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Resiliência (psicologia)

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Resiliência psicológica ou mental é a capacidade de lidar mental e emocionalmente com uma crise, ou de retornar rapidamente ao estado pré-crise.[1][2]

O termo foi popularizado nas décadas de 1970 e 1980 pela psicóloga Emmy Werner, quando ela conduziu um estudo de quarenta anos de duração com uma coorte de crianças havaianas provenientes de origens de baixo nível socioeconômico.[3]

Inúmeros fatores influenciam o nível de resiliência de uma pessoa. Os fatores internos incluem características pessoais como autoestima, autorregulação e uma perspectiva positiva de vida. Os fatores externos incluem sistemas de apoio social, incluindo relacionamentos com a família, amigos e comunidade, bem como acesso a recursos e oportunidades.[4]

As pessoas podem aproveitar intervenções psicológicas e outras estratégias para aumentar a sua resiliência e lidar melhor com a adversidade.[5] Estas incluem técnicas cognitivo-comportamentais, práticas de atenção plena, construção de factores psicossociais, promoção de emoções positivas e promoção da autocompaixão.

Até os anos 90 foi estudada como constituída por Fatores

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São fatores inerentes da resiliência:[6]

Administração de emoções

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É a habilidade de se manter sereno diante de uma situação de estresse. Pessoas resilientes quanto a esse fator são capazes de utilizar as pistas que leem nas outras pessoas para reorientar o comportamento, promovendo a autorregulação. Quando essa habilidade é rudimentar, as pessoas encontram dificuldades em cultivar vínculos e com frequência desgastam, no âmbito emocional, aqueles com quem convivem em família ou no trabalho.

Controle dos impulsos

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É a capacidade de regular a intensidade de seus impulsos no sistema neuromuscular (nervos e músculos), não se deixando levar impulsivamente pela experiência de uma emoção. As pessoas podem exercer um controle frouxo ou rígido do seu sistema muscular, visto que esse sistema está vinculado à regulação da intensidade das emoções. Dessa forma, a pessoa poderá viver uma emoção de forma exacerbada ou inibida. O controle de impulso garante a autorregulação dessas emoções ou a possibilidade de dar a devida força à vivência de emoções, tornando o grau de compreensão do autor mais sensível e apurado mediante a situação.

É a crença de que as coisas podem mudar para melhor. Há um investimento contínuo de esperança e, por isso mesmo, a convicção da capacidade de controlar o destino da vida, mesmo quando o poder de decisão esteja fora das mãos. O otimismo se alia à competência social e à proatividade, tendo por base a autoeficácia.

Análise do ambiente

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É a capacidade de identificar precisamente as causas dos problemas e das adversidades presentes no ambiente. Essa possibilidade habilita a pessoa a se colocar em um lugar mais seguro ao invés de se posicionar em situação de risco.

É a capacidade que o ser humano tem de compreender os estados psicológicos dos outros (emoções e sentimentos). Não é ''colocar-se no lugar do outro'' como muitos insistem em afirmar. É sim a capacidade de sentir o mesmo que o outro sente, ao passo que o "colocar-se no lugar do outro" de certa maneira contribui para a experiencialização e direcionamento das ações compreensivas.

Autoeficácia

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É a crença na própria capacidade de organizar e executar ações requeridas para produzir resultados desejados.[7] Associada à autoconfiança, transforma-se em “combustível” para a proatividade e a solução de problemas.

Alcance de pessoas

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É a capacidade que a pessoa tem de se vincular a outras pessoas para viabilizar soluções para intempéries da vida, sem receios e medo do fracasso.

A partir dos anos 2000 surgiu a “Abordagem Resiliente” que embasa os Modelos de Crenças Determinantes

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Procurando ampliar os entendimentos sobre resiliência foram mapeados esquemas básicos de crenças vinculados à superação estratégica do estresse - são os modelos crenças determinantes (MCDs). Esse desdobramento, conhecido como QUEST_Resiliência, permite mapear e compreender o tipo de superação de uma pessoa ou de um grupo quando diante de situações de adversidades e de um forte e contínuo estresse.[8] É estruturado com uma abordagem teórica da terapia cognitiva, da psicologia positiva e da teoria geral dos sistemas, a partir de uma abordagem psicossomática.

Esses MCDs são estruturados desde a primeira infância. São crenças que se aglutinam quando vamos conhecendo/aprendendo/experimentando os fatos da vida com aqueles que nos cercam. Os MCDs são:

