João Filson Soren

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João Filson Soren (Rio de Janeiro, 21 de junho de 19083 de janeiro de 2002) foi um pastor batista, capelão militar, hinólogo, músico, teólogo, poeta e professor brasileiro.

Infância, juventude e educação[editar | editar código-fonte]

João Filson Soren era filho do pastor Francisco Fulgêncio Soren e de dona Jane Filson Soren; seu pai foi pastor da Primeira Igreja Batista do Rio de Janeiro de 1902 a 1933, quando faleceu no dia 1º de outubro. Durante seu ministério foi construído o presente templo da igreja, à Avenida Frei Caneca 525, no bairro do Estácio, no Rio de Janeiro, o qual, quando inaugurado em 1928, era o maior templo evangélico da América Latina; o menino João Soren foi batizado aos 14 de setembro de 1916, aos 8 anos, ainda no templo antigo da igreja, que ficava na rua Sant´Anna.

Durante toda a vida estudou no Colégio Batista do Rio de Janeiro, hoje Colégio Batista Shepard, saindo dali para estudar no Seminário Teológico Batista do Sul do Brasil, no qual estudou por apenas um ano, transferindo-se, depois, para o Southern Baptist Theological Seminary, em Louisville, no Kentucky, Estados Unidos.

Lá concluiu não só a graduação em Teologia, mas também o Mestrado em Teologia e Artes, defendendo sua dissertação no departamento de Ciências Políticas. Graduou-se, também, em Humanidades no Colégio Batista Shepard, obtendo, em 1926, o diploma em Ciências e Letras. Também obteve, posteriormente, os títulos de Doutor em Divindade, ofertado pelo Georgetown College e também o de Doutor em Direito pelo William Jewell College, ambos Honoris Causa.

Volta ao Brasil, magistério e casamento[editar | editar código-fonte]

De volta para o Brasil, enquanto se preparava para o ministério de missionário com os índios – que era seu grande sonho –, em 1933 foi eleito presidente da Associação de Moços Batistas do Brasil (AMBB), e em 1934 e 1935 leciona no Colégio Batista Shepard, dando as aulas de História da Civilização, Física e Química, além do posto de instrutor de Educação Física.

No período que compreende os anos de 1933 e 1934, a PIBRJ estivera sem pastor – o Pr. Francisco Fulgêncio Soren falecera em 1933 –, e convida o jovem João para suceder seu pai no púlpito. João, porém, desejava ser missionário, e não pastor, e só aceita o convite após compreender que aquela era a vontade de Deus para sua vida.

Aos 24 de dezembro de 1934 ele se casa com dona Nicéa de Miranda Filson Soren, que seria a mãe de seus três filhos e sua devotada esposa, satisfazendo, assim, a última demanda para que fosse ordenado: ser casado.

Ministério[editar | editar código-fonte]

Ao 1º de janeiro de 1935 foi ordenado ao Ministério Pastoral, na Primeira Igreja Batista do Rio de Janeiro, assumindo como pastor dessa mesma igreja no dia 3 de janeiro, dia em que proferiu o primeiro da famosa série de 50 sermões anuais sobre Êxodo 14.15.

Seu ministério na PIBRJ foi, sem quaisquer dúvidas, um marco na história dos Batistas do Brasil e do Mundo.

Ocupou a cátedra daquela igreja por 50 anos e 9 meses, período no qual não somente foi pastor dessa igreja, mas interino de várias outras, e proeminente líder da denominação Batista no Brasil: foi presidente da Convenção Batista Carioca, da Convenção Batista Fluminense, da Convenção Batista Brasileira (por 11 vezes), vice-presidente da Aliança Mundial Batista entre 1955 e 1960 e presidente dessa mesma aliança entre 1960 e 1965; também foi membro da mesa diretora do Hospital Evangélico do Rio de Janeiro, da mesa administradora do Seminário Teológico Batista do Sul do Brasil (no Rio de Janeiro, em que lecionou Teologia Sistemática e Doutrinas), e participou da comissão que elaborou a segunda confissão de fé dos Batistas Brasileiros, que veio a substituir a de Nova Hampshire.

Em 1985 deixou o púlpito da PIBRJ, passando seu cajado ao Pr. Dr. Fausto Aguiar de Vasconcellos, que ocupou a cátedra até 2006. Até o fim da vida, porém, o Dr. Soren foi pastor emérito daquela igreja que tanto amava e que tanto o amou, seu primeiro e único ministério efetivo.

Serviço Militar na Força Expedicionária Brasileira[editar | editar código-fonte]

Filho de um brasileiro e uma americana, o Dr. Soren tinha ambas nacionalidades, mas sempre amou muito a terra brasileira, e sempre foi de acendrado patriotismo.

