo Soares Candeias
Geografia
País Brasil
Cidade Botucatu

A Fazenda Lageado, localizada em Botucatu, São Paulo, foi materializada com a sua preservação em forma de um museu, conhecido como Museu do Café, o qual contém registros culturais de sua época de origem, podendo observar como o café era produzido, com máquinas, instrumentos, processo de fabricação do café, preservados no museu com a forma original, registros fotográficos e vários outros artefatos presentes nesse Patrimônio cultural de um período tão importante para o Brasil.

Nesta apresentação, foram relacionados aspectos históricos do Brasil, que se refletiram na cidade de Botucatu e, consequentemente, na Fazenda Lageado, que teve seu ápice na era do café. Pode-se relacionar informações como o trabalho utilizado, que foi a mão de obra escrava, substituída, após a Abolição da Escravatura, pela mão de obra de imigrantes (italianos, japoneses, portugueses), e o próprio período de produção cafeeira.

Hoje em dia, a Fazenda Lageado é uma fonte de turismo do município de Botucatu, devido ao Museu do Café e seus aspectos ecológicos. Serve também para piqueniques e caminhadas. Além do mais, a UNESP (Universidade Estadual Paulista) está instalada na Fazenda, cuidando deste patrimônio, sendo uma das universidades de maior renome nacional, com faculdades ligadas à área agrícola.

Fazenda Lageado em Botucatu[editar | editar código-fonte]

História e origem[editar | editar código-fonte]

De acordo com Patrimônio…(2014)[1], a Fazenda Lageado tem seu início datado em 1870, quando sua área começou a ser desmatada por três fazendeiros da região de Rio Claro. No ano de 1881, o Dr. João Batista da Rocha Conceição, advogado piracicabano, tornou-se proprietário das terras e iniciou, com ajuda de mão de obra escrava, a plantação de mais de 600 mil pés de café. O advento de leis contrárias à escravatura, descrito em Escravidão…(2014)[2], como a abolição do tráfico de escravos em 1850, culminando na promulgação da Lei Áurea em 1888, tornou escassa a mão de obra escrava para a lavoura cafeeira, a qual foi substituída pela introdução do trabalho livre estrangeiro, ou seja, imigrantes. As edificações da fazenda foram desenhadas para uma demanda cafeeira em larga escala, sendo considerada, no estado de São Paulo, uma das maiores propriedades particulares produtoras de café para exportação, atingindo seu apogeu em 1920 (DELMANTO, 2014[3]). De acordo com Estações[...] (2014)[4], para o escoamento do café, chegou a ser construída, na área da fazenda, uma estação particular na linha antiga da Estrada de Ferro Sorocabana, que foi desativada em 1954, com a extinção inicial do tronco velho da Sorocabana entre Juquiratiba e Botucatu e,posteriormente, do trecho que restou entre Botucatu e Porto Martins. Segundo a Universidade Estadual Paulista (2014)[5], a fazenda, ao passar para o controle do governo federal em 1934, torna-se uma Estação Experimental Federal, recebendo inúmeros investimentos em maquinários e tecnologia de ponta, voltados para o desenvolvimento de pesquisas agrícolas. E, a partir de 1972, através de decreto federal, o governo do Estado de São Paulo recebe a cessão para utilizar a fazenda como unidade de Ensino Superior, para implantação dos cursos de Agronomia e Medicina Veterinária, que juntamente com as Faculdades de Ciências Médicas e Biológicas de Botucatu e os outros Institutos Isolados de Ensino Superior do Estado formaram, em 1976, a UNESP.

Localização[editar | editar código-fonte]

A Fazenda Lageado está localizada na cidade de Botucatu, região centro sul do estado. A origem do nome Botucatu vem da palavra Ibytu-katu (em tupi) que significa “bons ares” (BOTUCATU, 2014)[6]. Sua fundação, para efeitos históricos, aconteceu em 23 de dezembro de 1843, a partir da doação de terras, pelo Capitão José Gomes Pinheiro Vellozo, para a criação do Patrimônio da Freguesia de Sant'Anna de Botucatu, sendo elevada de vila à categoria de cidade em 16 de março de 1876 (BRASIL, 2003, lei nº 4.310[7]). A vinda de imigrantes atraídos pelo auge da cultura cafeeira, no Oeste Paulista, tornou a cidade num Centro Regional. Porém, com a crise da cafeicultura, a partir de 1930, ocorreu o desenvolvimento da agropecuária e, nos últimos anos, do setor industrial. Atualmente, cidade encontra-se em constante desenvolvimento e sua população está estimada em 173, 899 para o ano 2014, segundo dados do IBGE (2014)[8].

