Maria I de Inglaterra

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Maria I
Rainha da Inglaterra, Espanha, França,
Duas Sicílias, Jerusalém e Irlanda
Arquiduquesa da Áustria
Duquesa de Borgonha, Milão e Brabante
Condessa de Habsburgo, Flandres e Tirol
Retrato por Antônio Mouro, 1554
Rainha da Inglaterra e Irlanda
Reinado 19 de julho de 1553
a 17 de novembro de 1558
Coroação 1 de outubro de 1553
Predecessor Eduardo VI
Sucessora Isabel I
Rainha Consorte da Espanha
Reinado 16 de janeiro de 1556
a 17 de novembro de 1558
Predecessora Isabel de Portugal
Sucessora Isabel de Valois
Marido Filipe II de Espanha
Casa Tudor
Pai Henrique VIII de Inglaterra
Mãe Catarina de Aragão
Nascimento 18 de fevereiro de 1516
Palácio de Placentia, Londres, Inglaterra
Morte 17 de novembro de 1558 (42 anos)
Palácio de St. James, Londres, Inglaterra
Enterro 14 de dezembro de 1558
Abadia de Westminster, Londres, Inglaterra
Religião Catolicismo
Assinatura

Maria I (18 de fevereiro de 151617 de novembro de 1558) foi a Rainha da Inglaterra e Irlanda de julho de 1553 até sua morte. Sua perseguição e execução dos protestantes ingleses levou seus oponentes a lhe darem o epíteto de "Maria Sangrenta".

Foi a única filha do rei Henrique VIII de Inglaterra e sua primeira esposa Catarina de Aragão a chegar na idade adulta. Seu meio-irmão mais novo, Eduardo VI, sucedeu a Henrique em 1547. Ele tentou retirar Maria da linha de sucessão por diferenças religiosas ao descobrir que estava com uma doença terminal. Após sua morte, Joana Grey, prima em segundo grau dos dois, foi inicialmente proclamada rainha. Maria reuniu uma força em Anglia do Leste e depôs Joana, que acabou sendo decapitada. Ela se casou em 1554 com Filipe de Espanha, tornando-se rainha consorte da Espanha na ascensão dele em 1556.

Como a quarta monarca da Casa de Tudor, Maria é mais lembrada por restaurar o Catolicismo Romano depois do curto reinado protestante de seu meio-irmão. Em seus cinco anos de reinado, ela fez com que mais de 280 dissidentes religiosos fossem queimados. Seu restabelecimento do catolicismo foi revertido após sua morte por sua meia-irmã e sucessora Isabel I.

Início de vida[editar | editar código-fonte]

Maria nasceu no dia 18 de fevereiro de 1516 no Palácio de Placentia, em Londres. Foi a única filha do rei Henrique VIII de Inglaterra e de sua primeira esposa Catarina de Aragão a sobreviver à infância. Sua mãe teve vários abortos;[1] Catarina teve quatro gravidezes antes de seu nascimento que resultaram em uma filha natimorta e três filhos natimortos ou que morreram logo em seguida.[2] Ela foi batizada na fé católica três dias depois na Igreja dos Frades Observantes em Greenwich.[3] Seus padrinhos incluíram sua tia-avó Catarina de Iorque, Condessa de Devon, o lorde chanceler Tomás Wolsey e Inês Howard, Duquesa de Norfolk.[4] Margarida Pole, 8.ª Condessa de Salisbury e prima de Henrique, foi uma das madrinhas de Maria em sua crisma, que ocorreu imediatamente depois do batismo.[5] A própria Maria tornou-se madrinha no ano seguinte para sua prima Francisca Brandon.[6] Margarida Pole foi nomeada em 1520 como sua governanta.[7] Sir João Hussey tornou-se seu camareiro a partir de 1530, com sua esposa Ana, filha de Jorge Grey, 2.º Conde de Kent, sendo uma das criadas.[8]

Educação e planos de casamento[editar | editar código-fonte]

Maria na época de seu noivado com Carlos V. Está usando um broche quadrado com a inscrição "The Emperour".[9] Por Lucas Horenbout.

Maria era uma criança precoce.[10] Ela entreteu em julho de 1520 uma delegação francesa ao tocar o virginal (uma espécie de cravo) com apenas quatro anos e meio de idade.[11] Uma grande parte de sua educação inicial veio de sua mãe, que consultou o humanista espanhol Juan Luis Vives para conselhos e encomendou o De Institutione Feminae Christianae, uma dissertação sobre a educação de meninas.[12] Maria conseguia ler e escrever em latim aos nove anos.[13] Ela estudou francês, espanhol, música, dança e talvez grego.[14] Henrique adorava a filha e gabou-se com o embaixador veneziano Sebastian Giustiniani que "esta menina nunca chora".[15] Fisicamente, Maria tinha pele bem branca como seus pais, olhos azuis claro e um cabelo ruivo ou loiro avermelhado. Também tinha bochechas rosadas, característica que herdou do pai.[16]

