Carlos I de Espanha

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Carlos V & I
Sacro Imperador Romano-Germânico
Rei de Espanha
Governo
Reinado Em Espanha: 14 de Março de 1516 – 16 de Janeiro de 1556;
No Sacro Império: 26 de Outubro de 1520 – 3 de Maio de 1558
Consorte Isabel de Portugal
Antecessor Em Espanha: Filipe I (Pai);
No Sacro Império: Maximiliano I (Avô)
Herdeiro Em Espanha: Filipe II (Filho);
No Sacro Império:Fernando I (Irmão)
Sucessor Em Espanha: Filipe II (Filho);
No Sacro Império: Fernando I (Irmão)
Casa Real Habsburgo
Dinastia Habsburgo
Títulos Rei de Nápoles, Rei da Sicília
Vida
Nascimento 24 de Fevereiro de 1500
Gante, Flandres
Morte 21 de Setembro de 1558 (58 anos)
Cáceres, Espanha
Sepultamento Real Mosteiro de São Lourenço do Escorial, Madrid
Pai Filipe I de Castela
Mãe Joana I de Castela

Carlos de Habsburgo (Gante, 24 de Fevereiro de 1500Cáceres, 21 de Setembro de 1558) foi o 2º Rei de Espanha (Carlos I), logo depois de sua mãe, e imperador do Sacro Império Romano-Germânico (Carlos V). Arquiduque de Áustria, Duque de Milão e da Duque de Suábia, conde de Flandres, foi Rei de Nápoles e Sicília como Carlos IV de 1516 a 1555, Príncipe dos Países Baixos de 1516 até abdicar em outubro de 1555 no palácio dos duques de Brabante.

Abdicou em 1556 e passou o governo a seu filho, Filipe II, exceto o Sacro Império e suas terras austríacas, que entregou ao irmão Fernando.

Seus outros títulos foram: Rei de Nápoles, Rei da Sicília, Conde da Holanda, Conde da Zelândia, Conde de Ostrevant, de 1506 a 1556, Conde de Flandres, Duque do Brabante, Duque de Limburgo, Duque de Luxemburgo, Conde de Hainaut, Conde de Louvain, Conde de Namur de 1506 a 1536; Rei dos Países Baixos de 1536 a 1555, Rei dos Romanos de 1519 a 1530, Imperador do Sacro Império Romano de 1530 a 1556; landgrave da Alta Alsácia de 1519 a 1556, Arquiduque da Áustria, Duque de Carniola, Duque da Caríntia, Duque da Estíria, Conde do Tirol 1519-1520, Conde da Borgonha, Conde de Artois, Conde de Charolais 1530-1556, Duque de Milão 1535-1552 e Duque de Gueldres 1543-1555.

Família[editar | editar código-fonte]

Era filho de Joana "a Louca" e de Filipe "o Belo". Neto de Maximiliano I da Germânia ou de Habsburgo e de sua esposa Maria de Borgonha por via paterna e dos Reis Católicos por via materna. Duque da Borgonha em 1506, aos seis anos. Com a subida ao trono do primogênito de Filipe e Joana surgia na Espanha e na Alemanha a dinastia dos Áustrias. Carlos conseguiu unificar em sua pessoa o conjunto dos territórios da Coroa de Castela (herança de sua avó a rainha Isabel I), da Coroa de Aragão (herança do avô Fernando II) e as terras vindas por herança paterna (os Países Baixos, o Franco Condado) e do avô paterno (Áustria, Estíria, Tirol).

Irmãos[editar | editar código-fonte]

Primeiros anos[editar | editar código-fonte]

Nasceu em Gante, onde sua mãe estava acompanhando o marido, governador dos Países Baixos como primogênito do imperador Maximiliano I e de Maria da Borgonha. Durante muitos anos foi chamado Carlos de Gante. Espanhol pela mãe, alemão pelo avô, borgonhês pelo pai e pela avó Maria, filha de Carlos o Temerário, duque da Borgonha. Morto seu pai em 1506, incorporou os Países Baixos e o Franco Condado, feudos do império.

