Agente nervoso VG

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VG
Alerta sobre risco à saúde
VG-2D-skeletal.png
VG-3D-balls.png
Nome IUPAC O,O-DietilS-[2-(dietilamino)etil]fosforotioato
Nome sistemático 2-dietoxifosforilsulfanil-N,N-dietiletanamino
Outros nomes Amiton; R-5158; Metramac; DSDP; Inferno.
Identificadores
Número CAS 78-53-5
PubChem 6542
ChemSpider 6294
SMILES
InChI
1/C10H24NO3PS/c1-5-11(6-2)9-10-16-15(12,13-7-3)14-8-4/h5-10H2,1-4H3
Propriedades
Fórmula química C10H24NO3PS
Massa molar 269.33 g mol-1
Densidade 1.048 g/cm3 at 25°C
Ponto de ebulição

295 °C, 568 K, 563 °F

Pressão de vapor 0.00054 mmHg a 25°C
Riscos associados
NFPA 704
NFPA 704.svg
2
4
1
 
Exceto onde denotado, os dados referem-se a
materiais sob condições normais de temperatura e pressão

Referências e avisos gerais sobre esta caixa.
Alerta sobre risco à saúde.

VG[1][2] ou Etil ({2-[bis(etil-2-ol)amino]etil}sulfanil)(etoxi)fosfinato (chamado pelo ocidente de Amiton, pela URSS de Tetram e com o nome comercial de Metramac) é um agente nervoso da "série V", quimicamente semelhante ao agente nervoso VX. É um composto organofosforado de fórmula molecular . Quando puro é um liquido oleoso incolor, sem cheiro e talvez sem gosto, quando impuro é um liquido âmbar com cheiro de peixe. Possui um ponto de ebulição de 295 graus Celsius ( com decomposição ), sendo destilado a 156 graus Celsius em 7 mmHg. É levemente solúvel em água, podendo persistir nela por dias, é solúvel em Etanol, Éter, Hidrocarbonetos, Hidrocarboneto halogenados, óleos, lipídios, gordura e petróleo. Possui uma vida média acima de 1 mês em ambientes abertos e de 3 meses em ambientes fechados. Possui uma provavel dose letal similar a de Sarin[3][4][5], é aproximadamente 250 vezes menos volátil que Sarin e quase 10 vezes mais volátil que VX[6].

Toxicidade[editar | editar código-fonte]

Sua toxicidade é 90% menor que a de VX, por possuir o radical P-O-CH2-CH3 no lugar de P-CH3, ou seja, o VG é semelhante ao sarin. É considerado perigoso demais para uso na agricultura como bactericida e acaricida. Mas, ao contrário de outros agentes nervosos, ele é classificado na Lista 2 nas Convenções de Armas Químicas, ao contrário de outros agentes menos perigosos que são mais restritivos. Supõe-se que a Coreia do Norte possa ter estoques militares deste produto químico.[7][8]

Efeitos a exposição[editar | editar código-fonte]

O agente VG é uma poderosa neurotoxina, seus efeitos de exposição podem ser tratados por antídotos que agem inibindo a produção de estímulos pela acetilcolina, uma oxima para restaurar a enzima que decompõe a acetilcolina para o Acetato e a Colina. Para aumentar a resistência a este agente, deve ser administrado brometo de piridostigmina, com o nome de Mestinon. Esta droga diminui a chance do agente nervoso fazer ligação com a enzima, já que o brometo de piridostigmina já ligou-se a ela[9][10].

Ação nervosa[editar | editar código-fonte]

VG é um inibidor da enzima acetilcolinesterase. Um pulso elétrico causa a liberação de acetilcolina na sinapse e, com isso, ocorre a contração muscular. Sem a ação da acetilcolina não ocorre uma contração muscular. Após essa contração muscular, a acetilcolina é quebrada em substâncias, como o acetato e a colina, pela enzima acetilcolinesterase. Estas retornam à enzima colina-acetiltransferase, onde a colina é acetilada pelo acetato, e se juntam novamente, formando a acetilcolina. O VG bloqueia a ação da acetilcolinesterase pela formação de uma ligação covalente no sítio de ligação da enzima, causando uma super-estimulação, com resultados físicos como contrações musculares violentas, contrações incessantes nas junções neuromusculares, devido ao bloqueio neuromuscular, seguido de paralisação dos músculos do corpo, incluindo o músculo do diafragma, resultando em morte por asfixia. Doses acima de 0,09mg podem já são capases de afetar o sistema nervoso[11].

