Placa neural

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Neurulação em anfíbios e ammiotas. Neste processo, a ectoderme se dobra no ponto mais dorsal fazendo com que as pregas neurais se encontrem, formando assim, a epiderme externa (em azul) e o tubo neural (em roxo) interno, entre eles se forma as cristas neurais (verde).[1]

Em embriologia, a placa neural é uma porção dorsal da ectoderme, sendo uma estrutura base do sistema nervoso. Ela é formada pela interação da mesoderme dorsal com a ectoderme. Na primeira etapa da neurulação ocorre o alongamento de células ectodérmicas da linha média, formando assim a placa neural.[2]

O processo de neurulação primaria parece ser padronizada em embriões de anfíbios, aves e mamíferos [3], e pode ser dividido basicamente em 5 etapas: formação da placa neural, formação do assoalho da placa neural, modelagem da placa neural, dobramento da placa neural para formar o sulco neural e o fechamento do sulco neural, formando o tubo neural [2].

Formação e desenvolvimento da Placa neural[editar | editar código-fonte]

Ao final da gastrulação em vertebrados temos três folhetos embrionários, a ectoderme mais externa, a endoderme interna e a mesoderme intermediaria. A organogênese, ou seja, a formação de tecidos e órgãos é iniciada pela interação entre a mesoderme dorsal e a ectoderme. Assim, o cordo-mesoderma estimula a ectoderme que esta acima a formar o tubo neural oco, que se diferenciara em cérebro e medula espinal.[2]

A mesoderme dorsal subjacente sinaliza às células ectodérmicas acima dela para se desenvolverem em células colunares da placa neural[4]. Se a placa neural for isolada, ela ainda ira se desenvolver formando uma placa delgada, porém não formam o tubo neural. As bordas da placa neural se engrossam, alongam e são fusiformes, formando as pregas neurais. Enquanto que as células do ponto de articulação mediano (MHP), localizadas na linha mediana da placa neural, são induzidas pela notocorda e sofrem encurtamento e adquirem forma de cunha. Essas diferenças das células da placa neural são detectáveis apenas após a formação da notocorda e esta ter estabelecido contato com a placa neural [5].

No dobramento da placa neural, as pregas neurais migram em direção a linha média do embrião e se fundem, enquanto as células da linha média da placa neural são ancoradas à notocorda, permitindo a formação de um sulco. Ao mesmo tempo, a ectorderme age como uma força extrínseca no dobramento da placa neural. Tanto os movimentos da ectoderme presuntiva quanto o ancoragem da placa neural à mesoderme subjacente são importantes para que o tubo neural dobre para dentro.[2]

O tubo neural é enfim fechado quando as dobras neurais são unidas umas as outras. A porção mais dorsal do tubo neural se tornam as células da crista neural. Em aves, as células da crista neural não migram da região dorsal antes que o tubo neural tenha sido fechado. Já em mamíferos, as células da crista neural cranial migram antes do fechamento do tubo (enquanto as dobras neurais estão se elevando) e na região da medula espinhal as células da crista migram após o fechamento do tubo neural.[2]

Sinalização celular[editar | editar código-fonte]

Em vertebrados, o desenvolvimento embrionário se dá por inúmeras interações célula-célula, em que células pertencentes a um grupo induzem outras células adjacentes a se diferenciarem ou mudarem de comportamento através de sinalizações. Este processo é chamado de indução.[2] [6]

BMPs são membros da familia TGF-beta (fator transformador de crescimento-beta) que se ligam aos receptores quinase serina-treonina do tipo I e II, e transdução de sinais através de vias de sinalização Smad e não-Smad [7]. O BMP4, sendo um fator transformador de crescimento, induz a ectoderme a se diferenciar em epiderme. Na ausência ou na inibição de BMP4, a ectoderme se diferencia em células neurais. O Chordin e o Noggin, secretados pela notocorda, são sinais inibidores de BMP4, asssim, a ectorderme na vizinhança desenvolve a capacidade de formar neurônios. Posteriormente, essas células da ectoderme irão sintetizar outras proteínas para que possam expressar seu fenótipo neural. [2][8]

Referências

  1. Gilbert, Scott (2003). Biolodia do Desenvolvimento (Riberão Preto, SP: FUNPEC). p. 255. 
  2. a b c d e f g Gilbert, Scott (2003). Biologia do Desenvolvimento (Riberão Preto, SP: FUNPEC). 
  3. Ruiz, Altaiba. (2003). "Pattern formation in the vertebrate neural plate". Columbia University, New York, NY, USA: Center for Neurobiology and Behavior.
  4. Keller, R; Shit J., Sater A.K., Moreno C.. (1992). "Planar induction of convergence and extension of the neural plate by the organizer of Xenopus".
  5. Smith, Jodi L.; Schoenwolf, G. C.. (1989). "Notochordal induction of cell wedging in the chick neural plate and its role in neural tube formation". Wiley Subscription Services, Inc., A Wiley Company.
  6. Kuroda, Hiroki; Wessely, O., De Robertis, E. M.. (2004). "Neural Induction in Xenopus: Requirement for Ectodermal and Endomesodermal Signals via Chordin, Noggin, β-Catenin, and Cerberus".
  7. Miyazono, K.; Kamiya, Y., Morikawa, M.. (2009). "Bone morphogenetic protein receptors and signal transduction".
  8. Wilson, P. A.; Lagna, G., Suzuki, A., Hemmati-Brivanlou, A.. (1997). "Concentration-dependent patterning of the Xenopus ectoderm by BMP4 and its signal transducer Smad1".

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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