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Inúbia

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Inúbia, também chamado boré, é o nome dado pelos poetas ao instrumento de sopro, tipo flautim, de taquara dos povos indígenas tupi-guarani do Brasil.[1] Nem "inúbia", nem "boré" aparecem nos escritos de cronistas coloniais portugueses e espanhóis, ou no vocabulário tupi dos jesuítas.[1]

Etmologia

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"Boré" provém do tupi, onde y é convertido em u; e o verbo mby, py em bu, pu ou bô, pô. E "re" é um sufixo para "diferente", como em "abaré". Assim "boré" poderia significar "soprar ou tocar diferente". Já "inúbia" aparece na bibliografia de João de Léry, que "maltratou diversos vocábulos por leviandade de um poeta".[1]

É uma flauta reta ameríndia, produzida artesanalmente a partir da Taboca, com embocadura ajustada com cera de abelha. Na década de 1930, foi registrada por Mário de Andrade em Mamanguape, na Paraíba, durante o Toré, culto indígena. No mesmo período, César Guerra-Peixe compôs e produziu a peça musical “A inúbia dos Caboclinhos” (1956), a partir de elementos rítmicos, melódicos e timbrístico do uso da Inúbia pelos povos indígenas, de dicando a ela um espaço de destaque na peça, que foi escrita para Flautim e Orquestra.[2][3][4]

Também era usada pelo tupinambás como trombeta de guerra no Rio de Janeiro.[5]

A inúbia é um dos instrumentos utilizados durante a manifestação cultural chamada de “Caboclinhos”, “Cabocolinhos” ou “Caboclinho” (que diferem das “Tribos Indígenas Carnavalescas”), organizada como espaço de sociabilidade e agremiação carnavalesca no Recife e na Zona da Mata Norte de Pernambuco. A apresentação inclui música e coreografia. O conjunto de instrumentos musicais inclui dois tambores, um par de Ganzás, um Tarol, e várias Preacas, que "servem como base para a linha melódica executada pela Inúbia".[2]

Referências

  1. a b c Edelweiss, Frederico. Apontamentos de folclore. Salvador: EDUFBA, 2001.
  2. a b Marlysson Pablo Mendes da Costa. Os “Blocos Dos Índios” no Carnaval de Piquirí: tradição e prática musical em Canguaretama/RN. Trabalho de Conclusão de Curso (Licenciatura em Música), Escola de Música, Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Natal, 2023.
  3. Santos, José Carlos dos. Sugestões performáticas do bilhete de um jogral para viola sozinha e das três peças para viola e piano de César Guerra-Peixe. Natal, 2015.
  4. Charles Souza (21 de janeiro de 2018), César Guerra-Peixe - A Inúbia do Caboclinho, consultado em 21 de novembro de 2025 
  5. «Wayback Machine» (PDF). www.filologia.org.br. Consultado em 21 de novembro de 2025. Cópia arquivada (PDF) em 10 de junho de 2025 

Bibliografia

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