Apesar da afeição que tinha pela filha, Henrique ficou muito desapontado que seu casamento não produziu nenhum filho homem.[17] Ficou aparente quando Maria tinha nove anos que Henrique e Catarina não teriam mais filhos, deixando o rei sem nenhum herdeiro homem legítimo.[18] O rei enviou a filha em 1525 para a fronteira com Gales para presidir, presumidamente apenas em nome, o Conselho de Gales e das Bordas.[19] Ela recebeu sua própria corte no Castelo de Ludlow e muitas das prerrogativas reais normalmente reservadas ao Príncipe de Gales. Vives e outros eram a favor de fazê-la Princesa de Gales em seu próprio direito, porém ela nunca foi formalmente investida com o título.[20] Maria aparentemente passou três anos nas Bordas Galesas, realizando visitas regulares à corte do pai, antes de voltar permanentemente para Londres e seus arredores na metade de 1528.[21]

Henrique negociou potenciais futuros casamentos para a filha durante sua infância. Quando tinha apenas dois anos foi prometida ao Delfim, filho criança do rei Francisco I de França, porém o contrato foi repudiado três anos depois.[22] Em 1522, aos seis anos, Maria acabou entrando em um contrato para se casar com seu primo, Carlos V, Sacro Imperador Romano-Germânico, então com 22 anos.[23] Entretanto, o compromisso foi quebrado por Carlos alguns anos depois com o consentimento de Henrique.[24] O cardeal Tomás Wolsey, principal ministro do rei, voltou então às negociações com os franceses, com Henrique sugerindo que Maria se casasse com o próprio Francisco, que estava querendo forjar uma aliança com a Inglaterra.[25] Um tratado de casamento foi assinado e ditava que ela casaria-se com Francisco ou seu segundo filho, Henrique, Duque d'Orleães,[26] porém Wolsey conseguiu firmar uma aliança com a França sem o casamento. De acordo com Mario Savorgnano, observador veneziano, Maria estava desenvolvendo-se em uma jovem bonita, bem proporcional e com um bonito rosto.[27]

Adolescência[editar | editar código-fonte]

Enquanto isso, o casamento de seus pais estava em perigo. Henrique, desapontado pela falta de um herdeiro e querendo casar-se novamente, tentou anular seu casamento com Catarina, porém o Papa Clemente VII recusou seus pedidos. O rei afirmou, citando passagens bíblicas (Levítico 20:21), que a união era impura já que Catarina era a viúva de seu irmão, Artur, Príncipe de Gales. Ela afirmou que o casamento com Artur nunca havia sido consumado e assim sendo não era válido. De fato, seu primeiro matrimônio havia sido anulado pelo Papa Júlio II nesses motivos. Clemente pode ter ficado relutante a agir por estar sendo influenciado por Carlos V, sobrinho de Catarina e ex-prometido de Maria, cujas tropas haviam cercado e ocupado Roma na Guerra da Liga de Cognac.[28]

Maria estava frequentemente doente a partir de 1531 com menstruações irregulares e depressão, apesar de não ser claro se isso foi causado por estresse, puberdade ou alguma doença mais séria.[29] Ela não recebeu permissão para visitar a mãe, que havia sido mandada embora da corte de Henrique.[30] O rei casou-se com Ana Bolena no início de 1533 e ela logo engravidou de uma criança, com Tomás Cranmer, o Arcebispo da Cantuária, formalmente declarando em maio que o casamento de Henrique com Catarina era nulo e que a união com Ana era válida. Ele rompeu com a Igreja Católica e declarou-se Chefe Supremo da Igreja Anglicana. Catarina foi rebaixada para Viúva Princesa de Gales, título que ela teria mantido como viúva de Artur, e Maria foi declarada como ilegítima. Ela foi chamada de "A srta. Maria" ao invés de princesa, com seu lugar na sucessão sendo transferido para sua recém nascida meia-irmã Isabel.[31] A própria criadagem de Maria foi dissolvida;[32] seus criados (incluindo Margarida Pole) foram dispensados de seu serviço e ela foi enviada em dezembro para juntar-se a criadagem da jovem Isabel em Hatfield, Hertfordshire.[33]

Maria recusou-se determinantemente a reconhecer Ana como rainha e Isabel como princesa, enfurecendo Henrique.[34] Maria estava sob pressão e com seus movimentos restringidos e assim ficava frequentemente doente, com o médico real culpando a condição por "mau tratamento".[35] O embaixador imperial Eustácio Chapuys tornou-se seu conselheiro próximo e tentou interceder em seu favor, sem sucesso.[36] A relação de pai e filha piorou; eles ficaram sem se falar por três anos.[37] Apesar de Maria e Catarina terem ficado doentes, ela não recebeu permissão para visitar a mãe.[38] Maria ficou "incolsolável" em 1536 quando Catarina morreu.[39] Ela foi enterrada na Catedral de Peterborough enquanto Maria ficou de luto em estado de semi-reclusão em Hunsdon, Hertfordshire.[40]

Idade adulta[editar | editar código-fonte]