Entre 1944 e 1945 passou 341 dias no front com a FEB, a Força Expedicionária Brasileira; foi um dos primeiros capelães militares evangélicos, e sua atuação no campo de batalha era destacada, a ponto de ter sido honrado com mais de dez condecorações militares tanto brasileiras quanto norte-americanas; um de seus maiores atos de bravura foi após a batalha de Monte Castelo, quando nenhum dos oficiais quis ir para reconhecer e recolher os corpos de brasileiros que tivessem morrido ou que estivessem feridos após a batalha, e o Pr. João Soren e um destacamento de voluntários satisfizeram essa necessidade. Também durante sua viagem, com o 2º batalhão, ajudou os 600 evangélicos que serviam à nação na 2ª Guerra Mundial, além de dirigir cultos que eram assistidos não só pelos evangélicos; durante a guerra também preparou um hinário para os cultos, chamado “O Cantor Cristão do Soldado”, alusivo ao “Cantor Cristão”, hinário das igrejas Batistas do Brasil. É digna de nota a fundação do “Coro Militar Evangélico do Brasil”, também fruto de esforços do Pr. João Soren.

Durante sua estadia na Itália, a igreja não quis eleger um pastor interino: o Pr. Soren pastoreava seu rebanho por intermédio de cartas que trocava com suas ovelhas e os conselhos da igreja, sendo auxiliado no Brasil pelos missionários Lewis Malen Bratcher (que escrevera a biografia de seu pai) e Zachary Clay Taylor (missionário Batista pioneiro no Brasil, membro fundador da referida igreja).

De retorno ao Brasil, foi membro fundador da CONFRATEX-FEB, que visa agremiar os ex-membros da FEB, e manter o contato entre eles.

Pr. Dr. João Filson Soren, o pai de Família[editar | editar código-fonte]

De dezembro de 1934 a maio de 1990, o Dr. Soren foi casado com dona Nicéa de Miranda Filson Soren, e constituiu um lar formado pelo casal Soren e seus três filhos: Marília de Miranda Filson Soren (depois Sosa Doyle), Cláudio de Miranda Filson Soren e João Marcos de Miranda Filson Soren, sem mencionar seus netos e bisnetos. Em maio de 1990, dona Nicéa foi convocada à presença do Senhor. Em sua homenagem, um dos coros da PIBRJ passou a ser nomeado com seu nome, “Coro Nicéa Soren” (a mesma homenagem foi dada ao Dr. João Soren após sua morte, recebendo seu nome – “Coral João Soren” – o coro regido por seu filho João Marcos).

Vida após o ministério e morte[editar | editar código-fonte]

Uma vida de tantas atividades merece um bom descanso durante a aposentadoria. Assim foi com o Pr. Soren, que, mesmo tendo deixado o púlpito aos 26 de outubro de 1985, nunca se distanciou das questões denominacionais, nem das de sua amada igreja.

Em dezembro de 2001, porém, foi internado com problemas de saúde; liberado dias antes do Natal, teve de retornar ao 1º de janeiro de 2002, com insuficiência respiratória da qual não se recuperaria. No dia seguinte foi encaminhado à UTI, e às 21 horas do dia 2 de janeiro de 2002, aos 93 anos, deixava a terra e ia ao céu o Pastor, Doutor, Intelectual, Músico, Professor, Mestre e Pai João Filson Soren, o Combatente de Cristo. Momento o qual, segundo o Dr. Aguiar de Vasconcellos, “a terra ficou mais pobre, e, o céu, mais rico”.

O Culto de gratidão por sua vida foi realizado no santuário da PIBRJ, no dia 3 de janeiro de 2002, às 14 horas; mesmo lugar em que, 67 anos antes, ele se empossava pastor daquela igreja e pregava seu primeiro sermão com o tema "Dize aos Filhos de Israel que Marchem", fato relembrado pelo Pr. Dr. Fausto Aguiar de Vasconcellos, que pregou naquele culto: “Durante 50 anos, de 1º de janeiro de 1935 a 26 de outubro de 1985, Dr. Soren dirigiu esta igreja com exemplar dignidade pessoal, acadêmica, moral e espiritual. Sessenta e sete anos depois, exatos 67 anos depois, no dia 3 de janeiro do ano 2002, nós nos despedimos dele. Ele apenas nos precede no Senhor, na companhia de dona Nicéa, e de todos os seus familiares que o precederam. Ele apenas nos precede, pois um dia, diz-nos a Palavra, estaremos juntos para sempre, na presença do Senhor. Mas até lá o nosso compromisso é servir ao mesmo Cristo, com a mesma intensidade e dedicação com que ele serviu durante 67 anos de vida consagrados ao Ministério da Palavra”.

O salão de cultos da PIBRJ esteve tomado naquela tarde por muito mais de mil pessoas que vieram tomar parte em seu culto fúnebre: familiares e amigos, colegas de front, membros da CONFRATEX, líderes da denominação batista e mesmo de outras denominações, todos cantaram hinos de sua autoria enquanto participavam daquele momento de gratidão a Deus por tão comprometido líder. Seu corpo foi sepultado no sepulcro da família no Cemitério São João Batista, no Botafogo, às 17:00.

Fontes[editar | editar código-fonte]