Linguística textual

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Linguística textual surge na Europa, mais especificamente na Alemanha, na década de 1960, como resultado de inquietações em torno das perspectivas teórico-metodológicas até então adotadas para a análise de frases/textos. Seu desenvolvimento, como lembra Bentes (2006, p. 246), não foi homogéneo, mas, de uma forma geral, podem-se elencar três fases com preocupações teóricas bastante diversas entre si: a análise transfrástica, a gramática de texto, e a teoria do texto que, progressivamente, foram se afastando da influência estruturalista e adotando, em seus estudos, uma preocupação com os “processos de produção, recepção e interpretação dos textos; reintegrando o sujeito e a situação de comunicação em seu escopo teórico” (MUSSALIM; BENTES, 2006, p. 16). Assim, “de uma disciplina de inclinação primeiramente gramatical (análise transfrástica, gramática textual), depois pragmático-discursiva, ela transforma-se em uma disciplina com forte tendência sócio-cognitivista” (KOCH, 2001, p. 15-16), e, com essa passagem, um novo conceito de texto, de contexto e de análise se institui; é uma orientação possível na análise de textos. A linguística textual é basicamente uma criação da Europa continental, e é especialmente valorizada na Alemanha e na Holanda. Ao contrário das correntes estruturalistas, cujo foco de estudos são os aspectos formais e estruturais do texto, essa vertente concentra suas atenções no processo comunicativo estabelecido entre o autor, o leitor e o texto em um determinado contexto. A interação entre eles é que define a textualidade de um texto. Na década de 1970, um projeto pioneiro da universidade de Konstanz, na Alemanha, tentou construir uma gramática de texto explícita; o projeto pareceu não ter sucesso, e as investigações que se seguiram caracterizaram-se por uma elaboração e sofisticação maiores.

A linguística textual faz um uso pesado dos conceitos e da terminologia linguística corrente, e muito do que se faz nesse campo são tentativas de estender os tipos correntes de análise linguística a unidades maiores do que a sentença. Consequentemente, essa orientação tem muito em comum com a abordagem que, no mundo de língua inglesa, é conhecida como discourse analysis, e alguns estudiosos que olham para as coisas de fora não conseguem ver grandes diferenças entre as duas. A orientação funcionalista chamada linguística sistêmica compartilha algumas idéias importantes com a linguística textual, mas tem uma natureza bastante diferente.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

TRASK, R. L. Dicionário de linguagem e linguística. Trad. Rodolfo Ilari, rev. Ingedore G. V. Koch e Thaís Cristófaro Silva. São Paulo: Contexto, 2008. ISBN 85-7244-254-5.