Ana Bolena caiu em desgraça e acabou decapitada em 1536. Isabel, assim como Maria, foi rebaixada para ilegítima e retirada da linha de sucessão ao trono.[41] Henrique se casou com Joana Seymour duas semanas após a execução de Ana. Joana pediu ao marido que fizesse as pazes com Maria.[42] O rei insistiu que a filha o reconhecesse como chefe da Igreja Anglicana, repudiasse a supremacia papal, admitisse que seu casamento com Catarina era ilegal e aceitasse sua própria ilegitimidade. Maria tentou se reconciliar com ele ao submeter-se a sua autoridade até onde "Deus e minha consciência" permitirem, porém ela acabou sendo forçada a assinar um documento concordando com todas as exigências de Henrique.[43] Ela voltou ao seu lugar na corte depois da reconciliação.[44] Henrique lhe deu uma criadagem, que incluia a reinstalação da favorita da filha Susana Clarencieux.[45] Suas despesas da bolsa privada do período mostram que suas principais residências incluiam a Casa Hatfield, o Palácio de Beaulieu, Richmond e Hunsdon, além dos palácios de Henrique em Placentia, Westminster e Hampton Court.[46] Suas despesas incluiam roupas finas e cartas de baralho, um de seus passatempos favoritos.[47] Rebeldes no norte da Inglaterra, incluindo lorde John Hussey, 1.º Barão Hussey de Sleaford e antigo camareiro de Maria, fizeram campanha contra as reformas religiosas de Henrique, com uma de suas exigências sendo que Maria fosse considerada legítima novamente. A rebelião, conhecida como Peregrinação da Graça, foi brutalmente suprimida.[48] Hussey foi executado junto com outros rebeldes, porém não havia sugestões que Maria estivesse envolvida diretamente.[49] Joana morreu em 1537 ao dar à luz um filho, Eduardo. Maria foi feita madrinha do meio-irmão e atuou como principal pranteadora no funeral da rainha.[50]

Maria em 1544.

Maria foi cortejada a partir do final de 1539 por Filipe, Duque do Palatinado-Neuburgo, porém como luterano sua pretensão não foi bem sucedida.[51] Tomás Cromwell, principal ministro o rei, negociou durante 1539 uma potencial aliança com o Ducado de Cleves. Sugestões que ela se casasse com Guilherme, Duque de Jülich-Cleves-Berg, que tinha a mesma idade, levaram a nada, porém foi concordada a união entre Ana de Cleves, irmã do duque, e Henrique.[52] Quando ele viu Ana pela primeira vez em dezembro, uma semana antes do casamento, o rei não a achou atraente mas não podia cancelar o casamento por questões diplomáticas e pela falta de um motivo adequado.[53] Cromwell caiu em desgraça e foi preso em junho de 1540 por traição; uma das acusações improváveis contra ele era que pretendia casar-se com Maria.[54] Ana consentiu com o anulação da união, que não foi consumada, e Cromwell acabou decapitado.[55]

Henrique executou em 1541 Margarida Pole, madrinha e antiga governanta de Maria, sob o pretexto de uma conspiração católica, em que seu filho Reginaldo Pole também foi implicado.[56] Seu carrasco era "um jovem infeliz e desajeitado" que "literalmente cortou em pedaços sua cabeça e ombros".[57] Em 1542, após a execução de Catarina Howard, quinta esposa de Henrique, o rei convidou Maria para comparecer às festividades de natal.[58] Na corte, ela atuou como anfitriã enquanto seu pai não estava casado e sem uma consorte.[59] Henrique se casou em 1543 com sua sexta e última esposa, Catarina Parr, que acabou conseguindo aproximar toda a família.[60] Ele colocou Maria e Isabel de volta para a linha de sucessão atrás de Eduardo através do Terceiro Ato de Sucessão. Porém ambas continuaram legalmente ilegítimas.[61]

Henrique morreu em 1547 e foi sucedido por seu filho como Eduardo VI. Maria herdou propriedades em Norfolk, Suffolk e Essex, também recebendo Hunsdon e o Palácio de Beaulieu em seu próprio direito.[62] Já que Eduardo ainda era menor de idade, um conselho regencial formado por protestantes foi estabelecido e eles tentaram estabelecer sua fé por todo o país. Por exemplo, o Ato de Uniformidade de 1549 ditava ritos protestantes para os serviços da igreja, como o uso do Livro de Oração Comum de Tomás Cranmer. Maria permaneceu fiel ao catolicismo e celebrou de forma desafiadora a missa tradicional em sua capela pessoal. Ela apelou para seu primo Carlos V que aplicasse pressões diplomáticas exigindo que ela recebesse permissão para praticar sua religião.[63]

Maria permaneceu em suas próprias propriedades durante a maior parte do reinado de Eduardo, raramente comparecendo à corte.[64] Um plano para tirá-la secretamente da Inglaterra em julho de 1550 para a segurança da Europa continental acabou em nada.[65] As diferenças religiosas entre Eduardo e Maria continuaram. Ela compareceu a uma reunião com o rei e Isabel no natal de 1550, onde Eduardo, então com treze anos, a constrangiu na frente da corte ao publicamente reprová-la por ignorar suas leis relacionadas a religião, levando ela e ele mesmo às lágrimas.[66] Maria recusou repetidas vezes as exigências de Eduardo para que abandonasse o catolicismo.[67]

