Antipatharia
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Antipatharia | |||||||||||||
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| Classificação científica | |||||||||||||
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| Famílias | |||||||||||||
| Antipathidae Aphanipathidae | |||||||||||||
Antipatharia é uma ordem de Anthozoa (corais pertencentes ao filo Cnidaria) de profundidade e com aspecto de arbustos relacionados com as anémonas. Apesar de ocorrerem essencialmente nos trópicos, podem também ser encontrados em águas não-tropicais pouco profundas, como em Milford Sound, Nova Zelândia, onde podem ser observados a partir de um observatório subaquático.
Os membros desta ordem, apesar de possuírem um tecido vivo com colorações brilhantes, possuem um esqueleto de cor negra ou castanha escura. Devido a isto são também conhecidos como corais negros. Uma outra característica única deste grupo são os pequenos espinhos que revestem a superfície do seu esqueleto, pelo que também podem ser chamados de corais espinhosos.
Em havaiano, o coral negro designa-se ‘ēkaha kū moana e é a pedra preciosa oficial do estado do Hawaii. O coral negro encontra-se incluído no Apêndice II da Convenção sobre o Comércio Internacional das Espécies da Fauna e da Flora Selvagens Ameaçadas de Extinção (CITES).
Taxonomia e classificação
[editar | editar código]Os corais negros têm sido historicamente difíceis de classificar devido à má qualidade dos espécimes zoológicos. Eles possuem poucas características morfológicas distintas e as poucas existentes variam entre as espécies, de forma semelhante a outros corais. Quando os corais negros foram documentados pela primeira vez por Henri Milne-Edwards e Jules Haime, dois zoólogos franceses, em 1857, todas as espécies de Antipatharia foram colocadas na família Antipathidae.[1] De 2001 a 2006, os biólogos marinhos Dennis Opresko e Tina Molodtsova ajudaram a transformar o sistema taxonômico no que ele é hoje.[2] Um estudo filogenético de 2007 confirmou o novo sistema taxonômico.[3]
Os corais negros são classificados na ordem Antipatharia, com 7 famílias, 44 gêneros e 280 espécies distintas.[4] As famílias são Antipathidae, Aphanipathidae, Cladopathidae, Leiopathidae, Myriopathidae, Schizopathidae e Stylopathidae.[5] Os corais negros podem ser distinguidos de outros corais por seus esqueletos negros e flexíveis e pela quase total falta de qualquer tipo de proteção contra sedimentos. Todos os corais negros possuem pólipos de tamanho pequeno ou médio e um esqueleto de quitina, revestido com pequenos espinhos.[6] O gênero Leiopathes, especificamente, pode viver por longos períodos e é um dos géneros mais antigos de Antipatharia. Os corais negros possuem algumas das maiores expectativas de vida registradas para organismos coloniais na Terra. Estudos de datação por radiocarbono realizados em espécimes do género Leiopathes coletados no Havaí revelaram idades de até 4.265 anos.[7] Este crescimento extremamente lento é atribuído à estabilidade ambiental das águas profundas e ao metabolismo reduzido destes organismos.[7] Os seus esqueletos conservam uma valiosa história evolutiva das condições oceanográficas passadas. Estudos mostraram que a espécie L. glaberrima no Golfo do México apresenta padrões de enriquecimento de nutrientes nos últimos 200 anos, provavelmente como consequência do escoamento terrestre de atividades humanas.[8]
Géneros
[editar | editar código]Lista de gêneros de acordo com o World Register of Marine Species:[9]
- Família Ameripathidae Opresko & Horowitz, 2024
- Família Antipathidae Ehrenberg, 1834
- Família Aphanipathidae Opresko, 2004
- Família Cladopathidae Kinoshita, 1910
- subfamília Cladopathinae
- subfamília Hexapathinae
- subfamília Sibopathinae
- Família Leiopathidae Haeckel, 1896
