Radiofarol não direcional

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Representação gráfica do NDB, utilizada em cartas náuticas e aeronáuticas.
Torre de antena do NDB NKR, situado no distrito de Ochsenbach, na cidade de Leimen, Alemanha.

Um radiofarol não direcional,[nota 1] [nota 2] comumente referido pela abreviatura NDB (do inglês Non-Directional Beacon),[nota 3] é um radiotransmissor, instalado em uma posição geográfica fixa e conhecida,[nota 4] que emite sinais de radiofrequência em formato LF, MF ou (menos comumente) UHF.[nota 5] A denominação "não direcional" decorre do fato de o NDB emitir sinais rádio em todas as direções (transmissão "circular" ou "em 360 graus"), o que faz com que os NDB sejam classificados como um tipo de radiofarol circular.[nota 6]


A emissão contínua desses sinais permite que indivíduos, edificações e veículos, desde que dotados de um rádio-receptor (fixo, no caso de edificações, ou móvel, no caso de indivíduos e veículos), consigam, na terra, na água ou no ar, identificar o NDB, localizá-lo geograficamente e utilizá-lo como referência para orientação. Em outras palavras: assim como uma bússola magnética comum aponta para o polo norte magnético da Terra, o rádio-receptor dos sinais do NDB funciona como uma espécie de "rádiobússola":[nota 7] uma vez sintonizada em um equipamento NDB, essa "rádiobússola" passa a apontar para a localização do NDB, como se o NDB fosse o "norte". Esse "norte radioelétrico"[nota 8] é denominado norte radiogoniométrico.

O formato mais comum dos sinais radiogoniométricos consiste na emissão de uma portadora de onda longa contendo sinais radiotelegráficos (em geral código Morse) codificando grupos de letras que compõem o prefixo designador de um local ou estação.

O sinal dos NDB é captado e descodificado por um radiogoniômetro ("radiobússola") conhecido como ADF[nota 9] (do inglês Automatic Direction Finder, ou seja, "Detector Automático de Direção" ou "Determinador Automático de Direção").

Os radiofaróis não direcionais, apesar do aparecimento dos equipamentos de navegação eletrônica (como GPS e GLONASS), ainda são bastante utilizados face às distorções ou blackouts que ocorrem em equipamentos que emitem sinais acima da ionosfera. Sua principal utilização é para a navegação aérea, sendo comum a instalação de estações NDB nas proximidades de aeródromos e em pontos específicos ao longo das aerovias mais utilizadas.

Como serviço adicional, está a ser adicionado ao sinal dos radiofaróis não direcionais a informação corretora dos sinais dos sistemas de navegação por satélite, o que permite a utilização dos NDB em modo diferencial e em muito melhora a confiabilidade e precisão desses equipamentos.

O NDB foi o primeiro dispositivo de rádio-orientação a surgir na aviação, aproximadamente em 1923. É considerado um auxílio-rádio à navegação aérea[nota 10] e um dos precursores da navegação IFR.

Uma limitação tecnológica do NDB está relacionada às interferências que o seu sinal radioelétrico pode sofrer quando afetado pelo efeito noturno, pelas diferenças de relevo ou pelas condições atmosféricas e marítimas, que podem atenuar ou desviar o sinal transmitido pelo NDB e, com isto, fazer com que a localização do NDB seja informada incorretamente, nos rádio-receptores (radiogoniômetros) dos usuários (indivíduos, aeronaves, embarcações, edificações contendo estações de rádio etc.).

Notas

  1. Acesse a página da AIP-BRASIL na AISWEB,[1] abra a parte GEN na página GEN 2.2-15 e procure a abreviatura "NDB".
  2. Vide abreviatura "NDB" na pág. 19-32 do Manual Brasileiro de Inspeção em Voo (MANINV-BRASIL).[2]
  3. Acesse a página da AIP-BRAZIL na AISWEB,[3] abra a parte GEN na página GEN 2.2-14 e procure a abreviatura "NDB".
  4. As coordenadas geográficas do NDB são previamente conhecidas por meio de publicações e cartas de navegação.
  5. Vide a definição de radiofarol não direcional na pág. 19-22 do Manual Brasileiro de Inspeção em Voo (MANINV-BRASIL).[2]
  6. Vide o capítulo 2 do DH 8-12[4] (item 2.8) da Marinha do Brasil.
  7. Nome técnico: radiogoniômetro. Vide definição que consta no verbete do Dicionário Priberam da Língua Portuguesa[5] e no capítulo 2 do DH8-12[4] (item 2.1, parágrafo 2) da Marinha do Brasil. Uma explicação técnica a respeito do funcionamento dos radiogoniômetros consta no item 2.2 do referido capítulo.
  8. Não confundir "radioeletricidade" com "radiologia".
  9. Consulte a abreviatura "ADF" nas págs. 19-22 e 19-29 do Manual Brasileiro de Inspeção em Voo (MANINV-BRASIL).[2]
  10. Procure a palavra "auxílio" na AIC-N 03/2013.[6]

Referências

  1. BRASIL. DECEA. AISWEB. Página de consulta à AIP-BRASIL. Acesso em 3 de novembro de 2013.
  2. a b c BRASIL. DECEA. Manual Brasileiro de Inspeção em Voo - (MANINV-BRASIL), de 30 de dezembro de 2011. Acesso em 3 de novembro de 2013.
  3. BRASIL. DECEA. AISWEB. Página de consulta à AIP-BRAZIL. Acesso em 3 de novembro de 2013. (em inglês)
  4. a b BRASIL. Marinha do Brasil. DH8-12 - Lista de Auxílios-Rádio: Capítulo 2 - Radiogoniometria. Rio de Janeiro, 2010. 12ª Ed (2010-2014). Acesso em 3 de novembro de 2013.
  5. Radiogoniômetro. Dicionário Priberam da Língua Portuguesa. Acesso em 3 de novembro de 2013.
  6. BRASIL. DECEA. Circular Nacional de Informação Aeronáutica (AIC-N) nº 03, de 7 de março de 2013 - Plano de Desativação Gradual das Estações NDB. Acesso em 3 de novembro de 2013.

Ver também[editar | editar código-fonte]