Passou a infância e a adolescência em terras da Borgonha (Flandres, atual Bélgica e Holanda). Estiveram encarregados de sua educação Margarida de Áustria, sua tia, a regente em seu nome, e o cardeal Adriano de Utrecht, humanista e professor de teologia em Lovaína, mais tarde Papa Adriano VI. Guilherme de Chièvres, principal conselheiro do pai, tinha a cargo sua Casa.

Em 1515, foi declarado maior de idade, encarregando-se do governo de Flandres. Morto seu avô Maximiliano, em 1516, incorporou os territórios austríacos dos Habsburgos: a Alta e Baixa Áustria, ducados da Estíria, Carniola e Caríntia, condado do Tirol, landgraviato da Alta Alsácia.

Rei Carlos I de Espanha[editar | editar código-fonte]

Realeza Espanhola
Casa de Habsburgo
Descendência
Greater Coat of Arms of Charles I of Spain, Charles V as Holy Roman Emperor (1530-1556).svg

Na Espanha, seu avô Fernando II de Aragão continuava como regente da filha Joana de Castela até morrer em 23 de janeiro de 1516. Em detrimento de sua mãe, Joana, encerrada num castelo, Carlos passou a possuir os reinos de Castela, Aragão, Nápoles e Sicília e as colônias americanas. Assim, uma série de heranças , preparadas pela política matrimonial do avô Maximiliano, reuniu em Carlos um império imenso em que se dizia que o sol jamais se punha. Sua herança, para alguns historiadores espanhóis, tem a dupla característica de ser ao mesmo tempo individual e universal. Individual, "en el sentido de que estaba hecha de un mosaico de diferentes territórios cada uno con su historia, su lengua, sus leyes y sus tradiciones". A relação que mantinham cada um de seus territórios com seu governante era privativa de cada um deles. Tinha que respeitar os direitos e os privilégios de cada território, e assim sendo, seu poder variava muito de uma a outra terra.

A 30 de maio de 1516, ao falecer o seu avô materno Fernando II de Aragão e com o apoio económico dos banqueiros da família Fugger (conhecidos em Espanha como os Fúcares), foi proclamado rei de Espanha em Madrid. Graças à recente descoberta do Novo Mundo, por Cristóvão Colombo, muito em breve a Espanha seria senhora de um imenso império transatlântico.

Antes de ir para aquele país, no entanto, Carlos teve de conter uma rebelião camponesa nos Países Baixos, que havia tido início em 1515. No começo era um evento isolado, mas tomou proporções maiores e, em 1517, Carlos comandou o exército holandês contra os rebeldes, liderados por Pier Gerlofs Donia e Wijard Jelckama. O combate durou até 1523 quando, apesar do sucesso inicial da rebelião, os líderes foram derrotados e mortos.

Carlos foi para a Espanha aos 17 anos, em setembro de 1517, sem falar espanhol, com seu grupo de conselheiros flamengos - que cedo se indispuseram com os espanhóis. Em 1518], foi formalmente reconhecido rei, como a mãe, pelas cortes de Castela e depois de Aragão. Enfrentou a revolta dos Comuneros, que não aceitavam o regente Adriano de Utrecht, nem a sua corte flamenga. Finalmente os venceu na batalha de Villalar (Valhadolid). Em 1519, Carlos I jurou como conde de Barcelona (título que implicava ser rei dos reinos da confederação catalã-aragonesa). Durante sua estada em Espanha, seu avô Maximiliano I morreu e Carlos herdou as terras dos Habsburgos.

Os assuntos internos espanhóis tinham imensas necessidades de mudanças: as finanças em desordem, a dívida muito importante. Com o sistema de comunicações ainda primitivo, não podia vigiar o império todo, que decidiu dividir em distritos. Tornou a Espanha no centro de seus domínios, e partiu para lá em 1522. Afastado da Alemanha e de seus estados herdados dos Habsburgo, reservando para si próprio a Espanha e a política geral do império como um todo, deu suas possessões austríacas a seu irmão Fernando em 1522, tornando-o também seu representante na chefia do governo imperial.