História[editar | editar código-fonte]

Durante o início da década de 1950, pelo menos três empresas químicas que trabalhavam com inseticidas organofosforados descobriram, de forma independente, a incrível toxicidade desses produtos químicos. Em 1952, o Dr. Ranajit Ghosh, um químico que trabalhava na ICI, em seus Laboratórios de Proteção de Plantas, estava investigando o potencial de ésteres de organofosfatos de aminoetanotióis substituídos para uso como pesticidas. Como os primeiros pesquisadores alemães de organofosfatos no final da década de 1930 que descobriram os agentes nervosos da série G, o Dr. Ghosh descobriu que sua ação na colinesterase os tornava pesticidas efetivos. Um deles, Amiton, foi descrito em 1955 por Ghosh e outro químico, J. F. Newman, como sendo particularmente eficaz contra os ácaros. Foi introduzido no mercado como um inseticida pela empresa em 1954, mas posteriormente foi retirado pela sua toxicidade[12][13].

A toxicidade dessas substâncias não passou despercebida pelo governo britânico, já que alguns dos compostos já haviam sido enviados para a instalação de pesquisa em Porton Down, para avaliação. Alguns dos produtos químicos desta classe de compostos formaram um novo grupo de agentes nervosos, chamados agentes V. O governo britânico renunciou, unilateralmente, armas químicas e biológicas, em 1956 — embora que, em 1958, trocaram suas pesquisas sobre a tecnologia VX com o governo dos Estados Unidos, em troca de informações sobre armas termonucleares.[14][15][16].

Iraque projetou no final de 1975 produzir uma planta do zero para a produção de quatro pesticidas de potencial grau militar em parceria com a Pfaudler, entre estes Amitão, Demetão e Paraoxão. Devido a alta toxicidade destes agentes foram feitas diversas tentativas de não produzi-los em massa, implantando uma planta-piloto para a pesquisa e manufatura em pequena escala de VG, Demetão e Paraoxão e na obtenção de pesticidas mais precisos e seguros, porém o governo Iraquiano negou a planta, as negociações foram consideradas um desastre, logo que não houve mais uma possibilidade de parceria entre o Iraque e a Pfaudler para a produção de uma planta de pesticidas organofosforados perigosos, o Iraque se aproximou da Imperial Chemical Industries PLC, dando a mesma proposta de produzir os quatro pesticidas, porém os pedidos foram recusados devido a sensibilidade dos produtos a serem usados para a síntese dos quatro pesticidas e o uso indevido destes precursores e dos pesticidas, o projeto parado com a Pfaudler foi então dado para duas empresas, uma Alemã e uma Italiana, a empresa Alemã nega que tenha sido abordada pelo governo Iraquiano, em entrevista com o London observer a empresa Italiana relatou que nunca construiu alguma usina de pesticidas no Iraque.

A partir dos anos 80, os Iraquianos começaram a construção de uma grande fábrica de pesticidas em Samarra, a cerca de 100 quilômetros a noroeste de Bagdá. Eles compraram equipamentos e suprimentos para Samarra principalmente através do Estabelecimento do Estado Iraquiano para Produção de Praguicidas, que foi criado em 1980. Um estudo recente de Anthony H. Cordesman, especialista em questões de defesa do Oriente Médio que trabalha para o senador John McCain do Arizona, resume o argumento de que a planta de pesticidas de Samarra foi convertida para uso militar: "Os primeiros agentes nervosos Tabun usados pelos iraquianos Acredita-se que foram feitas no complexo químico iraquiano de Samarra, em uma antiga fábrica de pesticidas. Isso parece lógico, dada a estreita relação química entre os agentes nervosos e vários inseticidas organofosforados.

Cordesman observou uma ligação adicional entre inseticidas e gás nervoso. Em um artigo transmitido em 1982 pela rádio Voz das Massas, de Bagdá, os iraquianos alertaram os iranianos de que havia "um certo inseticida para todo tipo de inseto". Cordesman relata que desde então os iranianos também desenvolveram seu próprio extenso programa de armas químicas contra seus estados inimigos.

Quanto aos iraquianos, seu ministro da Defesa, general Adnan Khairallah, disse a repórteres em Bagdá que a "política do Iraque não é usar armas químicas", mas que "cada regra tem uma exceção"[17][18][19].

Classificação[editar | editar código-fonte]

É classificado como uma substância extremamente perigosa nos Estados Unidos, conforme definido na Seção 302 da Lei de Planejamento de Emergência e Direito de Conhecimento da Comunidade (42 USC 11002), e está sujeita a requisitos rigorosos de relatórios por instalações que produzem, armazenam, ou a usam em quantidades significativas.