  1. MCD de autocontrole - capacidade de se administrar emocionalmente diante do inesperado. É amadurecer no comportamento expresso, uma vez que será esse comportamento que irá ser lido pelas outras pessoas. É a condição de serenidade diante da adversidade;
  2. MCD de leitura corporal - capacidade de ler, identificar e organizar as reações percebidas no corpo, em especial aquelas relacionadas com o sistema nervoso/muscular. É amadurecer no modo de lidar com as reações somáticas que surgem quando a tensão ou o estresse se tornam elevados;
  3. MCD de otimismo para com a vida - capacidade de enxergar a vida com esperança, alegria e sonhos. É a maturidade de controlar o destino da vida, mesmo quando o poder de decisão está fora de suas mãos. Para tanto uma das característica mais preciosas para o cultivo do Otimismo para com a Vida é a criatividade;
  4. MCD de análise do ambiente - capacidade de identificar e perceber precisamente as causas, as relações e as implicações dos problemas, dos conflitos e das adversidades presentes no ambiente. É se dar conta e estar atento às situações e circuntâncias presentes na experiência do estresse;
  5. MCD empatia - capacidade de evidenciar a habilidade de, a partir de se compreender o outro, emitir mensagens que promovam interação e aproximação, conectividade e reciprocidade entre as pessoas;
  6. MCD autoconfiança - capacidade de ter convicção de ser capaz e eficaz nas ações propostas;
  7. MCD alcançar e manter pessoas - capacidade de se vincular às outras pessoas sem receios ou medo de fracasso, conectando-se para a formação de fortes redes de apoio e proteção;
  8. MCD sentido de vida - capacidade de entendimento de um propósito vital de vida na experiência vivida como adversa. Promove um enriquecimento do valor da vida, fortalecendo e capacitando a pessoa a preservar sua vida ao máximo.

Cada um dos MCDs desenvolve resiliência em uma área da vida e o leque de todos eles juntos contempla a vida de uma pessoa.

Referências

  1. de Terte, Ian; Stephens, Christine (dezembro de 2014). «Psychological resilience of workers in high-risk occupations». Stress and Health. 30 (5): 353–355. PMID 25476960. doi:10.1002/smi.2627 
  2. «Building your resilience». American Psychological Association. 1 de fevereiro de 2020. Consultado em 5 de setembro de 2025. Cópia arquivada em 30 de março de 2020 
  3. Werner, Emmy E; Smith, Ruth S (1989). Vulnerable but invincible: a longitudinal study of resilient children and youth. New York: McGraw-Hill. ISBN 0-07-069445-1 
  4. Southwick SM, Bonanno GA, Masten AS, Panter-Brick C, Yehuda R (1 de outubro de 2014). «Resilience definitions, theory, and challenges: interdisciplinary perspectives». European Journal of Psychotraumatology. 5 (1). ISSN 2000-8066. PMC 4185134Acessível livremente. PMID 25317257. doi:10.3402/ejpt.v5.25338  Parâmetro desconhecido |article-number= ignorado (ajuda)
  5. Smith JC, Hyman SM, Andres-Hyman RC, Ruiz JJ, Davidson L (outubro de 2016). «Applying recovery principles to the treatment of trauma». Professional Psychology: Research and Practice. 47 (5): 347–355. ISSN 1939-1323. doi:10.1037/pro0000105 
  6. «Resiliência pode ser medida e treinada». Consultado em 9 de agosto de 2016 
  7. «What is Resilience and Why is it Important to Bounce Back?». positivepsychologyprogram.com. 3 de janeiro de 2019. Consultado em 3 de fevereiro de 2019 
  8. «Instrumentos de Resiliência - Quest_Resiliência : SOBRARE». SOBRARE - Sociedade Brasileira de Resiliência. Consultado em 9 de agosto de 2016 

Bibliografia

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  • BARBOSA, George. S. Resiliência em professores do ensino fundamental de 5ª a 8ª Série: Validação e aplicação do questionário do índice de Resiliência: Adultos Reivich-Shatté/Barbosa. Tese (Doutorado em Psicologia Clínica). São Paulo: Pontifica Universidade Católica, 2006.
  • JOB, F. P.P. Os sentidos do trabalho e a importância da resiliência nas organizações. Tese (Doutorado em Administração de Empresas). São Paulo: Fundação Getúlio Vargas, 2003.
  • BEDANI, Edna. Resiliência em Gestão de Pessoas: Um estudo a partir da aplicação do Questionário do Índice de Resiliência: Adultos em gestores de uma organização de grande porte. Dissertação de Mestrado. 2008. (Arquivo)
  • Barbosa, GS. Resiliência: Desenvolvendo e ampliando o tema no Brasil. São Paulo: SOBRARE. 2014.
  • Barbosa, GS. Resiliência para Meninos e Meninas -Como desenvolver comportamentos resilientes para descomplicar a vida. São Paulo: SOBRARE. 2016.
  • ARAUJO, C.A. & MELLO, M. A. & RIOS, A.M.G. Resiliência. Teoria e Práticas de Pesquisa em Psicologia. São Paulo, Ithaka Books, 2011
  • MASTEN, A. S. (2014). Global Perspectives on Resilience in Children and Youth. Child Development, 85(1), 6-20.
  • SOUTHWICK, S. M., BONANNO, G. A., MASTEN, A. S., Panter-Brick, C., & Yehuda, R. (2014). Resilience definitions, theory and challeges: interdisciplinary perspectives. European Journal of Psychotraumatology, 5, 1-14.

Ligações externas

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