Reinado[editar | editar código-fonte]

Ascensão[editar | editar código-fonte]

Eduardo VI morreu aos quinze anos de idade em 6 de julho de 1553 de uma infecção no pulmão, possivelmente tuberculose.[68] Ele não queria que Maria fosse sua sucessora por termer que ela restauraria o catolicismo e reverteria suas reformas e as de Henrique, planejando assim exclui-la da linha de sucessão. Entretanto, seus conselheiros afirmaram que o rei não poderia deserdar apenas uma de suas meia-irmãs, significando que teria de retirar Isabel também, mesmo ela tendo crescido como anglicana. Guiado por seu regente João Dudley, 1.º Duque de Northumberland, e talvez outros, Eduardo excluiu as duas da sucessão em seu testamento.[69]

Contradizendo o Ato de Sucessão que colocava Maria e Isabel de volta para a linha de sucessão, Eduardo nomeou como sucessora Joana Grey, nora de Dudley e neta de Maria Tudor. Francisca Brandon, mãe de Joana, era a prima e madrinha de Maria. Pouco antes da morte do rei, Maria foi convocada para ir a Londres visitar seu irmão. Entretanto, ela foi avisada que as convocações eram um pretexto para capturá-la e facilitar a ascensão de Joana.[70] Ela acabou saindo de Hunsdon e fugindo para Anglia do Leste, onde tinha várias propriedades e Dudley havia brutalmente suprimido a Rebelião de Kett. Lá viviam muitos defensores da fé católica e oponentes de Dudley.[71] Maria escreveu ao Conselho Privado em 9 de julho ordenando sua proclamação como rainha e sucessora de Eduardo.[72]

Joana foi proclamada rainha por Dudley e seus apoiadores em 10 de julho, no mesmo dia que a carta de Maria chegou no conselho em Londres. Ela e seus apoiadores reuniram uma força militar no Castelo de Framlingham dois dias depois.[73] O apoio de Dudley ruiu enquanto o de Maria crescia.[74] Joana acabou deposta em 19 de julho.[75] Ela e Dudley foram aprisionados na Torre de Londres. Maria entrou em Londres triunfantemente em 3 de agosto com uma onda de apoio popular. Ela estava acompanhada por Isabel e uma procissão de mais de oitocentos nobres e cavalheiros.[76]

Uma das primeiras ações de Maria como rainha foi mandar que os católicos Tomás Howard, 3.º Duque de Norfolk, e Estêvão Gardiner fossem soltos de suas prisões na Torre de Londres, além de seu primo Eduardo Courtenay.[77] Ela compreendia que a jovem Joana era essencialmente um peão nos esquemas de Dudley, com ele sendo o único conspirador de alta posição executado por traição imediatamente depois da ascensão. Joana e seu marido lorde Guilford Dudley, apesar de considerados culpados, foram mantidos presos na Torre ao invés de imediatamente executados, enquanto o pai da primeira, Henrique Grey, 1.º Conde de Suffolk, foi solto.[78] Maria ficou em uma posição difícil já que a maioriados membros do Conselho Privado estavam implicados no plano de colocar Joana no trono.[79] Ela nomeou Gardiner para o conselho e o fez Bispo de Winchester e Lorde Chanceler, cargos que ele ocupou até sua morte em novembro de 1555. Susana Clarencieux tornou-se a Senhora das Vestes.[80] Maria foi coroada por Gardiner na Abadia de Westminster em 1º de outubro.[81]

Casamento[editar | editar código-fonte]

Filipe em 1551, por Ticiano.

Maria, então com 37 anos de idade, voltou sua atenção para encontrar um marido e produzir um herdeiro, assim impedindo que a protestante Isabel (ainda sua sucessora de acordo com o testamento de Henrique VIII e o Terceiro Ato de Sucessão) ascendesse ao trono. Tanto Eduardo Courtenay quanto Reginaldo Pole foram mencionados como possíveis pretendentes, porém Carlos V sugeriu que ela se casasse com seu filho, príncipe Filipe da Espanha.[82] Ele tinha um filho de um casamento anterior com Maria Manuela da Portugal, sendo também o herdeiro aparente de vastos territórios na Europa continental e no Novo Mundo. Como parte das negociações de casamento, um retrato de Filipe por Ticiano foi enviado a Maria em setembro de 1553.[83]

Gardiner e a Câmara dos Comuns peticionaram sem sucesso para que ela considerasse um casamento com um inglês, temendo que a Inglaterra fosse relegada como uma dependência dos Habsburgo.[84] O casamento era impopular entre o povo; o Lorde Chanceler e seus aliados eram contra na base do patriotismo, enquanto que os protestantes eram motivados pelo medo do catolicismo.[85] Insurreições começaram quando Maria insistiu na união com Filipe. Tomás Wyatt, o Jovem liderou uma força de Kent para depor Maria em favor de Isabel, parte de uma conspiração maior conhecida como a Rebelião de Wyatt, que também envolvia Henrique Grey, 1.º Duque de Suffolk e pai de Joana Grey.[86] A rainha declarou publicamente que convocaria um parlamento para discutir o casamento, e que se o parlamento julgasse desvantajosa a união para o reino, ela então deixaria de persegui-lo.[87] Wyatt foi derrotado e capturado ao chegar em Londres. Ele, Henrique Grey e sua filha Joana junto com o marido Guildford Dudley foram executados. Courtenay, que foi implicado na conspiração, foi aprisionado e depois exilado. Isabel foi aprisionada na Torre de Londres por dois meses apesar de declarar sua inocência, depois sendo colocada em prisão domiciliar no Palácio de Woodstock.[88]

