Igreja Nossa Senhora das Dores

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
Disambig grey.svg Nota: Se procura outras igrejas com nome semelhante, veja Igreja de Nossa Senhora das Dores.

Paróquia Nossa Senhora das Dores
Construção 1813
Diocese Arquidiocese de Porto Alegre
Padre Luís Carlos de Almeida
Arcebispo Dom Jaime Spengler
Local Porto Alegre,  Brasil

A Igreja Nossa Senhora das Dores é uma igreja católica localizada na cidade de Porto Alegre, à Rua dos Andradas, s/n.

O culto a Nossa Senhora das Dores[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Sete dores de Maria

As celebrações em torno dos sofrimentos de Maria tem origem no século XV, mas somente em 1667 foi estabelecida uma liturgia com iconografia definida. Assim, as chamadas Sete Dores de Maria - a profecia de Simeão, a Fuga para o Egito, a perda de Jesus no Templo aos doze anos, o caminho da cruz, a crucificação, a deposição e o sepultamento de Jesus - passaram a ser representados simbolicamente por sete espadas, ou às vezes uma só, cravadas no coração da Virgem. Esta devoção foi introduzida em Portugal pelos padres Oratorianos, e chegou ao Brasil por volta de 1770, estabelecendo-se primeiramente em Minas Gerais.

A Irmandade[editar | editar código-fonte]

Detalhe da decoração interna

Em Porto Alegre o culto já era registrado em 1779, quando um grupo de devotos mandava celebrar uma missa especial todas as sextas-feiras em honra de sua Padroeira, entronizada num dos altares laterais da antiga Matriz da Mãe de Deus. Este núcleo foi a origem da Irmandade de Nossa Senhora das Dores, que foi organizada definitivamente em 1801. Em 1819 um Indulto Apostólico elevou a Irmandade à categoria de Ordem Terceira, subordinada aos padres Servitas, mas só foi confirmada em 18 de setembro de 1824, com uma série de exigências para admissão de novos membros, o que ameaçou a Ordem de extinção. Por causa disso o Prior da Irmandade revogou os impedimentos, admitiu antigos integrantes e aumentou as contribuições. Em 24 de outubro de 1832 foi criada como freguesia autônoma, desmembrada da paróquia da Mãe de Deus, mas por ser uma comunidade pobre e ainda estar envolvida em uma construção dispendiosa só recebeu um pároco em 1859, quando o Imperador Dom Pedro II indicou o Padre José Soares do Patrocínio Mendonça para o cargo.

Histórico do prédio[editar | editar código-fonte]

Igreja das Dores vista do Guaíba

É a igreja mais antiga da cidade ainda existente, tendo sua pedra fundamental lançada em 2 de fevereiro de 1807. Em meados de 1813 já estava concluída a capela-mor, e em 23 de junho deste ano foi trasladada a imagem de Nossa Senhora das Dores da antiga Matriz até a sua nova casa.

O corpo do edifício até 1846 estava ainda limitado à capela-mor, quando o Luís Alves de Lima e Silva destinou-lhe quatro contos de réis para início da construção da nave. Com as paredes erguidas por volta de 1857, João do Couto e Silva instalou o telhado e terminou a fachada (ainda sem revestimento) e a abóbada, terminando esta etapa em 1860. Como o projeto inicial fora alterado, uma comissão foi constituída em 1863 para realizar as necessárias correções, supervisionadas por Luiz Vieira Ferreira e concluídas em 1866. O templo foi então consagrado em 10 de maio de 1868 por Dom Sebastião Dias Laranjeira. A escadaria monumental da frente só seria terminada em 1873, sendo que o acesso anteriormente se dava pela rua Riachuelo, atrás da igreja.

Até o fim do século XIX o edifício não recebera revestimento nem possuía torres, e então a comunidade reuniu forças para os arremates necessários. O projeto original em estilo barroco colonial, já desfigurado, foi definitivamente abandonado, e encomendou-se um novo do arquiteto Júlio Weise, que traçou uma fachada em estilo eclético com influência germânica, onde se incluíram três esculturas do artista João Vicente Friedrichs, representando a , a Esperança e a Caridade, mais um frontão em baixo-relevo.

As obras só foram terminadas em 1904. Segundo a lenda, a demora na sua conclusão ocorreu devido à maldição de um escravo, condenado à forca injustamente pela acusação do roubo de um colar da imagem de Nossa Senhora. Contudo, o historiador Sérgio da Costa Franco alega que a história é falsa, e a condenação do dito escravo ocorreu em virtude de um assassinato.

