Véu de Noiva

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Véu de Noiva
Informação geral
Formato Telenovela
Criador(es) Janete Clair
País de origem  Brasil
Idioma original Português
Produção
Diretor(es) Daniel Filho
Produtor(es) Daniel Filho
Elenco Regina Duarte
Cláudio Marzo
Betty Faria
Myriam Pérsia
Geraldo del Rey
(Ver mais)
Exibição
Emissora de
televisão original
Brasil Rede Globo
Transmissão original 10 de novembro de 1969 - 6 de junho de 1970
N.º de episódios 204
Cronologia
Último
Último
Rosa Rebelde
Irmãos Coragem
Próximo
Próximo

Véu de Noiva foi uma telenovela brasileira que foi produzida pela Rede Globo e exibida entre 10 de novembro de 1969 e 6 de junho de 1970.

Foi escrita por Janete Clair e dirigida por Daniel Filho. Teve 204 capítulos e foi produzida em preto-e-branco.[1]

Sinopse[editar | editar código-fonte]

Andréa é uma moça de família humilde que está de casamento marcado com o pianista Luciano, que mantém um caso com sua irmã, Flor. No dia do casamento, após descobrir o envolvimento dos dois, Andréa sofre um acidente de carro com Luciano, e o piloto de corrida Marcelo Montserrat, que vinha em direção contrária ao de Luciano. Luciano se fere nas mãos, mas Andréa ganha uma cicatriz no rosto.

Durante o período de internação, Andréa, que já conhecia Marcelo – ela sempre acompanhou pelo rádio sua atuação nas pistas de corrida – apaixona-se pelo piloto, tendo como rival a vilã Irene, noiva do rapaz. Andréa e Marcelo se casam em segredo, numa cerimônia íntima, contrariando a mãe dele, Helena, que não aprova a união. Sob os cuidados do renomado cirurgião plástico Dr. Jorge Albertini, Andréa aguarda o momento de fazer uma cirurgia na face.

Luciano abandona Flor ao descobrir que ela está grávida. Como ela não quer assumir o filho sozinha, por vergonha de ser mãe solteira, entrega a criança para a irmã. Algum tempo depois, Flor se casa com Armando, que quer ter filhos. Ao saber que não pode mais ser mãe, Flor resolve pedir seu filho de volta. As irmãs passam a disputar a guarda da criança. O caso chega aos tribunais, e Andréa vence a disputa.

No decorrer da trama, Luciano é assassinado, e sua morte levanta suspeitas sobre vários personagens da história, cujo a identidade do responsável perdura até os capítulos finais da trama.

Produção e veiculação[editar | editar código-fonte]

Cquote1.svg Em Véu de Noiva tudo acontece como na vida real. A novela-verdade Cquote2.svg
Chamada da Rede Globo à época

Durante a exibição, pela Globo, da telenovela anterior, Rosa Rebelde, a emissora concorrente TV Tupi lançou a telenovela Beto Rockfeller que, como produto, distinguia-se enormemente do que vinha sendo produzido pela teledramaturgia brasileira. Como resultado, obteve grande audiência e repercussão, e fez com que a direção da Globo observasse uma necessidade de modificar a estrutura de seus telenovelas, em substituição ao fracassado modelo, capitaneado até então por Glória Magadan, de telenovelas de época situadas em países estrangeiros e apoiando-se fortemente em enredos de capa-e-espada baseada em livros de autores de fora do Brasil. O mundo de castelos, masmorras, calabouços, galeões espanhóies da Sra. Magadin foi substituída por uma imagem de um Rio de Janeiro luminoso, que é o principal cenário para as telenovelas, desde então. Ao lado de Daniel Filho, Janete Clair desenvolveu a trama de Véu de Noiva, tendo como base a radionovela Vende-se um Véu de Noiva, que Clair havia produzido anteriormente. A radionovela, por sua vez, havia sido inspirada por um anúncio na seção de classificados de um jornal, que promovia "a venda de um véu de noiva".

O então diretor da Globo, "Boni", se mostrou inicialmente receoso com a escolha das corridas de automobilismo de Fórmula 1 como um dos temas da telenovela, mas foi convencido por Daniel Filho de que o tema traria a modernidade almejada pela Globo à produção - e esse escolha ultimamente funcionou como um engenhoso plano de promoção das corridas, conforme o piloto brasileiro Emerson Fittipaldi se mostrava bem-sucedido na competição. Para contribuir com a promoção das corridas, que até então não eram populares no Brasil, a produção gravou cenas em autódromos e, posteriormente, incluiu uma participação especial do piloto Jackie Stewart. Acrescentava ainda uma referência à estréia da atriz Regina Duarte, na TV Globo. A escalação da atriz foi mais um esforço da emissora para conquistar o público de São Paulo, ao trazer para seus quadros uma atriz paulista de grande sucesso.

