Lavras Novas

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Igreja Nossa Senhora dos Prazeres (1740).
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Lavras Novas é um distrito de Ouro Preto, distante 19 km da sede. O distrito data de aproximadamente 1716 e sua comunidade é de maioria negra, cercado por esplêndidas paisagens de montanha. Iniciando na década de 1990, foi descoberta por turistas, que procuram o local em busca da cultura local, da paz, da natureza e da aventura. A população chega a sextuplicar durante feriados.[1] Antes disso, foi cenário de um conto de Bernardo Guimarães, "A Garganta do Inferno" (1871).[2]

As atrações naturais ainda são mal sinalizadas e algumas oferecem perigo, como a cachoeira do Rapel. Com mais de 200 metros de queda - contando todos os seus degraus - não é recomendada para turistas inexperientes. Mesmo assim é possível chegar perto da queda, passando por outra atração: os pocinhos. São ideais para um refrescante banho.

Tem mais: cachoeira dos Namorados, cachoeira Três Pingos, represa do Custódio… A mais bela cachoeira, cabeceira da represa, leva o nome da padroeira do local, Nossa Senhora dos Prazeres. O acesso é demorado, o carro vai até certo ponto. Depois são mais ou menos quarenta minutos de caminhada. Contudo o sacrifício é recompensado pela força da queda. Uma chuva fina, formada pelo bater ruidoso das águas, refresca o cansaço.

Situada a 120 km de Belo Horizonte e a 17 Km de Ouro Preto, este vilarejo possui uma população de pouco mais de 1.500 habitantes, com cultura rica em estória, folclores e lendas de domínio popular, baseados em acontecimentos ocorridos entre o quilombo (negros e brancos fugidos) e as milícias no período colonial. Porém a história do aparecimento do povoado retrocede às datas registradas.

Lavras Novas do Coronel Furtado, fora descoberta pela família Cubas de Mendonça, considerada uma mineração de ouro localizado, tendo direito a capela e cultos ecumênicos. Sendo de 1717 o documento mais antigo encontrado (batistério de Maria dos Prazeres, filha de tradicional família paulista da época) e evidências que provam que existiu minas auríferas antes das existentes em Mariana e Ouro Preto – segundo Cristina Tárcia – redatora do Jornal Ouro Preto.

Atualmente Lavras Novas apresenta condições favoráveis para seu desenvolvimento turístico e econômico, aprimorando sua infra-estrutura para melhor atender seus visitantes. Investindo e crescendo nas áreas de hospedagem, casas noturnas, bares e restaurantes, e por estar situada em pleno parque Nacional do Itacolomi com suas belezas naturais preservadas, pela população consciente das riquezas existentes em sua fauna e flora, atraindo os praticantes de esportes radicais e os que apreciam a calma e a simplicidade do interior.

Antes de chegar a Lavras Novas, qualquer pessoa que vai pela primeira vez à localidade fica admirado com a topografia do terreno. Enormes blocos de pedra estão dispostos ao longo da estrada, como se tivessem sido jogados do alto da montanha e se equilibrassem ali, podendo continuar a rolar montanha abaixo a qualquer momento.

Pesquisa recente tem demonstrado que a região provavelmente foi descoberta por Antônio e Feliciano, filhos de Salvador Fernandes Furtado de Mendonça, descobridor do Ribeirão do Carmo. Nesse período já havia um número razoável de mineradores trabalhando no Ribeirão dos Prazeres.

No entanto, os moradores de Lavras Novas afirmam que a localidade teria sua origem na mineração de ouro de propriedade do filho do guarda-mor que residia na região e extraía ouro em Lavras Novas, no Salto e na Itatiaia. O número de escravos trabalhando na região era grande, porém eles não ficavam no local, dormiam na Fazenda do Manso (hoje, Parque do Itacolomi).

