Mala preta

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Mala preta é o nome dado ao incentivo em dinheiro fornecido a uma equipe desportiva para perder uma partida contra uma segunda equipe, de modo que o resultado da partida beneficie uma terceira equipe (geralmente a responsável pelo pagamento). A diferença da mala preta para a mala branca é que, na segunda, a equipe recebe dinheiro para vencer, e na primeira, para perder. O alvo da mala preta também pode ser o árbitro da partida.

Juridicamente falando, “mala preta é o ato de prometer algum ganho financeiro para determinada equipe deixar o adversário vencer (“entregar o jogo”), para que esta, ou outra equipe se favoreça do resultado negativo.[1]

Há divergências entre especialistas se a mala preta é um procedimento ético,[2] apesar de ser um crime previsto em lei. Mesmo assim, várias pessoas ligadas ao futebol dizem que a mala preta é comum no meio do futebol.[3]

O Que Diz a Lei[editar | editar código-fonte]

Segundo o advogado e professor universitário Claudio Mikio Suzuki, a Lei nº 12.299, 27 de julho de 2010, alterou a redação de vários artigos do Estatuto do Torcedor (Lei nº 10.671/2003). Nela, o artigo 41-D criminaliza a conduta de quem oferece a “mala preta”.[1]

Suzuki diz ainda que o artigo 41-C do mesmo Estatuto criminaliza a conduta de quem aceita a “mala preta”.[1]

Além disso, o Código Brasileiro de Justiça Desportiva também criminaliza este tipo de conduta. Conforme o advogado Sergio Santos Rodrigues, o Título IX, que trata das infrações contra a moral desportiva, aborda em seu Capítulo II a corrupção, a concussão e a prevaricação. Os artigos 242 e 243 tipificam as seguintes condutas[4]:

Casos Famosos[editar | editar código-fonte]

  • Copa de 1978 - O caso mais famoso de mala preta ocorreu na Copa de 1978, quando a Argentina precisava vencer o Peru por quatro gols de diferença para passar o Brasil e chegar à final da competição. Filho de narcotraficante, o escritor colombiano Fernando Mondragón revelou que existiu um acordo envolvendo o pagamento de cerca de US$ 300 mil para a equipe peruana, com o apoio da Casa Rosada e de cartéis de drogas.[5]
  • Em Janeiro de 2016, Benecy Queiroz, supervisor de futebol do Cruzeiro, em uma entrevista concedida à emissora de televisão Rede Minas, citou uma tentativa de comprar um árbitro em Minas Gerais, em uma das cinco passagens do técnico Enio Andrade no clube. Segundo ele, entretanto, a tentativa não foi bem sucedida, já que o árbitro não cumpriu com o combinado e não favoreceu o Cruzeiro na partida em que aconteceu a situação.[6]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. a b c d claudiosuzuki.jusbrasil.com.br/ Finais do brasileirão: a famosa “mala preta” ou “mala branca” é crime?
  2. Placar Magazine jan. 2006
  3. zh.clicrbs.com.br/ Para Geninho, mala preta é comum no futebol
  4. domtotal.com/ Mala branca e mala preta no futebol
  5. revistadehistoria.com.br/ Arquivado em 6 de agosto de 2016, no Wayback Machine. Corrupcionário
  6. globoesporte.globo.com/ Supervisor revela mala preta a árbitro para beneficiar o Cruzeiro no passado

Links Externos[editar | editar código-fonte]

  • espn.uol.com.br/ Entenda o caso de "mala branca" e "mala preta" envolvendo clubes da Série B do Brasileirão
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