Carlos governou a Espanha como governara os Países Baixos, ambos compostos originalmente de vários estados independentes, gradualmente unidos sob um só soberano, amarrados a seus antigos interesses, leis, costumes. A administração central foi reorganizada na Espanha em 1523 e nos Países Baixos em 1531, subordinada ao poder real, empregando funcionários que se consideravam servidores do rei. Nos Países Baixos tornou os funcionários judiciais e fiscais dependentes da administração central. Criou um sistema policial, um corpo de leis que incentivava a vida social e industrial. Promoveu a agricultura . Sua legislação comercial não foi restritiva. A criação de tais autoridades e desse sistema de leis teve por efeito limitar o poder das Cortes e Estados Gerais, corpos que doravante retinham apenas o direito aos impostos e taxas e mesmo assim, no exercício de tais direitos, Carlos conseguiu fazer com que se acostumassem a orçamentos regulares anuais.

A política econômica de Carlos teve mais sucesso nos Países Baixos do que na Espanha, onde o progresso industrial era mais lento, sem alterações políticas. Oposição surgia nas Cortes, no governo das cidades, na pequena nobreza, a Hidalgueria, que resistia ao progresso e à política externa do imperador.

Carlos V, Imperador do Sacro Império Romano-Germânico[editar | editar código-fonte]

Morto seu avô Maximiliano I de Áustria, obteve os territórios austríacos dos Habsburgo e foi eleito imperador do Sacro Império Romano-Germânico como Carlos V, 1519. O título tinha reminiscências do Império Romano, de Carlos Magno e dos imperadores medievais e impunha a missão divina de guardar a paz e a justiça na cristandade e defendê-la do infiel: o infiel era, naquela época, o Império Otomano e o Islão. Não foi eleição fácil, pois tinha como rival Francisco I de França, contava com oposição do Papa Leão X, e havia a corrupção dos eleitores. Foi eleito, a despeito de Roma e da França, em 28 de junho de 1519.

O Papa Leão X não lhe pôs dificuldades, e com isso preparou a base para seu império universal. Durante sua estadia de alguns meses nos Países Baixos, depois de voltar da Espanha, e ao chegar na Alemanha em 1520, tinha tomado as rédeas do Governo. Estava na Alemanha para fazer valer a sua proclamação de imperador, para o que contribuiu economicamente o banqueiro Fugger. Ficaria ausente da Espanha até 1522. Como fazia seu avô Maximiliano, viajou constantemente durante seu reinado, sem passar muito tempo na Espanha.

A cristandade estava ameaçada internamente por divisões políticas e religiosas. Lutero combatia a Igreja de Roma, os turcos avançavam sobre os Bálcãs e o Mediterrâneo.

Eleito imperador, foi visitar na Inglaterra Henrique VIII e sua rainha, sua tia Catarina de Aragão. Fez-se sagrar imperador em Aquisgrão em 23 de outubro de 1520.

Logo manifestou independência e maturidade, afetando o sucesso da Dieta de Worms. O movimento de Lutero se espalhara pela Alemanha e o legado papal na corte imperial pedia sua supressão.

Chegou a um esquema intitulado o Reichsregiment — para decidir como os gastos seriam cobertos, como os Estados forneceriam assistência militar ao imperador na guerra. Em abril de 1521, Lutero foi convocado à Dieta e não se retratou. No dia seguinte Carlos o recebeu nos Estados e expressou sua opinião de modo enfático. Em 8 de maio de 1521, preparou o banimento de Lutero, efetivo no dia seguinte.

O seu conselheiro Chièvres, de grande importância inicialmente, morreu em maio de 1521.

A guerra italiana e a contrariedade com Francisco I[editar | editar código-fonte]

A derrota dos comuneros em 1521, em Villalar, provocou a aliança do imperador com a aristocracia latifundiária e levou à perda de efetividade das cortes de Castela. Em Valência e em Maiorca, a repressão das germanias (onde artesãos e burgueses eram maioria) de 1519 a 1523 provocou idêntico resultado.

