Regionalismo

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Disambig grey.svg Nota: Este artigo é sobre uma propriedade fundamental da literatura. Para a ideologia política, veja Regionalismo (política).

Regionalismo é o conjunto das particularidades linguísticas de uma determinada região geográfica, decorrentes da cultura lá existente. Uma de suas principais expressões é o dialeto. No Brasil tudo começa com Gonçalves Dias e José de Alencar a buscar uma identidade pós-portuguesa (geralmente nativista descrevendo tupis, guaranis, palmeirais, etc). Na segunda fase desta busca pelo que era o ser brasileiro houve como grande marco a questão de Canudos descrita em os Sertões (pela primeira vez um escritor não-sertanejo descrevia e analisava a estepe sob sua óptica estando in loco ao contrário de José Alencar que idealizou o guarani meridional). Na terceira fase os modernistas ítalo-paulistanos e outros recém-emergentes como classe social e principal rival "quatrocentão" se viram confrontados com um país que completava 100 anos de suposta emancipação e ainda procurava pelo seu eu. Na última fase, talvez a mais conhecida e clássica surge uma espécie d embate entre estes últimos citados e um grupo surgido principalmente entre PB e PE mas também com representantes de estados vizinhos a estes; tal discussão acabou por influenciar os modernistas de SP que inclusive fizeram expedições as baixas latitudes do mainland a busca de um Brasil que tinha preservado melhor os aspectos originais pré-imigração concentrada nas latitudes menos baixas (Mário de Andrade e sua expedição entre o extremo levante do mainland e Amazônia talvez tenha sido um dos principais ícones deste período idem escritores como José Lins do Rego, nascido próximo ao local do escritor Augusto dos Anjos - porém este último tinha uma visão mais ampla e menos local em sua obra).

No Brasil[editar | editar código-fonte]

A Regionalidade no Brasil é muito diferenciada. As principais culturas são as várias culturas europeias, a cultura africana e a cultura indígena, ou até a mistura delas (o fato de estes elementos formadores divergirem proporcionalmente entre as zonas teve forte impacto na formação das mesmas e nas visões de umas sobre as demais; enquanto em Salvador houve uma predominância não-nativa e não-ocidental ao contrário de outras zonas baianas, no Sul se deu o inverso - um povo com características mais parecidas com ocidentais e menos com nativos e outros, do mesmo modo que na Amazônia Ocidental vimos a formação de um regionalismo com maior impacto do nativo e nas zonas transitórias entre estas várias proporções divergentes entre elementos formadores). Devido ao fato de a povoação do Brasil ter ocorrido em regiões distintas e distantes entre si (litoral nordestino, litoral fluminense e interior mineiro, por exemplo), o traço cultural de cada região influenciou o próprio desenvolvimento idiomático do português, ao longo da história. Em outras palavras, em cada região brasileira a língua portuguesa sofreu diferentes influências culturais, e por isto incorporou diferentes formas de expressão, o que aos poucos deu origem a diferentes dialetos, diferentes modos de expressar ou representar uma mesma ideia ou história, um mesmo sentimento ou conceito.

Contexto histórico[editar | editar código-fonte]

Ao longo do século XIX, surgem escritores voltados à produção de obras saudosistas, que se propõem a realizar uma retomada romântica do Brasil dos séculos XVI, XVII e XVIII.

Por conta disto, costuma-se estudar o regionalismo a partir dos romances coloniais de José de Alencar e das poesias indianistas de Gonçalves Dias, que no século XIX nascem daquela aspiração patriótica de fundar a nobreza do país em um passado mítico, estando muito presente o conceito de cor local nas obras. Esta aspiração põe o regional acima do nacional, e esta pode ser a definição mais simples e eficiente a respeito do que vem a ser o sentimento regionalista. São obras simbólicas dessa época O Gaúcho e O Sertanejo, ambas de José de Alencar.

No começo do século XX a matéria rural voltou a ser tomada a sério, assumida nos seus precisos contornos físicos e sociais dentro de uma concepção mimética de prosa. É o caso do regionalismo de Valdomiro Silveira e de Simões Lopes Neto, que resultou de um aproveitamento literário das matrizes regionais.

Simões Lopes Neto chega a transpor para o português escrito a linguagem própria do gaúcho, com termos castelhanos e expressões características. Algo muito semelhante fazem os Modernistas, ao buscar no interior do país a síntese do próprio Brasil. Macunaíma, de Mário de Andrade, também transpõe a linguagem do brasileiro – no caso, do nortista e do nordestino – com termos indígenas e expressões populares.

Mais tarde, em Guimarães Rosa, o regionalismo sofre uma metamorfose que o trará de novo ao cerne da ficção brasileira. É a permanência e transformação do regionalismo no Romance de 30 de escritores como o baiano Jorge Amado, o gaúcho Erico Verissimo, o paraibano José Lins do Rego e o alagoano Graciliano Ramos. Aqui, o autor realista descreve sua terra e sua gente não com exaltação, mas de maneira mais centrada e reflexiva, numa tentativa de compreender o momento presente, as desigualdades sociais, a formação da elite etc.

Esta é, aliás, a grande diferença entre o regionalismo visto pelos românticos e o regionalismo ressaltado pelo Realismo. No primeiro havia um sentimento de idealização, de caráter otimista, de exotismo, ao passo que no segundo investiga-se o humano em suas relações com o meio, com a linguagem, a paisagem e a cultura de uma determinada região.

Contemporaneamente, alguns textos (especialmente os de (investigação histórica) preservam matizes fortes de regionalismo, como no caso dos gaúchos Luiz Antônio de Assis Brasil, Fernando Neubarth, Valesca de Assis, Pedro Stiehl.

Em Portugal[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Regionalismos de Portugal

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • BOSI, Alfredo. História concisa da Literatura Brasileira. São Paulo: Cultrix, 1994. 42 ed.
  • MOREIRA, Maria Eunice. Regionalismo e Literatura no Rio Grande do Sul. Porto Alegre: EST, 1982.
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