Reino de Cuche

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Reino de Cuche
k G1 S N25

Kaš
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1700 a.C. – 350 Blank.png
 
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Localização de Reino de Cuche
Continente África
Região Núbia
Capital Napata
Meroé
Governo Monarquia
História
 • 1700 a.C. Fundação
 • 350 Dissolução
Vista aérea das pirâmides de Meroje o norte do Sudão, a partir do século XXXII a.C. Uma das primeiras civilizações a surgir no vale do rio Nilo, os Estados cuchitas controlaram a região antes do período das incursões egípcias na área.[1] .

O Reino de Cuxe, ou apenas Cuxe, ou ainda Reino de Kush, foi um antigo reino africano situado ao sul de Assuão, entre a primeira e a sexta catarata do Rio Nilo, onde hoje se localiza a república do Sudão. Estabelecido após o colapso da Era do Bronze e da desintegração do Novo Império egípcio, tinha como centro a cidade de Napata em sua primeira fase. Após a invasão do Egito pelo rei Kashta, no século VIII a.C., os reis cuxitas reinaram também como faraós da 25a. dinastia do Egito por um século, até que foram expulsos por Psamético I, em 656 a.C.

Durante a Antiguidade clássica, a capital do império cuxita foi Meroé. Para os geógrafos gregos antigos, o império meroítico era conhecido como Etiópia. O império cuxe, tendo Méroe como capital, persistiu até o século IV d.C., quando perdeu força e se desintegrou devido a rebeliões internas.

Etimologia e grafia[editar | editar código-fonte]

O nome dado a esta civilização é proveniente do Velho Testamento[2] , que registra um personagem bíblico, Cuche (ou Cuxe, ou Cus, ou Kush), um dos filhos de Cão que se estabeleceu no nordeste da África. Na Idade Antiga e na Bíblia, uma grande região que abrangia o norte do Sudão, o sul do Egito e partes da Etiópia, Eritreia e Somália era conhecida como Cuche. Outros estudiosos afirmam que a Cuche bíblica localizava-se no sul da Arábia.

Em português, o nome do personagem bíblico varia conforme a versão do Velho Testamento. O dicionário Houaiss[3] e a tradução de João Ferreira de Almeida atualizada empregam a forma Cuche. Já a Bíblia Ave Maria, católica, prefere a grafia Cus, cusita.

O gentílico de Cuche é cuchita[4] ou cuxita[5] .

Origens[editar | editar código-fonte]

As primeiras sociedades a se desenvolver na área surgiram na Núbia antes da Primeira Dinastia do Egito (3100-2890 a.C.). Em cerca de 2500 a.C., os egípcios começaram a avançar na direção sul e é por meio deles que a maior parte das informações sobre Cuche ficou conhecida. Mas esta expansão foi detida pela queda do Médio Império no Egito. A expansão egípcia recomeçou em aproximadamente em 1500 a.C., mas desta vez encontrou resistência organizada. Os historiadores não têm certeza se esta resistência foi oferecida por cidades-Estado múltiplas ou por um império unificado, e debatem se o conceito de Estado surgiu ali de modo independente ou se foi tomado do Egito. Os egípcios lograram vencer a resistência e fizeram da região uma colônia sua, durante o reinado de Tutmósis I, cujo exército mantinha ali um certo número de fortalezas.

No século XI a.C., disputas internas no Egito permitiram aos nativos derrubar o regime colonial egípcio e instituir um reino independente, governado a partir de Napata

Napata[editar | editar código-fonte]

Este novo reino, com sede em Napata, foi unificado por Alara no período entre 780 e 755 a.C. Alara era visto pelos seus sucessores como o fundador do reino cuchita. O reino cresceu em influência e veio a dominar a região meridional egípcia de Elefantina e até mesmo Tebas, no reinado de Kachta, sucessor de Alara e que logrou no século VIII a.C. forçar Chepenuepet I, meia-irmã de Takelot III e "esposa do deus Amon", a adotar Amenirdis I, filha do soberano cuchita, como sucessora. Com isto, Tebas passou ao controle de facto do reino de Napata. Seu poder chegou ao auge com Piye, sucessor de Kachta, que conquistou todo o Egito e fundou a vigésima-quinta dinastia.