Em 8 de maio de 1521, data do edito contra Lutero, foi assinada aliança ofensiva contra a França com o representante do papa. A guerra, que duraria de 1521 a 1529, condicionava a extensão do poder papal na Itália. No primeiro ano de guerra, os generais de Carlos V venceram poucas batalhas, e pequenas, na Espanha e nos Países Baixos.

Em 1522, seus generais tomaram Milão dos franceses e invadiram a França, aliados ao condestável de Bourbon. Os franceses se recuperaram e invadiram a Lombardia.

Quando o Reichsregiment foi abrogado em 1525, Carlos conseguiu fazer com que seu irmão Ferdinando fosse eleito Rei de Roma em 1530. Manteve o governo dos Países Baixos, mas conseguiu ali estabelecer uma regência permanente desde 1522, escolhendo como regentes duas mulheres capazes e fiéis: até 1530 sua tia Margarida e a partir de então sua irmã Maria da Hungria, regente até que Carlos abdicou. Continuou a política do avô, deixando Nápoles ser governada por vice-reis.

Os espanhóis derrotaram Francisco I em Pavia em 24 de fevereiro de 1525 e o tomaram prisioneiro. O rei francês foi levado preso para a Espanha e, para recuperar a liberdade, forçado a assinar o tratado conhecido como a Paz de Madrid, em janeiro de 1526, cujos termos enfraqueciam o poder francês e davam a Carlos V ampla liberdade na Itália. O Papa Clemente VII, começou imediatamente a tentar uma coalizão contra ele, induzindo a França a recomeçar a guerra. Carlos dirigiu seu exército contra Roma em 1527, ocorrendo o saque de Roma. Os imperiais triunfaram, e os pequenos Estados italianos aliaram-se a Carlos. O Papa também assinou um tratado de paz em Barcelona em 29 de junho de 1529. O tratado com a França foi assinado em Cambrai, em 5 de agosto de 1529 e por ele se resolveu a situação política da Europa, sobretudo da italiana, por longos anos.

1530-1544[editar | editar código-fonte]

Mapa do domínio Habsburgo a seguir à Batalha de Mühlberg (1547), retirada do The Cambridge Modern History Atlas (1912); as terras dos Habsburgos se destacam, sombreadas a verde; sem sombreado, as terras do Sacro-Império Romano-Germânico, presidido pelos Habsburgos, sem incluir as possessões espanholas do Novo Mundo.

As linhas divisórias do seu reino seriam a coroação como imperador em Bolonha, 1530, e a paz de Crepy, 1544.

Após vencer em Bicoca Francisco I em 1522 em Pavia e em 1525. Conseguiu o Milanesado (a região ao redor de Milão) em 1526, pelo Tratado de Madrid,. Mas Francisco I se aliou a Clemente VII e os príncipes italianos independentes na Liga de Cognac, declaram-lhe guerra.

A paz de Cambrai em 1529 resolvia a recuperação do ducado da Borgonha por Francisco I. Quando Carlos recebeu notícia sobre Cambrai, foi à Itália entrevistar-se com o papa. Encontraram-se em Bolonha e discutiram dois assuntos que afetavam a cristandade: os turcos e Lutero. Em 1521 os turcos haviam tomado Belgrado, estratégico para o Reino da Hungria; em 1522, tomaram Rodes, que até então lhes impedia o caminho a oeste do mar Egeu. Em 1523, o pirata Chaireddin Barbarossa, aliado do sultão, à testa de corsários do norte da África que atacavam constantemente o litoral italiano e espanhol, se fizera poderoso nos pequenos estados maometanos do norte da África. Por terra, os turcos derrotaram os húngaros em Mohács e se apoderaram de quase todo o reino. O caminho se abriu e entraram em Viena em 1529.