Por volta do trigésimo capítulo, Geraldo del Rey que interpreteva Luciano, pediu para sair da trama, pois havia sido convidado para trabalhar na TV Tupi. Foi quando Janete Clair iniciou a longa série dos famosos assassinatos de novelas, "Quem matou?", após o misterioso assassinato do personagem Luciano, que havia sido morto pela personagem Rosa, interpretada por Ana Ariel. Assim a saída do ator não criou nenhum problema, muito pelo contrário, serviu para criar o famoso bordão e, ter explodido a audiência da novela no país. A disputa das personagens de Regina Duarte e Myrian Pérsia pela guarda da criança começava a mobilizar o país. Na novela, o caso foi parar na justiça, e Daniel Filho, o diretor da trama, teve a idéia de realizar um julgamento de verdade em cena. Solicitou a um juiz de verdade, Eliézer Rosa, que armasse um júri. E os destinos da novela foram parar nas mãos do juiz. Ninguém, nem a autora, nem os atores e nem o próprio diretor sabiam por antecipação qual seria o resultado, o fim da novela. Para não perder a emoção, o julgamento foi gravado direto, sem ensaio. A tensão das atrizes era, portanto, totalmente real. Por fim, ganhou a mãe adotiva, personagem de Regina.

Com essa novela Janete Clair também implantou as tramas paralelas, hoje recorrentes (e essenciais) em qualquer texto de novela. Esta foi a primeira novela a ter músicas especialmente compostas para sua trilha sonora, produzida por Nelson Motta. Um grande sucesso foi "Teletema", interpretada pela cantora Regininha. "Irene", canção que Caetano Veloso fez antes de partir para o exílio na Inglaterra, foi gravada por Elis Regina exclusivamente para a novela. Chico Buarque, também exilado, enviou da Itália, a música "Gente Humilde", que compôs em parceria com Vinícius de Moraes. Além de ter sido a primeira novela, a lançar um disco com a trilha sonora de uma novela. Segundo Daniel Filho, diretor da novela, essa foi uma grande jogada de marketing, porque um produto promovia o outro, numa época em que a TV Globo, ainda não tinha a grande hegemonia no mercado televisivo brasileiro.

Elenco[editar | editar código-fonte]

Outras adaptações[editar | editar código-fonte]

Em 2003 televisa fez uma versão mexicana direito Velo de novia estrelando Susana Gonzalez y Eduardo Santamarina.

Em 2009, foi produzido um remake da novela, pelo SBT. De acordo com Renata Dias Gomes, neta de Janete Clair, não se trata de um remake, e sim de uma nova versão da trama que foi feita na rádio, e que se chamou Vende-se um Véu de Noiva. A novela teve o título original e foi gravada na Praia do Perequê - Guarujá, litoral paulista.

Trilha sonora[editar | editar código-fonte]

Véu de Noiva foi a primeira novela da Rede Globo a ter trilha sonora própria, totalmente produzida por encomenda de Daniel Filho a Nelson Motta, que selecionou músicas específicas para determinados personagens e núcleos.

  1. "Tema de Luciano" - Luiz Eça
  2. "Teletema (Tema de Amor)" - Regininha de Antonio Adolfo e Tibério Gaspar
  3. "Azimuth (Mil Milhas)" - Apolo IV
  4. "Gente Humilde" - Márcia
  5. "Depois da Queda" - Roberto Menescal
  6. "Irene" - Elis Regina
  7. "Andréa" - Joyce
  8. "Azimuth (Mil Milhas)" - Apolo IV
  9. "Teletema (Tema de Amor)" - Regininha e Laércio
  10. "Irene" - Wilson das Neves
  11. "Abertura" - The Youngsters
  12. "Teletema (Tema de Amor)" - Cláudio Roditi

Referências

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • FERREIRA, Mauro. Nossa Senhora das Oito: Janete Clair e a evolução da telenovela no Brasil (em <Língua não reconhecida>). 1ª edição. ed. [S.l.]: Mauad Editora, 2003. ISSN 8574781126.
  • XEXEO, Arthur. Janete Clair - A Usineira De Sonhos. 1ª edição. ed. [S.l.]: Editora Relume-Dumara, 2005. ISBN }8573164077.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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