Botafogo (galeão)

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São João Baptista
O Botafogo (em primeiro plano à esquerda) abrindo fogo sobre Tunes
Carreira Flag of Portugal (1521).svg
Construção Reino de Portugal
Lançamento 24 de agosto de 1534
Patrono São João Baptista
Período de serviço 1534 -
Características gerais
Deslocamento 1,000 toneladas
Armamento 366 bocas de fogo

O São João Baptista (mais conhecido pela alcunha de Botafogo) foi um galeão ao serviço da Marinha Portuguesa, durante o século XVI. Na sua época, era o mais poderoso navio de guerra do mundo.

O Botafogo foi construído em Portugal, por volta de 1534, com um deslocamento de cerca de 1000 toneladas.

O navio estava armado com 366 bocas de fogo de bronze, tendo, portanto, um tremendo de poder de fogo. Por essa razão tornou-se conhecido por Botafogo.

Este navio foi usado quer no Atlântico quer no Mediterrâneo onde ficou famoso durante a conquista de Tunis.

Participação na Conquista de Tunis[editar | editar código-fonte]

Nessa batalha, o Botafogo era comandado pelo Infante D. Luís, irmão do Rei D. João III de Portugal e cunhado do Imperador Carlos V. Quando Carlos V solicitou apoio naval a Portugal, referiu especificamente o Botafogo.

De acordo com os relatos da época, foi o esporão do Botafogo que conseguiu quebrar as correntes em La Goleta, que defendiam a entrada do porto, permitindo, então, à armada cristã que atingisse e conquistasse a cidade de Tunes.

O galeão portuguez chamado S. João Baptista, em que o imperador de Alemanha, e rei de Hespanha Carlos V foi com seu cunhado o nosso infante Dom Luiz, chamado Delicias de Portugal, á conquista de Tunes contra o famoso corsario Heredim Barba-Rôxa, não só é celebrado por ser o maior navio, que nos mares da Europa opprimiram as ondas, pois jogava 366 peças de bronze, e sendo redondo continha 600 mosqueteiros, 400 soldados de espada e rodella, e 300 artilheiros; mas tambem é famoso pelo talhamar, ou serra grande de aço finissimo, que tinha na próa, para romper a cadea de Goleta; o que se não poude conseguir da primeira vez, mas sim da segunda, em que o infante Dom Luiz mandou ao piloto, que se fizesse ao mar com volta mais larga, e dadas as velas todas ao vento [prevenção que faltara na primeira] investiu a cadeia com impulso tão furioso, e vehemente, que a fez em pedaços, levantando uma grande serra de agua. Entrou o galeão pelo rio, como pelo corro o cavalleiro depois d’uma boa sorte, e começou a lançar tanta immensidade de raios sobre as fortificações dos infieis, que daqui lhe veio o nome, que o vulgo repete [ainda hoje em dia], chamando-lhe o galeão botafogo. Com elle, sem duvida, se facilitou, e conseguiu a conquista da Goleta, que se afigurava inexpugnavel, no dia 13 de Julho do anno de 1535. (Revista Panorama, 1841, Volume 5, pág. 384) [1]

A propagação do nome do Botafogo[editar | editar código-fonte]

Um dos membros da tripulação do galeão, chamado João Pereira de Sousa - um nobre originário da cidade de Elvas - tornou-se famoso uma vez que era o responsável pela artilharia do navio pelo que, também ele, ganhou a alcunha de "Botafogo", que incluiu o seu apelido em seu sobrenome, passando este nome aos seus descendentes. Mais tarde, quando se estabeleceu no Brasil, lutou contra os Franceses e contra os índios tupi. Como recompensa, a Coroa Portuguesa doou-lhe terras junto da baía de Guanabara, passando essa área a ser conhecida por Botafogo atendendo ao nome do detentor das terras. Estas terras vieram a constituir o atual bairro da cidade do Rio de Janeiro.

Por tal, até hoje há o famoso bairro chamado de Botafogo na Zona Sul da cidade do Rio de Janeiro, abrigando o tradicional e conhecido clube desportivo homónimo, o Botafogo de Futebol e Regatas.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Notas e Referências

  1. «Portentos da Marinha». Panorama. Vol. 5. 384 páginas. 1841 

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • ”Batalhas e Combates da Marinha Portuguesa”, Vol. II, pág. 243 /245 – de Saturnino Monteiro. Livraria Sá da Costa, 1ª Edição, 1991.
  • ”Nobreza de Portugal e do Brasil” – Vol. I, pág. 382/384. Publicado por Zairol Lda., Lisboa 1989.