Maria foi a primeira rainha soberana da Inglaterra. Além disso, sob o direito comum inglês do jure uxoris, as propriedades e títulos da esposa tornavam-se do marido com o casamento, assim muitos temiam que o homem que ela se casasse tornaria-se rei de fato e em nome.[89] Enquanto Fernando II de Aragão e Isabel I de Castela, os avós maternos de Maria, mantiveram a soberania de seus próprios reinos durante o casamento, não havia nenhum precedente na Inglaterra.[90] Sob os termos do Decreto de Casamento da Rainha Maria, Filipe seria chamado de "Rei da Inglaterra", todos os documentos oficiais seriam assinados com o nome de ambos e o parlamento seria convocado sob a autoridade conjunta do casal, porém apenas durante a vida de Maria. A Inglaterra não estaria obrigada a apoiar militarmente a Espanha e Filipe não poderia agir sem o consentimento da esposa ou nomear estrangeiros para cargos ingleses.[91] O Príncipe das Astúrias não ficou satisfeito com as condições impostas, porém concordou para assegurar a união.[92] Ele não tinha nenhum sentimento amoroso pela rainha e procurou o casamento apenas para ganhos estratégicos e políticos; seu ajudante Rui Gomes da Silva escreveu para um correspondente em Bruxelas: "o casamento foi concluído não por consideração carnal, porém a fim solucionar as desordens deste reino e preservar os Países Baixos".[93]

Carlos V abriu mão da coroa de Nápoles além de sua reivindicação ao Reino de Jerusalém para deixar o filho na mesma posição de Maria como monarca. Assim, com a união, ela se tornou Rainha de Nápoles e a titular Rainha de Jerusalém.[94] O casamento ocorreu na Catedral de Winchester em 25 de julho de 1554, dois dias após se conhecerem pela primeira vez.[95] Filipe não falava inglês, assim os dois conversaram em uma mistura espanhol, francês e latim.[96]

Falsa gravidez[editar | editar código-fonte]

Filipe e Maria por Hans Eworth.

Maria parou de menstruar em setembro de 1554. Ela ganhou peso e sentia-se nauseada pelas manhãs. Por esses motivos, praticamente toda a corte, inclusive seus médicos, acreditaram que ela estava grávida.[97] O parlamento aprovou um decreto que fazia de Filipe o regente da Inglaterra caso Maria morresse durante o parto.[98] Isabel foi solta de sua prisão domiciliar na última semana de abril de 1555 e chamada para a corte a fim de testemunhar o nascimento, que era esperado a qualquer momento.[99] De acordo com o embaixador veneziano Giovanni Michieli, Filipe pode ter planejado se casar com Isabel caso Maria morresse no parto.[100] Porém, em uma carta para seu cunhado Maximiliano da Áustria, ele expressou dúvidas se a esposa realmente estava grávida.[101]

Os serviços de ação de graças na Diocese de Londres foram realizados no final de abril depois de rumores falsos se espalharem pela Europa dizendo que Maria havia dado à luz um filho.[102] Durante maio e junho, o atraso no parto criou fofocas que a rainha não estava grávida.[103] A dama-de-companhia de Maria revelou suas dúvidas ao embaixador francês Antônio, 1.º Conde de Noailles.[104] Maria continuou a exibir sinais de gravidez até julho, quando sua barriga começou a diminuir. Não houve bebê. Michieli ridicularizou a gravidez com desdém dizendo que ela "terminará em vento ao invés de qualquer outra coisa".[105] É mais provável que tenha sido uma gravidez psicológica, talvez induzida pelo enorme desejo da rainha de ter um filho.[106] Filipe deixou a Inglaterra em agosto para comandar seu exército em Flandres contra os franceses, logo depois da desgraça da falsa gravidez que Maria considerou como "punição divina" por ter "tolerado hereges" em seu reino.[107] Ela ficou arrasada e entrou em grande depressão. Michieli ficou comovido pela dor da rainha; ele escreveu que Maria estava "extraordinariamente apaixonada" pelo marido, tendo ficado inconsolável com sua partida.[108]

Isbael ficou na corte até outubro, aparentemente tendo feito as pazes com a irmã.[109] Na falta de filhos, Filipe ficou preocupado que depois de Maria e Isabel, a próxima reivindicante ao trono inglês era a rainha Maria da Escócia, que estava prometida a Francisco, Delfim da França. Ele persuadiu a esposa que Isabel deveria se casar com seu primo Emanuel Feliberto, Duque de Saboia, a fim de garantir uma sucessão católica e preservar o interesse Habsburgo na Inglaterra, porém Isabel se recusou e não era provável que o parlamento emitisse seu consentimento.[110]

Política religiosa[editar | editar código-fonte]

Maria em 1554 por Hans Eworth.