Fabricação[editar | editar código-fonte]

VG é sintetizado perante reação de Etanol com Tricloreto de fósforo junto a Piridina, geral dissolvido em Éter etílico, a interação de álcool alifatico, o Etanol, com Tricloreto de fósforo tende a produzir hidrogeno fosfito de dialquila[20] e Cloroetano, a piridina impede a formação destes pela absorção do princípio do Cloreto de hidrogênio e na formação do Cloridrato de Piridina, e na obtenção do Trietilfosfite, logo as impurezas e subprodutos são filtrados para a purificação do Trietilfosfite, este é então feito reagir em Transesterificação com Dietilaminoetanol a temperaturas de ativação para a formação e emissão de Etanol, utiliza-se catalisadores para diminuir o tempo de reação, comumente Hidróxido de sódio, o material obtido quando todo o Etanol é emitido pelo seu ponto de ebulição é o Dietilaminoetil dietilfosfite que é purificado por meios semelhantes ao Trietilfosfite, este então é feito absorver uma quantidade calculada de enxofre[21] e depois aquecido para isomerar e originar em VG[22] [23][24]

Produção do agente nervoso VG.png

Referências

  1. «Compendium of Chemical Warfare Agents». Por Steven L. Hoenig. Consultado em 24 de junho de 2017. 
  2. Hertfordshire, University of. «amiton». sitem.herts.ac.uk. Consultado em 31 de março de 2018. 
  3. Amitai, G.; Adani, R.; Sod-Moriah, G.; Rabinovitz, I.; Chai, Y.; Vincze, A.; Leader, H.; Chefetz, B.; Leibovitz-Persky, L. (1999). «The Use of Fungal Laccase for Oxidation of Phosphorothiolates». Springer, Boston, MA (em inglês): 21–28. ISBN 9781461371533. doi:10.1007/978-1-4615-4749-5_3 
  4. «Nerve Agents». Springer, New York, NY (em inglês). 2007: 77–128. ISBN 9780387346267. doi:10.1007/978-0-387-69260-9_5 
  5. Pesticidal compositions, 25 de agosto de 2009, consultado em 31 de março de 2018. 
  6. D. Hank Ellison Handbook Of Chemical And Biological Warfare Agents (em English). [S.l.: s.n.] 
  7. «TOXNET - Amiton». TOXNET. Consultado em 24 de junho de 2017. 
  8. «AMITON - National Library of Medicine HSDB Database». toxnet.nlm.nih.gov. Consultado em 31 de março de 2018. 
  9. Cholinesterase Inhibitors, 7 de setembro de 2016, consultado em 31 de março de 2018. 
  10. Nerve Agent Antidotes, 14 de março de 2013, consultado em 1 de abril de 2018. 
  11. O’Brien, R. D. (1976). «Acetylcholinesterase and Its Inhibition». Springer, Boston, MA (em inglês): 271–296. ISBN 9781489922144. doi:10.1007/978-1-4899-2212-0_7 
  12. «cornellbiochem - Amiton». cornellbiochem.wikispaces.com. Consultado em 31 de março de 2018. 
  13. Simon Cotton. «Nerve gas in warfare». birmingham. Consultado em 31 de março de 2018. 
  14. Soltaninejad, Kambiz; Shadnia, Shahin (2014). «History of the Use and Epidemiology of Organophosphorus Poisoning». Springer, London (em inglês): 25–43. ISBN 9781447156246. doi:10.1007/978-1-4471-5625-3_2 
  15. Fest, Christa; Schmidt, K.-J. (1970). «Insektizide Phosphorsäureester». Springer, Berlin, Heidelberg. Chemie der Pflanzenschutz- und Schädlingsbekämpfungsmittel (em alemão): 246–453. ISBN 9783642462122. doi:10.1007/978-3-642-46210-8_9 
  16. Dr Brian Balmer. «'Public Health in Reverse': History, Innovation and the Dual -Use Problem of Biological and Chemical Warfare» (PDF). Consultado em 31 de março de 2018. 
  17. Ignatius, David (25 de setembro de 1988). «IRAQ'S 13-YEAR SEARCH FOR DEADLY CHEMICALS». Washington Post (em inglês). ISSN 0190-8286 
  18. Spiers, Edward M. (1994). «Proliferation Incentives, Supplies and Controls». Palgrave Macmillan, London (em inglês): 42–64. ISBN 9781349390649. doi:10.1057/9780230375642_3 
  19. «THE IRAN-IRAQ WAR: GAS WARFARE AND THE PROSPECTS FOR THE USE OF NUCLEAR WEAPONS». Outobro de 1988, SENATOR JOHN MCCAIN 
  20. Production of dialkyl hydrogen phosphites, 22 de setembro de 1953, consultado em 31 de março de 2018. 
  21. Manufacture of esters of thiophosphoric acid, 24 de maio de 1955, consultado em 31 de março de 2018. 
  22. Process for the production of thiophosphoric acid esters, 20 de junho de 1980, consultado em 31 de março de 2018. 
  23. Thiophosphoric acid esters and process for their manufacture, 2 de dezembro de 1957, consultado em 31 de março de 2018. 
  24. Thionophosphoric acid esters and process for their manufacture, 20 de novembro de 1957, consultado em 31 de março de 2018.