Na Dieta de Habsburgo, Carlos mostrou atitude conciliadora diante do problema religioso alemão, mas fracassou com os príncipes protestantes alemães. O Luteranismo avançava sempre, o edito contra Lutero não era aplicado, houve movimentos sociais e revolucionários na Alemanha de 1522 a 1525. Em 1526, uma Igreja independente estatal fora organizada pelos protestantes em muitas províncias, com ajuda de seus soberanos, os quais em 1529 declararam na Dieta de Spires que não permitiriam ataques a tais organizações, nem tolerar culto católico em seus Estados.

Carlos informou o Papa de que só a convocação imediata de um concílio geral traria paz. Tornou-se um de seus objetivos mais desejados, assim como a guerra contra os turcos, que tinha querido desde a Paz de Madrid em 1526.

Ao receber em 24 de fevereiro de 1530 a coroa imperial do Papa Clemente VII em Bolonha, desde 1 de fevereiro de 1530 tinha concluído uma paz geral com o Papa e a maior parte dos estados cristãos.

A retirada dos turcos de Viena permitiu que Carlos, antes de começar guerra contra eles, fizesse um esforço em prol da unidade religiosa na Alemanha. No verão, apareceu na Dieta de Augsburgo, com um legado papal, ouvir os protestantes. Os fiéis do novo credo estavam bem dispostos quanto a ele, que tinha desconvocado suas tropas.

Igualmente importantes foram a batalha do Danúbio contra os turcos em 1532, sua conquista pessoal de Túnis em 1533, a invasão da Provença em 1536, a rebelião de Gante em 1540, e a paz de Crepy.

O novo ataque turco chegou em 1532, por terra. Carlos V conseguiu repeli-los, recuperando parte do Reino da Hungria, mas sem uma derrota decisiva. Transferiu a guerra para o Mediterrâneo. Em 1530, a conselho do papa, dera a ilha de Malta aos Cavaleiros Hospitalários, defensores de Rodes, para evitarem que os turcos entrassem no mar toscano.

Retrato de Carlos I de Espanha,
na Galleria degli Uffizi.

Em 1531 e 1532 o almirante genovês Andrea Doria buscara os turcos em suas próprias águas, mas a frota turca escapara. O sultão ofereceu o principal comando de sua marinha a Chairaddin, fazendo sua a causa dos piratas. Em 1555, Carlos tomou parte na campanha contra Túnis, sob a liderança de Doria. Vencedores, encareceu um ataque a Argel, mas seus comandantes, como a estação estava avançada, se opuseram.

Enquanto Carlos golpeava o Islão no Mediterrâneo, o Papa Paulo III, para sucessor de Clemente VII, convocava um concílio - mas houve dificuldades, pois Carlos logo descobriria que teria que combater novamente a França. Francisco I de França não só se opunha ao concílio quanto entrara em entendimentos tanto com o sultão quanto com a Liga Smalkaldiana que os príncipes alemães protestantes haviam formado contra Carlos depois da Dieta de Augsburgo.

Morto o último Sforza, Francisco reclamou o Ducado de Milão como feudo.

Em 1539, os rivais se encontraram em Nice. Mas ao visitar os Países Baixos e a Alemanha, Carlos descobriu que o esperavam novas perturbações, fomentadas outra vez pela França. Em 1538, se extinguira a linha dos condes de Gueldres, mas o último da dinastia dispusera que o condado passasse ao duque de Cleves-Julich, o mais forte dos principados temporais do Reno inferior. Assim, Gueldres resistiu à anexação tentada pela Borgonha. Carlos não consentiu que fosse anexada pelo ducado de Cleves-Julich, como desejavam a liga e Francisco I. E Henrique VIII de Inglaterra, naquela altura casado com Ana de Cleves, filha do Duque, ameaçava se unir à coalizão.

Turcos e franceses preparavam-se para unir suas frotas no Mediterrâneo. Francisco buscou ajuda dos dinamarqueses e escandinavos. Carlos procurava evitar hostilidades até poder romper a coalizão formidável de seus inimigos. Conseguiu separar Henrique VIII, e durante a dieta e conferência em Ratisbona em 1541, passou a controlar Filipe de Hesse, o principal líder da liga.

