Jaó

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Como ler uma infocaixa de taxonomiaJaó
Crypturellus undulatus.JPG
Estado de conservação
Espécie pouco preocupante
Pouco preocupante (IUCN 3.1)
Classificação científica
Reino: Animalia
Filo: Chordata
Classe: Aves
Ordem: Tinamiformes
Família: Tinamidae
Género: Crypturellus
Espécie: C. undulatus
Nome binomial
Crypturellus undulatus
(Temminck, 1815)

Crypturellus undulatus, popularmente Jaó[1][2] , macucauá ou sururina, é uma espécie de ave tinamiforme típica do cerrado do Brasil Central. O jaó e suas subespécies habitam matas abertas e cerrados no Brasil.[3]

É uma ave classificada segundo o Livro Vermelho da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção (Edição de 2018) como Ameaçada Menos Preocupante.

Os Tinamidae estão entre as mais importantes aves cinegéticas (aves comumente procuradas para fins de caça) brasileiras. Por conta do emprego indiscriminado de inseticidas, os Tinamidae campestres estão ameaçados (os inseticidas matam os insetos por envenenamento e as aves ingerindo esses insetos acabam morrendo pela ingestão).  

MORFOLOGIA

Com seus 31 centímetros, o Jaó é caracterizado por uma coroa escura em tons de marrom acinzentado com desenho vermiculado enegrecido (plumas com manchas que se assemelham a formato vermiforme), pernas de coloração esverdeada, uma vez variando conforme a região. O ovo da espécie se aproxima da forma esférica nas cores rosa-claro ou cinza-claro  (SICK, 1997; GWYNNE et al., 2010).

Embora sejam aves que podem voar, não possuem a quilha óssea do osso do peito que possibilita voo contínuo. O esqueleto é pneumatizado, uma característica indicativa da descendência de indivíduos que eram exímios voadores. Dessa forma, os tinamídeos apenas utilizam as asas como último recurso para o escape (SICK, 1997).

VOCALIZAÇÃO

Baixo e melodioso, composto de três a quatro sílabas com flexão interrogativa crescente no fim (“dó dó doó?”) (SICK, 1997), o pio do Jaó serve para demarcar a sua área de vida e, na época reprodutiva,  para aproximar outros indivíduos. Neste período, a vocalização tem duração por cerca de 30 minutos ininterruptos em intervalos de cinco a 18 segundos.

HÁBITAT E DISTRIBUIÇÃO

Habita a mata de várzea e galeria, capoeirão, matas secas e ralas , cerrado.

No Brasil ocorre da região Norte ao Centro-Oeste e partes adjacentes do Nordeste, em Minas Gerais, São Paulo e Paraná. Ocorre também na Venezuela, Guiana, Colômbia, Peru, Paraguai e Argentina (SICK, 1997; GWYNNE et al., 2010).

DIETA

Alimentam-se de bagas, frutas caídas, folhas e sementes, de insetos e moluscos que se escondem no tapete de folhagem apodrecida (SICK, 1997).

HÁBITOS E PREDADORES

Desconfiados, alçam vôos geralmente curtos como apenas último recurso. Na região amazônica, vôos longos são efetuados em casos de enchentes as quais forçam exemplares da espécie a voarem 500 metros sobre o rio para pousarem em alguma ilha (REMSEN & PARKER, 1983; AYRES & MARIGO, 1995, citado por SICK, 1997). Em conflito, o Jaó utiliza as asas para lesionar o adversário.

Ao macho cabe o cuidado de construir o ninho, realizar o choco (que ocorre em aproximadamente 17 dias) e a criação dos filhotes.

A caça desses indivíduos ocorre, principalmente, ao longo do período reprodutivo em que são atraídos pela tática de imitação do chamado da espécie, visto o caráter arredio desses animais. Concomitantemente, tem como outros predadores gatos-do-mato, raposas, gambás, cobras, macacos, gaviões e até mesmo tamanduás-bandeira (SICK, 1997).

AMEAÇAS E PRESERVAÇÃO

Devido à expansão agrícola, o uso e a ocupação do solo, muitos exemplares da família Tinamidae com distribuição em áreas campestres se intoxicam ao ingerirem presas, como formigas, que são combatidas com inseticidas por serem consideradas pragas agrícolas. Em consonância, os ninhos são queimados pela passagem do fogo utilizado nas práticas agropastoris.

Por conseguinte, devem ser realizadas medidas preservacionistas para os exemplares dessa família tão singular da fauna silvestre (SICK, 1997).

Referências

  1. Gomes, Wagner. Lista das espécies de aves brasileiras com tamanhos de anilha recomendados. 7/2/2013, CEMAVE
  2. Lista das espécies de aves brasileiras com tamanhos de anilha recomendados - Ordem sistemática e taxonômica segundo lista primária do CBRO, DOU, Nº 249, 24 de dezembro de 2013, ISSN 1677-7042, p.121
  3. Davies, S.J.J.F. (2003). "Tinamous". In Hutchins, Michael. Grzimek's Animal Life Encyclopedia. 8 Birds I Tinamous and Ratites to Hoatzins (2 ed.). Farmington Hills, MI: Gale Group. pp. 57–59. ISBN 0-7876-5784-0.

Livro Vermelho da Fauna Brasileira Ameaçada de extinção- Edição 2018- Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade.

GWYNNE, John et al. Wildlife Conservation Society Birds of Brazil: The Pantanal & Cerrado of Central Brazil. Comstock Pub. Associates, 2010.

SICK, Helmut. Ornitologia Brasileira Editora Nova Fronteira. Rio de Janeiro, 1997.