O homem dos ratos

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
Ernst tinha medo recorrente de que ratos ferissem seus entes queridos.

O homem dos ratos foi o pseudônimo dado por Sigmund Freud para o seu paciente Ernst Lanzer. Ernst era advogado e procurou Freud em 1907 com queixas típicas de transtorno obsessivo-compulsivo (TOC). Temia que caso ele não se comporte de uma determinada maneira, então seus entes queridos serão feridos. Não resistia a fazer contagens e reflexões inúteis mesmo ciente da inutilidade delas. Freud usou as suas interpretações desse caso como base de sua teoria sobre sexualidade, racionalização e neurose obsessiva.[1]

As interpretações de Freud sobre "O homem os ratos" foram publicadas como "Notas sobre um caso de neurose obsessiva" em 1909 e foi apresentado por Freud em quatro congressos da Sociedade Psicanalítica de Viena e no primeiro congresso psicanalítico internacional em Salzburgo. Relatar que sua melhora foi completa foi uma notável exageração e a história mostra que em diversos pontos críticos Freud mentiu, por exemplo sobre a duração do tratamento (foram poucos meses, mas ele disse que foram vários anos).[1]

Sintomas[editar | editar código-fonte]

Após ouvir de um capitão cruel sobre uma tortura asiática em que colocava-se esquentavam um pote com ratos para que os ratos penetrassem o ânus das vítimas, Ernst imaginou como seria se fizessem essa tortura com sua namorada ou com seu falecido pai e repudiou esse pensamento como algo absurdo e horrível.

Ernst afirmou que fantasiava sobre assassinato e suicídio e desenvolveu uma série de padrões compulsivos de comportamento irracional. Por exemplo, ele mencionou seu hábito de abrir a porta para seu apartamento entre 12 da meia-noite e 1:00 da manhã, aparentemente para que o fantasma do pai pudesse entrar.

Seu primeiro esforço em masturbar-se foi apenas aos 20 anos.

Ao ver um raio, Ernst não conseguia resistir a contar os segundos até o barulho. Quando estava sozinho e viu uma pedra em um caminho ele removeu-a com medo que eventualmente a carruagem de sua namorada passasse sobre a pedra e virasse ferindo sua namorada, mas depois de refletir sobre o quanto essa ideia era absurda colocou-a de novo no mesmo lugar. Ele ocasionalmente dividia palavras em sílabas e refletia sobre o significado de cada uma delas em outro idioma. Essas compulsões e obsessões estavam prejudicando a vida social e profissional de Ernst e por isso ele procurou a psicanálise.[2]

Depois da psicanálise casou-se com sua namorada e seguiu seu trabalho como advogado até morrer na primeira guerra mundial, 5 anos depois.

Interpretação Freudiana[editar | editar código-fonte]

Freud interpretou que os sintomas de Ernst eram causados por um desejo inconsciente de ferir sua namorada e seu pai. O conflito entre feri-la e protege-la seria a raiz de seus problemas. Ele contava o tempo entre a luz e o som do raio como forma de acalmar seus impulsos. E tirar e recolocar a pedra no caminho era um momento de conflito entre feri-la e protege-la. Refletir sobre as sílabas era um reflexo de sua profunda dúvida e descrença pelas outras pessoas. O desejo de ferir sua namorada seria por dúvida se ela o amava e por não desejar casar-se com ela. Em relação ao pai ele tinha sentimentos ambivalentes por desejar receber a herança de seu pai e ao mesmo tempo considerar repulsivo esse tipo de pensamento. Os sintomas seriam assim sentimentos ambivalentes inconscientes objetivando adiar o casamento.[3]

Freud baseou-se nesse caso para formular suas teorias sobre a fase anal, erotismo infantil, racionalização, deslocamento e ambivalência. Existem diversas críticas a essas interpretações de Freud, inclusive por parte de seus colegas psicanalistas.[4][5]

Referências

  1. a b Thomson Gale. 'Notes Upon a Case of Obsessional Neurosis' (Rat Man). International Dictionary of Psychoanalysis 2005. http://www.encyclopedia.com/psychology/dictionaries-thesauruses-pictures-and-press-releases/notes-upon-case-obsessional-neurosis-rat-man
  2. Freud, Sigmund. (1909d). Notes upon a case of obsessional neurosis. SE, 10: 151-318.
  3. Guy Thompson. The Truth About Freud's Technique: The Encounter With the Real. NYU press, 1994.
  4. Peter Gay, Freud: A Life for our Time (1989) p. 266
  5. DANIEL GOLEMAN (1990-03-06). "As a Therapist, Freud Fell Short, Scholars Find". New York Times. Retrieved 2008-08-08.