- Família Myriopathidae Opresko, 2001
- Família Schizopathidae Brook, 1889
- Família Stylopathidae Opresko, 2006
Características físicas
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Os esqueletos desses corais crescem em muitos padrões únicos para esta ordem, como chicotes, árvores, leques ou espirais. Eles variam em tamanho de 10 a 300 cm, embora os pólipos possam ser tão pequenos quanto 1 mm.[1][10] Os esqueletos também são revestidos com minúsculos espinhos.[1] Esses espinhos têm aproximadamente 0.5 mm de tamanho e variam amplamente em termos de tamanho e agudeza.[4]
Uma camada de "casca" se forma ao redor do esqueleto à medida que o coral cresce. Os pólipos que vivem dentro desta casca têm menos de 2 mm[11] e são gelatinosos, possuindo seis tentáculos.[12] Esses pólipos podem ter quase qualquer cor.[13] Alguns corais também possuem "tentáculos varredores", que podem crescer até 15 mm de comprimento.[11] Embora os pólipos individuais sejam masculinos ou femininos, as colônias inteiras são tipicamente hermafroditas.[14]
Ao contrário da maioria dos outros corais, os corais negros não possuem proteção contra materiais abrasivos e carecem de desenvolvimento muscular. Por isso, vivem perto de fendas para proteção.[6]
Referências
- 1 2 3 «Boneless Mysteries: Black Coral» (em inglês). Smithsonian Ocean. Consultado em 4 de maio de 2020
- ↑ «Antipatharia». WoRMS. Consultado em 4 de maio de 2020
- ↑ Brugler, Mercer, R.; France, Scott C. (março de 2007). «The complete mitochondrial genome of the black coral Chrysopathes formosa (Cnidaria:Anthozoa:Antipatharia) supports classification of antipatharians within the subclass Hexacorallia». Molecular Phylogenetics and Evolution (em inglês). 42 (3). pp. 776–778. PMID 17049278. doi:10.1016/j.ympev.2006.08.016. Consultado em 4 de maio de 2020
- 1 2 Opresko, Dennis. «Spotlight on Antipatharians (Black Corals)». NMNH (em inglês). Consultado em 4 de maio de 2020
- ↑ NOAA. «Black Corals of Hawaii». oceanexplorer.noaa.gov (em inglês)
- 1 2 Wagner, Daniel (2011). Taxonomy and Ecology of the Antipatharia and Ceriantharia (Coelenterata: Anthozoa) (Tese de Doutorado) (em inglês). University of Hawaii at Manoa
- 1 2 Roark, E. B.; Guilderson, T. P. (2009). «Extreme longevity in proteinaceous deep-sea corals». Proceedings of the National Academy of Sciences (em inglês). 106 (13). pp. 5204–5208. doi:10.1073/pnas.0810875106
- ↑ Etnoyer, P. J.; Wagner, D. (2018). «Models of habitat suitability, size, and age-class structure for the deep-sea black coral Leiopathes glaberrima in the Gulf of Mexico». Deep Sea Research Part II (em inglês). 150. pp. 218–228. doi:10.1016/j.dsr2.2017.10.008
- ↑ Dennis Opresko (2019). «Antipatharia». World Register of Marine Species. Consultado em 25 de novembro de 2019
- ↑ «Black Coral: Hawaii State Gem». State Symbols USA (em inglês). 21 de setembro de 2014. Consultado em 13 de setembro de 2019
- 1 2 Goldberg, W. M.; Grange, K. R. (agosto de 1990). «The Structure of Sweeper Tentacles in the Black Coral Antipathes fiordensis». The Biological Bulletin (em inglês). 179 (1). pp. 96–104. doi:10.2307/1541743
- ↑ Milne-Edwards e Haime. «Antipatharia sp (Milne-Edwards & Haime, 1857): "Black Coral"». Consultado em 30 de outubro de 2019. Cópia arquivada em 30 de outubro de 2019
- ↑ Bo, Marzia (19 de novembro de 2014). «Black corals». Reefs.com (em inglês). Consultado em 4 de maio de 2020
- ↑ Bo, Marzia; Wijgerde, Tim (19 de novembro de 2014). «Black corals». Reefs (em inglês). Consultado em 4 de maio de 2020
Ligações externas
[editar | editar código]- Rede de Diversidade Animal
- «Antipathidae» (em inglês). ITIS (www.itis.gov). 15 de Setembro de 2008
- National Geographic, Expedição científica com vista à prevenção da perda de corais negros
- ARKive, Identificação de corais negros