Aspectos culturais[editar | editar código-fonte]

Mão de obra escrava[editar | editar código-fonte]

Segundo Fernandes ( 2005)[9]:

Os africanos, que aportaram em nosso território na condição de escravos, são vistos como mercadoria e objeto nas mãos de seus proprietários. Nega-se ao negro a participação na construção da história e da cultura brasileiras, embora tenha sido ele a mão de obra predominante na produção da riqueza nacional, trabalhando na cultura canavieira, na extração aurífera, no desenvolvimento da pecuária e no cultivo do café, em diferentes momentos de nosso processo histórico.

Na Fazenda Lageado houve indícios de escravidão conforme é denunciado por meio de um Documentário sobre a fazenda criado pelo repórter Godinho (2007)... Segundo o pesquisador histórico João Carlos Figueiroa (2007), entre os anos de 1870 á 1888, a fazenda teve a presença da mão de obra escrava. Na escritura do imóvel havia 12 quartos para escravos, mas não se sabe ao certo onde era o alojamento destes. De acordo com (MUSEU..., 2014[10]) como a campanha contra a escravidão andava em plena efervescência, João Batista da Rocha Conceição, decidiu libertar 100 escravos e no final de 1890 passaria a remunerá-los . As informações compartilhadas indicam que: a história da Fazenda Lageado tem início no final do século XIX. Portanto é inegável que a Fazenda teve a participação da mão de obra dos escravos. Isso está, inclusive registrado na própria escritura de compra do imóvel por João Baptista da Rocha Conceição.

Uma das salas do museu.

Produção cafeeira em Botucatu[editar | editar código-fonte]

Informações compartilhadas no Museu do Café, indicam que a Fazenda Lageado foi, no início do século XX uma grande produtora de café, voltado à exportação. Segundo pesquisadores a Fazenda chegou a ter plantados, 1 milhão de pés de café por volta da década de 1920, sendo que a cidade de Botucatu nessa mesma época possui aproximadamente 20 milhões de cafeeiros. A produção cafeeira na região era muito forte. Além disso grandes empresas botucatuenses (Indústrias Blasi e Milanese principalmente) eram grandes fabricantes de equipamentos voltados para o processamento do café. Essas empresas forneciam equipamentos para o mercado nacional e para exportação. De acordo com Piza (2007),[11] os fatores estratégicos para o desenvolvimento da cafeicultura são a escolha de terrenos férteis, protegidos das geadas, ou seja, altos ou em meia encosta. Além disso, eram necessárias estradas em razoáveis condições para o escoamento da produção. Estes fatores contribuíram para o desenvolvimento cafeeiro em Botucatu. Assim, o município se integrou nos processos de expansão econômica da cafeicultura no Estado de São Paulo. Então, Botucatu efetivamente ganhou importância com o destacado centro urbano.

Museu do Café Fazenda Lageado.jpg

O café começou a ser cultivado em Botucatu por volta de 1845, quando tal cultura encontrava seu apogeu no Vale do Paraíba. Juntamente com outros produtos de subsistência, foi cultivado por pequenos proprietários e lavradores (GARCIA,1993[12]). Mas o aumento da produção cafeeira só ocorreu em 1870, respondendo as necessidade de aumento da produção nacional (foi quando o café brasileiro começou a ganhar expressão no mercado mundial). Botucatu, ainda segundo Garcia (1993)[12], produziu cinco milhões de sacas de café, este se tornando o centro motor do desenvolvimento do capitalismo no país. Os tempos mudaram, e chegou à crise de 1929. Começou o êxodo rural de forma mais intensa. Os cafeeiros foram reduzidos, na época, para um terço do total, que eram 30 milhões de pés. Tal fato acarretou na redução do campo para o desenvolvimento econômico regional. Piza (2007)[11] afirma: “cada vez mais, o desenvolvimento regional é o desenvolvimento de suas atividades urbanas, e a distribuição da população se dará na exata medida das atividades urbanas nos diferentes núcleos”.