Maria emitiu uma proclamação um mês após sua ascensão dizendo que não iria forçar seus súditos a seguirem sua religião, porém ela aprisionou reformistas proeminentes no final de setembro, como João Bradford, João Rogers, João Hooper, Hugo Latimer e Tomás Cranmer.[111] Seu primeiro parlamento, que se reuniu em outubro, declarou como válido o casamento de seus pais e aboliu as leis religiosas de Eduardo.[112] A doutrina religiosa foi restaurada na forma que havia tomado em 1539 com os Seis Artigos, que reestaeleciam o celibato do clero dentre outras coisas. Padres casados foram privados de seus benefícios.[113]

Maria sempre rejeitou a ruptura com Roma instituida por Henrique e o estabelecimento do protestantismo por Eduardo. Ela e Filipe queriam que a Inglaterra se reconciliasse com a Igreja Católica. Ele persuadiu o parlamento a revogar as leis religiosas protestantes aprovadas por Henrique, assim devolvendo a Igreja Anglicana para a jurisdição de Roma. Demorou meses para os dois lados chegarem a um acordo, e Maria e o Papa Júlio III tiveram de fazer uma grande concessão: as terras confiscadas durante a Dissolução dos Mosteiros no reinado de Henrique não foram devolvidas e permaneceram nas mãos de seus novos donos, que eram muito influentes.[114] O papa aprovou o acordo no final de 1554 e os Decretos de Heresia foram reinstituídos.[115]

Sob os Decretos de Heresia, vários protestantes foram executados nas perseguições marianas. Muitos protestantes ricos, como João Foxe, escolheram o exílio, com por volta de oitocentos deixando o país.[116] As primeiras execuções ocorreram no início de fevereiro de 1555 por um período de cinco dias: João Rogers no dia 4, Lourenço Saunders no dia 8, e Rolando Taylor e João Hooper no dia 9.[117] Tomás Cranmer, o aprisionado Arcebispo da Cantuária, foi forçado a assistir as mortes dos bispos Nicolau Ridley e Hugo Latimer na fogueira. Cranmer se retratou, rejeitou a teologia protestante e voltou para a fé católica.[118] Ele deveria ter sido absolvido como arrependido sob os processos normais da lei, porém Maria se recusou a perdoá-lo. Ele retirou sua retratação no dia de sua execução.[119] No total, 283 pessoas foram executados, a maioria na fogueira.[120] [121] As execuções na fogueira foram tão impopulares que até mesmo Alfonso de Castro, um dos membros da equipe eclesiástica de Filipe, as condenou,[122] com o conselheiro Simão Renard avisando-o que tais "imposições cruéis" poderiam "causar revoltas".[123] Maria insistiu com a política, que continuou até sua morte e exacerbou o sentimento anti-católico e anti-espanhol presente dentre o povo inglês.[124]

Reginaldo Pole, filho da governanta de Maria e certa vez um possível pretendente para sua mão, chegou como legado papal em novembro de 1554.[125] Ele foi ordenado padre e nomeado Arcebispo da Cantuária em março de 1556 imediatamente após a morte de Cranmer.[126]

Política internacional[editar | editar código-fonte]

Maria por Hans Eworth.

Durante o reinado de Maria a conquista Tudor da Irlanda foi reforçada com o estabelecimento de colonizadores nas Midlands para reduzir os ataques contra o Pale, a área ao redor de Dublin controlada pelos ingleses. Foram fundados os Condados da Rainha e do Rei, atualmente Laois e Offaly, também iniciando seus plantations. Suas principais cidades foram nomeadas Maryborough e Philipstown, atuais Port Laoise e Daingean.[127]

Carlos V abdicou de seus domínios em janeiro de 1556 e Filipe tornou-se o novo Rei da Espanha como Filipe II, com Maria sendo sua consorte. Ele ainda estavam separados; ele foi declarado em Bruxelas enquanto ela estava na Inglaterra. O novo rei negociou uma trégua instável com a França em fevereiro. Um mês depois Antônio de Noailles foi implicado em um complô contra Maria quando sir Henrique Dudley, primo de segundo grau de João Dudley, tentou reunir uma força de invasão na França. A Conspiração Dudley foi traida e os conspiradores ingleses foram descobertos. Dudley ficou em exílio no território francês e Antônio deixou a Inglaterra.[128]

Filipe voltou para a Inglaterra e ficou de março a julho de 1557 para persuadir Maria a apoiar a Espanha em uma nova guerra contra a França. A rainha era a favor de declarar guerra, porém seus conselheiros eram contra por colocar em perigo o comércio com os franceses, por ir de encontro ao tratado de casamento, do péssimo legado financeiro do reinado de Eduardo VI e por uma série de colheitas ruins que diminuiram os estoques ingleses.[129] A guerra acabou sendo declarada em junho de 1557 quando Tomás Stafford, sobrinho de Reginaldo Pole, invadiu a Inglaterra e tomou o Castelo de Scarborough com ajuda francesa em uma tentativa para depor Maria.[130] Como resultado as relações com o papado pioraram, já que o Papa Paulo IV era aliado do rei Henrique II de França.[131] Forças francesas tomaram Calais em janeiro de 1558, a última possessão inglesa na França. Apesar do lugar ser financeiramente oneroso, foi uma perda ideológica que danificou o prestígio da rainha.[132] De acordo com as Crônicas de Holinshed, Maria lamentou: "Quando eu estiver morta e aberta, encontrarás Calais em meu coração", apesar da afirmação possivelmente ser apócrifa.[133]

Economia[editar | editar código-fonte]

Moeda soberana de Maria de 1553.

