Ouro de Moscou

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Com a expressão Ouro de Moscou se fez referência, originalmente, às reservas de ouro do Banco de España que foram entregues pelo governo republicano espanhol à União Soviética durante a Guerra Civil Espanhola. As reservas nunca foram restituídas a seu legítimo proprietário, o Banco de España, argumentando-se de que serviu como pagamento pela ajuda militar soviética ao governo republicano durante a guerra. Se tratava da quarta maior reserva de ouro do mundo. Em 27 de julho de 1936, o total das reservas de ouro chegava a 2.184.145.184,51 pesetas-oro, equivalentes a 5.199.576.026,24 pesetas efetivas, cuja circulação garantiam. Em termos de poder aquisitivo, equivaleriam actualmente a 8.200 milhões de euros.

História[editar | editar código-fonte]

Os inícios[editar | editar código-fonte]

Juan Negrín, na qualidade de Ministro da Fazenda, autorizou o envio do ouro mediante o seguinte decreto secreto:

O decreto foi assinado pelo Presidente da República Espanhola, Manuel Azaña Díaz que, não obstante, afirmaria posteriormente seu total desconhecimento do assunto.

Motivos da decisão[editar | editar código-fonte]

A decisão de remeter o ouro espanhol para Moscou vulnerava a legalidade. A Lei que regia as relações entre o Banco de España e o governo espanhol não autorizava este último a dispor das reservas de ouro, que respaldavam o valor da peseta, salvo para "exercer uma acção interventora no câmbio internacional e na regularidade do mercado monetário", caso em que o Banco de España participaria na referida acção com uma quantidade igual à arbitrada pelo Tesouro Público (Base 7ª do Artigo 1º da citada Lei). Esta exceção havia sido precisamente a utilizada pelo governo republicano espanhol para solicitar do Banco parte das reservas metálicas (174 toneladas de ouro fino), que foram enviadas em 25 remessas entre 18 de julho e 14 de setembro de 1936 ao Banco da França para transformá-las en divisas com que pagar as compras de armamento, algo obviamente muito distante das operações para estabilizar o câmbio da peseta previstas na Lei.

A saída do ouro[editar | editar código-fonte]

No dia 14 de setembro de 1936 irromperam no Banco forças de carabineiros e milícias enviadas pelo Ministério da Fazenda, de acordo com os comitês revolucionários, especialmente com o que funcionava no mesmo Banco de España.

Obtidas as chaves, abriram-se os cofres e câmaras onde se guardava o ouro, e durante vários dias os agentes do governo republicano estiveram extraindo todo o metal precioso ali depositado. Colocado o ouro em caixas de madeira, foi transportado em caminhões à Estação de Mediodía, e dali a Cartagena, de onde foram transportados de navio para Odessa.

A viagem para Moscou[editar | editar código-fonte]

Chegando a Odessa, o ouro foi trasladado imediatamente para o Depósito Estatal de Metais Preciosos do Comissariado do Povo para as Finanças (Gokhran), em Moscou, onde foi recebido de acordo com um protocolo, fechado em 5 de novembro, pelo qual se nomeava uma comissão receptora formada pelos representantes do Comissariado de Finanças, J.V. Margoulis, director do Serviço de Metais Preciosos, O.I. Kagan, director do Serviço de Divisas, o representante do Comissariado de Negócios Estrangeiros e o embaixador espanhol na União Soviética, Marcelino Pascua.

A quantia[editar | editar código-fonte]

A contagem do ouro, que começou em 5 de Dezembro, terminou em 24 de Janeiro de 1937. Abriram-se 15.571 sacos, encontrando em seu interior 16 classes distintas de moedas de ouro: libras esterlinas (70%), pesetas espanholas, francos franceses, marcos alemães, francos belgas, liras italianas, escudos portugueses, rublos russos, francos austríacos, florins holandeses, francos suíços, pesos mexicanos, pesos argentinos, pesos chilenos e dólares norte-americanos. O depósito completo chegava a 509.287,183 kg de moeda e 792,346 kg de ouro em lingotes e recortes: um total, pois, de exactamente 510.079.529,30 gramas de ouro bruto. O valor numismático das moedas era muito superior ao do ouro que continham.

Bibliografia especializada[editar | editar código-fonte]

  • Cabanellas, Guillermo. La Guerra y la Victoria. Giner, Madrid, 1978. ISBN 84-7273-099-9
  • Howson, Gerald. Armas para España. La historia no contada de la guerra civil española. Península, Barcelona, 2000. ISBN 84-8307-304-8
  • Madariaga, Salvador de. España: ensayo de historia contemporánea. Espasa-Calpe, Madrid, 1979. ISBN 84-239-4952-4
  • Martín Aceña, Pablo. El Oro de Moscú y el Oro de Berlín. Taurus, Madrid, 2001. ISBN 84-306-0448-0
  • Martínez Amutio, Justo. Chantaje a un pueblo, Gregorio del Toro, Madrid, 1974. ISBN 84-312-0174-6
  • Olaya Morales, Francisco. El expolio de la República. De Negrín al Partido Socialista, con escala en Moscú: el robo del oro español y los bienes particulares. Ed. Belacqua. Barcelona, 2004. ISBN 84-95894-83-1
  • Prieto Tuero, Indalecio Convulsiones de España, Fundación Indalecio Prieto, Barcelona, 1997. ISBN 84-320-6833-0
  • Sánchez Asiaín, José Ángel. Economía y finanzas en la guerra civil española (1936-1939). Real Academia de la Historia, Madrid, 1999. ISBN 84-89512-38-8
  • Sardá Dexeus, Juan. El Banco de España 1931-1962, en Escritos (1948-1980). Madrid. Banco de España.
  • Viñas, Ángel. El oro español en la Guerra Civil. Madrid . Instituto de Estudios Fiscales, Madrid, 1976. ISBN 84-7196-009-5

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Referencias[editar | editar código-fonte]