Imigração na Fazenda Lageado[editar | editar código-fonte]

A atividade econômica de Botucatu, até 1840, era simplesmente a criação de gado. Porém, segundo Piza (2007)[11], houve uma ampla virada na estrutura produtiva cafeeira paulista entre 1860 e 1880, marcado pela ampliação das lavouras de café, pela redução da escravidão e pela entrada de numerosos imigrantes. Tais imigrantes eram de maioria italiana, seguido pelos portugueses e espanhóis. Entre 1870 e 1886, a mão de obra escrava se reduziu pela metade. Em 1888, os escravos em Botucatu e arredores eram cerca de 700. No mesmo período, os cafezais dobraram, devido à entrada de 1550 trabalhadores no campo, em regime de colonato ou parceria. Então, afirma Piza (2007)[13], a partir de 1888 se inicia a chegada maciça de imigrantes, que promoveram a maior transformação vivida pelos núcleos urbanos de Botucatu, juntamente com a ferrovia. Em 1893, a população de Botucatu é composta por 10% de imigrantes. Já entre 1897 e 1898, os imigrantes atingem 25% da mesma (PIZA, 2007)[11]. Ainda, segundo o mesmo autor, “a distribuição destes imigrantes se deu em proporção direta ao desenvolvimento das lavouras cafeeiras. Botucatu recebia 800 imigrantes por ano, em 1900”.

De acordo com Garcia (1993)[12], o processo de acumulação de capital ganha um impulso com a adoção do sistema de colonato, cabendo ao colono todo o custo de sua produção e de suas famílias. As famílias italianas que se destacam no comércio de Botucatu, têm histórias semelhantes. Todas passaram algum período trabalhando nas lavouras de café e, quando transferidas para a cidade, aproveitaram o alto crescimento verificado no final do século XIX. Segundo as autoras Carvalho e Tozoni-Reis (2009)[14], a destruição das lavouras de café promoveu em êxodo para a cidade, pessoas estas que estavam estabilizadas no campo, com suas casas, famílias e divertimentos. Tal expulsão se deu sem condições de trabalho, emprego e moradia. O crescimento da cidade de Botucatu não foi planejado, a partir destas mudanças, acarretando na criação desordenada de bairros afastados. A exportação do café em saca, o financiamento fortalecido dos proprietários das grandes Fazendas e a grande concentração de grupos de famílias vindas da Europa, desenhou um cenário de oportunidades para negócios e enriquecimento, que souberam aproveitar as oportunidades. Então, alguns imigrantes se estabeleceram nas entradas da cidade, à beira dos grandes eixos de acesso às fazendas de café, com a finalidade de suprir, os fazendeiros e os que lá moravam, de gêneros e utensílios.

Fazenda atualmente[editar | editar código-fonte]

Turismo[editar | editar código-fonte]

O Museu do Café, instalado na antiga Casa Sede da Fazenda Lageado, é considerado um dos principais pontos turísticos da cidade de Botucatu. Durante as visitas, é possível fazer um retrato de como a cafeicultura se desenvolveu no Estado de São Paulo e na Fazenda, através dos aspectos arquitetônicos e da exposição de documentos, mobiliários, peças e máquinas antigas (UNESP, 2014[15]).

Informações compartilhadas indicam que: atualmente o Museu do Café e a área histórica são um dos turísticos não só de Botucatu, mas de nossa região e recebe uma quantidade expressiva de visitantes provenientes de municípios do interior de São Paulo. Além disso, o museu é visitados por pessoas provenientes de todos os estados brasileiros e de diversos países. Desde 2006 quando passou a ser administrado e inserido em um projeto, já foi visitado por quase 150 mil pessoas. O público do Museu é bem diversificado, formado por alunos, pesquisadores, estrangeiros e pela população em geral (famílias, grupos de amigos, etc). Além disso, no local também funciona uma Instituição integrante do projeto “Lugares de Aprender” da Secretaria de Estado da Educação, desde 2009 e recebe toda semana escolas de cidades distantes até 100 km de Botucatu. Os dias mais visitados são finais de semana e feriados quando recebemos em média 300 pessoas

O museu recebe também diversas exposições artísticas em seu Espaço Cultural, sendo que desde 2010 já contemplou 33 exposições, com destaque para artistas como: Aldemir Martins, Ziraldo, Osmar Santos, Franco Belli, Romero Britto e Christina Oiticica (MUSEU…, 2014[10]).