Os anos do reinado de Maria foram muito húmidos. As chuvas persistentes e as enchentes subsequentes criaram fome.[134] Outro problema era o declínio do comércio de roupas com a Antuérpia.[135] A Inglaterra não se beneficiou do comércio extramamente lucrativo da Espanha com o Novo Mundo mesmo com o casamento de Maria com Filipe.[136] Os espanhóis protegiam muito suas rotas de comércio e Maria não podia realizar contrabandos e pirataria contra seu marido.[137] Para tentar aumentar o comércio e resgatar a economia inglesa os conselheiros da rainha continuaram a política de João Dudley de procurar novas oportunidades de negócios. Ela deu uma carta régia para a Companhia de Moscóvia[138] e encomendou a Diogo Homem um mapa muldi.[139] Aventureiros como João Lok e Guilherme Towerson viajaram para o sul em uma tentativa de desenvolver ligações com a costa da África.[140]

Financeiramente, seu regime tentou conciliar uma forma mais moderna de governo – com gastos correspondentemente mais altos – com o sistema medieval de recolhimento de impostos e direitos.[141] Maria manteve Guilherme Paulet, 1.º Marquês de Winchester, como Lorde Alto Tesoureiro, posição que ocupava desde o reinado de Eduardo VI, e o incumbiu de supervisionar o sistema de coleta de impostos. O fracasso da aplicação de novas tarifas em cima de novas formas de importações significou o negligenciamento de uma importante fonte de renda. Para resolver o problema o governo de Maria publicou uma versão revisada do Livro de Taxas, que listava os impostos e os direitos de cada importação. A publicação permaneceu praticamente sem revisões até 1604.[142]

A moeda inglesa havia sido desvalorizada durante os reinados de Henrique VIII e Eduardo VI. Maria iniciou planos para uma forma no sistema monetário, porém essas mudanças foram apenas implementadas após sua morte.[143]

Morte[editar | editar código-fonte]

Depois da visita de Filipe em 1557, Maria achou que estava grávida novamente e daria à luz por volta de março de 1558.[144] Ela decretou em seu testamento que seu marido fosse o regente durante a minoridade de seu filho.[145] Entretanto, novamente não houve criança e Maria foi forçada a aceitar que Isabel era sua legítima sucessora.[146]

Maria ficou doente e fraca em maio de 1558[147] e acabou morrendo no dia 17 de novembro de 1558 aos 42 anos de idade no Palácio de St. James, vítima de uma epidemia de gripe que algumas horas depois também tirou a vida de Reginaldo Pole. Ela morreu em dor, provavelmente de um cisto ovariano ou de cancro do útero.[148] Maria foi sucedida por Isabel. Filipe, que estava em Bruxelas, escreveu a sua irmã Joana que "Eu senti um arrependimento razoável pela morte dela".[149]

Apesar de afirmar em seu testamento que desejava ser enterrada ao lado da mãe na Catedral de Peterborough, ela foi enterrada na Abadia de Westminster do dia 14 de dezembro em uma tumba que eventualmente dividiria com sua meia-irmã Isabel. A inscrição em latim da tumba, Regno consortes et urna, hic obdormimus Elizabetha et Maria sorores, in spe resurrectionis (colocada por Jaime VI & I ao suceder Isabel em 1603), se traduz para: "Consortes em reino e tumba, aqui dormimos, Isabel e Maria, irmãs, na esperança de ressurreição".[150]

Legado[editar | editar código-fonte]

João White, Bispo de Winchester, elogiou Maria em seu funeral: "Ela era uma filha de rei; era uma irmã de rei; era uma esposa de rei. Ela era uma Rainha, e pelo mesmo título um Rei também".[151] Ela foi a primeira mulher a reivindicar com sucesso o trono inglês, mesmo com reivindicações rivais e grande oposição, e gozou de apoio popular e simpatia durante o início de seu reinado, especialmente dos católicos ingleses.[152] Historiadores católicos como John Lingard acharam que as políticas de Maria falharam não por serem erradas, más sim porque ela teve um reinado muito curto para estabelecê-las e por conta de desastres naturais além de seu controle.[153] As perdas militares na França, clima ruim e colheitas ruins aumentaram o descontentamento público. Filipe passou a maior parte de seu tempo no exterior enquanto mantinha a esposa na Inglaterra, deixando-a depressiva pela ausência e minada por sua incapacidade de conceber filhos. Ele tentou se casar com Isabel após a morte de Maria, porém ela recusou.[154]