Decidiu atacar os turcos, tencionando que o exército imperial operasse na Hungria enquanto atacava Argel, mas os planos falharam. Os franceses penetraram nos Países Baixos, a liga (com Hesse) atacou Henrique de Brunwswick, o único aliado que Carlos tinha no norte da Alemanha, e ocuparam suas terras. Enquanto o patriotismo neerlandês mantinha os franceses em cheque, Carlos voltou da Espanha e em 1543 atacou Cleves. Em poucos dias, Gueldres se tornou parte da Borgonha, protegida assim do lado alemão embora ainda exposta do lado da fronteira francesa. Carlos construiu uma linha de fortalezas e, em 1544, invadiu a França. Francisco tinha esgotado suas forças, Carlos estava igualmente cansado de guerra e a paz foi concluída em 17 de setembro de 1544 em Crespy.

Do Concílio de Trento à abdicação[editar | editar código-fonte]

Carlos enfrentava a questão de conceder ou não liberdade de ação aos príncipes protestantes da Alemanha aos quais, pressionado pela guerra, fizera concessões, sobretudo na Dieta de Speyer em 1544. Até então, tinha deixado os acontecimentos evoluírem, assim como seu irmão Fernando. O poder dos príncipes, aumentando sempre, já era firme. Na ausência do Imperador, tinham suprimido sozinhos perturbações que teriam levado o país à guerra civil, primeiro a Liga dos Cavaleiros, depois a Guerra dos Camponeses, as desordens do clero luterano, depois a rebelião dos anabatistas. Ao apoiar Lutero contra Carlos, asseguravam-se o meio de manter o poder. Carlos decidiu combatê-los. Para retirar o apoio religioso, esperava pela abertura do Concílio de Trento, em 1545.

Abriu as hostilidades no verão de 1546. Conquistou o sul da Alemanha, entrou por Saxe, derrotou e capturou seu Eleitor em Muhlberg, em 24 de abril de 1547. Aprisionou Filipe de Hesse, mas não por traição, como foi difundido. Acreditava que deveria humilhar os príncipes de modo a poder reorganizar o império com seu auxílio, numa dieta em Augsburg, como já reorganizara os Países Baixos e a Espanha.

A solução das dificuldades religiosas devia ser a base da reconstrução. O concílio deveria ter a palavra final sobre assuntos de doutrina mas até que sua decisão fosse tomada, o imperador desejava a paz e faria concessões aos protestantes. Entretanto, seu sentido de justiça impedia que tais concessões abrangessem a retenção das propriedades eclesiásticas tomadas pelos Reformados e a abdoragão temporária da autoridade episcopal. Assim sendo, não entusiasmou os príncipes evangélicos.

Para a reconstrução política do império, Carlos reconheceria a condição da Alemanha, mas apenas como resultado de evolução histórica. Exigiu dos feudatários obediência ao poder imperial em casos que afetassem o bem estar geral, reconhecendo determinadas fórmulas, sem buscar lucro individual a pretexto do bem do império. As concessões seriam semelhantes às que fizera a seus súditos espanhóis: um certo grau de autonomia em muitos Estados, em troca de ajuda para necessidades inquestionáveis do império. O resultado foi nulo. Os católicos exigiram que as medidas se aplicassem também a eles, os protestantes continuavam a resistir. Adiaram até que as condições pioraram para o imperador.

Carlos, nessa altura, resolveu fazer seu testamento.

Em 1551, os turcos e o filho de Francisco I, Henrique II, novo rei francês, abriram novas hostilidades. No ano seguinte alguns príncipes protestantes alemães, chefiados por Maurício de Saxe, atacaram inesperadamente o exército imperial. Enquanto Carlos estava doente em Innsbruck, Henrique II ocupou os bispados de Metz, Toul e Verdun. Carlos abandonou seu plano da reorganização do governo imperial. Deu plenos poderes ao irmão, Fernando, para assinar com os revoltosos o Tratado de Passau em abril de 1552, pelo qual finalmente os príncipes tomaram papel preponderante no império alemão. Falhou sua tentativa de recuperar Metz, no outono de 1552, e a guerra se transferiu aos Países Baixos, onde permaneceu indecisa.