Além do turismo cultural, a Fazenda Lageado também é bastante utilizada para o lazer e a prática de esportes, devido à sua vasta área de bosques e gramados. Outro fator que contribui para as visitas é que tanto o acesso à Fazenda quanto ao Museu são gratuitos (BOTUCATU, 2014[16]).

Universidade[editar | editar código-fonte]

A Fazenda Lageado é considerada um importante patrimônio histórico cultural do interior paulista. Grande produtora de café, no final do século XIX e início do século XX, tornou-se Estação Experimental Agrícola e, a partir da década de 70, passou a abrigar a Faculdade de Ciências Agronômicas (FCA) da Universidade Estadual Paulista UNESP, destacando-se como grande referencial educacional. Localizada a 3 km do centro de Botucatu integra o Campus da UNESP com a Faculdade de Ciências Agronômicas, Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia onde possui biblioteca, salas de aulas, área de produção e pesquisa. Excelente local para caminhadas e atividades esportivas com muito verde, riacho, lagos e pontes. Possui prédios centenários preservados e a arquitetura característica do período. De acordo com Piza (2007)[11], a criação da faculdade de medicina de Botucatu, e posteriormente dos cursos de biologia, veterinária, agronomia, engenharia florestal, bioquímica, física médica, e suas respectivas pós-graduações, reunidas a partir de 1977 na Universidade Estadual Paulista (UNESP), criaram na cidade um importante polo de conhecimento e tecnologia, além de um hospital que, como centro de referência em saúde atende o norte do Paraná e Sul do Mato Grosso do Sul.

Referências

  1. «Patrimônio da Fazenda Lageado em Botucatu, SP, agora é protegido por lei». Consultado em 26 de setembro de 2014. 
  2. «Escravidão no Brasil». Consultado em 23 de setembro de 2014. 
  3. Delmanto, Armando Moraes (2014). Lageao, o futuro é possível. [S.l.: s.n.] 
  4. «Estações Ferroviárias do Brasil». Consultado em 26 de setembro de 2014. 
  5. «Breve histórico da Fazenda Lageado». Consultado em 24 de setembro de 2014. 
  6. «História de Botucatu, 2014». Consultado em 02 de outubro de 2014.  Verifique data em: |acessodata= (ajuda)
  7. «Lei sobre a cidade de Botucatu» (PDF). 07 de abril de 2000  Verifique data em: |data= (ajuda)
  8. «IBGE». Consultado em 26 de setembro de 2014. 
  9. Fernandes, O. R. J. (2014). Ensino de história e diversidade cultural: desafios e possibilidades. [S.l.: s.n.] 
  10. a b «Museu do Café abre temporada com exposição inédita - 2014». Consultado em 28 de setembro de 2014. 
  11. a b c d e Piza, João Fernando Blasi de Toledo (2007). A formação de povoados na região de Botucatu. São Paulo: USP 
  12. a b c Garcia, Liliana Bueno dos Reis (1993). O urbano paulista e botucatuense: algumas considerações. São Paulo: UNESP 
  13. Piza, João Fernando Blasi de toledo (2007). A formação de povoados na região de Botucatu. São Paulo: USP 
  14. Carvalho; Tozoni-Reis, Carolina Delgado de; Marília Freitas de Campos (2009). Coletivizando saberes: (re)construção da memória ambiental de moradores da cidade de Botucatu. Botucatu: Pesquisa em Educação Ambiental 
  15. «Breve histórico da Fazenda Lageado». Consultado em 26 de setembro de 2014. 
  16. «História de Botucatu 2014». Consultado em 02 de outubro de 2014.  Verifique data em: |acessodata= (ajuda)

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

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