Virgem das Rochas

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Virgem dos Rochedos
Autor Leonardo Da Vinci
Data 1483-1486
Técnica Óleo sobre madeira
Dimensões 199  × 122 
Localização Museu do Louvre, Paris

A Virgem das Rochas ou Rochedos (por vezes chamada de Madonna das Rochas) é o título utilizado para designar um conjunto de duas pinturas de composições quase idênticas que foram pintadas, pelo menos em sua maior parte, por Leonardo da Vinci. Estas versões estão atualmente no Museu do Louvre, Paris e na National Gallery, Londres.

As pinturas[editar | editar código-fonte]

Versão do Louvre[editar | editar código-fonte]

Esta versão foi pintada em torno de 1483-1486, ou mais cedo. A pintura é poucos centímetros maior que a versão de Londres.[1] A maioria dos estudiosos são unânimes em afirmar que o trabalho foi em sua maior parte executado por Leonardo, e é a primeira das duas versões mundialmente conhecidas.[1] A obra é um dos primeiros grandes resultados do uso do chiaroscuro, efeito por ele mesmo elaborado que consiste em contrastes entre luz e sombra, muito presente em sua obra. [2] A encomenda original para que Da Vinci pintasse A Madona das Rochas viera de uma organização conhecida como a Confraria da Imaculada Conceição, que precisava de uma tela para ser peça central de um tríptico em um altar da Igreja de São Francisco, em Milão. As freiras deram dimensões específicas a Leonardo, e o tema desejado para a pintira – Virgem Maria, São João Batista ainda bebê, Uriel e o Menino Jesus, abrigados em uma caverna. Embora Da Vinci fizesse o que lhe mandaram, o grupo reagiu com horror quando ele entregou a pintura. Havia enchido o quadro com detalhes perturbadores. A tela mostrava a Virgem Maria de túnica azul, sentada com o braço em torno de um bebê, presumivelmente o Menino Jesus. Diante dela se encontrava sentado Uriel, também com um menininho, presumivelmente o pequeno João Batista. O estranho, porém, era que, em vez da cena que costumeiramente se vê, de Jesus abençoando João Batista, era João que estava abençoando Jesus, e Jesus mostrava-se submisso à sua autoridade. O mais preocupante, porém, era que Maria estava com uma das mãos sobre a cabeça do pequeno João e em um gesto decididamente ameaçador – os dedos pareciam garras de águia agarrando uma cabeça invisível. Por fim, a imagem mais amedrontadora e clara: logo abaixo dos dedos curvos de Maria, Uriel fazia com a mão o gesto de quem corta uma cabeça – como se cortasse o pescoço da cabeça invisível que a mão de Maria, em forma de garra, segurava.

Versão de Londres[editar | editar código-fonte]

A Virgem das Rochas
Autor Leonardo da Vinci
Data 1495-1508
Técnica Óleo sobre painel
Dimensões 189,5  × 120 
Localização National Gallery (Londres)

Quase idêntica à versão do Louvre, a versão de Londres é provavelmente uma cópia da primeira, executada pelo próprio Leonardo com a assistência de outros pintores, mais provavelmente os irmãos Ambrogio e Evangelista de Pedris. Pintada para adornar o altar da capela milanesa de São francisco, o Grande, ela foi vendida pela igreja, muito provavelmente em 1781, e certamente em 1785 tornou-se posse de Gavin Hamilton, que a levou para a Inglaterra, onde passou por várias coleções e, em 1880 finalmente torna-se parte da coleção da National Gallery, onde encontra-se atualmente.[1]

Em Junho de 2005 em uma análise em infravermelho foi descoberto um outro trabalho oculto por baixo do visível. Acredita-se que retrata uma mulher igualmente ajoelhada, segurando uma criança junto ao colo com um braço, e o outro estica (semelhante a como ocorre em São Jerónimo no deserto). Alguns estudiosos acreditam que a intenção inicial do artista seria a pintura da adoração dos magos. Muitas outras alterações são visíveis à exposição de raios-x ou de examinação em infravermelhos.[3]

Em Julho de 2010, após um processo de restauração que durou 18 meses, foi revelado que o artista renascentista provavelmente pintou a tela inteira ele próprio, e não, como se pensava anteriormente, com a ajuda de seus assistentes. A tela também aparenta nunca ter sido inteiramente concluída, segundo a equipe de conservação da National Gallery (Londres).

O processo de limpeza trouxe à tona detalhes que passaram muito tempo ocultos sob uma camada de verniz aplicada em 1948-9 e fortemente degradada desde então, que também reduziu o sombreamento sutil da pintura, especialmente em suas áreas mais escuras, e prejudicou o senso de espaço pretendido.[4]

Referências

  1. a b c National Gallery Catalogues: Catalogue of the Earlier Italian Schools, Martin Davies, National Gallery Catalogues, London 1961, reprinted 1986, ISBN 0901791296.
  2. O código Da Vinci, Dan Brown.
  3. «Nova pintura de Leonardo da Vinci». BBC News. 1 de julho de 2005 
  4. «Restauração de tela de Da Vinci traz à tona detalhes escondidos». UOL Entretenimento. 14 de julho de 2010