Públio Décio Mus

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Públio Décio Mus (em latim Publius Decius Mus) foi um militar romano do século IV a.C.

As suas primeiras ações heroicas[editar | editar código-fonte]

Décio é mencionado pela primeira vez em 352 a.C., quando foi designado um dos quinqueviri mensarii com o fim de liquidar em alguma medida as dívidas dos cidadãos.

Em 343 a.C. serviu como tribuno dos soldados sob Marco Valério Corvo Arvina, na guerra com os Samnitas e, devido ao seu heroísmo, salvou o exército romano de um perigo iminente. Durante a marcha através dos passos de montanha de Sâmnio, o cônsul levou o seu exército a um vale rodeado pelo inimigo: a destruição parecia inevitável quando Décio se ofereceu, com os hastados e os principes da legião, que somavam um mil seiscentos homens, para se apoderarem de uma altura que dominava o caminho por onde os Samnitas visavam atacar o exército romano. Ali manteve-se, apesar dos esforços dos Samnitas para o evacuar, enquanto o exército romano alcançava o cume da montanha. Na noite seguinte escapuliu-se através dos Samnitas que estavam acampados em torno dele e reuniu-se com o cônsul romano, a quem convenceu para atacar o inimigo por surpresa. O resultado foi uma vitória brilhante e a captura de campo inimigo. O cônsul recompensou Décio com uma coroa de ouro, um centenar de bois, e um magnífico touro branco de cornos dourados; o exército, com uma coroa de erva torcida, uma honra concedida a um soldado que salvara um exército de um inimigo, e os seus companheiros deram-lhe uma coroa similar.[1]

O seu consulado e o seu sacrifício[editar | editar código-fonte]

Alcançou o consulado em 340 a.C., com o seu colega Tito Mânlio Torquato,[2] [Nota 1] com o que participou na Segunda Guerra Latina.

Os dois cônsules marcharam para o campo de combate, e quando estavam acampados frente ao inimigo perto de Cápua, apareceu-se uma visão na noite a cada cônsul, anunciando que um dos exércitos enfrentados, e o general do exército inimigo morreriam. Acordou-se então que o que comandasse a ala que começasse a fraquejar em combate devia consagrar-se a si mesmo e ao exército rival aos deuses Manes e à Mãe Terra, para atingir a vitória.

A batalha decisiva contra os latinos e campânios foi travada próxima a Suessa,[3] aos pés do Vesúvio, e quando as tropas de Décio, que comandava a ala esquerda, começaram a ceder, decidiu cumprir a sua promessa. Chamou ao pontífice máximo, Marco Valério, e repetiu com ele as palavras pela qual se dedicava ele e o inimigo aos deuses da morte, com a sua toga envolvido em redor da sua cabeça, saltou sobre o seu cavalo, e levando o vestido de sacrifício, precipitou-se na parte mais grossa do inimigo, onde foi morto. Tal é a história mais comum sobre a sua morte, mas outros relatam-na de um jeito diferente. Zonaras,[4] afirma que foi morto como uma vítima de sacrifício por um soldado romano.[5]

Finalmente a ala direita romana, comandada por Mânlio, continha a reserva latina, e a ala esquerda, já recuperada, com os Samnitas federados destroçaram as ostes inimigas, de maneira que tão somente uma quarta parte dos Latinos pôde escapar.

Consequências[editar | editar código-fonte]

Os romanos foram vitoriosos sobre os latinos e campânios, e anexaram o seu território; Mânlio celebrou um triunfo por esta vitória.[3]

Provavelmente foi o pai de Públio Décio Mus, cônsul em 312 a.C.[6]

Notas e referências

Notas

  1. De acordo com Diodoro Sículo, a data do consulado de Tito Mânlio Torquato e Públio Décio foi o terceiro ano da 110a olimpíada, ou 337 a.C.. Segundo historiadores modernos, Diodoro pode ter errado em cerca de três anos nas datas dos cônsules romanos, tomando-se com base a cronologia de Marco Terêncio Varrão. Ver C. Bradford Welles, Introdução ao Livro XVI da Biblioteca Histórica, Cronologia de Diodoro [em linha]

Referências

  1. Tito Lívio vii. 21, 34-37; Frontino Strateg. I. 5. § 14, IV. 5. § 9; Sexto Aurélio Vítor De Vir. Ill.26; Apiano, Samn.. 1; Cícero de Div. I . 24; Plínio HN xvi. 4. s. 5, xxii. 5.
  2. Diodoro Sículo, Biblioteca Histórica, Livro XVI, 89.1 [ael/fr][en]
  3. a b Diodoro Sículo, Biblioteca Histórica, Livro XVI, 90.2 [ael/fr][en]
  4. vii. 26
  5. Tito Lívio viii. 3, 6, 9, 10, Valério Máximo I. 7. § 3, v. 6. § 5; Floro I. 14; Frontino Strateg. IV. 5. § 15; Orósio III. 9; Sexto Aurélio Vítor 1. C.; Cícero in Orelli's Onom. Tull. p. 210; Niebuhr, Hist, de Roma, vol. III., pp. 121, & c. 136, & c.
  6. Fasti Capitolini, [em linha]
Precedido por:
Caio Pláucio Veno e Lúcio Emílio Mamercino Privernas
Cônsul da República Romana
com Tito Mânlio Imperioso Torquato

340 a.C.
Sucedido por:
Tibério Emílio Mamercino e Quinto Publílio Filão