A região era muito visitada por autoridades, pois aquele era o caminho, utilizado para chegar a Ouro Branco. A igreja foi construída pelos mineradores, e os escravos apanhavam pedras na entrada do distrito para a obra. Afirmam, inclusive, que os grandes blocos de pedra solta, ao longo do caminho de entrada do local é obra de escravos, não da natureza.

De qualquer maneira, foi no século XVIII que o povoado se desenvolveu, já que por volta de 1740 a Capela dedicada a Nossa Senhora dos Prazeres já tinha sido construída e a Irmandade estava em pleno funcionamento. O povoado também devia comportar número razoável de pessoas devido ao tamanho, beleza e imponência da igreja.

A mineração sobreviveu até meados de 1780. Depois dessa data, os mineradores que se enriqueceram ou não, foram deixando pouco a pouco a região por ser um local de difícil acesso, sendo necessário atravessar montanhas íngremes para se chegar ao local, a comunicação com Vila Rica era muito difícil.

Mesmo assim, um pequeno conjunto de pessoas decidiu continuar residindo no local, se eram negros ou mulatos, provavelmente eram livres ou libertos. A idéia de que Lavras Novas seria remanescente de quilombo não faz muito sentido: a região de mineração era muito vigiada. O equívoco da idéia de quilombo vem da forma de organização social em que se encontrava a comunidade local no início do século XX.

Durante o século XIX, vivendo sozinha e isolada, a comunidade de Lavras Novas adquiriu um jeito todo particular de se organizar. Sendo composta por aproximadamente 500 habitantes na época, a maioria parente de consanguinidade. Já que os casamentos aconteciam entre as famílias do local, eles não tinham preocupação com a propriedade da terra, era de consenso que ela pertencia à santa. A subsistência também era praticada por todos. Da mesma maneira, todas as festas religiosas ou civis eram compartilhadas por todos os membros. As doenças eram curadas com as ervas locais devido à dificuldade em se conseguir médico e remédio de farmácia.

Para conseguir dinheiro, produziam cestas, balaios, enfeites, trabalhados em taquara. Normalmente, era serviço das mulheres recolhê-las nas matas da região, preferencialmente entre os meses de maio a agosto quando o bambu está livre de caruncho. Há quatro tipos de taquara que são utilizados com finalidades diferentes. Também se retirava lenha. Eram os homens que levavam todos os produtos para serem vendidos em Ouro Preto e, com o lucro, compravam pano, sal, açúcar e outros objetos que não eram produzidos na região. O caminho mais fácil era passando pela estrada da Fazenda do Manso, porque a estrada da Rancharia era mais longa e tortuosa.

Na falta de autoridade instituída, a comunidade sempre tinha um líder natural, alguém que se destacava por seus conhecimentos, sabedoria e capacidade de conciliação dos problemas. O último deles foi o Sr. Pedro Rabicó, falecido há aproximadamente 15 anos.

Dotados de grande religiosidade, os acontecimentos mais importantes da região eram as festas dos santos, especialmente a de Nossa Senhora dos Prazeres no dia 08 de setembro. Em janeiro se realizam a folia de reis e a marujada; na Semana Santa eram praticados cultos da quinta e sexta-feira da paixão. Atualmente se realizam todos os atos da Semana Santa, sendo os cultos realizados preferencialmente em latim. As festas juninas também eram muito animadas e sempre acabavam com um baile. À tardinha sentavam nas portas das casas e, debaixo da luz dos lampiões, contavam causos do passado local.

Lavras Novas é uma cidade charmosa, de hábitos simples e com muitos encantos a oferecer. Se procura aventura, ecoturismo, natureza, diversão, gastronomia mineira, ou um descanso em cenários bucólicos, Lavras Novas é uma ótima escolha![3]

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  1. Lugarejo tranquilo, Lavras Novas vai da calma ao caos quando chegam os turistas
  2. Conto 'A garganta do inferno', de Bernardo Guimarães, é mais que uma lenda em Lavras Novas
  3. «Pousada Província - A sua pousada em Lavras Novas». Pousada Província. Consultado em 28 de novembro de 2017