Linguística textual

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Linguística textual é um ramo relativamente novo da linguística,[1] que se relaciona estreitamente com a análise do discurso, da qual é frequentemente usada como sinônimo, e cujo objeto de estudo é o texto.

Surge na Europa, mais especificamente na Alemanha, na década de 1960, como resultado de inquietações em torno das perspectivas teórico-metodológicas até então adotadas para a análise de frases e textos. Seu desenvolvimento, como lembra Bentes (2006, p. 246), não foi homogéneo, mas, de uma forma geral, podem-se distinguir três fases com preocupações teóricas bastante diversas entre si:

  • a análise transfrástica
  • a gramática de texto
  • a teoria do texto

Progressivamente, foi-se se afastando da influência estruturalista e adotando, em seus estudos, uma preocupação com os "processos de produção, recepção e interpretação dos textos, reintegrando o sujeito e a situação de comunicação em seu escopo teórico” [2]. Assim, “de uma disciplina de inclinação primeiramente gramatical (análise transfrástica, gramática textual), depois pragmático-discursiva, ela transforma-se em uma disciplina com forte tendência sócio-cognitivista” [3], e, com essa passagem, um novo conceito de texto, de contexto e de análise se institui; é uma orientação possível na análise de textos.[4]

A linguística textual é especialmente valorizada na Alemanha e na Holanda. Ao contrário das correntes estruturalistas, cujo foco de estudos são os aspectos formais e estruturais do texto, essa vertente concentra suas atenções no processo comunicativo estabelecido entre o autor, o leitor e o texto em um determinado contexto. A interação entre eles é que define a textualidade de um texto. Na década de 1970, um projeto pioneiro da universidade de Konstanz, na Alemanha, tentou construir uma gramática de texto explícita; o projeto pareceu não ter sucesso, e as investigações que se seguiram caracterizaram-se por uma elaboração e sofisticação maiores.

A linguística textual faz um uso dos conceitos e da terminologia linguística corrente, e muito do que se faz nesse campo são tentativas de estender os tipos correntes de análise linguística a unidades maiores do que a sentença. Consequentemente, essa orientação tem muito em comum com a análise do discurso. A orientação funcionalista chamada linguística sistêmica compartilha algumas idéias importantes com a linguística textual, mas tem uma natureza bastante diferente.

Referências

  1. (em alemão) Textlinguistik
  2. MUSSALIM, Fernanda; BENTES, Anna Christina (orgs.). Introdução. In: Introdução à Linguística: domínios e fronteiras. São Paulo: Cortez, 2006, p. 16
  3. KOCH, Ingedore G.V. "Linguística Textual: Quo Vadis?" In: Revista Delta, edição especial, 2001., 2001, p. 15-16)
  4. Contribuições da linguística textual para a análise da coerênca em hipertextos, por Gislaine Gracia Magnabosco

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • TRASK, R. L. Dicionário de linguagem e linguística. Trad. Rodolfo Ilari, rev. Ingedore G. V. Koch e Thaís Cristófaro Silva. São Paulo: Contexto, 2008. ISBN 85-7244-254-5.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]