Ir para o conteúdo

Áugure

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

Áugures[1] ou arúspices eram sacerdotes da Roma Antiga que usavam os hábitos dos animais, especialmente aves, para tirar presságios, exemplos disso são o seu voo, o seu canto e as suas próprias entranhas, bem como o próprio apetite dos frangos sagrados.

Formaram um colégio venerado em Roma, sendo que nada de importante se fazia sem o consultar. Com efeito, um áugure poderia até impedir uma execução pública, sob o pretexto de que os auspícios não eram favoráveis.

Etimologia

[editar | editar código]
Um áugure com uma óscine ao pé

O substantivo áugure provém do latim clássico augŭr, usado durante o período clássico para designar profetas e adivinhos, particularmente aqueles que previam o futuro, com base no comportamento das aves.[2]

A origem do étimo latino augŭr, por seu turno, é incerta, pelo que se apontam duas teorias confrontantes.[3]

A primeira, advoga que augŭr provém do étimo latino antigo augus‎ genitivo de augeris que significavam «aumentar, acrescer».[3]

A segunda, por seu turno, defende que augŭr terá provindo da aglutinação dos étimos latinos avis (que significa «ave; pássaro») e garrire ( que significa «falar, tagarelar, garrular»), por alusão à adivinhação por meio da interpretação do canto das aves.[3]

As previsões dos áugures eram feitas com base no canto, voo e comportamento das aves, especialmente das aves canoras, as chamadas óscines (latim oscĕn [4]), uma subordem do género dos passerídeos, caracterizadas pelo complexo órgão vocal capaz de produzir uma larga variedade de sons musicais. [5]

Áugures na República

[editar | editar código]

Áugures romanos foram eleitos como escribas e formaram um colégio de sacerdotes que partilham os deveres e responsabilidades da posição. Na fundação da República de 510 a.C., apenas os patriarcas podiam fazer reclamações por este gabinete; por volta de 300 a.C., o escritório foi aberto para a plebe também.

Áugures na Eneida, de Virgílio

[editar | editar código]

Os augúrios são os sinais que os romanos acreditavam representar a vontade dos deuses. Na literatura romana esses augúrios cumprem papel essencial na Eneida de Virgílio. No livro II, Laocoonte sacerdote de Apolo, é punido pelos deuses junto aos seus filhos, após ter atirado uma lança no cavalo de troia, eles são atacados por duas serpentes marinhas. Essas serpentes marinhas representaram um augúrio, um presságio divino, que selou o destino trágico de Tróia. Já no Livro VI, p.97, Um ramo dourado aparece diante de Eneias e ele leva esse ramo para a sacerdotisa, que possibilita a viagem ao submundo para que ele cumpra seu fado. Esse ramo dourado simboliza um augúrio positivo. “No alto de uma árvore dúplice, onde o brilho do ouro resplande entre os ramos”, “Eneias, ávido, o colhe sem demora, apesar da resistência, e o leva ao templo da Sibila profetisa” Essas passagens refletem a crença romana que o destino do homem se manifesta mediante a vontade dos deuses.

Virgílio, Eneida, Livro II, VI, p.97.

Ver também

[editar | editar código]

Referências

  1. S.A, Priberam Informática. «áugure». Dicionário Priberam da Língua Portuguesa. Consultado em 16 de janeiro de 2026 
  2. Olivetti, Olivetti Media Communication-Enrico. «augŭr - ONLINE LATIN DICTIONARY - Latin - English». online-latin-dictionary.com (em inglês). Consultado em 16 de janeiro de 2026 
  3. a b c «augŭr - latin - wordsense». WordSense Dictionary (em inglês). Consultado em 16 de janeiro de 2026 
  4. Olivetti, Olivetti Media Communication-Enrico. «oscĕn | ONLINE LATIN DICTIONARY - Latin - English». online-latin-dictionary.com (em inglês). Consultado em 16 de janeiro de 2026 
  5. S.A, Priberam Informática. «óscine». Dicionário Priberam da Língua Portuguesa. Consultado em 16 de janeiro de 2026 

Bibliografia adicional

[editar | editar código]
  • VIRGÍLIO. Eneida. Tradução de David Jardim Júnior; estudo introdutivo de Paulo Rónai. Rio de Janeiro: Tecnoprint s.d
  • Deixem Que Elas Mesmas Falem de Elben M. Lenz Cesar, citados na página 2.
  • Dicionário prático ilustrado Lello de 1964 de José Lello e Edgar Lello editado por LELLO & IRMÂOS, citado na página 1421.
  • O folclore de João Ribeiro de 1969, com 224 páginas, citados na página 151.
  • História da República Romana de Joaquim Pedro Oliveira Martins de 1952, citados na página 93.
  • Beard, Mary, John North, Simon Price, Religions of Rome: A History (Cambridge University Press, 1998)
  • Hornblower, Simon and Anthony Spawforth, The Oxford Classical Dictionary (Third Edition) (Oxford: OUP, 1996), citado em augures.

Ligações externas

[editar | editar código]

história romana artigo Augurium no dicionário Grego e Romano Antigo