A situação se tornou crítica na África do Norte e na Itália, onde os turcos, os franceses e alguns estados italianos atacavam o imperador. Carlos ainda esperava uma vitória decisiva. A subida ao trono inglês em 1553 de Maria Tudor, rainha católica, dava esperanças. Estava comprometida com seu filho o Infante Filipe, casamento que se realizou em 1554 apesar do parentesco e da diferença de idade. Quando o casamento não produziu frutos, Carlos decidiu entregar a conclusão da paz a Filipe e a Fernando.

Seu irmão insistia em que a autoridade dos príncipes no império, decidida desde Passau, deveria ser legalmente confirmada por um decreto da Dieta, e aceitada a igualdade de católicos e protestantes, o que foi feito em Augsburgo, em 1555. Reuniu os Estados Gerais dos Países Baixos em Bruxelas e, diante deles, em 25 de outubro de 1555 transferiu o governo a Filipe.

Três meses mais tarde, em 16 de janeiro de 1556, transferiu para o filho a coroa da Espanha, suas colônias, terras na península Itálica e nos Países Baixos. No Sacro Império, Carlos pediu aos eleitores para aceitarem sua abdicação, e eleger Fernando como seu sucessor, o que foi feito em 28 de fevereiro de 1558. Carlos V deixou ao irmão as propriedades dos Habsburgo na Alemanha.

Mesmo assim, permaneceu preso a questões políticas e só em setembro de 1556, com suas duas irmãs (Leonor de Áustria e Maria da Hungria) viajou para a Espanha. Mesmo em seu retiro, ao lado do mosteiro em Cuacos de Yuste, chegavam-lhe mensageiros com despachos, embora não mais tomasse parte ativa no governo.

Avaliação[editar | editar código-fonte]

As dissidências religiosas produziram a crise do erasmismo na concepção política de Carlos. Os príncipes alemães que repeliram a Dieta de Augsburgo uniram-se na Liga de Esmalcalda, que se aliou a Francisco I em 1532, e este com o sultão otomano Solimão, o Magnífico . Carlos obrigou o sultão a levantar o cerco a Viena e tomou Túnis em 1535, sem evitar que a França tomasse a Saboia. Tal situação foi confirmada pela Trégua de Nice, em 1538. Em 1541], os turcos tomaram Budapeste e Francisco I combateu o imperador, conflito que teve fim pela Paz de Crépy em 1544, comprometendo-se a França a romper a aliança com o Império Otomano e a lutar pela unidade dos cristãos.

O final do seu reinado esteve ocupado por problemas alemães. Combateu e venceu os príncipes alemães em Mühlberg em 1547], mas o rei francês Henrique II se aliou à Liga de Esmalcalda. O desastre de Innsbruck em 1552, o obrigou a negociar a Paz de Augsburgo em 1555, que reconhecia a liberdade religiosa na Alemanha e significava a renúncia do imperador a seu ideal de unidade religiosa no império. Assinou com Henrique II, que tomara Metz, Toul e Verdun, a trégua de Vancelles.

Com Carlos I, a Espanha conheceu uma etapa de grande prosperidade econômica: a conquista e início da colonização da América abriram novos mercados e a chegada de metais preciosos em enorme quantidade do México e da América do Sul (ver Potosí) serviu como impulso a todas as atividades e facilitou suas campanhas bélicas. Mas a subida constante dos preços e a política imperialista terminariam por arruinar as atividades econômicas de Castela e deixar a origem da decadência que já se sentia nos anos finais do século XVI.

Sua atividade se espalhou em três frentes de resistência e ação: Europa central, submetida à ameaça dupla de protestantes e de turcos: a recuperação do horizonte norte-africano, abandonado depois das primeiras tentativas de Fernando, e a defesa do Mediterrâneo central, com bases na Itália e na Sicília, para frear o avanço turco.