Quando os assírios invadiram em 671 a.C., Cuche tornou-se uma vez mais um Estado independente. O último rei cuchita a tentar retomar o controle do Egito foi Tantamani, que foi definitivamente derrotado pela Assíria em 664 a.C. Subseqüentemente, o poder cuchita sobre o território egípcio declinou e extinguiu-se em 656 a.C., quando Psamético I, fundador da vigésima-sexta dinastia, reunificou o Egito. Em 591 a.C., os egípcios invadiram Cuche - possivelmente porque esta, governada por Aspelta, preparava-se para atacar o Egito - e saquearam e incendiaram Napata.

Meroé[editar | editar código-fonte]

Pirâmides de Meroé, no atual Sudão.
Óstraco com escrita meroítica (Museu Britânico, Londres).

Diversos registros arqueológicos mostram que os sucessores de Aspelta transferiram a capital para Meroé, mais ao sul do que Napata. A data exata da mudança não é conhecida, embora alguns historiadores acreditem que o fato ocorreu durante o reinado de Aspelta, como reação à invasão egípcia da Baixa Núbia. Outros estudiosos pensam que a transferência deveu-se à atração do ferro, já que Meroé, ao contrário de Napata, possuía vastas florestas que serviam de combustível para os altos-fornos. A chegada de mercadores gregos na área também sinalizou o fim da dependência cuchita do comércio ao longo do Nilo, pois agora podia exportar seus produtos via o mar Vermelho e as colônias mercantis gregas ali localizadas.

Uma teoria alternativa afirma que havia na verdade dois Estados separados mas estreitamente interligados, um em Napata e outro em Meroé. Com o tempo, o último teria eclipsado o primeiro. Não se encontrou até o momento uma residência real ao norte de Meroé e é possível que Napata fosse apenas um centro religioso, mas este permaneceu uma cidade importante, onde os reis eram coroados e sepultados, mesmo se houvessem residido em Meroé.

Em cerca de 300 a.C., os soberanos cuchitas começaram a ser sepultados em Meroé. Alguns entendem que este fato indicaria uma ruptura com os sacerdotes de Napata. Diodoro Sículo relata a história de um soberano meroítico chamado Ergamenes, contemporâneo de Ptolomeu II, que recebera a ordem de se suicidar mas teria rompido com a tradição e, ao revés, ordenado a execução dos sacerdotes.[6] Uma explicação mais simples é que a capital sempre fora em Meroé.

Em algum momento, Cuche deixou de usar os hieróglifos egípcios e desenvolveu uma nova escrita, chamada meroítica, para representar a língua meroítica, que ainda não foi completamente decifrada.

Em 23 a.C., o governador romano do Egito, Petrônio, invadiu a Núbia em reação a um ataque núbio contra o sul da província e saqueou Napata (22 a.C.).

Declínio[editar | editar código-fonte]

O declínio de Cuche é um assunto altamente controverso. Após o século II, os túmulos reais começam a reduzir-se em dimensões e esplendor e a construção de grandes monumentos cessou. Os sepultamentos reais em pirâmides cessam a partir de meados do século IV.

Segundo a teoria tradicional, Cuche teria sido destruída por uma invasão do reino etíope de Axum, por volta de 350. Entretanto, alguns pensam que o relato axumita parece descrever a repressão a uma revolta em terras que os etíopes já controlavam. Ademais, refere-se apenas aos nubas (um povo dos montes Nuba, no atual Sudão), sem mencionar os governantes de Meroé.

O último rei de Meroé chamava-se Sect Lie; pouco mais é conhecido a seu respeito.

Por volta do século VI, novos Estados se haviam formado na área antes controlada por Meroé. Ao que parece, os nobatas (mencionados em fontes romanas anteriores e que alguns estudiosos associam com os nubas) evoluíram para formar o Estado da Nobácia (um reino cristão africano na Baixa Núbia) e outros na região. Os outros dois Estados da área, Macúria e Alodia, eram similares. Falavam núbio antigo e escreviam com uma versão do alfabeto copta. A língua meroítica e sua escrita parecem ter desaparecido.

Notas

  1. Davidson, B. 1967. The Growth of African Civilization. East and Central Africa to the late Nineteenth Century. Longman. London
  2. Gênesis 2:13, Gênesis 10:6, Gênesis 10:7, Gênesis 10:8, I Crônicas 1:8, I Crônicas 1:9, I Crônicas 1:10, Jeremias 36:14, Jeremias 46:9, Ezequiel 38:5 e Sofonias 1:1.
  3. No verbete "cuchita".
  4. Houaiss e tradução de João Ferreira de Almeida atualizada, II Samuel 18:21.
  5. Houaiss.
  6. Diodoro Sículo, Livro III, 6.3

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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