Nave e capela-mor, recentemente restauradas, ainda faltando as imagens nos altares laterais

Foi tombada e declarada patrimônio histórico e artístico nacional em 1938, sendo a única igreja de Porto Alegre tombada em nível nacional, sob fiscalização do IPHAN.

No período de 1951 até finais dos anos 70, a igreja ficou aos cuidados dos Padres da Congregação do Santíssimo Sacramento, convidados pelo então Arcebispo de Porto Alegre, Dom Alfredo Vicente Scherer para dar início à Obra da Adoração Perpétua na capital gaúcha, tendo como Santuário a Matriz das Dores.

Interior[editar | editar código-fonte]

Seu interior ainda apresenta muito das primitivas feições coloniais. A entrada se faz através de três portas, sendo que a central desemboca em um pára-vento envidraçado. Acima existe um coro de madeira, suportado por arcos e colunas coríntias. Há uma só nave, ladeada por uma série de altares ricamente entalhados e dourados por João do Couto e Silva, com perfil em arco redondo e larga moldura decorada, colunas salomônicas e baldaquinos, além de nichos para estatuária, atualmente (2007) removida para restauro. Também se alinham na nave diversas tribunas com portas de vitral e gradis bombée em ferro trabalhado, e dois púlpitos. A pintura do teto, dividido em caixotões, é obra de Germano Traub, basicamente em motivos florais e geométricos, com medalhões figurativos. Os lustres são um trabalho contemporâneo.

Altar-mor

A capela-mor é delimitada por um grande arco redondo com um friso floral e uma pintura com querubins. Possui também tribunas e o altar-mor é uma bela peça em estilo escalonado, já de traços neoclássicos, com um grupo escultórico no topo, com imagens de Cristo na cruz, ladeado pela Mater Dolorosa e por São João. Desta capela abrem-se portas para uma outra capela à esquerda, mais simplesmente decorada, e salas de administração à direita.

O templo possui diversas estátuas preciosas, dentre elas sete imagens representando os passos da Paixão de Jesus Cristo, trazidas de Portugal em 1871; duas imagens da santa padroeira da igreja, uma de 1820, com rosto de porcelana, e outra da segunda metade do século XVII, com espada e diadema de prata; um São Francisco Xavier, vindo da Itália, e um Sagrado Coração de Maria, oriundo da Espanha.

Nave em restauro
Jesus atado à coluna, uma das estátuas do ciclo da Paixão de Cristo, recentemente restaurada e reinstalada em um dos altares laterais

Projetos de restauro[editar | editar código-fonte]

Depois de sua conclusão, com o passar dos anos a igreja sofreu séria deterioração, e obras de restauro foram realizadas em caráter emergencial em 1980 no telhado e forro, em 1996 na capela-mor, e em 1998 na escadaria. De 2001 em diante novas obras, desta vez para remodelamento do estacionamento e ampliação do salão de festas, utilizando os recursos provenientes da comunidade e das Leis de Incentivo à Cultura em nível estadual e federal, um projeto que foi continuado a partir de 2003 para recuperação dos bens integrados do interior, tais como altares, forro, pinturas decorativas, coro e outras peças e imagens destinadas a formarem futuramente um museu de arte sacra.

A partir de 2007 terá início a recuperação do exterior, tendo sido incluída no Projeto Monumenta, com participação do BID, da UNESCO e do Banco Mundial. Também está sendo planejada a prospecção arqueológica do subsolo da igreja e de seus arredores, realizada em parceria com o Projeto de Arqueologia Urbana desenvolvido pelo Museu Joaquim Felizardo.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Vargas, Élvio (editor). Torres da Província: História e Iconografia das Igrejas de Porto Alegre. Porto Alegre: Pallotti, 2004.
  • Franco, Sérgio da Costa. Guia Histórico de Porto Alegre. Porto Alegre: Editora da Universidade (UFRGS)/Prefeitura Municipal, 1988.
  • Laytano, Dante de. Lendas do Rio Grande do Sul. Rio de Janeiro: Publicação Estadual de Folclore do Rio Grande do Sul, 1956.
  • Fagundes, Antonio Augusto. Mitos e Lendas do Rio Grande do Sul. Martins Livreiro Editor.
  • Lessa, Barbosa. Estórias e Lendas do Rio Grande do Sul. São Paulo: Gráfica e Editora EDIGRAF Ltda.

Projetos relacionados[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]