No continente americano[editar | editar código-fonte]

Durante o seu reinado, Hernán Cortés conquistou o México e Juan Sebastián Elcano completou a primeira volta ao mundo (1522), que havia sido iniciada por Fernão de Magalhães.

Como em qualquer período inicial de colonização as considerações econômicas eram mais importantes, a administração dos negócios da América foi entregue a uma Casa de contratacion em Sevilha. Ao mesmo tempo, estabeleceu em nível político o Conselho das Índias. Nas colônias, havia dois vice-reinados e 29 governadores, quatro arcebispados, 24 bispados sendo gradualmente organizados. Os grandes problemas foram quanto a metrópole deveria monopolizar o produto das colônias, a questão da colonização em si, a questão do tratamento dos nativos, duplamente difícil porque seu trabalho era indispensável mas ao mesmo tempo indesejável; como estabelecer-se o cristianismo e a civilização.

Ascendência[editar | editar código-fonte]

Casamento e descendência[editar | editar código-fonte]

Desde 1504, comprometido com a filha de Luís XII de França , Cláudia de França, que mais tarde terminaria casada com Francisco I de Valois. No entanto, casou com sua prima a Infanta Isabel de Portugal (1503-1539), filha de D. Manuel I.

De Isabel de Portugal (1503-1539), filha de Manuel I, nasceram sete filhos:

  • Filipe II de Espanha (21 de maio de 1527-1598)
  • Maria de Espanha, Imperatriz da Alemanha (Madri, junho de 1528 - fevereiro de 1603). Foi imperatriz do Sacro Império Romano e Rainha da Boêmia, da Hungria e da Croácia pois casou em 13 de setembro de 1548 com Maximiliano II de Habsburgo (1527-1576), seu primo, filho de seu tio Fernando I e de Ana Jagellon da Boêmia e Hungria.
  • Isabel (nascida e morta em 1529)
  • Fernando, nascido e morto em 1530.
  • Joana de Habsburgo (Madri, junho de 1537 - setembro de 1573) casada em 11 de janeiro de 1552 em Toro com o infante João de Portugal quarto filho de D. João III e de D. Catarina da Áustria, pais do rei D. Sebastião) o desejado.
  • João, nascido e morto em 1538
  • Fernando, nascido e morto em 1539.

Para além destes, teve sete filhos ilegítimos:

  • João de Áustria. Batizado Jerônimo, nasceu em Ratisbona, em 24 de fevereiro de 1547 e morreu de peste ou tifo em Bourges, na vizinhança de Namur, Flandres, em 1 de outubro de 1578.
  • Isabel (20 de agosto de 1518 - depois de 1538), filha de sua madrasta Germana de Foix, viúva de seu avô Fernando II de Aragão. Educada pelo Inquisidor Josep Corretger, em Perpignan, morreu pouco depois da mãe e segundo o confessor de ambas, foi envenenada por ordem de Carlos V.
  • Margarida de Parma, de Espanha ou de Áustria, filha de uma flamenga de Oudenarde, chamada Margarida ou Joana (von Gante, van der Gheyst, van den Gheynst?).
  • Joana de Áustria (1522-1524), filha de uma jovem dama de aristocracia, pertencente aos círculos do Conde de Nassau. Foi transferida com a mãe para o convento de Madrigal de las Altas Torres.
  • Tadea (nasceu em 1522), filha de Ursolina della Pena, de Perugia, que se achava em Bruxelas com o marido. O imperador a viu em Roma, em 1536, ao retornar da campanha em Túnis. A mãe morreu, e Tadea teve que conviver com irmãos violentos. Casou sem consultar o pai, e escreveu-lhe em 1562 solicitando reconhecimento. Passou o resto da vida no retiro de um convento.
  • Joana, filha de uma dama cujo nome permaneceu no anonimato. Viveu sempre reclusa no convento de las Angustias em Madrid e morreu aos oito anos.
  • Joana de Áustria, filha de Diana de Talanga, senhora de Sorrento. Casada com o Príncipe de Butera, morreu em 1650.

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