Metanoia

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Metanoia (do verbo grego antigo μετανοεῖν, translit. metanoein: μετά, metá, 'além', 'depois'; νοῦς, nous, 'pensamento', 'intelecto'), no seu sentido original, significa mudar o próprio pensamento.

Retórica[editar | editar código-fonte]

Em retórica é um artifício usado para retornar a uma afirmação feita, para refazê-la em seguida, corrigindo-a, enfatizando-a ou atenuando-a.[1]

Religião[editar | editar código-fonte]

Metanoein, no contexto das discussões teológicas foi (mal) traduzido como "arrepender-se". Pode-se compreendê-lo melhor à luz da noção de conversão, uma transformação completa do pensamento. Tal conversão não se limita a uma mudança de mentalidade, mas também implica mudança de comportamento, de atitude, de maneira de ser e de viver.[2]

Psicologia[editar | editar código-fonte]

Carl Jung utiliza o termo, na sua concepção do processo de individuação, para designar uma transformação da psique por uma espécie de cura iniciada por forças inconscientes. Trata-se de uma transformação completa da pessoa, [3] tal como a transformação que ocorre no interior de uma crisálida: [2] um processo de reforma da psique, uma forma de autocura frequentemente associada à crise da meia-idade e a surtos psicóticos. Ao surto, seguir-se-ia uma reconstrução psicológica positiva ou "cura". Assim, a metanoia seria um processo potencialmente produtivo.[4] Por essa razão, episódios psicóticos dos pacientes não deveriam ser necessariamente impedidos.

Organização[editar | editar código-fonte]

Peter Senge, em seu livro The Fifth Discipline: The Art and Practice of the Learning Organization, define metanoia como uma profunda mudança de mentalidade, ligada à aprendizagem, especialmente ao que chama aprendizagem generativa, considerando que, para ele, a aprendizagem também envolve uma mudança ou um movimento fundamental da mente - e não apenas a aquisição de informações. [5] Segundo o autor, as organizações não mudam substancialmente, a menos que as pessoas que dela participam mudem seus padrões básicos de pensamento e de interação. Caso isso não ocorra, novas máquinas, novos softwares, etc. não produzem qualquer efeito inovador. Uma organização que aprende (learning organization) é "uma organização que está continuamente expandindo sua capacidade de criar seu futuro. Para tal tipo de organização, não basta apenas sobreviver," ou seja, a "aprendizagem de sobrevivência" ou "aprendizagem adaptativa" é necessária mas não suficiente: precisa ser acompanhada da "aprendizagem generativa" - aquela que aumenta nossa capacidade de criar.[6]

Referências

  1. Metanoeia (em inglês)
  2. a b (em francês) Metanoïa
  3. (em inglês) «Jung's Timeliness and Thoughts on Our Current Reality». Jungian Center News. 6 de julho de 2009 
  4. (em inglês) Arp, Robert. (org) 1001 Ideas That Changed the Way We Think. New York: Simon and Schuster, 2013, p. 255.
  5. The Fifth Discipline: The Art and Practice of the Learning Organization. New York: Doubleday, 1994, pp 13-14
  6. Peter Senge