Por volta do século XVII, a perseguição dos protestantes realizada por Maria levou ao seu epíteto de "Maria Sangrenta".[155] John Knox a atacou em seu The First Blast of the Trumpet Against the Monstruous Regiment of Women de 1558 e ela apareceu proeminentemente vilanizada nos Atos e Monumentos publicado por Fox em 1563. Edições subsequentes do livro permaneceram populares com protestantes pelos séculos seguintes e ajudaram a moldar as duradouras percepções de Maria como uma tirana sedenta por sangue.[156] H. F. M. Prescott tentou no século XX reparar a tradição que Maria era intolerante e autoritária ao escrever mais objetivamente, e acadêmicos posteriores passaram a ver as avaliações antigas e partidárias de Maria com maior ceticismo.[157] Apesar de no final seu reinado ter sido ineficiente e impopular, políticas de reforma fiscal, expansão naval e exploração colonial que foram depois atribuídas como realizações de Isabel, começaram na verdade no reinado de Maria.[157] [158]

Títulos, estilos e brasões[editar | editar código-fonte]

O brasão de Maria I, impalado com os de seu marido Filipe II.

Ao ascender, Maria foi proclamada rainha com o mesmo estilo oficial usado para Henrique VIII e Eduardo VI: "Maria, pela Graça de Deus, Rainha da Inglaterra, França e Irlanda, Defensora da Fé, e Chefe Suprema na Terra da Igreja da Inglaterra e da Irlanda". O título Chefe Suprema da Igreja era repugnante para seu catolicismo e passou a ser omitido a partir do natal de 1553.[159]

Sob os termos do tratado de casamento de Maria com Filipe, o estilo oficial conjunto refletia não apenas os domínios e reivindicações dela mas também os dele: "Filipe e Maria, pela Graça de Deus, Rei e Rainha da Inglaterra, França, Nápoles, Jerusalém e Irlanda, Defensores da Fé, Príncipes da Espanha e Sicília, Arquiduques da Áustria, Duques de Milão, Borgonha e Brabante, Condes de Habsburgo, Flandres e Tirol".[94] Esse estilo, que começou a ser usado em 1554, foi substituído quando Filipe herdou o trono espanhol em 1556 e passou a ser: "Filipe e Maria, pela Graça de Deus, Rei e Rainha da Inglaterra, Espanha, França, Duas Sicílias, Jerusalém e Irlanda, Defensores da Fé, Arquiduques da Áustria, Duques de Borgonha, Milão e Brabante, Condes de Habsburgo, Flandres e Tirol".[160]

O brasão de armas de Maria era o mesmo usado por seus predecessores desde Henrique IV: Esquartelado; I & IV azure, três flores-de-lis or (pela França); II & III goles, três leões or passant guardant em pala (pela Inglaterra). Seu brasão era algumas vezes impalado (mostrado lado a lado) com o do marido. Maria adotou como seu lema Veritas Temporis Filia ("Verdade, a Filha do Tempo").[161]

Árvore genealógica[editar | editar código-fonte]

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Ricardo, Duque de Iorque
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Eduardo IV
 
 
 
Jorge, Duque
de Clarence
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Isabel I
 
Fernando II
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Henrique VII
 
Isabel de Iorque
 
 
 
Margarida Pole,
8.ª Condessa de Salisbury
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Joana de Castela
 
Maria de Aragão
 
Catarina de Aragão
 
 
 
 
 
Henrique VIII
 
 
 
Margarida Tudor
 
Maria Tudor
 
Reginaldo Pole
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Carlos V
 
Isabel de Portugal
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Jaime V
 
Francisca Brandon
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Filipe II
 
 
 
 
 
Maria I
 
Isabel I
 
Eduardo VI
 
Maria
 
Joana Grey
 
 
 
 
 

Ancestrais[editar | editar código-fonte]

Referências

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Bibliografia[editar | editar código-fonte]

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  • Tittler, Robert. The Reign of Mary I. 2ª ed. Londres & Nova Iorque: Longman, 1991. ISBN 0-582-06107-5
  • Waller, Maureen. Sovereign Ladies: The Six Reigning Queens of England. Nova Iorque: St. Martin's Press, 2006. ISBN 0-312-33801-5
  • Weir, Alison. Britain's Royal Families: The Complete Genealogy. Londres: Pimlico, 1996. ISBN 0-7126-7448-9
  • Whitelock, Anna. Mary Tudor: England's First Queen. Londres: Bloomsbury, 2009. ISBN 978-0-7475-9018-7

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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Maria I de Inglaterra
Casa de Tudor
18 de fevereiro de 1516 – 17 de novembro de 1558
Precedida por
Eduardo VI
Coat of Arms of England (1554-1558).svg
Rainha da Inglaterra e Irlanda
19 de junho de 1553 – 17 de novembro de 1558
Sucedida por
Isabel I
Precedida por
Isabel de Portugal
Rainha Consorte da Espanha
16 de janeiro de 1556 – 17 de novembro de 1558
Sucedida por
Isabel de Valois